Eleições 2012 Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Eleições 2012

Quem disse que a maioria escolheu o novo prefeito de Fortaleza?

Por Wanfil em Eleições 2012, Fortaleza

29 de outubro de 2012

Votos nulos, brancos e abstenções são desconsideradas pela justiça eleitoral. É que só assim, em muitos casos, o vencedor consegue “maioria”. É o jeitinho brasileiro no exercício da democracia.

Quando acaba a apuração de uma eleição, agora no curto espaço de algumas poucas horas, uma questão interessante termina sendo pouco debatida: a natureza dos percentuais anunciados. É que os números divulgados pela justiça eleitoral levam em consideração somente os votos válidos, ou seja, desconsideram, para efeito de resultado final, as abstenções, os votos brancos e os nulos. E porque isso é interessante? Com efeito, não muda nada a definição de vencedores e perdedores que disputaram o pleito em Fortaleza, mas ajuda a dimensionar de forma mais precisa o tamanho da vitória do PSB e da derrota do PT.

Essa regra dos votos válidos tem por objetivo atender a uma exigência legal. Será considerado vencedor no segundo turno o candidato que obtiver 50% dos votos mais um. Se, hipoteticamente, cada candidato conseguisse apenas 40% dos votos, ninguém poderia ser declarado eleito. Daí a regra dos votos válidos, para poder conferir, de todo o jeito, maioria ao vencedor, mesmo que ela não exista na prática.

Por isso, cuidado ao ouvir algum candidato se gabando de ter sido eleito pela vontade da maioria, como fazia o ex-presidente Collor de Mello. Nem sempre é assim.

 Números reais da eleição em Fortaleza

Em Fortaleza, 268.138 pessoas se abstiveram de votar, o que corresponde a 16,6% de um total de 1.612.155 de eleitores, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral. Levando em consideração que 33.782 votaram em branco e 83.193 anularam o sufrágio, a soma de pessoas que não optaram por nenhum dos candidatos foi de 385.113, ou 23,9% dos eleitores. Esse grupo é desconsiderado para a promulgação do resultado. No entanto, se fossem computados, os percentuais seriam outros.

Assim, para ser fiel aos fatos, a escolha do prefeito de Fortaleza se restringiu a 76,1% do eleitorado, apesar da obrigatoriedade do voto no Brasil.

Pelo Tribunal Superior Eleitoral, Roberto Cláudio (PSB) venceu com 53,02% dos votos válidos. No entanto, comparando seus 650.607 votos com o universo total de eleitores habilitados – válidos e não válidos -, seu índice na verdade foi de 40,35%.

Pela mesma lógica, Elmano de Freitas (PT), que teve 46,98% dos votos válidos, conseguiu 35,75% do total, perfazendo 576.435 eleitores.

Quadro final considerando todos os eleitores aptos a votar

Roberto Cláudio – 40,35%

Elmano de Freitas – 35,75%

Nenhum – 23,9%

Legitimidade assegurada

Naturalmente, isso não desqualifica o processo eleitoral ou a vitória do candidato Roberto Cláudio, nem absolve os derrotados. São as regras do jogo, previamente definidas e válidas para todos. É apenas uma constatação empírica, sem recados embutidos nas entrelinhas, a não ser a evidência de que um quarto do eleitorado não votou em ninguém, trazendo à tona a discussão sobre a necessidade ou não do voto obrigatório.

De resto, é fato que não houve maioria formada em Fortaleza, mas isso não significa rejeição absoluta ao vencedor. Os dados podem indicar, por exemplo, desaprovação aos padrinhos políticos ou aos partidos dos candidatos. Ou desânimo do eleitor com o quadro geral do momento. É verdade que vitórias retumbantes fortalecem os eleitos, dando-lhes melhores condições para negociar a composição do futuro governo, mas cada caso é um caso. Dilma Rousseff, por exemplo, terminou o primeiro ano de governo com mais popularidade do que quando foi eleita, o que lhe conferiu mais autoridade para promover algumas mudanças em ministérios.

Doravante, para Roberto Cláudio, tudo dependerá do desempenho da gestão e da eficiência na comunicação.

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Fortaleza tem novo prefeito. E agora?

