Eleições 2012 Archives - Página 2 de 3 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Eleições 2012

Datafolha: 57% não votariam nos candidatos da prefeita ou do governador

Por Wanfil em Eleições 2012, Pesquisa

27 de setembro de 2012

A pesquisa Datafolha publicada nesta quinta-feira mostra Elmano de Freitas (PT) com 24% e Roberto Cláudio (PSB) com 19%, assumindo a liderança na corrida para a Prefeitura de Fortaleza.

Feita a soma, o candidato da prefeita Luizianne Lins e o candidato do governador Cid Gomes conseguem 43% das intenções de voto. Por conseguinte, 57% dos eleitores NÃO QUEREM os candidatos do PSB ou do PT, que representam o modelo de gestão vigente na cidade. O recente rompimento não apaga da memória coletiva o fato de que as duas siglas estiveram juntas durante oito anos na administração de Fortaleza.

Pelos números do instituto Vox Populi, divulgados no início da semana, a dupla soma 40% da preferência e 60% dos eleitores procuram outra opção. Números parecidos que indicam uma situação mais ou menos consolidada: Os candidatos que desfrutam do apoio das máquinas em situação ascendente, ultrapassando Moroni Torgan (DEM), seguido por Heitor Férrer (PDT) num bloco intermediário.

Se a maioria quer mudar, por que os candidatos com DNA governista estão na frente?

Se os dois representam um modelo de gestão duramente criticado pela população, como já atestaram várias pesquisas, como podem liderar as pesquisas? A resposta é simples.

Primeiro, é ponto pacífico que candidaturas que desfrutam de verbas milionárias, exércitos de cabos eleitorais e ativistas, farto tempo de propaganda e o apoio de gestores que comandam máquinas administrativas têm que conseguir algum resultado. Se não estivessem com pelo menos 15% cada uma, seriam dois desastres ambulantes.

Roberto Cláudio e Elmano de Freitas certamente possuem diversas qualidades, mas não foram por elas que subiram. Foi por serem prepostos de seus chefes políticos. Como candidatos, o fato de que nenhum dos dois consegue disparar mostra que o arranjo de última hora é pesado de carregar. Daí a expectativa que animou os adversários de campanha e que gera um segundo elemento de análise: a dispersão do voto de oposição.

Qual a alternativa para quem não quer continuidade?

Como a eleição será em dois turnos, a pulverização dos votos acaba beneficiando os candidatos oficiais. Mesmo estando na casa dos 20%, essas candidaturas conseguem a liderança por falta que opositores que consigam se apresentar como alternativa viável.

Ao eleitor que não deseja a continuidade, resta apenas uma opção capaz de alterar o cenário: o voto útil. Em outras palavras, seria a escolha por um nome que possa fazer frente aos escolhidos das máquinas. Nada garante que os votos de um candidato de oposição migrassem todos para um outro, mas o fortalecimento de um contraponto teria mais chances de capitalizar a insatisfação do eleitor com o atual governo.

Nesse cenário, pelas pesquisas Datafolha e Vox Populi, somente Moroni Torgan e Heitor Férrer poderiam tirar um deles do segundo turno. Caso o eleitor permaneça fiel ao seu escolhido, mesmo sabendo que não tem chance, saberá antecipadamente que na equação eleitoral, terminou contribuindo com o projeto político do governador Cid ou da prefeita Luizianne.

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Vox Populi em Fortaleza: Da expectativa de mudança para a tendência de continuidade

Por Wanfil em Eleições 2012, Pesquisa

24 de setembro de 2012

A expectativa de mudança expressa no descontentamento do eleitor com uma gestão rachada motivou outras candidaturas em Fortaleza. Sobrou promessa e faltou combate.

Na reta final da campanha eleitoral mais disputada dos últimos anos em Fortaleza, a pesquisa Vox Populi divulgada nesta segunda-feira (24), mostra a primeira mudança na liderança da disputa. Faltando pouco menos de duas semanas para os eleitores irem às urnas, os candidatos Elmano de Freitas (PT) e Roberto Cláudio (PSB) aparecem com 20% das inteções de voto, seguidos de Moroni Torgan (DEM) com 17% e Heitor Férrer (PDT) com 9%.

