Crônica Archives - Página 5 de 5 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Crônica

Quem nos acode ao coração neste Natal?

Por Wanfil em Crônica

24 de dezembro de 2012

Todos precisamos de uma estrela de Natal a iluminar o caminho para uma breve pausa em nossos cotidianos corridos. É quando nos lembramos dos outros com mais intensidade.

Observando o esmero das mensagens e dos festejos natalinos, lembrei-me de um singelo texto de Carlos Drummond de Andrade. Não foi publicado em livro, mas justamente numa correspondência de Natal para um amigo em dezembro de 1985.

Quem me acode à cabeça e
ao coração
neste fim de ano, entre
alegria e dor?
Que sonho, que mistério,
que oração?
Amor.

Belo resumo. Os anos, ano após ano, são carregados de urgência, de pressa, de obrigações burocráticas e de notícias ruins. O mundo anda saturado de notícias ruins. Existem os bons acontecimentos, claro, mas é que o medo causa mais impressão em nossas almas assustadas do que a esperança. Estamos impregnados de medo. O passar dos anos, nesse cotidiano alucinado que construímos, é mesmo pesado. Por isso é que perto do limite suportável, quando estamos a ponto de ruir, um intervalo nos acode: o Natal.

Para muitos, o Natal é feriado; para outros, é obrigação sacramental. Para as crianças, é festa; para os adultos, é infância. Digo que o Natal é o disfarce perfeito para uma comunhão de amor. Sim, as coisas ruins continuam a acontecer como se não existisse calendário, mas a disposição geral do espírito muda. A esperança, durante algumas horas, prevalece sobre o medo.

É que no Natal, não importa o credo, é momento de lembrar com gratidão das pessoas que gostamos. Fazemos isso não por benevolência, mas por necessidade, porque precisamos socorrer nossos corações e mentes. Esse socorro, sabemos intuitivamente, é o amor, como disse o poeta. E no Natal, nos permitimos agir assim.

Feliz Natal a todos.

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Como se tornar um jornalista queridíssimo e bacana

Por Wanfil em Crônica, Imprensa

02 de dezembro de 2012

Um amigo me mostrou uma lista de discussão na qual estudantes de jornalismo da UFC fazem comentários sobre minha pessoa por ocasião do texto que fiz a respeito da escandalosa filtragem ideológica no enunciado do Enade, o exame do governo federal para avaliar universitários. Alguns mais afoitos classificaram a mim como “lixo”, “preguiçoso” e “arremedo do Diogo Mainardi ,que por sua vez era arremedo do Paulo Francis”. E o que eles acham do uso político do Enade para fins de propaganda? Não sei. Eu diria que essa predisposição para a desqualificação pessoal é sinal de alinhamento ideológico, o que reforçaria a tese do meu texto. Não cito os nomes dos jovens para poupá-los do vexame de se expor nessa situação e porque eles são justamente o efeito do proselitismo no ensino brasileiro. Fazem parte de uma legião condicionada a repudiar qualquer ideia que fuja ao corte de pensamento que lhes foi apresentado como expressão única da virtude e do belo.

O certo é que procurar ideias fora do mainstream, ou pior, tentar ter pensamentos singulares – ainda que baseados em leitura de qualidade – é um risco. Melhor mesmo é aderir ao coro dos contentes, com ensina ao filho o personagem do conto Teoria do Medalhão, de Machado de Assis (leiam-no, caros). Assim, para os que não gostam de viver a emoção de nadar contra a maré, elaborei uma breve receita de jornalista bacana, de forma que aqueles que a sigam não possam ser chamados nunca de arremedos de Paulo Francis.