Por Wanfil em Eleições 2012

28 de outubro de 2012

Divulgado o resultado das urnas com a vitória de Roberto Cláudio para a Prefeitura de Fortaleza, não faltarão falsos profetas analisando causas que o expliquem. Geralmente são palpites inócuos e servem apenas de adorno ao noticiário. O fato é que ainda é cedo para projeções e tarde para conselhos eleitorais. O que importa agora, passada a festa de quem ganha e o lamento de quem perde, é voltar à realidade que aguarda o novo prefeito a partir desta segunda-feira.

Divisão

A pequena diferença entre o prefeito eleito Roberto Cláudio (PSB) e o derrotado nas urnas Elmano de Freitas (PT), de apenas seis pontos (53% a 47%), repete o desenho político esboçado ainda no primeiro turno: um eleitorado dividido.

Assim, apesar da vitória, Roberto Cláudio assume de certa forma sob o signo da desconfiança de quase metade dos eleitores. O desempenho de Elmano de Freitas, que foi mais longe do que indicavam as pesquisas de avaliação da gestão por ele representada, indica que há um patrimônio eleitoral que o PT deve buscar preservar.

Isso não diminui a legitimidade do processo, evidente, mas é um dado que deve ser levado em consideração tanto pelo gestor eleitor, como pelo grupo que perde. Para o que ganha para evitar a soberba e para como estímulo contra eventuais irresponsabilidades.

Dúvidas

Sobre o futuro governo Roberto Cláudio, algumas dúvidas pairam no ar:  Roberto Cláudio conseguirá imprimir uma liderança própria?   O PT será oposição na capital e aliado em âmbito estadual? A prefeita Luizianne Lins promoverá um processo de transição organizado ou se fechará em ressentimento? O correto é contribuir para que a futura equipe de governo possa ter acesso a todas as informações necessárias para iniciar o seu trabalho da melhor forma possível. Seria incontestável prova de maturidade e transparência, que no entanto está condicionada ao esquecimento da animosidade do processo eleitoral, em respeito à decisão das urnas.

Certeza

Depois da festa, o desafio. Diante das naturais dúvidas que se colocam sobre um novo governo, sobretudo sobre um novo gestor, a maior certeza que existe no momento é que toda a expectativa gerada com a construção da imagem de Roberto Cláudio como político capaz de imprimir um ritmo intenso de ações e obras, especialmente nas áreas de educação e saúde, lhe deverá ser devidamente cobrada. É esperar para ver.

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Se o governador e a prefeita não se respeitam, que respeitem os eleitores

Por Wanfil em Eleições 2012

26 de outubro de 2012

Críticas e ataques fazem parte das campanhas eleitorais. No entanto, governantes, que a rigor representam a coletividade, precisam ter equilíbrio para não se comportar como meros militantes partidários.

A destemperança nos ataques mútuos entre o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins nos últimos dias da campanha eleitoral no 2º turno já extrapolaram os limites do bom senso.

Além de sugerir desequilíbrio impróprio para administradores, gera o mal pressentimento de que existe no ar uma disposição ao vale tudo. Se publicamente o ambiente degrada sem maiores constrangimentos, imaginem nos bastidores dos comitês eleitorais…

Autoridade X militante

Governador e prefeita têm o direito de apoiar candidatos, formar alianças eleitorais e depois rompê-las, cada qual com sua versão dos fatos. No entanto, precisam ter sempre claro que a natureza representativa de suas funções impõem limites ao exercício da militância partidária de cada um.

Não se é governador ou prefeita de um grupo político ou de uma coligação apenas, mas de todos, inclusive dos opositores. Governantes eleitos, ao externarem suas preferências, não podem nunca deixar de ter em mente que trabalham para a coletividade e não apenas para os seus aliados ou para os eleitores dos seus candidatos em outras disputas.

Se por acaso o candidato da prefeita vencer, o governador cruzará os braços em boicote ao gestor adversário político? E se o candidato do governador vencer, em represália a prefeita dificultará a transição? Essas são suposições que não devem estar no horizonte dos cidadãos. É triste ver pessoas atemorizadas com medo de perder isso ou aquilo ou esperançosas de ter algo que desejam por conta desses arroubos.

Liturgia do cargo

Evidentemente, não se faz campanha sem críticas. Há mesmo um certo melindre por parte de alguns candidatos, mas crítica não é ataque. É função inalienável das oposições, posto que não existe governo perfeito.

O problema, em Fortaleza, é o tom de ressentimento e o nível das desqualificações trocadas entre os padrinhos das candidaturas, que já contaminaram, como era de se esperar, os discursos dos candidatos. Se a desconstrução do adversário faz parte do jogo eleitoral, é preciso levar em consideração, em primeira e última instância, o respeito ao público. Especialmente quando se trata, repito, de autoridades que devem se adequar à liturgia dos cargos que ocupam.