O  levantamento tem margem de erro estimada de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, a menor até o momento, com intervalo de confiança é de 95%. Evidentemente, pesquisas eleitorais apresentam o retrato estático de uma realidade em movimento. O que vale, portanto, é verificar a consolidação de tendências.

Sobe e desce

Faltando pouco menos de duas semanas para os eleitores irem às urnas, Moroni perde a liderança. No intervalo de um mês, o candidato do Democratas perdeu nove pontos, de 26 para 17% . Elmano e Roberto subiram oito pontos cada. Heitor subiu apenas um, dentro da margem de erro.

Como sempre, não é possível fazer previsões exatas, especialmente para uma eleição acirrada. Com o tempo que falta, é a hora de quem não está garantido – e ninguém está – fazer suas apostas estratégicas finais.

Como a campanha de Moroni irá reagir ao novo cenário? Deve atacar algum dos adversários com mais ênfase ou se resguarda para ser cortejado caso não passe ao segundo turno? O PT nacional desembarca em peso para reforçar a campanha de Elmano? Bastará a Roberto Cláudio  o apoio de Cid? São fatores que ser determinantes na decisão do eleitor.

O Vox Populi mostra que a rejeição do candidato petista é maior do que a do candidato do PSB: 14% contra nove porcento, respectivamente. No entanto, a de Roberto Cláudio cresceu em ritmo mais acelerado, quase dobrando ao subir quatro pontos; enquanto Elmano variou três pontos. Nesse ponto reside o maior trunfo para alimentar as esperanças de Heitor Férrer, que é rejeitado somente por 2% dos entrevistados.

Dos padrinhos políticos com cargo no executivo, a presidente Dilma aparece como a mais bem avaliada, com 73% de aprovação, contra 50% Cid e 31% de Luizianne.

Dupla condição: novidade e continuidade

Se o eleitorado da capital cearense se notabilizou nacionalmente por uma certa rebeldia capaz de promover reviravoltas surpreendentes, o momento parece ser de estilo mais conservador. Pela segunda vez seguida Luizianne entra desgastada para uma disputa e no decorrer do período eleitoral consegue reverter um quadro de derrota anunciada. A primeira como candidata e agora como madrinha de uma candidatura. Meses atrás poucos se arriscariam a dizer que o seu escolhido teria alguma chance.

Nesse quadro, a alternativa que se viabiliza, segundo o Vox Populi, é o candidato de um partido que esteve com a atual gestão durante oito anos.

Assim, temos o quadro inusitado de uma eleição que nasce com a expectativa de mudança, uma vez que a gestão apresenta alto índice de desaprovação, mas cujos candidatos que lideram a preferência do eleitorado são justamente dois ligados ao modelo em vigor. A conclusão mais imediata é a de que a oposição falhou por não consegui capitalizar esse desejo de transformação, enquanto os governistas buscaram rostos desconhecidos travestidos  de novidade administrativa.

Durante a campanha, os adversários dos candidatos das máquinas não expuseram essa condição de continuidade que ambas possuem, na esperança de conquistar eleitores apenas com uma agenda positiva, cheia de projetos com nomes bacanas, mas sem a antipatia da crítica política.

Como eu disse, o eleitorado de Fortaleza tem histórico de volatilidade. Aqui, tendências podem mudar mais rápido do que em outras capitais. No entanto, o Vox Populi mostra um cenário de continuísmo se consolidando. Para revertê-lo, é preciso mais do que sorrisos e promessas. É preciso combate.

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Que tipo de cidade está sendo debatida nestas eleições?

Por Wanfil em Eleições 2012, Política

18 de setembro de 2012

Sem olhar para os rostos, você sabe diferenciar as propostas dos candidatos à prefeitura da sua cidade? O que eles querem? O que nós queremos?

Um dos benefícios que as campanhas eleitorais pode oferecem nas democracias é a possibilidade de colocar na ordem do dia o confronto entre diferentes visões sobre o papel do poder público – e da sociedade – no encaminhamento de soluções para os problemas de uma cidade, estado ou país.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o embate entre democratas e republicanos reflete uma preocupação de ordem conceitual sobre a própria identidade americana: a economia precisa de mais gastos públicos ou de corte de impostos? Apresentadas as opções, os eleitores americanos escolherão que tipo de proposta lhes parece mais adequada para o momento.

