Eleições 2014

 

A presepada da renúncia que não aconteceu

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Cid renunciou a renúncia que poderia ter sido anunciada, mas não foi. Na imprensa, mobilizou atenções; entre aliados, atiçou ambições e medos. Não comoveu o cidadão comum. Sem problemas. É que apesar de tudo ter se dado em razão de projeções eleitoreiras, o destinatário das mensagens encenadas no teatro político, nesse instante, não foi o eleitor, mas a própria comunidade política, seus partidos e lideranças. Os atos públicos, as declarações dúbias, as evasivas e o suspense serviram para dar dramaticidade aos eventos, conferindo ares de verossimilhança às bravatas da hora.

A semana do “pode ser que eu renuncie/não renuncio mais” entra como presepada no rodapé da História do Ceará. Foram dias perdidos para a administração, que agora segue em modo de piloto automático. Algo muito parecido com um reality show, com direito a indiretas, mal estar do governador, arroubos de seu irmão, palpites de parlamentares subalternos, sem que nada de importante fosse realmente discutido.

Projetos pessoais

O Ceará segue ao sabor de projetos pessoais reunidos numa aliança de conveniência entre Pros, PT e PMDB.

O projeto pessoal de Cid Gomes (que na verdade é um projeto de família) necessita, pelas atuais circunstâncias, de alguém de sobrenome diferente, mas suficientemente submisso para não escapar-lhe ao controle. O plano esbarrou no projeto pessoal do vice-governador Domingos Filho, que se negou a renunciar. Por não ser de confiança dos Ferreira Gomes, a desincompatibilização de Cid ficou impedida, sob pena de perder o comando da máquina para Domingos.

O PMDB é representado pelo projeto pessoal do senador Eunício Oliveira, pré-candidato ao governo estadual, e o PT caminha a reboque do projeto pessoal de José Guimarães, que sonha ser senador. Pros e PMDB querem o tempo de propaganda do PT, fiel da balança na rixa entre Cid e Eunício. O problema é que, nesse feudo vermelho, o senhor dos vassalos é Lula.

O futuro político é incerto, o que significa dizer que o ambiente continua favorável para mais confusões inúteis.

Sem rumo

Infelizmente, no jogo da sucessão, buscar propostas de soluções para os problemas que afligem a população não passa de detalhe a ser contornado mais à frente, com promessas bacanas boladas por marqueteiros caros. O importante é tramar em busca do poder.

Nessa toada, desperdiçamos uma boa oportunidade de falar sobre o Ceará. Qual o melhor rumo para desenvolver suas potencialidades? Ninguém diz. Rigor fiscal, atração de investimentos, políticas compensatórias e universalização da educação primária são conquistas antigas, de 15, 20 anos atrás, constantemente rebatizadas e reformadas para serem vendidas como novidades, mas que já dera o que tinham que dar. Qual o próximo passo? Como atrair novos investimentos? Como depender menos do governo federal? Qual o papel estratégico da educação para aprimorar nossa mão de obra?

São questões sem resposta porque nossas lideranças preferem dedicar tempo, dinheiro e energia em presepadas políticas. Para onde quer que eu olhe, vejo apenas presepeiros.

Sucessão estadual: o poder em polvorosa e a lição de Maquiavel que Cid ignorou

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Maquiavel: Seu amigo gostaria de estar no seu lugar? Sim? Então, cuidado com ele.

Maquiavel: Seu amigo gostaria de estar no seu lugar? Sim? Então, cuidado!

O clima político no Ceará é de tensão, desconfiança e incerteza, enquanto todos esperam a definição sobre a renúncia do governador Cid Gomes, em atendimento as exigências da legislação eleitoral, caso deseje disputar um cargo ou abrir caminho para que seu irmão Ciro possa se candidatar ao Senado.

Para se ter uma ideia sobre a intensidade da pressão exercida por aliados, correligionários e apadrinhados (a patota instalada nos órgãos da administração estadual anda aflita sem saber  o dia de amanhã e angustiada com a possibilidade de ser substituída por uma nova turma), Cid Gomes chegou a passar mal durante discurso na inauguração de uma policlínica em Limoeiro do Norte, na noite de quinta-feira (3). Felizmente não foi nada grave e o governador, socorrido de helicóptero para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), recebeu alta ainda na madrugada.

