A primeira semana do segundo turno: surpresa, corrupção e mudanças - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

A primeira semana do segundo turno: surpresa, corrupção e mudanças

Por Wanfil em Eleições 2014

11 de outubro de 2014

mudanças

Todos falam em mudar, até quem deseja continuar.

A primeira semana do segundo turno pode ser resumida assim:

Presidência do Brasil – O candidato Aécio Neves, do PSDB, surpreendeu ao aparecer na liderança em todas as pesquisas divulgadas na semana. Sua propaganda, naturalmente, procurou refletir esse movimento ascendente, apresentando diversas lideranças e outros candidatos que declararam apoio agora, no início do segundo turno. Nessa linha, se apresenta como a verdadeira mudança e por aí vai.

A candidata à reeleição Dilma Rousseff, do PT, começou a semana buscando despertar o medo no eleitorado em relação ao adversário, especialmente na área econômica. Como o país vive uma recessão técnica, a solução é se agarrar aos índices de desemprego, que ainda são baixos (mas que já começam a declinar, segundo o IBGE). No entanto, com as graves denúncias na deleção premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa lançando suspeitas sobre o financiamento da campanha presidencial do PT em 2010, Dilma precisou mudar a abordagem em seu programa no final da semana, colocando a corrupção no centro do debate, dizendo que não tolera desvios e que, nesse caso em particular, desconfia de denúncias feitas em período eleitoral.

Governo do Ceará – O candidato Camilo Santana, do PT, buscou em seu programa enaltecer o fato de ter chegado à frente no primeiro turno, ao contrário do que mostravam as pesquisas, embora houvesse empate técnico. Para não mostrar que a diferença foi apertada, de 1,4%, seu programa exalta os números absolutos, que dão a impressão de ter sido maior a distância. De resto, não abordou a polêmica da suposta milícia que teria agido contra sua campanha no Ceará, conforme alardeia e garante Ciro Gomes. Na verdade, Camilo evita a todo custo entrar em discussões, principalmente as que envolvem segurança pública, pior área da gestão.

Eunício Oliveira, do PMDB, conseguiu manter o acordo de neutralidade feito com Lula e Dilma. Na propaganda, denuncia uso da máquina com alusões a casos de compra de votos e abuso do poder político, mostrando, inclusive, o governador Cid Gomes atuando em defesa de um vereador preso em Sobral no dia da eleição. A ideia parece ser a de intensificar a rejeição do eleitor ao estilo da família Ferreira Gomes.

Todos querem mesmo mudar?
Em comum nos programas eleitorais de todos esses candidatos há o discurso de mudança. A oposição, por motivos óbvios, já que é seu dever mostrar-se diferente para viabilizar-se como alternativa; a situação, por conveniência, uma vez que deseja mesmo é evitar grandes alterações. Isso é compreensível, na medida em que o resultado das urnas mostraram que a some de votos para opositores superou o desempenho dos candidatos governistas, deixando as disputas acirradas e imprevisíveis até o momento.

Dilma chega a falar em “novo governo, novas ideias”, como se fosse assim um alter ego da presidente em exercício, e Camilo afirma que irá melhorar o que não foi bem. O desafio aí é explicar ao eleitor como mesmo estando no poder, os governos não fizeram antes as correções de rumo ou impediram o agravamento de problemas (economia e segurança pública, sobretudo). Afinal, estavam esperando o quê?

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A primeira semana do segundo turno: surpresa, corrupção e mudanças

Por Wanfil em Eleições 2014

11 de outubro de 2014

mudanças

Todos falam em mudar, até quem deseja continuar.

A primeira semana do segundo turno pode ser resumida assim:

Presidência do Brasil – O candidato Aécio Neves, do PSDB, surpreendeu ao aparecer na liderança em todas as pesquisas divulgadas na semana. Sua propaganda, naturalmente, procurou refletir esse movimento ascendente, apresentando diversas lideranças e outros candidatos que declararam apoio agora, no início do segundo turno. Nessa linha, se apresenta como a verdadeira mudança e por aí vai.

A candidata à reeleição Dilma Rousseff, do PT, começou a semana buscando despertar o medo no eleitorado em relação ao adversário, especialmente na área econômica. Como o país vive uma recessão técnica, a solução é se agarrar aos índices de desemprego, que ainda são baixos (mas que já começam a declinar, segundo o IBGE). No entanto, com as graves denúncias na deleção premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa lançando suspeitas sobre o financiamento da campanha presidencial do PT em 2010, Dilma precisou mudar a abordagem em seu programa no final da semana, colocando a corrupção no centro do debate, dizendo que não tolera desvios e que, nesse caso em particular, desconfia de denúncias feitas em período eleitoral.

Governo do Ceará – O candidato Camilo Santana, do PT, buscou em seu programa enaltecer o fato de ter chegado à frente no primeiro turno, ao contrário do que mostravam as pesquisas, embora houvesse empate técnico. Para não mostrar que a diferença foi apertada, de 1,4%, seu programa exalta os números absolutos, que dão a impressão de ter sido maior a distância. De resto, não abordou a polêmica da suposta milícia que teria agido contra sua campanha no Ceará, conforme alardeia e garante Ciro Gomes. Na verdade, Camilo evita a todo custo entrar em discussões, principalmente as que envolvem segurança pública, pior área da gestão.

Eunício Oliveira, do PMDB, conseguiu manter o acordo de neutralidade feito com Lula e Dilma. Na propaganda, denuncia uso da máquina com alusões a casos de compra de votos e abuso do poder político, mostrando, inclusive, o governador Cid Gomes atuando em defesa de um vereador preso em Sobral no dia da eleição. A ideia parece ser a de intensificar a rejeição do eleitor ao estilo da família Ferreira Gomes.

Todos querem mesmo mudar?
Em comum nos programas eleitorais de todos esses candidatos há o discurso de mudança. A oposição, por motivos óbvios, já que é seu dever mostrar-se diferente para viabilizar-se como alternativa; a situação, por conveniência, uma vez que deseja mesmo é evitar grandes alterações. Isso é compreensível, na medida em que o resultado das urnas mostraram que a some de votos para opositores superou o desempenho dos candidatos governistas, deixando as disputas acirradas e imprevisíveis até o momento.

Dilma chega a falar em “novo governo, novas ideias”, como se fosse assim um alter ego da presidente em exercício, e Camilo afirma que irá melhorar o que não foi bem. O desafio aí é explicar ao eleitor como mesmo estando no poder, os governos não fizeram antes as correções de rumo ou impediram o agravamento de problemas (economia e segurança pública, sobretudo). Afinal, estavam esperando o quê?