Encenações vazias 

Descontadas as devidas diferenças e projetando a essência da questão para a nossa realidade, podemos nos perguntar: Que projetos estão em curso na atual campanha eleitoral? Que cidade está sendo debatida nessas eleições? Quais aspirações emanam desse debate? Qual a noção de espírito público que anima seus protagonistas (candidatos e eleitores)? A resposta é um enorme silêncio, um vácuo preenchido por fórmulas prontas e discursos decorados. Leia mais

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Pesquisa Datafolha: Arrancada de Heitor? Piso de Moroni? Teto das máquinas?

Por Wanfil em Eleições 2012, Pesquisa

12 de setembro de 2012

Eleições em Fortaleza: O tempo corre e a disputa se afunila.

De acordo com a mais recente pesquisa do instituto Datafolha o próximo prefeito de Fortaleza tem tudo para ser um desses nomes: Moroni Torgan (DEM), com 22%; Roberto Cláudio (PSB), que aparece com 17%, Elmano de Freitas (PT), 16% e Heitor Ferrer (PDT), com 14%. O levantamento, encomendado pelo jornal O Povo e divulgado nesta quarta-feira, tem margem de erro de três pontos percentuais.

Mais distantes, os demais candidatos que pontuaram aparecem na seguinte sequência: Renato Roseno (PSOL) com 8%, Inácio Arruda (PC do B) com 6% e Marcos Cals (PSDB) com 3%.

É claro que nenhuma possibilidade deve ser descartada, pois as variáveis são muitas e movediças. No entanto, tendências se consolidam e, por sua vez, alimentam novos cenários e especulações. Nesse momento, faltando menos de um mês para o primeiro turno, tudo indica que os desempenhos de Moroni Torgan e de Heitor Férrer serão o fiel da balança. O democrata cairá o suficiente para não continuar na próxima fase? E o pedetista manterá o crescimento recente a ponto de ultrapassar os favoritos?

Na cadência de Moroni

Moroni continua liderando a disputa com folga superior à margem de erro. Apesar da trajetória de queda ter se confirmado – menos três pontos em relação a última pesquisa Datafolha –, o ritmo da descida foi menos intenso do que desejavam seus adversários, contrariando os que já apostavam num inevitável segundo turno entre Roberto Cláudio e Elmano de Freitas.

Como essa não é uma eleição polarizada entre dois nomes, a cadência da oscilação de Moroni na pesquisa pode vir a ser seu único trunfo. Seu desafio é buscar reduzir a perda nas intenções de votos, para se manter em condição de competitividade. Se o democrata estiver perto do próprio piso, a situação fica mais complicada para os demais, pois sua queda pode estancar. Não está garantido para o segundo turno, mas ainda briga com boas chances pela vaga.

Moroni pode virar alvo da artilharia pesada dos candidatos com maior poder de fogo e espaço na propaganda eleitoral, o que não aconteceu até agora. No entanto, não é certo para onde iriam os votos dele.

O enigma de Roberto Cláudio e Elmano de Freitas

Candidatos com as maiores estruturas de campanha, representantes das máquinas estadual e municipal, tudo indica que o forte crescimento que os dois experimentaram na largada agora se estabilizou. Ambos subiram apenas um ponto no Datafolha. Apesar de todo o apoio que possuem, continuam tecnicamente empatados na segunda colocação, agora estão ameaçados por Heitor.

Tanto Elmano como Roberto Cláudio estão no páreo, evidente. Todavia, a pesquisa sugere que a força das máquinas já fizeram por eles o que podiam. Escrevi no início da campanha que o desafio dos dois seria mostrar liderança própria, capaz de transcender a indicação de seus padrinhos políticos, a prefeita Luizianne e o governador Cid Gomes. Lançados de última hora na esteira de um rompimento políticos entre PT e PSB, novatos em disputas majoritárias e sem imagem trabalhada anteriormente perante a opinião pública, resta à dupla aguardar para ver o que farão os seus estrategistas e líderes. De qualquer forma, historicamente, convém não duvidar da força da máquinas em eleições.

Heitor Férrer

O eleitorado de Fortaleza costuma a surpreender políticos, analistas e estatísticos. A julgar pelos números do Datafolha, se alguma candidatura pode incorporar essa tradição de reviravoltas é a de Heitor Férrer, que subiu quatro pontos no levantamento.