Peço licença para dois breves comentários: 1) não tinha médico na policlínica? 2) ainda bem que não chovia na capital. Já imaginou o teto do HGF desabando com o governador internado? Pronto, volto ao tema central do post: eleições.

Na última hora

É público que Cid desejava terminar o mandato e depois ir para os EUA. Imagina poder fazer um sucessor de sua confiança. Bem ao seu estilo, não preparou nomes e deixou sua indicação para a última hora. Acabou engolido pelas circunstâncias.

Agora, em meio a um festival de especulações de toda ordem, o futuro político do grupo que hoje comanda o Ceará é um tremendo ponto de interrogação, que nem mesmo uma renúncia é capaz de clarear (afinal, os partidos só irão se posicionar oficialmente em junho, nas convenções). 

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

Enquanto outros governadores, como Eduardo Campos, em Pernambuco, ou Antonio Anastasia, em Minas, já renunciaram com relativa tranquilidade, mostrando que possuem inequívoco comando na condução desses processos, no Ceará tudo é incógnita e confusão, sinal de que a liderança age reativamente ao sabor de eventos recentes, na base do improviso e do susto.

Por aqui, os donos do poder estão atônitos, emparedados por aliados. Obcecados em sufocar ameaças externas de uma frágil oposição, não deram a devida importância ao perigo interno representado pelo senador Eunício Oliveira (favorito nas pesquisas) e pelo vice-governador Domingos Filhos (um não cidista que assume o governo caso Cid renuncie).

Maquiavel

No clássico O Príncipe, Nicolau Maquiavel ensinava (citode memória – faz tempo que li…) que o rei deve avaliar até mesmo o mais querido amigo com a seguinte indagação íntima: “Ele gostaria de estar no meu lugar”?  Se o rei, pensando com os próprios botões, entendesse que sim (o amigo sempre negaria e juraria lealdade, claro), seria então bom tomar cuidado com ele, pois a ambição não conhece limites e não respeita ninguém. Ora, se isso vale para quem é próximo, imagine então para aliados unidos pelos laços do fisiologismo. Deu no que deu.

Não deixa de ser surpreendente esse, digamos, descuido. Se não leram Maquiavel, a Cid e Ciro não falta experiência no assunto, adquirida na atuação em diversos partidos, com inúmeros ex-aliados.

Cid Gomes agora luta desesperadamente para não perder o controle do processo eleitoral. Quem diria.

O desafio de criar candidaturas contra a insegurança no Ceará

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O frisson acerca dos nomes que poderão disputar o governo do Ceará nas eleições de outubro próximo acaba encobrindo uma questão elementar: tão importante quanto o nome é saber qual o perfil ideal para esse candidato. É preciso identificar as demandas do “mercado” para depois oferecer o “produto”, ou seja, saber quais são os problemas que mais mobilizam a opinião pública e a partir dessa informação, moldar discursos e personagens.

Não é chute, é cálculo

Por exemplo: em 2006, a vitoriosa campanha de Cid Gomes tinha o seguinte slogan: “Um grande salto. O Ceará merece”. Como principal promessa, brilhou o “Ronda do Quarteirão”. Esses “produtos” não foram chutes, mas propostas elaboradas a partir da constatação, junto ao eleitorado, de uma insatisfação geral com a segurança pública, e do desejo por um gestor com mais capacidade de ação.

Claro que outros componentes atuaram na eleição, como o racha do PSDB e o apoio do PT ao ex-adversário da família Ferreira Gomes, mas o perfil desejado pelos eleitores é um dado que teve considerável peso nessa equação.

Insegurança: fardo para o governo, oportunidade para a oposição

Passados dois mandatos de Cid, temos hoje a seguinte situação: os índices na área de segurança pública se deterioraram vertiginosamente, apesar dos investimentos feitos, com o Ceará figurando entre os estados mais violentos do Brasil.

Não bastasse isso, a autoridade da gestão no setor foi duramente atingida com a greve dos policiais militares em 2011, quando o governador simplesmente sumiu. Para piorar, o fantasma da inoperância diante de uma crise volta a assombrar o cidadão, com a possibilidade de uma paralisação dos policiais civis durante a Copa do Mundo.

