Que tipo de cidade está sendo debatida nessas eleições? 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Que tipo de cidade está sendo debatida nestas eleições?

Por Wanfil em Eleições 2012, Política

18 de setembro de 2012

Sem olhar para os rostos, você sabe diferenciar as propostas dos candidatos à prefeitura da sua cidade? O que eles querem? O que nós queremos?

Um dos benefícios que as campanhas eleitorais pode oferecem nas democracias é a possibilidade de colocar na ordem do dia o confronto entre diferentes visões sobre o papel do poder público – e da sociedade – no encaminhamento de soluções para os problemas de uma cidade, estado ou país.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o embate entre democratas e republicanos reflete uma preocupação de ordem conceitual sobre a própria identidade americana: a economia precisa de mais gastos públicos ou de corte de impostos? Apresentadas as opções, os eleitores americanos escolherão que tipo de proposta lhes parece mais adequada para o momento.

Encenações vazias 

Descontadas as devidas diferenças e projetando a essência da questão para a nossa realidade, podemos nos perguntar: Que projetos estão em curso na atual campanha eleitoral? Que cidade está sendo debatida nessas eleições? Quais aspirações emanam desse debate? Qual a noção de espírito público que anima seus protagonistas (candidatos e eleitores)? A resposta é um enorme silêncio, um vácuo preenchido por fórmulas prontas e discursos decorados.

Em Fortaleza, todos os candidatos parecem enxergar os problemas da cidade da mesmíssima forma, não importa o partido a que pertençam ou a ideologia que professam. Como autômatos teleguiados por pesquisas, falam genericamente de saúde, transporte, educação e segurança. Grosso modo, todos, numa incrível coincidência, prometem mais hospitais e equipamentos, vias exclusivas para ônibus, escolas em tempo integral e reforço para a Guarda Municipal. Sem contar as cenas de estúdio onde os candidatos fingem estar trabalhando cercados de assessores, de óculos e mangas arregaçadas, apontando rumos, distribuindo ordens, enquanto a câmera gira lentamente para dar a sensação de movimento e ritmo.

Discursos e imagens encenadas. Despolitização. Alguns candidatos procuram variar para se apresentarem como sujeitos diferentes, mas acabam invariavelmente reproduzindo receituários ocos que falando em novos modelos (sem especificá-los) ou em novas prioridades, cuja principal – surpresa! – será o cidadão.

Candidatos e eleitores

Ninguém parece querer saber como se faz o orçamento de uma prefeitura e qual a qualidade dos seus gastos. Fortaleza tem a passagem de ônibus mais barata do Brasil porque o governo do estado subsidia o combustível dos coletivos com desoneração de ICMS. Ou seja, cearenses de todos os municípios pagam para manter congelada a passagem de uma cidade. O artifício é justo? As empresas alegam que não podem renovar a frota no prazo adequado por causa dessa política. O argumento procede? Apenas nesse exemplo temos a demonstração de um conceito de cidade ancorado no populismo fiscal. E parece que ninguém quer discutir questões como essa, nem candidatos, nem eleitores. Uns fingindo que mudarão tudo, e outros fingindo que acreditam que tudo mudará.

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Que tipo de cidade está sendo debatida nestas eleições?

Por Wanfil em Eleições 2012, Política

18 de setembro de 2012

Sem olhar para os rostos, você sabe diferenciar as propostas dos candidatos à prefeitura da sua cidade? O que eles querem? O que nós queremos?

Um dos benefícios que as campanhas eleitorais pode oferecem nas democracias é a possibilidade de colocar na ordem do dia o confronto entre diferentes visões sobre o papel do poder público – e da sociedade – no encaminhamento de soluções para os problemas de uma cidade, estado ou país.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o embate entre democratas e republicanos reflete uma preocupação de ordem conceitual sobre a própria identidade americana: a economia precisa de mais gastos públicos ou de corte de impostos? Apresentadas as opções, os eleitores americanos escolherão que tipo de proposta lhes parece mais adequada para o momento.

Encenações vazias 

Descontadas as devidas diferenças e projetando a essência da questão para a nossa realidade, podemos nos perguntar: Que projetos estão em curso na atual campanha eleitoral? Que cidade está sendo debatida nessas eleições? Quais aspirações emanam desse debate? Qual a noção de espírito público que anima seus protagonistas (candidatos e eleitores)? A resposta é um enorme silêncio, um vácuo preenchido por fórmulas prontas e discursos decorados.

Em Fortaleza, todos os candidatos parecem enxergar os problemas da cidade da mesmíssima forma, não importa o partido a que pertençam ou a ideologia que professam. Como autômatos teleguiados por pesquisas, falam genericamente de saúde, transporte, educação e segurança. Grosso modo, todos, numa incrível coincidência, prometem mais hospitais e equipamentos, vias exclusivas para ônibus, escolas em tempo integral e reforço para a Guarda Municipal. Sem contar as cenas de estúdio onde os candidatos fingem estar trabalhando cercados de assessores, de óculos e mangas arregaçadas, apontando rumos, distribuindo ordens, enquanto a câmera gira lentamente para dar a sensação de movimento e ritmo.

Discursos e imagens encenadas. Despolitização. Alguns candidatos procuram variar para se apresentarem como sujeitos diferentes, mas acabam invariavelmente reproduzindo receituários ocos que falando em novos modelos (sem especificá-los) ou em novas prioridades, cuja principal – surpresa! – será o cidadão.

Candidatos e eleitores

Ninguém parece querer saber como se faz o orçamento de uma prefeitura e qual a qualidade dos seus gastos. Fortaleza tem a passagem de ônibus mais barata do Brasil porque o governo do estado subsidia o combustível dos coletivos com desoneração de ICMS. Ou seja, cearenses de todos os municípios pagam para manter congelada a passagem de uma cidade. O artifício é justo? As empresas alegam que não podem renovar a frota no prazo adequado por causa dessa política. O argumento procede? Apenas nesse exemplo temos a demonstração de um conceito de cidade ancorado no populismo fiscal. E parece que ninguém quer discutir questões como essa, nem candidatos, nem eleitores. Uns fingindo que mudarão tudo, e outros fingindo que acreditam que tudo mudará.