A mensagem que prioriza a ideia de independência em relação aos comandos do governador e da prefeita, acenando como uma espécie de terceira via de poder no Ceará, associada à imagem de político sério construída por Heitor em seus mandatos como parlamentar, parecem ter surtido efeito. Como tem o menor índice de rejeição – apenas 10% dos entrevistados disseram que não votariam no pedetista –, Heitor é o candidato que conta hoje com o melhor cenário para crescer.

Cenários e especulações

Os candidatos que lideram a disputa vivem um duplo desafio. Por um lado, precisam garantir passagem para o segundo turno, ao mesmo tempo em que precisam preservar pontes de diálogo para angariar o apoio de quem ficar pelo caminho.

Como a briga entre PT e PSB poderá influenciar nessas composições? Em caso de ataques, quem escolher como alvo agora? A pressão criada pelo desempenho nas pesquisas pode reforçar o clima de beligerância os grupos envolvidos e contaminar programas de rádio e televisão. Quem jogará a primeira pedra? Como eu disse no início, novos cenários alimentam novas especulações.

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Pesquisa Vox Populi/Band/Jangadeiro: A força das máquinas começa a pesar na balança

Por Wanfil em Eleições 2012

30 de agosto de 2012

Pesquisa Vox Populi mostra quadro em Fortaleza após o início da propaganda eleitoral gratuita

A pesquisa Vox Populi Band / Jangadeiro para Fortaleza divulgada nesta quarta-feira (29), com margem de erro de 3 pontos  percentuais e realizada entre os dias 25 e 27 de agosto, mostra o seguinte quadro:

Moroni Torgan (DEM) – 26%
Elmano de Freitas (PT) – 13%
Roberto Cláudio (PSB) – 12%
Inácio Arruda (PC do B) – 9%
Heitor Ferrer (PDT) – 9%
Renato Roseno (PSOL) – 7%
Marcos Cals (PSDB) – 3%
André Ramos (PPL) – 1%
Francisco Gonzaga (PSTU) – 0%
Valdeci Cunha (PRTB) – 0%
Ninguém, Brancos e nulos – 5%
Não sabem ou não respondera – 15%

Efeito propaganda

É o primeiro levantamento do Vox Populi para as eleições deste ano em Fortaleza. Por ter sido feito após um razoável tempo de exposição dos candidatos na propaganda eleitoral gratuita, mostra um cenário que já sente o efeito dos programas de rádio e televisão.

Moroni

Moroni aparece na liderança com o dobro do segundo colocado, situação que naturalmente o transforma em alvo. Não por acaso o inserts do candidato democrata já assumem postura defensiva. Com pouco tempo de propaganda e sem aliados de peso, o desafio de Moroni consistirá, basicamente, na tentativa de administrar a vantagem que possui em relação aos demais, buscando retardar ao máximo qualquer redução nessa distância.

Se o recall foi importante para posicioná-lo na frente desde o início da disputa, assim como a imagem de oposicionista diante de uma gestão mal avaliada, isso agora não basta mais para manter a dianteira. O recall perde força à medida em que os outros candidatos se apresentam aos eleitores. A imagem de oposicionista ganha concorrentes dispostos a criticar o governo e passa a enfrentar o contra-discurso do candidato da situação. Hora de procurar outros diferenciais para conquistar eleitores.

Elmano e Roberto

Candidatos que surgiram sob o signo da ruptura entre Luizianne Lins e Cid Gomes, Elmano de Freitas e Roberto Cláudio vivem situação inversa ao líder da pesquisas: contam com grandes estruturas partidárias, farto aporte financeiro e gozam dos maiores tempos na propaganda. Não por acaso surgem tecnicamente empatados na disputa pela segunda colocação. É a força da máquina que se impõe gradualmente, ou seja, a famosa capacidade que os grupos instalados em governos têm de atrair apoios e recursos.

No entanto, se por um lado essa condição compensa a inexperiência dos dois candidatos, ambos novatos em disputas majoritárias e desconhecidos do público, por outro constitui enorme fator de risco, por herdar os ressentimentos do racha entre PT e PSB na capital. Em outras palavras, as circunstâncias podem levá-los a travar duro combate ainda no primeiro turno, que pode fustigar eleitores e dar a chance para que outros candidatos se apresentem como uma espécie terceira opção, de perfil moderado e propositivo. Não seria novidade. A própria Luizianne Lins foi eleita prefeita após se beneficiar estrategicamente do excesso de agressividade e de acusações trocadas entre os líderes daquela eleição.

