Brasil em recessão é Dilma sem propaganda. Aécio promete Armínio. E Marina? - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Brasil em recessão é Dilma sem propaganda. Aécio promete Armínio. E Marina?

Por Wanfil em Economia

29 de agosto de 2014

Que as propagandas eleitorais convençam eleitores de que um candidato possui determinadas virtudes ou defeitos, é algo esperado, afinal, é para isso que marqueteiros são contratados a peso de ouro. Como se trata de comunicação de massa, a ordem é reforçar símbolos e generalizações. O problema é quando o próprio candidato passa a acreditar na propaganda criada para o seu personagem político, pois o sujeito acaba descolado da realidade.

Propaganda X mundo real
Foi assim, por exemplo, que Cid Gomes imaginou, quando foi reeleito em 2010, que suas ações de segurança pública realmente estavam no caminho certo. Deu no que deu. Agora é a presidente Dilma, que no debate promovido pela Rede Bandeirantes afirmou que o Brasil está preparado para um novo ciclo decrescimento, reproduzindo fantasia veiculada em sua propaganda eleitoral. No mundo real, o IBGE anunciou nesta sexta-feira que o PIB brasileiro caiu 0,6% no segundo semestre, configurando o que especialistas chamam de recessão técnica. Em relação ao segundo trimestre de 2013, o tombo foi maior ainda: 0,9%.

A propaganda diz que Dilma é uma grande gestora, os fatos negam. E entre os fatos e a propaganda, a presidente prefere a ilusão, abraçada aos elogios repetidos por assessores e aduladores de plantão. O mercado prevê que o crescimento da economia brasileira será de apenas 0,7% (a média dos últimos quatro anos deverá fechar em 1,7%). O governo e a candidata culpam a crise internacional, mas esse argumento não resiste a uma comparação com o desempenho de países da América Latina. Para 2014, a expectativa é que o Panamá cresça 7,2%; para a Colômbia a previsão é de 4,4%; e Paraguai 4,8%. São países que enfrentam a mesma crise internacional e crescem mais que o dobro do Brasil. Pior do que nós, só a Argentina de Kirchner e a Venezuela de Maduro, dois aliados de Dilma. Conclusão: falta gestão por aqui.

Política econômica no centro do debate
Os números ruins levam de volta a economia para o centro do debate político nessa campanha eleitoral, o que é importante. Sobre isso, o pano de fundo é o seguinte: Lula renegou o discurso do passado oposicionista e deu continuidade à política econômica de FHC, mantendo Henrique Meireles no Banco Central.

Agora, entre os principais candidatos ao Planalto, Aécio disse que, se eleito, Armínio Fraga será seu ministro da Fazenda, o que representa certo alinhamento com os dois ex-presidentes. Dilma é isso que os dados do IBGE revelam. Falta saber o que Marina pensa. Qual perfil para o futuro ministro da Fazenda? Manteria o insosso Alexandre Tombini no Banco Central? Fará do centro das metas de inflação um objetivo inegociável? Adotará uma política fiscal mais ou menos austera do que a atual? Ninguém sabe. Nem a propaganda eleitoral dela ousa fazer um rascunho para delinear algo mais tangível. É um mistério tão grande quanto a origem do dinheiro para a compra do jatinho que Marina e Eduardo Campos usavam. A nova política é assim, um ato de fé no porvir.

Publicidade aqui

Brasil em recessão é Dilma sem propaganda. Aécio promete Armínio. E Marina?

Por Wanfil em Economia

29 de agosto de 2014

Que as propagandas eleitorais convençam eleitores de que um candidato possui determinadas virtudes ou defeitos, é algo esperado, afinal, é para isso que marqueteiros são contratados a peso de ouro. Como se trata de comunicação de massa, a ordem é reforçar símbolos e generalizações. O problema é quando o próprio candidato passa a acreditar na propaganda criada para o seu personagem político, pois o sujeito acaba descolado da realidade.

Propaganda X mundo real
Foi assim, por exemplo, que Cid Gomes imaginou, quando foi reeleito em 2010, que suas ações de segurança pública realmente estavam no caminho certo. Deu no que deu. Agora é a presidente Dilma, que no debate promovido pela Rede Bandeirantes afirmou que o Brasil está preparado para um novo ciclo decrescimento, reproduzindo fantasia veiculada em sua propaganda eleitoral. No mundo real, o IBGE anunciou nesta sexta-feira que o PIB brasileiro caiu 0,6% no segundo semestre, configurando o que especialistas chamam de recessão técnica. Em relação ao segundo trimestre de 2013, o tombo foi maior ainda: 0,9%.

A propaganda diz que Dilma é uma grande gestora, os fatos negam. E entre os fatos e a propaganda, a presidente prefere a ilusão, abraçada aos elogios repetidos por assessores e aduladores de plantão. O mercado prevê que o crescimento da economia brasileira será de apenas 0,7% (a média dos últimos quatro anos deverá fechar em 1,7%). O governo e a candidata culpam a crise internacional, mas esse argumento não resiste a uma comparação com o desempenho de países da América Latina. Para 2014, a expectativa é que o Panamá cresça 7,2%; para a Colômbia a previsão é de 4,4%; e Paraguai 4,8%. São países que enfrentam a mesma crise internacional e crescem mais que o dobro do Brasil. Pior do que nós, só a Argentina de Kirchner e a Venezuela de Maduro, dois aliados de Dilma. Conclusão: falta gestão por aqui.

Política econômica no centro do debate
Os números ruins levam de volta a economia para o centro do debate político nessa campanha eleitoral, o que é importante. Sobre isso, o pano de fundo é o seguinte: Lula renegou o discurso do passado oposicionista e deu continuidade à política econômica de FHC, mantendo Henrique Meireles no Banco Central.

Agora, entre os principais candidatos ao Planalto, Aécio disse que, se eleito, Armínio Fraga será seu ministro da Fazenda, o que representa certo alinhamento com os dois ex-presidentes. Dilma é isso que os dados do IBGE revelam. Falta saber o que Marina pensa. Qual perfil para o futuro ministro da Fazenda? Manteria o insosso Alexandre Tombini no Banco Central? Fará do centro das metas de inflação um objetivo inegociável? Adotará uma política fiscal mais ou menos austera do que a atual? Ninguém sabe. Nem a propaganda eleitoral dela ousa fazer um rascunho para delinear algo mais tangível. É um mistério tão grande quanto a origem do dinheiro para a compra do jatinho que Marina e Eduardo Campos usavam. A nova política é assim, um ato de fé no porvir.