Elmano lidera no Datafolha e Roberto Cláudio no Ibope: Margens de erro 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Elmano lidera no Datafolha e Roberto Cláudio no Ibope: O segredo está nas margens de erro

Por Wanfil em Eleições 2012, Pesquisa

18 de outubro de 2012

Este post foi escrito originalmente com base nos números da pesquisa Datafolha para o 2º turno em Fortaleza. Como a pesquisa Ibope, divulgada no mesmo dia, reforçou os argumentos aqui expostos, optei por atualizá-lo. Apesar dos resultados diferentes, a análise vale para os dois institutos. O segredo, como o leitor poderá constatar, está nas margens de erro.

A margem de erro tem função estatística e política: serve para dar ares de técnica ao puro e simples chute.

Depois dos erros que marcaram o 1º turno em Fortaleza, as pesquisas eleitorais voltaram. Embora tenham acertado quanto aos nomes que seguiram na disputa, de certa forma elas funcionaram como profecias auto-realizáveis, na medida em que influenciaram negativamente a expectativa de sucesso da candidatura que ficou na terceira posição. Como não existe “o que poderia ter sido” em História, aqui estamos.

Datafolha e Ibope

A pesquisa feita pelo Datafolha  sob encomendada pelo jornal O Povo mostra Elmano de Freitas (PT) com 42% da preferência, contra 37% de Roberto Cláudio (PSB). Brancos e nulos chegam a 11%.

Pelo Ibope, em levantamento feito para a TV Verdes Mares, a disputa estaria com as posições invertidas, com 41% para Roberto Cláudio e 39% para Elmano de Freitas. Brancos e nulos somam 14%.

Quem está com a razão? Os dois, vejam só! Pelo simples motivo de que ambas conseguem estar simultaneamente certas e erradas, desde que observadas as respectivas margens de erro de cada uma, como veremos a seguir.

O fator margem de erro

No caso do Datafolha, considerando a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, Elmano pode muito bem estar com 45%, contra 34% de Roberto. Isso se a margem não estiver subestimada! Ao mesmo tempo, Roberto pode ter na realidade 40% das intenções, estando à frente de Elmano que, descontados os três pontos de segurança, pode ter 39%.

O mesmo vale para o Ibope, que trabalha com igual margem de três pontos para mais ou para menos. Nesse caso, Roberto Cláudio pode estar com 44% e Elmano de Freitas com 36%, ou, invertendo a elasticidade da margem, Elmano pode estar com 42% e Roberto com 38%.

Confuso, não é mesmo? Numa disputa onde a maior certeza das projeções é a incerteza, você apostaria o seu salário do mês baseado nas projeções das pesquisas eleitorais em Fortaleza? Eu, não.

O fato é que os institutos de pesquisas não estão com essa credibilidade toda. Até que se prove o contrário, isso não significa que haja manipulação, é sempre bom deixar claro. O que fica evidente, já escrevi em outros posts, são os limites metodológicos desses levantamentos. Muitos os querem como instrumentos de GPS de alta precisão, quando não passam de imagens sujeitas a variações de pressão e temperatura e a erros recorrentes. O problema está em a supervalorizá-las.

Estabilidade e disputa aberta

De qualquer forma, desconsiderando as flutuações das margens de erro, o que o Datafolha e o Ibope mostram é um quadro de estabilidade e de disputa aberta. Vista assim, como um panorama, as pesquisas têm sua serventia.

Roberto Cláudio conseguiu o apoio do PDT e PPS, mas não o aval pessoal de Heitor Férrer, que se manteve neutro. Conta ainda com a adesão de Moroni Torgan e de Inácio Arruda em sua campanha, isolando a dupla PT e PR. Dado o descompasso de forças, impressiona o desempenho de Elmano, que tem Lula como único trunfo a apresentar.

Não é possível verificar ainda se esses reforços se transformarão em votos. Como o tempo é curto, é possível que eventuais mudanças sejam captadas apenas muito próximo ao dia da eleição. Se houver mudanças bruscas antes disso, credito qualquer mal entendido às margens de erro.