 Inácio e Heitor

O comunista e o pedetista aparecem empatados com 9%. Mesmo com estruturas reduzidas, os dois estão dentro da margem de erro em comparação com os candidatos apoiados pelo governador e a prefeita. Como ainda há muito tempo até o dia da eleição, tudo pode acontecer e essas candidaturas também se mostram competitivas. São nomes que podem encarnar a imagem acima citada, de uma segunda opção de voto caso o eleitorado rejeite um eventual acirramento na campanha.

Renato Roseno e Marcos Cals

Tanto Roseno como Marcos Cals são políticos que já demonstraram ter fôlego nas retas finais. Ficam ali nas pesquisas sem chamar tanto a atenção, mas conseguem absorver boa parte dos indecisos no decorrer do processo eleitoral.  Isso, evidentemente, não serve de consolo para ninguém. Será preciso aguardar outras pesquisas para saber como essas campanhas se comportam e então saber se podem figurar com potencial de surpresa.

André Ramos, Francisco Gonzaga e Valdeci Cunha

Estão em situação complicada e não mostram expressão no levantamento.

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Guia para os que amam a propaganda eleitoral gratuita – cinco passos

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

23 de agosto de 2012

Só o eleitor é quem pode dar qualidade à propaganda eleitoral que assiste. Mas não é fácil.

O texto Dez sugestões de atividades para a hora da propaganda eleitoral gratuita, carinhosamente dedicado aos que a rejeitam, repercutiu bastante nas redes sociais e causou certa preocupação entre os que defendem incondicionalmente o horário eleitoral gratuito.

Alguns, limitando a leitura apenas ao título do post (hábito pouco aconselhável), confundiram artigo opinativo com matéria jornalística institucional. Erro compreensível, já que as paixões afloram a ansiedade. Outros expuseram contrapontos interessantes, argumentando que a propaganda eleitoral tem valor como instrumento de avaliação objetiva – e até de conscientização cívica!

Opinião pessoal e intransferível

Ainda no texto anterior, citei de passagem, e sem criticar, os que assistem ao horário eleitoral com satisfação, lembrando inclusive que há os que enxergam até certo humor nele. Agora, pensando especificamente no grupo dos que entendem a propaganda eleitoral na mídia eletrônica como peça sine qua non da democracia, resolvi elaborar um guia para que essa experiência seja a mais positiva possível. Não se trata de presunção, claro. Seria se eu me considerasse perfeitamente qualificado para desvendar todos os truques criados e executados por tarimbados profissionais do marketing político, coisa que, pelo que vi nas redes sociais, sobra aos montes por aí. Portanto, o guia é tão somente um exercício de reflexão. Não é matéria jornalística, mas uma mera OPINIÃO PESSOAL deste autor.

Dados os devidos esclarecimento, com vocês, meu Guia para Assistir a Propaganda Eleitoral Gratuita:

1 – Assista aos programas – Se você realmente considera o horário eleitoral algo fundamental, pouco importando a qualidade do que veiculam nele, um direito que se funde com uma obrigação, mantenha a disciplina e não o perca por nada neste mundo. Nada de dar opinião baseado no que ouviu dizer. Para ter autoridade ao cobrar os outros, é preciso ser, antes de tudo, exemplo;

2- Pesquise o passado do candidato – Uma das regras da propaganda política é “contar” a história do candidato, apresentá-lo ao eleitor, enfatizando certas passagens e omitindo outras. Na última campanha presidencial, José Serra era um pobre vendedor de frutas e Dilma Rousseff uma freira de convento. Manipulações para encaixar o sujeito no personagem político fabricdo a partir de pesquisas de opinião. Assim, procure você mesmo saber sobre esses homens e mulheres que pedem o seu voto.

O candidato surgiu como? Onde atuava antes? É criação de terceiros ou é uma liderança legítima e autônoma? Diante de acusações, ele tira tudo a limpo ou tergiversa e se faz de desentendido? Ele dirigiu alguma ONG? Quem eram seus financiadores? (Não se surpreenda se você descobrir multinacionais e bancos sustentando anticapitalistas). O candidato é um governista inveterado ou um oposicionista crônico? (Posturas que mostram mostra oportunismo de um lado e inflexibilidade do outro). Com quem ele andou nos últimos anos? É leal? Em suma, tenha curiosidade e não se contente com apresentações oficiais; Leia mais

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Dez sugestões de atividades para a hora da propaganda eleitoral gratuita

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

22 de agosto de 2012

Não acredita mais em tanta promessa? Está cansado da mesma conversa de sempre? Veja alternativas construtivas para aproveitar o tempo da propaganda eleitoral gratuita. Atenção para o décimo item.

