Justiça proíbe ofensas de Ciro a Eunício e sem querer ajuda Camilo - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Justiça proíbe ofensas de Ciro a Eunício e sem querer ajuda Camilo

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de agosto de 2014

A coligação “Ceará de Todos”, do candidato a governador Eunício Oliveira (PMDB), entrou com ação na Justiça Eleitoral contra integrantes da coligação “Para o Ceará Seguir Mudando”, do petista Camilo Santana, reclamando de ofensas e acusações dirigidas ao peemedebista. O pedido foi aceito e uma liminar determina que o governador Cid Gomes (Pros), o secretário da Saúde, Ciro Gomes (Pros) e o candidato Camilo Santana “se abstenham de promover propaganda eleitoral contendo suposta calúnia, difamação ou injúria” a respeito de Eunício.

Liberdade de expressão
Não se trata de censura prévia, mas de preservar a disputa eleitoral dentro dos limites da legalidade. Ciro Gomes anda dizendo em redes sociais e eventos eleitorais de Camilo que Eunício enriqueceu ilicitamente por meio de contratos obscuros com o governo federal (aliado de Ciro, Cid e Camilo). Cada um é livre para dizer o que quer, mas, nesse caso, sem provas, fica o dito pelo não dito. Uma coisa é o sujeito dizer que o ex-presidente nacional do PT José Genoíno é corrupto, afinal, o caso do mensalão foi julgado pelo STF; outra é sair falando genericamente que candidatos de oposição são corruptos na base do “deixa que eu tenho as costas largas”. Nesse nível, todos poderiam chamar os oponentes de traficantes ou de gangsteres, sem arcar com a responsabilidade do que dizem. Não é por aí. Se realmente sabem de alguma coisa que incriminem alguém, Ciro e Cid devem encaminhar suas acusações às autoridades competentes. Se existem suspeitas públicas contra o adversário, nada impede que sejam mostradas na campanha, desde que tratadas como o que são: suspeitas.

É claro que Eunício poderia entrar com processos de difamação e calúnia na justiça comum, mas como essas ações demoram, até lá, ganhando ou perdendo a questão, as eleições já teriam passado e o objetivo das acusações sem provas feitas pelos governistas teria sido alcançado. Nesse caso, afirmações criminosas poderiam afetar o pleito.

Por que não te calas?
Apesar de parecer um revés contra Camilo, a liminar acabou sendo um favor à sua candidatura, por obrigar o combativo e verborrágico aliado Ciro Gomes a não ofender seu adversário. Ciro possui uma inteligência rara, mas é de conhecimento geral que seus arroubos retóricos muitas vezes são inoportunos. A lista de confusões e contradições é grande, tanto que alongaria em demasia esse texto. Basta uma pesquisa no Google para conferir esse potencial desastroso.

De lados opostos e agora livre das amarras das conveniências, Ciro partiu para o ataque contra o ex-aliado do irmão, justamente no mais sensível dos momentos políticos: as eleições. De cara, ao fazer ainda na pré-campanha insinuações sobre o patrimônio de Eunício, chamando-o jocosamente de “riquinho”, alertou o adversário que, precavido, cuidou de trabalhar uma resposta indireta no horário eleitoral. Assim, a propaganda do PMDB enfatiza com competência a origem humilde do candidato Eunício e fez de sua ascensão financeira um valor positivo ligado ao trabalho. Ponto. Atento, o PMDB não caiu na tentação de retrucar na mesma moeda, rebaixando o debate a uma troca de insultos que soaria antipático ao eleitor, com o risco de parecer movido pelo despeito, o ressentimento e a inveja. Ponto de novo.

Recentemente, o advogado Reno Ximenes, amigo de Cid, publicou texto no Facebook alertando para o descontrole das “interferências” de Ciro, classificadas como “prejudiciais”. Pois bem, a Justiça fez o que muitos aliados do governador secretamente desejavam: tirar Ciro dessa linha de frente agressiva. Por vias tortas, acabou ajudando Camilo. Sem ter que ser preocupar com as gafes do aliado famoso, a campanha do Pros/PT (Pros na frente porque é quem manda) pode se concentrar melhor no próprio candidato.