1) A primeira coisa que um aspirante a jornalista precisa saber é que a norma culta da gramática não passa de um instrumento de discriminação criado para humilhar os analfabetos acidentais e os ignorantes por opção, além coibir a criatividade pulsante da escola das ruas. Portanto, nunca, nunca mesmo, aponte o erro de um colega, mesmo no caso de debate e ainda que isso possa evitar possíveis erros de interpretação. Mostrar que entende da matéria-prima do ofício é arrogância de elitista;

2) Um jornalista de verdade sabe, porque todo mundo sabe, que desde sempre não pode haver decência em alguém que não seja um esquerdista/progressista. Um esquerdista pode até errar, mas se o faz é por descuido, um momento de fraqueza; enquanto um conservador/reacionário sempre age mal de forma deliberada. Dessa forma, caso o futuro jornalista cultive o obsoleto hábito de ler livros, deve afastar-se de autores liberais, ou mesmo dos clássicos, bastando-lhe alguns parágrafos de Marilena Chauí, Emir Sader, Eduardo Galeano, Noam Chomsky ou a turma da Escola de Frankfurt. Cite um desses que é batata: todos o terão como grande intelectual;

3) Sempre elogie qualquer texto, desde que este não atente contra o politicamente correto ou contra a imagem sacrossanta das ONGs, dos partidos de esquerda, das Farc, de terroristas (vítimas do imperialismo americano), do Lula ou de ambientalistas. Esses serão sempre aliados do povo e de tudo o que é bom, ainda que espetem a conta de suas convicções em algum ministério;

4) Toda vez que for instigado a citar uma publicação ou emissora como modelo, cite as pequenas, aquelas que não despertam interesse maior. Fica chique. Jamais confesse acompanhar o conteúdo de quem tem público, de quem é capaz de sobreviver por conta própria, sem necessitar de anúncios estatais. Diga que Carta Capital é a melhor e que Paulo Henrique Amorim e Mino Carta é que são independentes;

5) Seja a favor de cotas que beneficiem qualquer minoria e de artistas populares que tenham origem na “comunidade”. Critique a Igreja e os EUA sempre que puder. Elogie Cuba e Venezuela. Importante: o capitão Nascimento pode parecer legal, mas é reacionário e não entende que traficante é oprimido que se revolta contra o sistema;

6) Repita sempre que possível que o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo foi um golpe contra a sociedade, mas nunca cite nada sobre reserva de mercado (ninguém pensa nisso, não é mesmo?).

Pronto. Creio que assim, um jornalista sempre será recebido de braços abertos nas festas e reuniões da categoria e elogiado em listas de discussão de aspirantes à profissão.

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Futebol: o falso valor de algo sem importância

Por Wanfil em Crônica

12 de novembro de 2012

Cadeiras quebras no PV por torcedores frustrados. Retrato de uma sociedade que prioriza o circo em detrimento do pão. Foto: Hebert Lemos

O título deste post é uma provocação derivada de uma frase atribuída ao ex-técnico da seleção italiana Arrigo Sacchi: “Il calcio è la cosa più importante delle cose non importanti”, ou “o futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes”. A tirada me veio à mente ao ler no noticiário sobre atos de destruição e vandalismo registrados no Estádio Presidente Vargas, após a equipe do Fortaleza ser eliminada na Série C do Campeonato Brasileiro.

À luz da lógica, nada faz sentido. Times que por longos períodos não disputam a Série A são, via de regra, ruins de bola. Incapazes de jogar com equipes de verdade, fazem um campeonato à parte. Suas torcidas, portanto, deveriam estar imunizadas contra a arrogância e a soberba, uma vez que jamais comemoram títulos de expressão nacional. Torcedor de time ruim precisa ser humilde por necessidade. Um raro exemplo dessa compreensão é a torcida do Ferroviário, aqui no Ceará.

No entanto, de alguma forma, boa parte dos torcedores de times ruins se isolam do resto do mundo em torneios de baixa qualidade, como as divisões inferiores e os campeonatos estaduais, e passam a emular o comportamento desrespeitoso das torcidas dos grandes times.