Soberano é o eleitor

Na próxima segunda-feira os fortalezenses terão um novo prefeito e o que deverá prevalecer é a compreensão de que a decisão dos eleitores é soberana, independente da vontade ou da opinião dos governantes do momento.

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Cid e Luizianne sobem o tom e roubam a cena na reta final da campanha

Por Wanfil em Eleições 2012, Fortaleza

22 de outubro de 2012

Foto da campanha de 2008: Unidos por interesses circunstanciais, Cid e Luizianne dividiam o mesmo palanque. De repente, na eleição seguinte, do riso fez-se o pranto…

A aliança entre o governador Cid Gomes se desfez formalmente às vésperas das eleições municipais. Na prática, foi de altos e baixos, mas sempre reafirmada em períodos eleitorais. Da união instável mas vitoriosa na urnas, restou, ironicamente, duas candidaturas adversárias: Roberto Cláudio a representá-lo e Elmano de Freitas a representá-la.

No primeiro momento, uma gélida distância sugeria que os dois não interfeririam demasiadamente no processo. No entanto, o calor da disputa no 2º turno em Fortaleza fez emergir no noticiário ressentimentos guardados e um indisfarçável desejo de vencer o antigo parceiro.

Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira em que anunciou pedido de licença do cargo para entrar de vez na campanha, Cid afirmou que Luizianne é personalista, vaidosa, arrogante e emendou dizendo que a prefeita não gosta de trabalhar. No mesmo dia ela respondeu em outra entrevista acusando-o de desrespeitar os cearenses que sofrem com a estiagem, de ser preconceituoso, de estar desesperado por causa das eleições e de confundir Fortaleza com Sobral.

Quem haverá de dizer que eles estão errados? Afinal, dado o histórico, os dois se conhecem intimamente enquanto líderes políticos e administradores públicos. Foram sócios para o bem e para o mal. E por último, em que tais declarações ajudariam seus respectivos candidatos? A meu ver, essas demonstrações mais atrapalham.

Revelações

A decisão de Cid e as alfinetadas recíprocas entre os ex-aliados acabam por revelar alguns pontos interessantes que etavam adormecidos, guardados numa camada mais interna da política, encoberta pela camada superficial das propagandas eleitorais. Ressalto dois:

1) O que todos já sabiam ganhou contorno público: esta eleição é uma disputa entre Luizianne e Cid, cabendo aos candidatos Elmano de Freitas e Roberto Cláudio o papel de prepostos sem luz própria, cabendo-lhes apenas refletir a liderança projetada por seus padrinho e madrinha;

2) A aliança entre PSB e PT se desfez em função de sua única e verdadeira razão de existir: as conveniências eleitorais do momento. Se alguém votou em algum candidato majoritário dessas siglas apostando no discurso de convergência de projetos, resta provado ter sido enganado.

Incoerências

Outro ponto intrigante da ruptura entre os ex-aliados de outrora é a falta de um mea culpa. Os dois querem passar a impressão de que estavam certos no passado quando trocavam juras de apoio um ao outro e também agora quando a renegam.

Como Cid pode pedir voto para um candidato dizendo que ele é a melhor opção ao mesmo tempo em que diz que a última candidata para quem pediu votos não presta mais?

Como pode Luizianne, por sua vez, dizer que Cid não apoia bons candidatos se ela fez questão de apresentá-lo como um de seus fiadores em sua campanha a reeleição?

Metáfora

Diante desse caminho que vai da exaltação ao rompimento e depois à intriga, lembrei-me do famoso Soneto de Separação, de Vinícius de Moraes. São versos de amor, claro, mas a correlação que faço nasce da natureza fugaz de certos relacionamentos. Descontados os exageros, serve como metáfora para um processo que nasceu fadado ao fracasso.

SONETO DA SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

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Elmano lidera no Datafolha e Roberto Cláudio no Ibope: O segredo está nas margens de erro

Por Wanfil em Eleições 2012, Pesquisa

18 de outubro de 2012

Este post foi escrito originalmente com base nos números da pesquisa Datafolha para o 2º turno em Fortaleza. Como a pesquisa Ibope, divulgada no mesmo dia, reforçou os argumentos aqui expostos, optei por atualizá-lo. Apesar dos resultados diferentes, a análise vale para os dois institutos. O segredo, como o leitor poderá constatar, está nas margens de erro.