Sendo impossível evitar o tema da insegurança, o governo, presumivelmente, tentará conter o dano mudando o foco do debate eleitoral para outras questões ou apresentando uma versão dourada do problema. Se conseguirá convencer, ou se terá adversários capazes de explorar essa fragilidade, aí é outra conversa.

Quem poderá representar uma solução?

Diante desse cenário, pelo andar da carruagem e pelas especulações da hora, dois tipos de candidatura estão sendo preparadas.

Tem o caso o específico do senador Eunício Oliveira (PMDB), aliado do governo estadual que pretende lançar candidatura própria. Em relação a esse tema, sua estratégia deve contemplar o reconhecimento dos investimentos que foram feitos para, em seguida, lamentar a falta de resultados e, por fim, se apresentar como alguém com mais capacidade de diálogo e mobilização para reverter a situação. Eunício, vale lembrar, é empresário do ramo de segurança privada.

Já o candidato oficial, seja quem for, deverá enfatizar esses investimentos, lembrando é preciso tempo para que os resultados apareçam. Outro caminho será associar o aumento da violência a outros fatores. Não por acaso o deputado Zezinho Albuquerque, atual presidente da AL e um dos pré-candidatos do PROS, tem rodado o Estado fazendo uma campanha inócua contra as drogas, colando sua figura no discurso do governo, pelo qual o crescimento tráfico – resultado direto do deslocamento de quadrilhas do Sudeste para o Nordeste – seria o grande motor do aumento da criminalidade no Ceará. Veja mais >

Diga-me com quem andas…

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Acusado pelo Ministério Público Eleitoral de fazer campanha antecipada, Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, pré-candidato ao governo estadual pelo PROS, compareceu a mais um evento promovido por órgão do Poder Executivo. Desta vez,pela Prefeitura de Fortaleza, comandada por seu correligionário Roberto Cláudio. Juntos, inauguraram uma UPA, na última sexta-feira (14).

Na ocasião, Zezinho discursou e teceu fartos elogios ao governador Cid Gomes, que em breve poderá decidir quem será o eventual candidato do PROS na disputa pela sucessão ao governo do Estado. A participação do parlamentar no evento tem a gentil divulgação de sua assessoria de imprensa, que para informar a sociedade sobre as ideias e ações dessa liderança emergente, enviou-nos a foto que segue abaixo.

UPA LÁ LÁ

Os bons companheiros: Cid, Carlos Mesquita, Leonelzinho Alencar, Roberto Cláudio, Zezinho Albuquerque, Walter Cavalcante e o ex-professor Evaldo. Foto: divulgação.

 

Pode não ser campanha, mas que parece, parece. Pode não ser palanque, mas que tem cara de palanque, isso tem. Não digo isso apenas pelas devidas semelhanças estéticas. Qualquer inauguração que reúna políticos, a rigor, lembra um palanque. No presente caso, a associação é inevitável e automática por causa das circunstâncias que amplificam o significado do evento: ato custeado com dinheiro público em ano eleitoral, com a presença destacada de pré-candidato, naturalmente levanta suspeições. Que a justiça eleitoral averigue o caso.

Entretanto, para o eleitor, o mais interessante é ver quem é quem nesse jogo. Como diz o ditado, diga-me com quem andas, que te direis quem és. Sendo assim, vamos lá.

Na foto, destacados em vermelho, da esquerda para direita: Cid Gomes (ex-diversos partidos e atualmente PROS), Carlos Mesquita (PMDB, ex-juracista, ex-luiziannista e atual claudista), Leonelzinho Alencar (procurar no Google: Leonelzinho + Bolsa Família + bicicletas + Iprede), Roberto Cláudio (PROS), Zezinho Albuquerque (ex-patrão da Primeira Dama Maria Célia), Walter Cavalcante (PMDB, presidente da Câmara de Fortaleza) e o vereador ex-professor Evaldo (PCdoB, ex-secretário de Esportes de Luizianne e agora líder do governo Roberto Cláudio na Câmara).

