O oráculo das pesquisas e o frenesi eleitoral - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O oráculo das pesquisas e o frenesi eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

24 de outubro de 2014

Quanto mais próximo fica o dia da decisão nas urnas, maior é a ansiedade geral pelas revelações das pesquisas eleitorais, esses oráculos da cultura empirista. Entre militantes partidários e ocupantes de cargos comissionados a expectativa pode degenerar até em manifestações de histeria nas redes sociais. Para os demais torcedores, fica o frenesi típico das competições. Para a satisfação desse público ávido por indícios de vitória para os seus preferidos ou de derrota para os adversários, uma saraivada de levantamentos realizada nesta semana.

Para a Presidência da República, Ibope e Datafolha mostram que Dilma Rousseff (PT) abriu uma vantagem sobre Aécio Neves (PSDB) que supera as margens de erro de cada instituto. Margens de erro, vale lembrar, bastante questionadas por todos, uma vez que os erros têm avançado para muito além dessas margens em eleições recentes.

Contando apenas os votos válidos, o Ibope mostra a petista com 54%, contra 46% de Aécio. No Datafolha, o placar é de 53% a 47%. Pesquisas não revelam o futuro, claro, mas captam tendências do presente, a partir das quais é possível fazer projeções que são, no fundo, apostas. Nesse sentido, servem para ajustar propagandas e a comunicação de candidaturas. É como tirar uma fotografia na ventania: tudo está em movimento o tempo todo e o que parece ir para um lado, de repente, pode ir para outro. Dilma, por exemplo, ganhou no primeiro turno, depois Aécio a ultrapassou no início do segundo turno e agora a presidente volta à liderança. Haverá tempo para uma nova troca de posições? Só as urnas dirão. Essas essas amostragens já foram traídas pelos eleitores nesta mesma eleição.

Até certo ponto, essa imprevisibilidade tem alimentado também uma disposição para o vale-tudo eleitoral. O governo federal impediu, nesta semana, a divulgação de números sobre a pobreza e a educação, levantando suspeitas de que não seriam bons para a candidata oficial.

No Ceará, uma pesquisa Datafolha encomendada pelos jornais Folha de São Paulo e O Povo mostra Camilo Santana (PT) com 57% e Eunício Oliveira (PMDB) com 38%. Aí já se trata de uma distância considerável, mas que não serve de antecipação de resultado, uma vez que destoa do equilíbrio que caracterizou a disputa na últimas quatro semanas.

Todo cuidado é recomendado para não confundir pesquisa com eleição. Não estou aqui desconfiando de nada. Acredito que os institutos busquem fazer o melhor que podem, pois vivem da credibilidade que conquistam. O problema é que as últimas eleições mostraram que boa parte dos eleitores deixa para consolidar suas escolhas no dia de votar. Além dessa variável, digamos, cultural, é preciso considerar as abstenções, que podem atingir as candidaturas de forma diferente, com maior ou menor intensidade.

É isso. Os institutos de pesquisa captam tendências, mas estas, pelo que temos visto, podem mudar bastante em curto espaço de tempo. Foi assim no primeiro turno. Pesquisas eleitorais são como previsões meteorológicas: tem ciência, mas são demasiadamente imprecisas por conta do imponderável. Por isso a tensão continuará grande até o próximo domingo.

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O oráculo das pesquisas e o frenesi eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

24 de outubro de 2014

Quanto mais próximo fica o dia da decisão nas urnas, maior é a ansiedade geral pelas revelações das pesquisas eleitorais, esses oráculos da cultura empirista. Entre militantes partidários e ocupantes de cargos comissionados a expectativa pode degenerar até em manifestações de histeria nas redes sociais. Para os demais torcedores, fica o frenesi típico das competições. Para a satisfação desse público ávido por indícios de vitória para os seus preferidos ou de derrota para os adversários, uma saraivada de levantamentos realizada nesta semana.

Para a Presidência da República, Ibope e Datafolha mostram que Dilma Rousseff (PT) abriu uma vantagem sobre Aécio Neves (PSDB) que supera as margens de erro de cada instituto. Margens de erro, vale lembrar, bastante questionadas por todos, uma vez que os erros têm avançado para muito além dessas margens em eleições recentes.

Contando apenas os votos válidos, o Ibope mostra a petista com 54%, contra 46% de Aécio. No Datafolha, o placar é de 53% a 47%. Pesquisas não revelam o futuro, claro, mas captam tendências do presente, a partir das quais é possível fazer projeções que são, no fundo, apostas. Nesse sentido, servem para ajustar propagandas e a comunicação de candidaturas. É como tirar uma fotografia na ventania: tudo está em movimento o tempo todo e o que parece ir para um lado, de repente, pode ir para outro. Dilma, por exemplo, ganhou no primeiro turno, depois Aécio a ultrapassou no início do segundo turno e agora a presidente volta à liderança. Haverá tempo para uma nova troca de posições? Só as urnas dirão. Essas essas amostragens já foram traídas pelos eleitores nesta mesma eleição.

Até certo ponto, essa imprevisibilidade tem alimentado também uma disposição para o vale-tudo eleitoral. O governo federal impediu, nesta semana, a divulgação de números sobre a pobreza e a educação, levantando suspeitas de que não seriam bons para a candidata oficial.

No Ceará, uma pesquisa Datafolha encomendada pelos jornais Folha de São Paulo e O Povo mostra Camilo Santana (PT) com 57% e Eunício Oliveira (PMDB) com 38%. Aí já se trata de uma distância considerável, mas que não serve de antecipação de resultado, uma vez que destoa do equilíbrio que caracterizou a disputa na últimas quatro semanas.

Todo cuidado é recomendado para não confundir pesquisa com eleição. Não estou aqui desconfiando de nada. Acredito que os institutos busquem fazer o melhor que podem, pois vivem da credibilidade que conquistam. O problema é que as últimas eleições mostraram que boa parte dos eleitores deixa para consolidar suas escolhas no dia de votar. Além dessa variável, digamos, cultural, é preciso considerar as abstenções, que podem atingir as candidaturas de forma diferente, com maior ou menor intensidade.

É isso. Os institutos de pesquisa captam tendências, mas estas, pelo que temos visto, podem mudar bastante em curto espaço de tempo. Foi assim no primeiro turno. Pesquisas eleitorais são como previsões meteorológicas: tem ciência, mas são demasiadamente imprecisas por conta do imponderável. Por isso a tensão continuará grande até o próximo domingo.