A margem de erro tem função estatística e política: serve para dar ares de técnica ao puro e simples chute.

Depois dos erros que marcaram o 1º turno em Fortaleza, as pesquisas eleitorais voltaram. Embora tenham acertado quanto aos nomes que seguiram na disputa, de certa forma elas funcionaram como profecias auto-realizáveis, na medida em que influenciaram negativamente a expectativa de sucesso da candidatura que ficou na terceira posição. Como não existe “o que poderia ter sido” em História, aqui estamos.

Datafolha e Ibope

A pesquisa feita pelo Datafolha  sob encomendada pelo jornal O Povo mostra Elmano de Freitas (PT) com 42% da preferência, contra 37% de Roberto Cláudio (PSB). Brancos e nulos chegam a 11%.

Pelo Ibope, em levantamento feito para a TV Verdes Mares, a disputa estaria com as posições invertidas, com 41% para Roberto Cláudio e 39% para Elmano de Freitas. Brancos e nulos somam 14%.

Quem está com a razão? Os dois, vejam só! Pelo simples motivo de que ambas conseguem estar simultaneamente certas e erradas, desde que observadas as respectivas margens de erro de cada uma, como veremos a seguir.

O fator margem de erro

No caso do Datafolha, considerando a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, Elmano pode muito bem estar com 45%, contra 34% de Roberto. Isso se a margem não estiver subestimada! Ao mesmo tempo, Roberto pode ter na realidade 40% das intenções, estando à frente de Elmano que, descontados os três pontos de segurança, pode ter 39%.

O mesmo vale para o Ibope, que trabalha com igual margem de três pontos para mais ou para menos. Nesse caso, Roberto Cláudio pode estar com 44% e Elmano de Freitas com 36%, ou, invertendo a elasticidade da margem, Elmano pode estar com 42% e Roberto com 38%.

Confuso, não é mesmo? Numa disputa onde a maior certeza das projeções é a incerteza, você apostaria o seu salário do mês baseado nas projeções das pesquisas eleitorais em Fortaleza? Eu, não.

O fato é que os institutos de pesquisas não estão com essa credibilidade toda. Até que se prove o contrário, isso não significa que haja manipulação, é sempre bom deixar claro. O que fica evidente, já escrevi em outros posts, são os limites metodológicos desses levantamentos. Muitos os querem como instrumentos de GPS de alta precisão, quando não passam de imagens sujeitas a variações de pressão e temperatura e a erros recorrentes. O problema está em a supervalorizá-las.

Estabilidade e disputa aberta

De qualquer forma, desconsiderando as flutuações das margens de erro, o que o Datafolha e o Ibope mostram é um quadro de estabilidade e de disputa aberta. Vista assim, como um panorama, as pesquisas têm sua serventia.

Roberto Cláudio conseguiu o apoio do PDT e PPS, mas não o aval pessoal de Heitor Férrer, que se manteve neutro. Conta ainda com a adesão de Moroni Torgan e de Inácio Arruda em sua campanha, isolando a dupla PT e PR. Dado o descompasso de forças, impressiona o desempenho de Elmano, que tem Lula como único trunfo a apresentar.

Não é possível verificar ainda se esses reforços se transformarão em votos. Como o tempo é curto, é possível que eventuais mudanças sejam captadas apenas muito próximo ao dia da eleição. Se houver mudanças bruscas antes disso, credito qualquer mal entendido às margens de erro.

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PT e PSB usam imagem de Heitor Férrer para tentar ludibriar eleitores

Por Wanfil em Eleições 2012

16 de outubro de 2012

Imagem: facebook.com/sistemajangadeiro

As campanhas de Elmano de Freitas (PT) e de Roberto Cláudio (PSB) começaram o segundo turno de olho no patrimônio eleitoral do terceiro colocado no primeiro turno, o deputado Heitor Férrer (PDT), com quase 21% dos votos. Nada mais previsível e natural, afinal, é plausível deduzir que boa parte desse eleitorado irá decidir a partir de uma comparação com o candidato derrotado. Quanto mais afinidades, maior a chance de conquistá-lo.

O alvo: os eleitores de Heitor – A vítima: a verdade dos fatos

O PSB partiu na frente e conseguiu a adesão do PDT. Como os partidos têm pouca importância para o eleitor, a propaganda de Roberto Cláudio anunciou que contava agora com o apoio do “PDT, o partido de Heitor Férrer”.