Com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, começa o espetáculo de frases lidas em teleprompter, músicas insuportáveis, vinhetas cheias de efeitos e maquetes eletrônicas. Sem esquecer as imagens de candidatos caminhando em bairros periféricos, abraçando crianças, comendo pratos regionais em feiras livres ou fingindo que estão trabalhando em cenários cheios de livros. Todos iguais, ou quase iguais.

Na forma, uns abusam na exibição de padrinhos políticos, enquanto outros escondem aliados inconvenientes. Na essência, abundam leituras superficiais sobre problemas complexos e propostas batizadas com nomes simpáticos, no melhor estilo Mamãe Feliz, Saúde na Hora, Escola Primeiro Mundo (nomes fictícios), que desafiam qualquer projeção orçamentária.

É verdade que algumas pessoas gostam de assistir a propaganda eleitoral, até como programa de humor. Mas a maioria, que nunca prestou atenção ao noticiário político, mas que é obrigada a votar, senta desolada diante da televisão e espera a volta da programação normal. Foi pensando nesse público que pesquisei junto a amigos, dicas para aproveitar o horário eleitoral gratuito de forma construtiva e prazerosa. São sugestões colhidas de forma aleatória e muitas outras opções não foram contempladas.

Dez coisas para fazer durante a propaganda eleitoral:

1 – Conversar com a família – Sem jornais ou novelas para disputar a atenção de todos, essa é uma boa oportunidade para saber como as crianças estão na escola ou se o cônjuge tem novidades no trabalho;

2 – Ler um livro – Com 15 ou 20 páginas diárias, dá para passar o tempo e ainda adquirir cultura. Se a intenção for fugir da realidade, uma boa dica para disputar com as propagandas eleitorais são as ficções científicas; Leia mais

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A traição como doutrina política e as eleições em Fortaleza

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

12 de agosto de 2012

Cena de A Rainha Margot: Fazendo-se amiga de Henrique de Navarra, Catarina de Médici busca transformar a traição em virtude. Qualquer semelhança com as eleições…

Num dos diálogos mais cínicos do cinema, no filme A Rainha Margot (1994), Catarina de Médici diz ao genro e futuro rei da França, Henrique de Navarra: “Que é a traição? A habilidade de se adaptar aos acontecimentos”. O ardil tinha por intenção transformar o erro em virtude para justificar a falta de princípios no ambiente sórdido da corte francesa no ano de 1572, quando as disputas sem limites pelo poder e a desmesurada ambição da nobreza fizeram dessa trama, baseada em fatos reais, símbolo perfeito do vale tudo para se dar bem.

Deixando o século XVI e voltando ao XXI, viajando da França monarquista para a República brasileira, e mais precisamente para as eleições municipais em Fortaleza, capital do Ceará, recordo também de Karl Marx: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Apesar da distância e guardadas devidas as proporções históricas, os candidatos em evidência na atual disputa eleitoral preservam esse elemento clássico das relações de poder: o signo da traição na política.

Conveniências da hora

Não vou citar nomes, pois esta reflexão diz respeito a uma forma generalizada, embora a cada época, possua seus protagonistas de sucesso. Pense um pouco, amigo leitor, quantos candidatos que agora posam de críticos convictos dos descaminhos da gestão de Luizianne não estavam, até poucos dias atrás, com seus partidos controlando secretarias e órgãos municipais, administrando verbas públicas e principalmente, caladinhos, sem nada verem de errado na administração da qual eram sócios menores. Quantos não foram fiadores do governo que agora repudiam, colocando a própria credibilidade a serviço da reeleição da petista, garantindo aos eleitores que era esse o melhor caminho, apesar das fragilidades que já se faziam sentir naquele momento.