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Elmano lidera no Datafolha e Roberto Cláudio no Ibope: O segredo está nas margens de erro

Por Wanfil em Eleições 2012, Pesquisa

18 de outubro de 2012

Este post foi escrito originalmente com base nos números da pesquisa Datafolha para o 2º turno em Fortaleza. Como a pesquisa Ibope, divulgada no mesmo dia, reforçou os argumentos aqui expostos, optei por atualizá-lo. Apesar dos resultados diferentes, a análise vale para os dois institutos. O segredo, como o leitor poderá constatar, está nas margens de erro.

A margem de erro tem função estatística e política: serve para dar ares de técnica ao puro e simples chute.

Depois dos erros que marcaram o 1º turno em Fortaleza, as pesquisas eleitorais voltaram. Embora tenham acertado quanto aos nomes que seguiram na disputa, de certa forma elas funcionaram como profecias auto-realizáveis, na medida em que influenciaram negativamente a expectativa de sucesso da candidatura que ficou na terceira posição. Como não existe “o que poderia ter sido” em História, aqui estamos.

Datafolha e Ibope

A pesquisa feita pelo Datafolha  sob encomendada pelo jornal O Povo mostra Elmano de Freitas (PT) com 42% da preferência, contra 37% de Roberto Cláudio (PSB). Brancos e nulos chegam a 11%.

Pelo Ibope, em levantamento feito para a TV Verdes Mares, a disputa estaria com as posições invertidas, com 41% para Roberto Cláudio e 39% para Elmano de Freitas. Brancos e nulos somam 14%.

Quem está com a razão? Os dois, vejam só! Pelo simples motivo de que ambas conseguem estar simultaneamente certas e erradas, desde que observadas as respectivas margens de erro de cada uma, como veremos a seguir.

O fator margem de erro

No caso do Datafolha, considerando a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, Elmano pode muito bem estar com 45%, contra 34% de Roberto. Isso se a margem não estiver subestimada! Ao mesmo tempo, Roberto pode ter na realidade 40% das intenções, estando à frente de Elmano que, descontados os três pontos de segurança, pode ter 39%.

O mesmo vale para o Ibope, que trabalha com igual margem de três pontos para mais ou para menos. Nesse caso, Roberto Cláudio pode estar com 44% e Elmano de Freitas com 36%, ou, invertendo a elasticidade da margem, Elmano pode estar com 42% e Roberto com 38%.

Confuso, não é mesmo? Numa disputa onde a maior certeza das projeções é a incerteza, você apostaria o seu salário do mês baseado nas projeções das pesquisas eleitorais em Fortaleza? Eu, não.

O fato é que os institutos de pesquisas não estão com essa credibilidade toda. Até que se prove o contrário, isso não significa que haja manipulação, é sempre bom deixar claro. O que fica evidente, já escrevi em outros posts, são os limites metodológicos desses levantamentos. Muitos os querem como instrumentos de GPS de alta precisão, quando não passam de imagens sujeitas a variações de pressão e temperatura e a erros recorrentes. O problema está em a supervalorizá-las.

Estabilidade e disputa aberta

De qualquer forma, desconsiderando as flutuações das margens de erro, o que o Datafolha e o Ibope mostram é um quadro de estabilidade e de disputa aberta. Vista assim, como um panorama, as pesquisas têm sua serventia.

Roberto Cláudio conseguiu o apoio do PDT e PPS, mas não o aval pessoal de Heitor Férrer, que se manteve neutro. Conta ainda com a adesão de Moroni Torgan e de Inácio Arruda em sua campanha, isolando a dupla PT e PR. Dado o descompasso de forças, impressiona o desempenho de Elmano, que tem Lula como único trunfo a apresentar.

Não é possível verificar ainda se esses reforços se transformarão em votos. Como o tempo é curto, é possível que eventuais mudanças sejam captadas apenas muito próximo ao dia da eleição. Se houver mudanças bruscas antes disso, credito qualquer mal entendido às margens de erro.