A ênfase no nome do candidato foi tanta que deixou a impressão subliminar de que ele pessoalmente embarcara na campanha do PSB. No entanto, a referência, feita de forma sutil, é verossímil pela aliança partidária.

Mesmo assim, para esclarecer qualquer dúvida, o deputado convocou a imprensa para anunciou que não apoia nenhum dos candidatos e que não permite a utilização do seu nome nas respectivas campanhas de cada um. Nada mais lógico. Logo após a eleição, escrevi: Não seria conveniente para Férrer a manifestação de apoio a nenhum dos candidatos no segundo turno, para não correr o risco de perder a imagem de independência construída em sua atuação parlamentar e reforçada durante o pleito.

Apenas um dia depois dessas declarações, a campanha do PT manipula descaradamente em sua propaganda eleitoral a declaração de neutralidade de Férrer para insinuar que o parlamentar repudia apenas e tão somente a candidatura de Roberto Cláudio, exibindo o trecho em que ele afirma não poder aderir ao candidato lançado pelo governador e que representaria a consolidação de uma “oligarquia”.

A parte em que Férrer afirma que não apoia Elmano de Freitas por entender que essa opção seria manter por mais quatro anos a “ineficiência” que marca a atual gestão. Quem não assistiu aos jornais com as declarações, acaba concluindo que Heitor apoiaria o candidato do PT.

Candidatos precisam impor limites às suas campanhas

A disposição de usar a imagem de um candidato sem a sua devida autorização para induzir o voto dos eleitores revela: 1) desrespeito ao candidato e aos seus eleitores; 2) falta de limites éticos; 3) compostura e 4) pudor.

É verdade que o calor da disputa, o racha entre os ex-aliados Cid e Luizianne e as responsabilidades assumidas para o pelito, especialmente as financeiras, podem interferir no discernimento de parte dos comandos das campanhas – ou revelar-lhes a real natureza. Entretanto, isso não pode servir de desculpa para a tapeação.

Nessas horas em que a tentação de apelar seja ao que for para vencer a qualquer custo bate à porta, é que o candidato deve mostrar liderança e tomar as rédeas da própria campanha para não permitir um vale tudo eleitoral, ainda que lhe digam que o preço da correção seja uma eventual derrota.

Volto a publicar uma citação de Antoine de Saint-Exupéry“Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam”.

Senhores candidatos, por favor, mais dignidade. O eleitor agradece.

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Voto nulo é tão legítimo quanto qualquer voto livre

Por Wanfil em Eleições 2012, Política

11 de outubro de 2012

Não é por acaso que as opções de voto em branco e de voto nulo são ofertadas nas urnas eletrônicas: trata-se de um direito do eleitor. Voto ruim é o voto de cabresto.

O art. 3º da Lei Eleitoral afirma: Será considerado eleito Prefeito o candidato que obtiver a maioria dos votos, não computados os em branco e os nulos.

Fica evidente que, para todo efeito, votar em branco ou nulo não interfere objetivamente no resultado. Só os votos válidos são considerados para definir quem venceu o pleito (desde 1997 os votos em branco não são mais contabilizados como válidos). Mas, se é assim, por que as urnas eletrônicas oferecem as opções de branco e nulo? Porque o eleitor, vejam só, é livre para rejeitar os candidatos que lhe são apresentados; é livre para dizer que rejeita determinado cenário. Porque nas democracias, essas são alternativas tão legítimas quanto votar em um candidato.

Voto nulo pode ser manifestação consciente

Os críticos do voto inválido argumentam que ele expressa uma falta de compromisso do cidadão para com a democracia, alienação política ou mesmo ingenuidade, uma vez que sua efetivação apenas transferiria a responsabilidade da escolha final a terceiros.

Alguns mostram indignação, como se uma pessoa não pudesse, de forma consciente e lúcida, anular seu voto como manifestação de repúdio a um ou outro grupo político. Se eu acho que dois candidatos são corruptos, o que devo fazer? “Vote no que você achar o menos pior”, dizem os sabichões. Isso é consciência cívica? Não respeitar a opção pelo voto nulo ou pelo voto em branco é manifestação de intolerância disfarçada de preocupação social.

E o que dizer dessa conversa de transferir a escolha a terceiros? Ora, se o sujeito, por exemplo, não votou na candidata Dilma Rousseff no primeiro e no segundo turno, não foram terceiros que escolheram a presidente de todos?

