Eleições Ceará: vitória do acordão e nova chance para a oposição - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Eleições Ceará: vitória do acordão e nova chance para a oposição

Por Wanfil em Eleições 2018

08 de outubro de 2018

Divulgação/Facebook

Reeleito com o recorde de 79% dos votos válidos, o governador  Camilo Santana (PT) superou até mesmo a votação dos seus seus padrinhos políticos Cid e Ciro Gomes. Apesar disso, a oposição também conseguiu alguns êxitos que ajudam a compor – lá vem o clichê! – o recado das urnas.

Eduardo Girão, do Pros, surpreendeu ao derrotar Eunício Oliveira (MDB), preside08nte do Senado que contava com o apoio pessoal do governador com a maior votação proporcional do País. Tem mais. Capitão Wagner (Pros) e André Fernandes (PSL) foram respectivamente os deputados federal e estadual mais votados no Ceará.

Como avaliar o bom desempenho de candidatos contrários a um governo com ampla aprovação? “O homem é o homem e suas circunstâncias” disse Ortega Y Gasset. Pois é, o estilo cordato de Camilo se casou perfeitamente com algumas das fragilidades e contradições da nossa cultura política. O pendor para a conciliação encontrou terreno fértil na tradição adesista da política cearense. O avanço sobre grupos regionais sem identidade ideológica clara foi tranquilo. Até lideranças e partidos de oposição mudaram de lado e para aderir em troca de apoio eleitoral, cargos e verbas.

Na verdade, essa disposição para a superação de divergências que noutros países parecem insuperáveis, é uma espécie de tradição brasileira, muito bem demonstrada na obra do historiador Paulo Mercadante, especialmente em “A consciência conservadora no Brasil”. Por um lado, evita conflitos diretos como guerras civis (Mercadante cita como exemplo a Guerra de Secessão americana, no Séc. 19); por outro, enfraquece valores, sempre acabam relativizados em nome do pragmatismo. No fim, as negociatas prevalecem sobre os princípios, que com o tempo, perdem o sentido e viram apenas pretextos para justificar as idas e vindas de grupos políticos para permanecer próximo ao poder. Mercadante viu tudo isso nas articulações de grupos conservadores na início da República no Brasil. Hoje, isso é notório, a esquerda assimilou a prática.

No Ceará, as virtudes da gestão Camilo conseguiram conter e reduzir desgastes causados por seus erros. Isso não é pouco. Mas o acordão que reuniu 24 partidos na sua base eleitoral, reunindo até desafetos recentes, e a cooptação de parte da oposição foram fundamentais para evitar percalços no caminho da reeleição. A oposição, por sua vez, ganhou de eleitores a chance de se reorganizar

Por fim, resta ver para onde soprarão os ventos da eleição presidencial. Isso pode mudar a relação de forças no estado, mas isso fica para outro texto.

(Texto publicado originalmente no Portal Tribuna do Ceará)

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Eleições Ceará: vitória do acordão e nova chance para a oposição

Por Wanfil em Eleições 2018

08 de outubro de 2018

Divulgação/Facebook

Reeleito com o recorde de 79% dos votos válidos, o governador  Camilo Santana (PT) superou até mesmo a votação dos seus seus padrinhos políticos Cid e Ciro Gomes. Apesar disso, a oposição também conseguiu alguns êxitos que ajudam a compor – lá vem o clichê! – o recado das urnas.

Eduardo Girão, do Pros, surpreendeu ao derrotar Eunício Oliveira (MDB), preside08nte do Senado que contava com o apoio pessoal do governador com a maior votação proporcional do País. Tem mais. Capitão Wagner (Pros) e André Fernandes (PSL) foram respectivamente os deputados federal e estadual mais votados no Ceará.

Como avaliar o bom desempenho de candidatos contrários a um governo com ampla aprovação? “O homem é o homem e suas circunstâncias” disse Ortega Y Gasset. Pois é, o estilo cordato de Camilo se casou perfeitamente com algumas das fragilidades e contradições da nossa cultura política. O pendor para a conciliação encontrou terreno fértil na tradição adesista da política cearense. O avanço sobre grupos regionais sem identidade ideológica clara foi tranquilo. Até lideranças e partidos de oposição mudaram de lado e para aderir em troca de apoio eleitoral, cargos e verbas.

Na verdade, essa disposição para a superação de divergências que noutros países parecem insuperáveis, é uma espécie de tradição brasileira, muito bem demonstrada na obra do historiador Paulo Mercadante, especialmente em “A consciência conservadora no Brasil”. Por um lado, evita conflitos diretos como guerras civis (Mercadante cita como exemplo a Guerra de Secessão americana, no Séc. 19); por outro, enfraquece valores, sempre acabam relativizados em nome do pragmatismo. No fim, as negociatas prevalecem sobre os princípios, que com o tempo, perdem o sentido e viram apenas pretextos para justificar as idas e vindas de grupos políticos para permanecer próximo ao poder. Mercadante viu tudo isso nas articulações de grupos conservadores na início da República no Brasil. Hoje, isso é notório, a esquerda assimilou a prática.

No Ceará, as virtudes da gestão Camilo conseguiram conter e reduzir desgastes causados por seus erros. Isso não é pouco. Mas o acordão que reuniu 24 partidos na sua base eleitoral, reunindo até desafetos recentes, e a cooptação de parte da oposição foram fundamentais para evitar percalços no caminho da reeleição. A oposição, por sua vez, ganhou de eleitores a chance de se reorganizar

Por fim, resta ver para onde soprarão os ventos da eleição presidencial. Isso pode mudar a relação de forças no estado, mas isso fica para outro texto.

(Texto publicado originalmente no Portal Tribuna do Ceará)