Reação irracional e sem sentido

Imaginando-se portadores de algo especialíssimo, muitos torcedores adotam a adoração fanática ao clube como religião. Seu Paraíso são os delírios de glória, que no mundo real não se concretizam, claro. E assim, na primeira frustração, os vândalos destroem o PV reformado às custas de dinheiro público, como se fossem credores de uma qualidade superior que não existe no futebol cearense. Se eventualmente um time local sobre à primeira divisão, é para apanhar dos grandes. Isso não é sarcasmo, é uma constatação empírica.

Na tentativa de tratar como desvio de conduta algo que se generaliza cada vez mais entre torcidas de diversos clubes, comentaristas esportivos não tardam em disparar: “Não são torcedores!”. E eu digo: Claro que são! Externam com violência o descontentamento que lhes aflige porque são violentos e vivem numa sociedade tolerante com a violência. Alguns marmanjos reagem de forma diferente e choram. Isso mesmo, vão às lágrimas porque um time de futebol perde uma partida. Outros ficam irascíveis dentro de casa e destratam cônjuges e parentes. Há quem fique doente. Leia mais

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Avenida Brasil e os finais previsíveis

Por Wanfil em Crônica, Cultura

20 de outubro de 2012

Imagem que fez sucesso na internet por causa da novela Avenida Brasil: O segredo em certos tipos de arte é a previsibilidade.

Dizer que o país parou por causa de uma novela é um exagero. Money never sleeps, já dizia Gordon Grekko. É inegável, porém, que o o folhetim Avenida Brasil monopolizou redes sociais e gerou imensa expectativa na maioria dos brasileiros por ocasião da exibição do seu último capítulo.

Não tenho nada contra novelas. Particularmente, considero-as enfadonhas, mas não as tomo por anestésicos da consciência coletiva como muitos afirmam por aí. Novelas, assim como o futebol, são futilidades que fazem parte da vida porque são necessárias. Mesmo nas sociedades mais avançadas há um bom espaço para o lazer sem compromisso intelectual. E isso, em si, não é ruim, pelo contrário.

Apenas acho que novelas, do ponto de vista formal e estético, são repetitivas ao extremo. O que muda de uma novela para outra são as locações e os atores, mas a liga que amarra a estrutura narrativa de todas elas é sempre a mesma: um grande amor que enfrenta preconceitos e inveja, mocinhos que sempre vencem, pobres cheios de consciência social, um louco, empregados domésticos engraçados e empresários inescrupulosos. No capítulo final, não podem faltar jamais uma festa de casamento, a revelação de um segredo. Pronto. Com esses ingredientes, temos uma novela. Mais recentemente, ao que me consta, briga de mulheres – a heroína contra a vilã – é bom para a audiência.

O poder que essa estrutura quase fixa tem de encantar milhões de pessoas é o que mais considero interessante. Minhas filhas, ainda na primeira infância, costumam a assistir o mesmo filme repetidas vezes e não raro se mostram resistentes em aceitar novidades. Pesquisei um pouco e descobri que, psicologicamente, esse comportamento decorre de algo básico para a criança: necessidade de segurança. No fundo, elas querem o previsível, a história repetida cujo final elas já conhecem, porque isso lhes é confortável. Até os sete anos, se bem me lembro, a criança se vê integralmente nos personagens.

Por isso a arte que incomoda, que provoca o exame mais aprofundado da consciência e das relações sociais, que aborda contradições e foge do senso comum, que demole verdades absolutas ou consensos politicamente corretos, é coisa adulto. Acho que isso explica, em parte, o sucesso de novelas que se esmeram no conceito “vale a pena ver de novo”.

PS. Vou dar um mote: Que tal uma novela sobre um grupo de idealistas que tinham sonhavam com a revolução e que anos depois, uma vez no poder, se transformam naquilo contra o que diziam lutar no passado? Não… Podem pensar isso ou aquilo, vai que alguém se ofende… Melhor fazer uma novela em que um grande amor terá que enfrentar grandes desafios para conseguir vencer.

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Uma zona de primeira

Por Wanfil em Crônica

02 de setembro de 2012

O Processo, de Franz Kafka. O indivíduo esmagado pela inoperância e falta de lógica das máquinas burocráticas.