Abstenção é diferente de voto não válido

É importante preciso não confundir voto inválido com abstenção. O abstencionismo – ausência do eleitor – serve para avaliações quantitativas, mas não pode ser tomado como manifestação deliberada de rejeição ao processo eleitoral ou aos candidatos, como nos casos do voto em branco ou do voto nulo. Sim, quem deixar de ir votar pode eventualmente estar protestando, mas analiticamente, somente o voto não válido é que pode ser tomado como expressão consciente de desconfiança ou negação.

Não estou dizendo que o voto inválido é superior ao voto útil, que isso fique claro. Votar em um candidato somente para impedir que outro vença – no menos pior, como dizem – é também manifestação legítima, desde que amparada na reflexão honesta.

Voto ruim é voto corrompido

Isso não significa que todo voto é legítimo. Aqueles que se revoltam contra o voto nulo ou em branco desperdiçam sua indignação, porquanto voto ruim é o voto de cabresto, o voto comprado, o voto vendido, o voto insuflado pelo medo ou pelo fanatismo ideológico, que impede a observação de condições como a integridade do candidato. Voto ruim é o voto induzido pela mentira das propagandas (o estelionato eleitoral) ou pelos erros das pesquisas.

O Brasil é um país que precisa de uma lei para que candidatos enrascados com a lei ou corruptos não sejam eleitos pelo voto livre e democrático. Definitivamente, o problema do país não é o voto nulo. Se você, assim como eu, acredita que as opções que restaram no segundo turno da sua cidade não são adequadas, vote nulo sem pensar que está cometendo um crime. Vote com gosto e diga que não quer escolher entre o que você considera igualmente ruim. O voto é seu.

PS. Esta é uma opinião pessoal deste articulista e não corresponde a nenhuma posição editorial do Jangadeiro Online.

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Vencedores e derrotados no 1º turno em Fortaleza e as lições de Napoleão e Saint-Exupéry

Por Wanfil em Eleições 2012

09 de outubro de 2012

Napoleão em Santa Helena, de Robert Harris. “A derrota é órfã”.

O escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, autor do famoso O Pequeno Príncipe, também escreveu obras e artigos sobre diversas guerras (era piloto e morreu em missão durante a Segunda Guerra Mundial). É com conhecimento de causa que ele escreveu: “Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam”.

Como as guerras militares são irmãs das batalhas políticas, a frase de Saint-Exupéry como baliza para refletirmos sobre o day after do primeiro turno nas eleições para a Prefeitura de Fortaleza. Os que seguiram adiante cantam vitória, naturalmente. Mas será que realmente podem chamar para si o sucesso temporário? Quem sai maior ou menor do que entrou na disputa?

O despertar de Heitor Ferrer

O candidato do PDT não foi ao segundo turno por uma conjunção de fatores entre os quais se destacam as pesquisas eleitorais, especialmente a boca de urna do instituto Ibope. Ao que tudo indica, a percepção de boa parte dos eleitores é a Leia mais

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O resultado das urnas em Fortaleza e as pesquisas eleitorais

Por Wanfil em Eleições 2012

08 de outubro de 2012

O desempenho do candidato Heitor Ferrer (PDT) foi a surpresa do primeiro turno destas eleições municipais em Fortaleza. Com pouco tempo de propaganda, modesta estrutura de campanha e sem padrinhos políticos, o pedetista obteve 20,97% dos votos, logo atrás de Elmano de Freitas (PT), com 25,44%, e Roberto Cláudio (PSB), com 23,32%.

O motivo da surpresa está no fato de que o candidato nunca andou perto dos líderes em todas as pesquisas de intenção de voto realizadas durante a campanha, previsão desmentida nas urnas. Nas redes sociais, esse contraste foi bastante citado, com muita gente acusando as pesquisas de parcialidade, omissão ou incompetência.

Até que ponto as pesquisas prejudicaram Heitor Ferrer?

A pergunta é legítima, uma vez que que a diferença do terceiro colocado para os candidatos que carimbaram o passaporte para o segundo turno foi bastante reduzida. Não estou entre os que sugerem manipulação dos números com o objetivo deliberado de prejudicar determinada candidatura, nem entre os que as tomam como ciência exata. (Para saber mais sobre a enormidade de variáveis que entram na composição de uma pesquisa, ler o post O que não se vê nas pesquisas eleitorais). Dessa forma, é preciso observar alguns pontos específicos.