Pesquisa Ibope no Ceará: amostra no presente revela futuro aberto

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O Ibope divulgou em seu site os resultados de uma pesquisa que apresenta diversos cenários eleitorais no Ceará para 2014, realizada entre os dias 13 e 16 de julho. Alguns números do levantamento já haviam vazado para a imprensa, em pequenas notas, porém, com dados incompletos que deram margem a algumas distorções. Com a publicação do material completo pelo próprio instituto, os dados reais agora são de conhecimento geral, com o nome do ex-senador Tasso Jereissati à frente em todas as simulações, tanto para o Senado como para o governo do Estado, com larga vantagem.

No questionário estimulado, onde os nomes dos possíveis candidatos são apresentados ao entrevistado, em todos os cenários o desempenho dos líderes segue uma média que pouco varia, que resumo a seguir.

Média para governador

Para o governo estadual Tasso lidera sempre girando em torno de 50% das intenções, seguido do senador Eunício Oliveira (PMDB), único pré-candidato declarado até o momento, aparece flutuando ali na casa dos 25%. Outros candidatos, estes ligados à gestão de Cid Gomes, como o ministro dos Portos Leônidas Cristino (PSB), o secretário da Fazenda do Estado, Mauro Filho (PSB), o vice-governador Domingos Filho (PMDB), apresentam desempenho que varia entre 4% e 6% das citações. Brancos e nulos ficam pelos 14% e indecisos com 7%.

Média para o Senado

Para a única vaga ao Senado em disputa no ano que vem, dois cenários foram testados. Novamente Tasso lidera com 43% e 44% das intenções de voto. O atual senador Inácio Arruda (PCdoB) aparece nas duas simulações com 19%, empatado tecnicamente com o deputado estadual Heitor Férrer (PDT), que marca 18%. Luizianne Lins e José Guimarães, ambos do PT, são os preferidos de 4% e 5%, respectivamente. Brancos e nulos chegam a 10% e indecisos a 6%.

Para conferir a pesquisa completa, clique aqui.

Dados apresentados, incertezas confirmadas

Pesquisas não devem ser compreendidas como tentativas de adivinhar ou prever o futuro. Faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2014 e sem candidatos oficialmente confirmados, as informações levantadas mostram mesmo o potencial de largada de cada um dos nomes testados, caso venham a confirmar suas eventuais candidaturas. Em outras palavras, apesar de simular uma situação futura, o objeto da pesquisa é o presente. É o que realmente interessa para os envolvidos, como informação estratégica para definir os próximos passos.

Nesse sentido, algumas observações precisam ser feitas. Tasso é o nome mais conhecido do eleitorado, pelo histórico dos cargos que ocupou. Mas, curiosamente, no grupo de eleitores entre 16 a 24 anos, que pela idade não acompanharam a trajetória do ex-governador, Jereissati aparece com 47%. Seu desempenho, portanto, constitui um considerável patrimônio eleitoral, especialmente para quem não ocupa cargos públicos desde 2010. Arrisco dizer que esse afastamento, em contraste com o atual clima de reprovação generalizada aos políticos, lhe foi benéfica. Como o futuro de Tasso é um mistério e a campanha ainda está longe, o ambiente se mostra propício para todo tipo de especulações e de articulações de bastidores. Se os números lhes são favoráveis agora, contra o tucano, ironicamente, pesa a pequena estrutura do PSDB cearense.

Entre os aliados do governo estadual, o senador Eunício Oliveira, que inegavelmente já está em campanha, tem vantagem sobre os candidatos que orbitam o entorno do Palácio da Abolição, a maioria desconhecida do grande público. Contra o senador, pesa a falta de empolgação que o governador Cid Gomes mostra em relação a candidatura do aliado. Governos têm, via de regra, o poder de potencializar candidatos e, nesse caso, o escolhido de Cid deve avançar primeiramente sobre os números de Eunício.

Evidentemente, tudo pode mudar. Especialmente quando a disputa começar de verdade. Mas, dado o quadro da pesquisa Ibope, fica claro que Cid terá que fazer um grande e caro esforço para viabilizar um candidato em cima da hora, enquanto seu ainda aliado Eunício corre por fora, ou melhor, por dentro da base de apoio do atual governo. E Tasso? Mistério… Tudo isso, sem levar em consideração os palanques para as candidaturas presidenciais. É esperar para ver.