Baseado em fatos reais ocorridos em zona nobre.

ATO I

Início de tarde nas instalações refrigeradas de um cartório de imóveis em Fortaleza, a Terra do Sol.

A RECEPÇÃO

  • Bom dia! Eu queria saber se…
  • O senhor pegou a senha?, indagou a atendente.
  • Não. Na verdade só queria uma informação para saber que tipo de senha devo pedir e…
  • [Interrompendo-me] O senhor precisa de uma senha de atendimento geral. Dependendo do caso, encaminhamos para o setor.(Pego a senha e aguardo alguns instantes).
  • Fiz uma solicitação de averbação e uma pendência foi identificada, mas sem especificação do que estaria faltando. Gostaria de saber do que se trata.
  • O senhor será informado no setor jurídico.
  • Posso ir lá?
  • Tem que ter uma senha.(Pego a senha e aguardo alguns instantes).

 ATO II

Na pequena sala com um balcão dividido em três partes, onde uma placa avisa: “Não é permitido o uso de telefones celulares durante o atendimento jurídico”. Um jovem, provavelmente estagiário de direito, me atende.

O JURÍDICO 

  • Bom dia. Em relação a este processo, gostaria de saber o que está pendente.
  • Certo. Vamos verificar. Hummm… Vejo que outras pendências já foram atendidas.
  • Sim. Da vez passada faltou uma certidão negativa comprovando que não respondo processo na Justiça Federal. Não pensei que teria outra pendência.
  • É que analisamos uma por vez.
  • Não seria mais fácil informar todas logo?
  • É assim que funciona senhor.
  • A taxa que paguei na vez passada serve para essa nova análise?
  • Não, senhor! Caso seja feita alguma reparação na documentação, será preciso pagar uma nova taxa para dar publicidade.
  • Isso é complicado. Além de atrasar o processo, ainda sai caro.
  • É assim que funciona senhor.
  • Bom, quero resolver o mais rápido possível. Tenho urgência. Do que se trata agora?
  • O senhor precisa apresentar essas notas promissórias citadas na escritura.
  • Sei. Na verdade, não são notas promissórias, mas recibos simples.
  • É o que consta na análise. Tem que apresentar as notas, com reconhecimento de firma do credor.
  • Não há credor. O Imóvel é meu! A escritura foi devidamente transferida.
  • Preciso ver com a responsável.
  • Posso falar com ela?
  • Não é possível. Mas eu levo o caso e explico.
  • Veja, o imóvel está no meu nome e apresentei todas as certidões negativas.
  • Um minuto que vou levar para a oficial substituta. O senhor pode esperar lá fora.(15 minutos depois)

 ATO III

De volta à sala de recepção, onde espero o retorno do estagiário.

SALA DE ESPERA 

Após meia hora de espera, o estagiário retorna.

  • Senhor, ela deu uma olhada e disse que o senhor terá que registrar firma no cartório de Itaiçaba [Município no interior do estado].
  • Onde? Por que? O imóvel está em Fortaleza!
  • Foi o que ela disse.
  • Isso não faz sentido, pois já se trata de uma outra pendência.
  • Não sei bem…
  • Posso falar com ela?
  • Pode. É só pegar uma senha e voltar aqui para falar com a atendente. (Pego a senha e aguardo alguns instantes).

ATO FINAL

A RECEPÇÃO 

  • Olá, sou eu de novo.
  • Pois não, senhor.
  • Gostaria de falar com a oficial substituta.
  • Sobre o quê?
  • Não estou entendendo mais o que este cartório quer de mim. O assistente do jurídico conversou com ela e me disse que preciso ir a outro município, mas isso não consta da via que recebi. Queria esclarecer o caso. Posso falar com ela?
  • Tem que marcar.
  • Ela não está?
  • Está, mas só atende com hora marcada.
  • Gostaria de marcar uma hora.
  • Número de telefone por favor (anota em um pedaço de papel o número).
  • Quando será?
  • Vou passar para a secretária dela, que irá ligar para o senhor marcando um dia e horário.
  • Isso demora?
  • Não sei. Acho que não.
  • Tem que pegar senha?
  • Não, pode confiar.
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Guia para os que amam a propaganda eleitoral gratuita – cinco passos

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

23 de agosto de 2012

Só o eleitor é quem pode dar qualidade à propaganda eleitoral que assiste. Mas não é fácil.