Primeiro, o fato de mais de um instituto não ter registrado o avanço de Heitor Ferrer indica que seu crescimento foi um movimento muito recente, operado com maior velocidade nas horas que antecederam o pleito. Pesquisas Vox Populi, Datafolha e Ibope divulgadas na última semana não sinalizavam movimentações nesse sentido. Não é plausível acreditar numa manipulação que conseguisse envolver três institutos. O que resta provado é que as metodologias aplicadas não garantem a reprodução adequada da dinâmica de uma eleição.

Segundo, se as pesquisas tivessem captado a tendência a favor de Ferrer, é possível que uma onda positiva se formasse com maior intensidade e o beneficiasse. Evidentemente, a falta de boas notícias nos levantamentos costuma ter um efeito desmobilizador na militância do candidato e na capacidade do seu comando de campanha de angariar contribuições financeiras.

Cumpre registrar ainda que nem mesmo a boca de urna do Ibope, quando a margem de erro cai drasticamente, mostrou a mudança no eleitorado. Como esse foi uma falha única, seria interessante que o instituto explicasse o que aconteceu.

Pesquisas mostraram indícios que não foram bem lidos

Terceiro, é bom lembrar, se por um lado as pesquisas não mostraram categoricamente que Heitor Ferrer crescia na reta final, por outro elas forneceram durante todo o processo indícios valiosos que não foram bem utilizados pelo candidato e sua equipe.

Ferrer sempre apareceu com baixíssima rejeição em todas as pesquisas, que também mostravam que as candidaturas a serem batidas eram as dos candidatos apoiados pelas máquinas. Dito de outra forma, as pesquisas acertaram na evolução de Elmano e Roberto – os alvos – e informavam que Heitor tinha credibilidade para assumir uma postura mais incisiva nas críticas aos seus adversários.

Cruzando esses dados com pesquisas qualitativas feitas no início da campanha, Heitor Ferrer deveria ter levantado a bandeira da independência e associá-la à da ética, campo em que é bem avaliado.

Cuidado para não superestimar as pesquisas

As pesquisas podem ter atrapalhado Heitor Ferrer, influenciando negativamente o eleitorado. Infelizmente, não há como medir isso cientificamente. No entanto, imaginar que pesquisas possam determinar resultados, ignorando que são instrumentos voláteis por natureza e que precisam de leitura estratégica para criar posicionamentos de campanha, é superestimá-las.

Passou para o segundo turno, quem errou menos.

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Debate Jangadeiro: Candidatos de oposição partem para o ataque – Ainda há tempo?

Por Wanfil em Eleições 2012

03 de outubro de 2012

Candidatos à Prefeitura de Fortaleza no estúdio da TV Jangadeiro

O Sistema Jangadeiro de Comunicação realizou na noite desta terça-feira o seu segundo debate entre os candidatos à Prefeitura de Fortaleza.

Pressionados pelas pesquisas e na reta final da campanha, pela primeira vez os candidatos de oposição atuaram com forte viés de crítica em relação aos candidatos lançados pelo governador Cid Gomes e pela prefeita Luizianne Lins.

Moroni Torgan (DEM), Marcos Cals (PSDB), Renato Roseno (PSOL) e Heitor Ferrer (PDT) apresentaram sintonia nas análises  dirigidas especialmente à aliança recentemente desfeita entre o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins e ao uso da máquinas. Procuraram, em suma, fazer um alerta ao eleitorado sobre a importância de eleger um nome independete, lembrando que os ex-aliados que comandam as máquinas tiveram tempo para fazer aquilo que agora seus indicados prometem.

Por outro lado, Elmano de Freitas (PT) e Roberto Cláudio (PSB), líderes nas pesquisas de opinião, entraram em campo para jogar com o regulamento debaixo do braço e evitaram polêmicas.

No momento mais duro, Marcos Cals citou declarações do ex-governador Ciro Gomes chamando o candidato Elmano de Freitas de “pau mandado”. O petista se mostrou que foi bem orientado no midia trainer e não mudou o semblante enquanto rebatia dizendo que seus adversários o atacavam por não ter propostas. Roberto Cláudio ressaltava a parceria com o governo do estado como trunfo.