A gestão atual, evidentemente, não é vítima passiva. Leia mais

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Jeitinho cearense: Lei do Silêncio libera poluição sonora para candidatos

Por Wanfil em Eleições 2012

07 de agosto de 2012

Conheça a lei estadual 13.711, chamada de Lei do Silêncio, e veja o flagrante de uma contradição

Para que uma comunidade possa viver em harmonia, amparada no ideal do respeito mútuo e do bem comum, autoridades são constituídas com a missão de estabelecer critérios para que normas de boa convivência possam ser aplicadas a todos. Mas o que fazer quando essas próprias autoridades, no exercício de suas atividades, concedem a si mesmas o privilégio de não cumprirem essas regras? Que exemplo dão aos demais? Que autoridade têm para cobrar algo?

Infelizmente, a cultura do “jeitinho brasileiro” foi de tal forma assimilada por nossa sociedade que nem mesmo a legislação escapa da flagrante contradição de propor uma proibição em nome do bem geral e, ao mesmo tempo, livrar seus idealizadores do fardo de cumpri-la.

O período eleitoral é ideal para constatarmos, aqui mesmo no Ceará, a consagração do famoso adágio popular:  Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.

Lei do silêncio

A lei estadual 13.711, aprovada em 20 de dezembro de 2005, de autoria do deputado Ivo Gomes (PSB), para “combater a poluição sonora gerada por estabelecimentos comerciais e por veículos“, determina (grifos meus):

Art. 1º Ficam expressamente proibidos, no Estado do Ceará, independente da medição de nível sonoro, utilizar quaisquer sistemas e fontes de som:

I – os estabelecimentos comerciais, com a finalidade de fazer propaganda publicitária e/ou divulgação de produtos ou serviços;

II – os carros de som, volantes ou assemelhados em vias públicas;

III – os veículos particulares, em vias públicas, com volume que se faça audível fora do recinto destes veículos.

Parágrafo único. Não estão sujeitos à proibição prevista neste artigo os sons produzidos durante o período de propaganda eleitoral, determinados pela Justiça Eleitoral; os sons produzidos por sirenes e assemelhados utilizados nas viaturas, quando em serviço de policiamento ou socorro; os sons propagados em eventos religiosos, populares e integrantes do calendário turístico e cultural do Estado do Ceará.

O espírito da lei

A lei 13.711 tem por espírito o entendimento de que carros de som promovem poluição sonora, expondo e prejudicando cidadãos “independente da medição de nível sonoro”. A lei excetua dessa obrigação as sirenes de viaturas policiais ou de socorro, que se sobrepõem por força de sua ação intrínseca, que é a de salvar vidas. Igrejas e festejos – eventos que reúnem uma penca de eleitores – também estão liberados. E por algum por algum motivo que o texto não explicita, candidatos a cargos eletivos podem fazer, durante o período de campanha, a poluição sonora que aos demais é proibida.

Um candidato pode prometer o que quiser em carro de som, obedecendo o limite de volume estabelecido por lei municipal, segundo o TRE. No entanto, um cidadão que deseje, sei lá, usar um carro de som para pedir que as pessoas votem nulo, por exemplo, estará cometendo crime. No que difere o incômodo que causam à população?  Leia mais

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A Saúde como doença

Por Wanfil em Ceará, Eleições 2012

26 de julho de 2012

Durante 7 anos Luizianne e Cid endossaram as políticas de Saúde um do outro. Agora, em lados opostos e por conveniência eleitoral, seus grupos agem como se tivessem sido opositores no passado. Foto: Reprodução – TV Jangadeiro

O Jornal Jangadeiro exibiu reportagem sobre a superlotação no Hospital Geral de Fortaleza. Não foi a primeira vez neste ano. Em maio passado, o programa Barra Pesada, também da TV Jangadeiro, já havia flagrado imagens do caos na unidade, no mesmo dia em que o  próprio governador Cid Gomes havia sido internado lá por causa de um súbito mal-estar. Nas duas ocasiões, uma só realidade para quem necessita de atendimento emergencial: profissionais aflitos, cansados, correndo entre filas de espera; pacientes espalhados pelos corredores ou mesmo no chão, próximos a banheiros e latas de lixo.

Não por acaso a pesquisa Ibope encomendada pelo jornal O Povo, publicada nesta semana, mostra que a principal preocupação do cidadão fortalezense é a saúde.

A direção do HGF confirma a superlotação e admite que existe um excedente diário de 80 pacientes. No entanto, de acordo com o hospital, metade desse contingente deveria ser atendido nos postos de saúde e nas unidades secundárias de Fortaleza. Por outro lado, as autoridades municipais apontam o grande número de pacientes transferidos do interior como origem da superlotação de outro hospital, o IJF.