Os Ferreira Gomes no teatro presidencial de 2014

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As forças políticas que pretendem disputar a Presidência da República em 2014 já começaram a encenar publicamente o que foi ensaiado nos bastidores dos seus interesses de grupo. Abrem-se as cortinas para o teatro eleitoral. Os primeiros cenários, figurinos e diálogos começam a ser apresentados ao distinto público, mais especificamente, nesse início, aos distintos aliados e financiadores de campanha.

O drama (ou seria comédia? ) que se desenrola é protagonizado por  Marina Silva (Rede Sustentabilidade), Eduardo Campos (PSB), Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Mas existe o elenco de apoio. É nesse grupo que o governador Cid Ferreira Gomes e o ex-ministro Ciro Ferreira Gomes atuam. E apesar de serem do PSB, ao que tudo indica, atuam para fazer brilhar o roteiro da  presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição. Trata-se de uma aposta, pois política (e eleição), além da arte de representar, também é jogo. Vejamos os atos apresentados recentemente nos palcos da política:

ATO I – A DISSIDÊNCIA
Eduardo Campos como alvo

No dia 24 de fevereiro Ciro Gomes diz em entrevista que o governador de Pernambuco e seu correligionário, Eduardo Campos, assim como Marina Silva e Aécio Neves, não estaria preparado para governar o Brasil. No dia seguinte, Campos rebate dizendo que Ciro é voz isolada no PSB.

Está em curso a construção de um discurso de apoio para a candidata Dilma e a tentativa de fragilizar a candidatura do PSB. Só ela, por dedução lógica a partir do raciocínio de Ciro, estaria preparada para o cargo. Cid, por sua vez, respondea Eduardo Campos dizendo que pode sair do PSB caso haja imposição de uma candidatura própria. Campos, que em 2010 atuou para impedir a candidatura de Ciro, fica na delicada situação de ter que tratar de uma dissidência interna em sua sigla, posição que sugere fragilidade perante financiadores. Para o público, se ele não consegue unir o próprio partido, dificilmente terá força para vencer.

ATO II – A PROMESSA
A volta da refinaria

Dois dias após as declarações de Ciro, o governador Cid Gomes é recebido pela presidente/candidata Dilma. Em seguida, Cid resgata a antiga promessa de construção de uma refinaria da Petrobras no Ceará, apesar de todas as dificuldades financeiras da empresa. Segundo o governador, uma parceria com chineses ou coreanos (falta combinar com eles?) possibilitaria o empreendimento. Se Cid e Ciro, no fundo do coração, realmente acreditam nisso, só eles podem dizer. É mais plausível acreditar que a dupla atua pensando na sobrevivência política de seu próprio grupo, historicamente pouco afeito a compromissos partidários.

De todo modo, a sincronia entre as datas e o apelo eleitoral de uma promessa que há anos gera expectativas concorrem para reforçar a percepção de que há nesses acontecimentos muito mais do que mera coincidência. No plano simbólico, reforça a posição de Cid Gomes como interlocutor preferido de Dilma junto ao PSB. Os demais governadores da sigla percebem que essa é a postura mais adequada para encaminhar seus pleitos junto ao governo federal.

ATO III – O CHEFE
Lula entra em cena

Quatro dias após as declarações de Ciro e 48 horas depois do encontro de Cid e Dilma, o PT realiza em Fortaleza um seminário com a presença do ex-presidente Lula, cujo título denota notório sentido eleitoral: “O Decênio que mudou o Brasil”. A ideia subjacente é comparar o governo petista com o governo tucano, reforçando a estratégia utilizada nas duas eleições de Lula e na de Dilma, que é a de polarizar a disputa entre dois candidatos já no primeiro turno.

Mais uma vez é possível ver que a peça apresenta alegorias de valor simbólico. A escolha da capital cearense como a primeira das dez onde o seminário será realizado, logo após a sucessão de notícias que mostram o engajamento de Ciro e Cid com o projeto nacional do PT, é mais um recado aos adversários que desejam polarizar a campanha: a prioridade agora são os aliados de 2014.

FINAL – …
Reticências para 2014

“As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho”, já dizia Mário Quintana. É isso aí. Não dá para prever o final desse teatro, afinal, muita coisa pode mudar. A crítica, nesse caso, pode avaliar apenas o momento, pois esse é um roteiro que ainda está sendo escrito a muitas mãos. Antecipar o resultado é torcida. Esse é um capítulo que será concluído apenas em 2014.