Heitor Férrer e Moroni chegaram a abordar o caso do mensalão, provavelmente na esperança de reproduzir em Fortaleza o desgaste que o PT vive em outras capitais por causa do julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Política não é “paz e amor”

No início da campanha, com pesquisas mostrando um acentuado desejo de mudança no eleitorado, diversas candidaturas se apresentaram. Imaginando que o desgaste da atual gestão fosse irreversível, todos optaram pela estratégia “paz e amor”, celebrada por Duda Mendonça e Lula da Silva. O que era uma especificidade – Lula tinha a imagem de político agressivo e instável – se transformou em uma espécie de regra absoluta aplicável a toda e qualquer circunstância. Um erro que beneficia justamente aos que são poupados de críticas. Obama não seria eleito sem criticar Bush.

Alertei em outros textos para o risco dessa decisão, que deixava terreno livre para que um governo avaliado negativamente buscasse uma recuperação. Política é embate, é confronto de ideias, de visões. Sem isso, as estruturas milionárias das candidaturas de situação se impuseram sobre a divisão dos opositores.

Vai dar tempo?

Agora que a eleição está na reta final para o primeiro turno, os opositores finalmente entederam que é preciso fazer política e não apenas promessas adornadas pelo marketing. Entretanto, a questão que se evidencia neste momento é saber se essa mudança de postura fará efeito e, se fizer, se haverá tempo hábil para influenciar os eleitores.

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Debate Jangadeiro: Candidatos de oposição partem para o ataque – Ainda há tempo?

Por Wanfil em Eleições 2012

03 de outubro de 2012

Candidatos à Prefeitura de Fortaleza no estúdio da TV Jangadeiro

O Sistema Jangadeiro de Comunicação realizou na noite desta terça-feira o seu segundo debate entre os candidatos à Prefeitura de Fortaleza.

Pressionados pelas pesquisas e na reta final da campanha, pela primeira vez os candidatos de oposição atuaram com forte viés de crítica em relação aos candidatos lançados pelo governador Cid Gomes e pela prefeita Luizianne Lins.

Moroni Torgan (DEM), Marcos Cals (PSDB), Renato Roseno (PSOL) e Heitor Ferrer (PDT) apresentaram sintonia nas análises  dirigidas especialmente à aliança recentemente desfeita entre o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins e ao uso da máquinas. Procuraram, em suma, fazer um alerta ao eleitorado sobre a importância de eleger um nome independete, lembrando que os ex-aliados que comandam as máquinas tiveram tempo para fazer aquilo que agora seus indicados prometem.

Por outro lado, Elmano de Freitas (PT) e Roberto Cláudio (PSB), líderes nas pesquisas de opinião, entraram em campo para jogar com o regulamento debaixo do braço e evitaram polêmicas.

No momento mais duro, Marcos Cals citou declarações do ex-governador Ciro Gomes chamando o candidato Elmano de Freitas de “pau mandado”. O petista se mostrou que foi bem orientado no midia trainer e não mudou o semblante enquanto rebatia dizendo que seus adversários o atacavam por não ter propostas. Roberto Cláudio ressaltava a parceria com o governo do estado como trunfo.

Heitor Férrer e Moroni chegaram a abordar o caso do mensalão, provavelmente na esperança de reproduzir em Fortaleza o desgaste que o PT vive em outras capitais por causa do julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Política não é “paz e amor”

No início da campanha, com pesquisas mostrando um acentuado desejo de mudança no eleitorado, diversas candidaturas se apresentaram. Imaginando que o desgaste da atual gestão fosse irreversível, todos optaram pela estratégia “paz e amor”, celebrada por Duda Mendonça e Lula da Silva. O que era uma especificidade – Lula tinha a imagem de político agressivo e instável – se transformou em uma espécie de regra absoluta aplicável a toda e qualquer circunstância. Um erro que beneficia justamente aos que são poupados de críticas. Obama não seria eleito sem criticar Bush.

Alertei em outros textos para o risco dessa decisão, que deixava terreno livre para que um governo avaliado negativamente buscasse uma recuperação. Política é embate, é confronto de ideias, de visões. Sem isso, as estruturas milionárias das candidaturas de situação se impuseram sobre a divisão dos opositores.

Vai dar tempo?

Agora que a eleição está na reta final para o primeiro turno, os opositores finalmente entederam que é preciso fazer política e não apenas promessas adornadas pelo marketing. Entretanto, a questão que se evidencia neste momento é saber se essa mudança de postura fará efeito e, se fizer, se haverá tempo hábil para influenciar os eleitores.