E a parceria administrativa de 7 anos?

Muito provavelmente os dois lados têm razão. De qualquer forma, a questão, já dramática pela própria natureza, passa a ter contornos de cinismo político, uma vez que os governos estadual e municipal foram aliados durante mais de sete anos. Nas diversas campanhas eleitorais que se sucederam nesse período, governador e prefeita nunca deixaram de endossar mutuamente as ações um do outro na área da saúde. Pelo contrário! Foram desde o primeiro instante fiadores dessas políticas, garantindo ao eleitor que a harmonia entre as duas esferas de governo era o melhor caminho para oferecer serviços adequados.

O mesmo vale para a segurança e a educação. Ver defeitos e responsabilizar ex-aliados somente agora é prova de que a tal sintonia administrativa só funcionou em eleições. Com efeito, o eleitor foi enganado.

Convicções de ocasião

É claro que aliados podem romper e discordar um do outro. Podem até se arrepender. O problema é quando e como isso é feito. Criticar o passado de acordo com as conveniências do presente demonstra que o oportunismo se sobrepõe à convicção. O fato é que, no presente caso, tanto para o governo estadual como para prefeitura, apontar erros do parceiro que apoiou sem assumir sua cota de responsabilidade, é atitude moralmente repreensível que basta para qualificar seus autores. Leia mais

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A Saúde como doença

Por Wanfil em Ceará, Eleições 2012

26 de julho de 2012

Durante 7 anos Luizianne e Cid endossaram as políticas de Saúde um do outro. Agora, em lados opostos e por conveniência eleitoral, seus grupos agem como se tivessem sido opositores no passado. Foto: Reprodução – TV Jangadeiro

O Jornal Jangadeiro exibiu reportagem sobre a superlotação no Hospital Geral de Fortaleza. Não foi a primeira vez neste ano. Em maio passado, o programa Barra Pesada, também da TV Jangadeiro, já havia flagrado imagens do caos na unidade, no mesmo dia em que o  próprio governador Cid Gomes havia sido internado lá por causa de um súbito mal-estar. Nas duas ocasiões, uma só realidade para quem necessita de atendimento emergencial: profissionais aflitos, cansados, correndo entre filas de espera; pacientes espalhados pelos corredores ou mesmo no chão, próximos a banheiros e latas de lixo.

Não por acaso a pesquisa Ibope encomendada pelo jornal O Povo, publicada nesta semana, mostra que a principal preocupação do cidadão fortalezense é a saúde.

A direção do HGF confirma a superlotação e admite que existe um excedente diário de 80 pacientes. No entanto, de acordo com o hospital, metade desse contingente deveria ser atendido nos postos de saúde e nas unidades secundárias de Fortaleza. Por outro lado, as autoridades municipais apontam o grande número de pacientes transferidos do interior como origem da superlotação de outro hospital, o IJF.

E a parceria administrativa de 7 anos?

Muito provavelmente os dois lados têm razão. De qualquer forma, a questão, já dramática pela própria natureza, passa a ter contornos de cinismo político, uma vez que os governos estadual e municipal foram aliados durante mais de sete anos. Nas diversas campanhas eleitorais que se sucederam nesse período, governador e prefeita nunca deixaram de endossar mutuamente as ações um do outro na área da saúde. Pelo contrário! Foram desde o primeiro instante fiadores dessas políticas, garantindo ao eleitor que a harmonia entre as duas esferas de governo era o melhor caminho para oferecer serviços adequados.

O mesmo vale para a segurança e a educação. Ver defeitos e responsabilizar ex-aliados somente agora é prova de que a tal sintonia administrativa só funcionou em eleições. Com efeito, o eleitor foi enganado.

Convicções de ocasião

É claro que aliados podem romper e discordar um do outro. Podem até se arrepender. O problema é quando e como isso é feito. Criticar o passado de acordo com as conveniências do presente demonstra que o oportunismo se sobrepõe à convicção. O fato é que, no presente caso, tanto para o governo estadual como para prefeitura, apontar erros do parceiro que apoiou sem assumir sua cota de responsabilidade, é atitude moralmente repreensível que basta para qualificar seus autores. (mais…)