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Justiça proíbe ofensas de Ciro a Eunício e sem querer ajuda Camilo

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de agosto de 2014

A coligação “Ceará de Todos”, do candidato a governador Eunício Oliveira (PMDB), entrou com ação na Justiça Eleitoral contra integrantes da coligação “Para o Ceará Seguir Mudando”, do petista Camilo Santana, reclamando de ofensas e acusações dirigidas ao peemedebista. O pedido foi aceito e uma liminar determina que o governador Cid Gomes (Pros), o secretário da Saúde, Ciro Gomes (Pros) e o candidato Camilo Santana “se abstenham de promover propaganda eleitoral contendo suposta calúnia, difamação ou injúria” a respeito de Eunício.

Liberdade de expressão
Não se trata de censura prévia, mas de preservar a disputa eleitoral dentro dos limites da legalidade. Ciro Gomes anda dizendo em redes sociais e eventos eleitorais de Camilo que Eunício enriqueceu ilicitamente por meio de contratos obscuros com o governo federal (aliado de Ciro, Cid e Camilo). Cada um é livre para dizer o que quer, mas, nesse caso, sem provas, fica o dito pelo não dito. Uma coisa é o sujeito dizer que o ex-presidente nacional do PT José Genoíno é corrupto, afinal, o caso do mensalão foi julgado pelo STF; outra é sair falando genericamente que candidatos de oposição são corruptos na base do “deixa que eu tenho as costas largas”. Nesse nível, todos poderiam chamar os oponentes de traficantes ou de gangsteres, sem arcar com a responsabilidade do que dizem. Não é por aí. Se realmente sabem de alguma coisa que incriminem alguém, Ciro e Cid devem encaminhar suas acusações às autoridades competentes. Se existem suspeitas públicas contra o adversário, nada impede que sejam mostradas na campanha, desde que tratadas como o que são: suspeitas.

É claro que Eunício poderia entrar com processos de difamação e calúnia na justiça comum, mas como essas ações demoram, até lá, ganhando ou perdendo a questão, as eleições já teriam passado e o objetivo das acusações sem provas feitas pelos governistas teria sido alcançado. Nesse caso, afirmações criminosas poderiam afetar o pleito.

Por que não te calas?
Apesar de parecer um revés contra Camilo, a liminar acabou sendo um favor à sua candidatura, por obrigar o combativo e verborrágico aliado Ciro Gomes a não ofender seu adversário. Ciro possui uma inteligência rara, mas é de conhecimento geral que seus arroubos retóricos muitas vezes são inoportunos. A lista de confusões e contradições é grande, tanto que alongaria em demasia esse texto. Basta uma pesquisa no Google para conferir esse potencial desastroso.

De lados opostos e agora livre das amarras das conveniências, Ciro partiu para o ataque contra o ex-aliado do irmão, justamente no mais sensível dos momentos políticos: as eleições. De cara, ao fazer ainda na pré-campanha insinuações sobre o patrimônio de Eunício, chamando-o jocosamente de “riquinho”, alertou o adversário que, precavido, cuidou de trabalhar uma resposta indireta no horário eleitoral. Assim, a propaganda do PMDB enfatiza com competência a origem humilde do candidato Eunício e fez de sua ascensão financeira um valor positivo ligado ao trabalho. Ponto. Atento, o PMDB não caiu na tentação de retrucar na mesma moeda, rebaixando o debate a uma troca de insultos que soaria antipático ao eleitor, com o risco de parecer movido pelo despeito, o ressentimento e a inveja. Ponto de novo.

Recentemente, o advogado Reno Ximenes, amigo de Cid, publicou texto no Facebook alertando para o descontrole das “interferências” de Ciro, classificadas como “prejudiciais”. Pois bem, a Justiça fez o que muitos aliados do governador secretamente desejavam: tirar Ciro dessa linha de frente agressiva. Por vias tortas, acabou ajudando Camilo. Sem ter que ser preocupar com as gafes do aliado famoso, a campanha do Pros/PT (Pros na frente porque é quem manda) pode se concentrar melhor no próprio candidato.