Diferenças e semelhanças (sim, elas existem) entre petistas e bolsonaristas - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Diferenças e semelhanças (sim, elas existem) entre petistas e bolsonaristas

Por Wanfil em Eleições 2018

01 de setembro de 2018

Movimento apartidário e descentralizado que nasceu da insatisfação contra o politicamente correto e a corrupção, o bolsonarismo ganhou ares de causa ao incorporar o antipetismo. Velho ator político na cena brasileira, o petismo, combalido por escândalos e pela recessão, viu nas diatribes de um deputado do baixo clero a oportunidade de resgatar a mística da luta do bem contra o mal.

Assim, o bolsonarismo depende do antipetismo para ir além da imagem de Jair Bolsonaro e o petismo precisa do antibolsonarismo para superar a prisão de Lula por crime de corrupção. São forças que se retroalimentam e que se fortalecem mutuamente.

A crença no voluntarismo, no personalismo e no populismo, a dificuldade em reconhecer a legitimidade do adversário e a retórica agressiva dos seus adeptos são outras características em comum.

Existem, claro, diferenças marcantes. A primeira e mais óbvia é que o antibolsonarismo conta com o apoio de partidos políticos de esquerda, com longa tradição no aparelhamento do funcionalismo público, dos movimentos sociais, artes, redações, sindicatos e universidades.

Já o antipetismo é difuso, fruto das redes sociais. Não conta com estruturas tradicionais da política, resistindo e avançando sem partidos, recursos e estratégias bem articuladas, quase que no improviso, encontrando em Bolsonaro uma válvula de escape. É fenômeno novo e inusitado à espera de interpretação mais acurada.

São diferenças importantes e que produziram uma profunda divisão política no Brasil. Dificilmente o resultado das eleições conseguirá apaziguar o cenário. Uma vez no poder, é impossível antever as ações práticas inspiradas pelo antipetismo ou pelo antibolsonarismo. É que o petismo agora já não é o petismo “Lulinha paz e amor” do passado, mas um novo, ressentido com a perda da hegemonia moral do debate político e com a Lava Jato. Do outro lado, o bolsonarismo é uma incógnita que acena, sem maiores detalhes, com intenções liberais na economia e conservadoras no campo moral.

Caso o vencedor não consiga efetivar as reformas necessárias, é bem provável que um ou outro venha a repetir, no exercício do poder, a mesma lógica que os motiva hoje na campanha, fazendo dos seus adversários, reais ou imaginários, a razão maior e prioritária para a sua própria existência. O resto é o resto.

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Diferenças e semelhanças (sim, elas existem) entre petistas e bolsonaristas

Por Wanfil em Eleições 2018

01 de setembro de 2018

Movimento apartidário e descentralizado que nasceu da insatisfação contra o politicamente correto e a corrupção, o bolsonarismo ganhou ares de causa ao incorporar o antipetismo. Velho ator político na cena brasileira, o petismo, combalido por escândalos e pela recessão, viu nas diatribes de um deputado do baixo clero a oportunidade de resgatar a mística da luta do bem contra o mal.

Assim, o bolsonarismo depende do antipetismo para ir além da imagem de Jair Bolsonaro e o petismo precisa do antibolsonarismo para superar a prisão de Lula por crime de corrupção. São forças que se retroalimentam e que se fortalecem mutuamente.

A crença no voluntarismo, no personalismo e no populismo, a dificuldade em reconhecer a legitimidade do adversário e a retórica agressiva dos seus adeptos são outras características em comum.

Existem, claro, diferenças marcantes. A primeira e mais óbvia é que o antibolsonarismo conta com o apoio de partidos políticos de esquerda, com longa tradição no aparelhamento do funcionalismo público, dos movimentos sociais, artes, redações, sindicatos e universidades.

Já o antipetismo é difuso, fruto das redes sociais. Não conta com estruturas tradicionais da política, resistindo e avançando sem partidos, recursos e estratégias bem articuladas, quase que no improviso, encontrando em Bolsonaro uma válvula de escape. É fenômeno novo e inusitado à espera de interpretação mais acurada.

São diferenças importantes e que produziram uma profunda divisão política no Brasil. Dificilmente o resultado das eleições conseguirá apaziguar o cenário. Uma vez no poder, é impossível antever as ações práticas inspiradas pelo antipetismo ou pelo antibolsonarismo. É que o petismo agora já não é o petismo “Lulinha paz e amor” do passado, mas um novo, ressentido com a perda da hegemonia moral do debate político e com a Lava Jato. Do outro lado, o bolsonarismo é uma incógnita que acena, sem maiores detalhes, com intenções liberais na economia e conservadoras no campo moral.

Caso o vencedor não consiga efetivar as reformas necessárias, é bem provável que um ou outro venha a repetir, no exercício do poder, a mesma lógica que os motiva hoje na campanha, fazendo dos seus adversários, reais ou imaginários, a razão maior e prioritária para a sua própria existência. O resto é o resto.