Vencedores e derrotados no 1º turno em Fortaleza 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Vencedores e derrotados no 1º turno em Fortaleza e as lições de Napoleão e Saint-Exupéry

Por Wanfil em Eleições 2012

09 de outubro de 2012

Napoleão em Santa Helena, de Robert Harris. “A derrota é órfã”.

O escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, autor do famoso O Pequeno Príncipe, também escreveu obras e artigos sobre diversas guerras (era piloto e morreu em missão durante a Segunda Guerra Mundial). É com conhecimento de causa que ele escreveu: “Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam”.

Como as guerras militares são irmãs das batalhas políticas, a frase de Saint-Exupéry como baliza para refletirmos sobre o day after do primeiro turno nas eleições para a Prefeitura de Fortaleza. Os que seguiram adiante cantam vitória, naturalmente. Mas será que realmente podem chamar para si o sucesso temporário? Quem sai maior ou menor do que entrou na disputa?

O despertar de Heitor Ferrer

O candidato do PDT não foi ao segundo turno por uma conjunção de fatores entre os quais se destacam as pesquisas eleitorais, especialmente a boca de urna do instituto Ibope. Ao que tudo indica, a percepção de boa parte dos eleitores é a de que houve injustiça.

Sem padrinhos políticos e com uma estrutura reduzida de campanha, Ferrer cresceu e disputou voto a voto com os candidatos das máquinas estadual e municipal. Um feito e tanto. O deputado pode ascender aos olhos do eleitorado como uma nova liderança capaz de se apresentar como uma real alternativa de poder. Sem dúvida, sai maior do que entrou na campanha.

Assim, para Heitor Férrer, a derrota de hoje pode ser o despertar de uma futura vitória, caso o seu patrimônio eleitoral seja preservado. Dessa forma, não seria conveniente para Férrer a manifestação de apoio a nenhum dos candidatos no segundo turno, para não correr o risco de perder a imagem de independência construída em sua atuação parlamentar e reforçada durante o pleito.

Elmano de Freitas e Roberto Cláudio: vitória terceirizada  

A confirmação dos candidatos apoiados pelo governador e pela prefeita no segundo turno é extensão de um embate travado entre as forças políticas (e as máquinas) lideradas por Cid e Luizianne. Um desses terminará celebrado, enquanto um de seus escolhidos, vencedor nominal que será o próximo prefeito, terá quatro anos para mostrar que tem – se tiver – liderança própria.

A derrota é órfã

Por último, o desempenho de Inácio Arruda, Renato Roseno, Marcos Cals e Moroni Torgan, lembrei-me de uma passagem de Napoleão Bonaparte.

Após retomar o poder de forma triunfante – com apoio do exército e nos braços do povo – para dar início ao que ficou conhecido como “o governo de 100 dias”, Napoleão viu seus planos fracassarem ao perder a Batalha de Waterloo para o Duque de Wellington. O imperador terminou seus dias exilado no rochedo de Santa Helena. Sozinho e amargurado, ele escreveu que escreveu que “a vitória tem mais de uma centena de pais; a derrota, por outro lado, essa é órfã”. (Muitos, erroneamente, atribuem a frase ao presidente americano John Kennedy).

O caso me veio à mente por dois fatos. Primeiro, vença Elmano de Freitas ou Roberto Cláudio, seus padrinhos tratarão de assumir a paternidade da vitória, subtraindo-lhes qualquer eventual mérito.

Segundo, curiosamente, as candidaturas menos votadas no primeiro turno se lançaram em chapas puras, excetuando-se Roseno, que se coligou apenas com o diminuto PCB. Fica evidente, portanto, que a orfandade da derrota já acontece na solidão do seu prenúncio.

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Vencedores e derrotados no 1º turno em Fortaleza e as lições de Napoleão e Saint-Exupéry

Por Wanfil em Eleições 2012

09 de outubro de 2012

Napoleão em Santa Helena, de Robert Harris. “A derrota é órfã”.

O escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, autor do famoso O Pequeno Príncipe, também escreveu obras e artigos sobre diversas guerras (era piloto e morreu em missão durante a Segunda Guerra Mundial). É com conhecimento de causa que ele escreveu: “Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam”.

Como as guerras militares são irmãs das batalhas políticas, a frase de Saint-Exupéry como baliza para refletirmos sobre o day after do primeiro turno nas eleições para a Prefeitura de Fortaleza. Os que seguiram adiante cantam vitória, naturalmente. Mas será que realmente podem chamar para si o sucesso temporário? Quem sai maior ou menor do que entrou na disputa?

O despertar de Heitor Ferrer

O candidato do PDT não foi ao segundo turno por uma conjunção de fatores entre os quais se destacam as pesquisas eleitorais, especialmente a boca de urna do instituto Ibope. Ao que tudo indica, a percepção de boa parte dos eleitores é a de que houve injustiça.

Sem padrinhos políticos e com uma estrutura reduzida de campanha, Ferrer cresceu e disputou voto a voto com os candidatos das máquinas estadual e municipal. Um feito e tanto. O deputado pode ascender aos olhos do eleitorado como uma nova liderança capaz de se apresentar como uma real alternativa de poder. Sem dúvida, sai maior do que entrou na campanha.

Assim, para Heitor Férrer, a derrota de hoje pode ser o despertar de uma futura vitória, caso o seu patrimônio eleitoral seja preservado. Dessa forma, não seria conveniente para Férrer a manifestação de apoio a nenhum dos candidatos no segundo turno, para não correr o risco de perder a imagem de independência construída em sua atuação parlamentar e reforçada durante o pleito.

Elmano de Freitas e Roberto Cláudio: vitória terceirizada  

A confirmação dos candidatos apoiados pelo governador e pela prefeita no segundo turno é extensão de um embate travado entre as forças políticas (e as máquinas) lideradas por Cid e Luizianne. Um desses terminará celebrado, enquanto um de seus escolhidos, vencedor nominal que será o próximo prefeito, terá quatro anos para mostrar que tem – se tiver – liderança própria.

A derrota é órfã

Por último, o desempenho de Inácio Arruda, Renato Roseno, Marcos Cals e Moroni Torgan, lembrei-me de uma passagem de Napoleão Bonaparte.

Após retomar o poder de forma triunfante – com apoio do exército e nos braços do povo – para dar início ao que ficou conhecido como “o governo de 100 dias”, Napoleão viu seus planos fracassarem ao perder a Batalha de Waterloo para o Duque de Wellington. O imperador terminou seus dias exilado no rochedo de Santa Helena. Sozinho e amargurado, ele escreveu que escreveu que “a vitória tem mais de uma centena de pais; a derrota, por outro lado, essa é órfã”. (Muitos, erroneamente, atribuem a frase ao presidente americano John Kennedy).

O caso me veio à mente por dois fatos. Primeiro, vença Elmano de Freitas ou Roberto Cláudio, seus padrinhos tratarão de assumir a paternidade da vitória, subtraindo-lhes qualquer eventual mérito.

Segundo, curiosamente, as candidaturas menos votadas no primeiro turno se lançaram em chapas puras, excetuando-se Roseno, que se coligou apenas com o diminuto PCB. Fica evidente, portanto, que a orfandade da derrota já acontece na solidão do seu prenúncio.