O texto Dez sugestões de atividades para a hora da propaganda eleitoral gratuita, carinhosamente dedicado aos que a rejeitam, repercutiu bastante nas redes sociais e causou certa preocupação entre os que defendem incondicionalmente o horário eleitoral gratuito.

Alguns, limitando a leitura apenas ao título do post (hábito pouco aconselhável), confundiram artigo opinativo com matéria jornalística institucional. Erro compreensível, já que as paixões afloram a ansiedade. Outros expuseram contrapontos interessantes, argumentando que a propaganda eleitoral tem valor como instrumento de avaliação objetiva – e até de conscientização cívica!

Opinião pessoal e intransferível

Ainda no texto anterior, citei de passagem, e sem criticar, os que assistem ao horário eleitoral com satisfação, lembrando inclusive que há os que enxergam até certo humor nele. Agora, pensando especificamente no grupo dos que entendem a propaganda eleitoral na mídia eletrônica como peça sine qua non da democracia, resolvi elaborar um guia para que essa experiência seja a mais positiva possível. Não se trata de presunção, claro. Seria se eu me considerasse perfeitamente qualificado para desvendar todos os truques criados e executados por tarimbados profissionais do marketing político, coisa que, pelo que vi nas redes sociais, sobra aos montes por aí. Portanto, o guia é tão somente um exercício de reflexão. Não é matéria jornalística, mas uma mera OPINIÃO PESSOAL deste autor.

Dados os devidos esclarecimento, com vocês, meu Guia para Assistir a Propaganda Eleitoral Gratuita:

1 – Assista aos programas – Se você realmente considera o horário eleitoral algo fundamental, pouco importando a qualidade do que veiculam nele, um direito que se funde com uma obrigação, mantenha a disciplina e não o perca por nada neste mundo. Nada de dar opinião baseado no que ouviu dizer. Para ter autoridade ao cobrar os outros, é preciso ser, antes de tudo, exemplo;

2- Pesquise o passado do candidato – Uma das regras da propaganda política é “contar” a história do candidato, apresentá-lo ao eleitor, enfatizando certas passagens e omitindo outras. Na última campanha presidencial, José Serra era um pobre vendedor de frutas e Dilma Rousseff uma freira de convento. Manipulações para encaixar o sujeito no personagem político fabricdo a partir de pesquisas de opinião. Assim, procure você mesmo saber sobre esses homens e mulheres que pedem o seu voto.

O candidato surgiu como? Onde atuava antes? É criação de terceiros ou é uma liderança legítima e autônoma? Diante de acusações, ele tira tudo a limpo ou tergiversa e se faz de desentendido? Ele dirigiu alguma ONG? Quem eram seus financiadores? (Não se surpreenda se você descobrir multinacionais e bancos sustentando anticapitalistas). O candidato é um governista inveterado ou um oposicionista crônico? (Posturas que mostram mostra oportunismo de um lado e inflexibilidade do outro). Com quem ele andou nos últimos anos? É leal? Em suma, tenha curiosidade e não se contente com apresentações oficiais; Leia mais

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Dez sugestões de atividades para a hora da propaganda eleitoral gratuita

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

22 de agosto de 2012

Não acredita mais em tanta promessa? Está cansado da mesma conversa de sempre? Veja alternativas construtivas para aproveitar o tempo da propaganda eleitoral gratuita. Atenção para o décimo item.

Com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, começa o espetáculo de frases lidas em teleprompter, músicas insuportáveis, vinhetas cheias de efeitos e maquetes eletrônicas. Sem esquecer as imagens de candidatos caminhando em bairros periféricos, abraçando crianças, comendo pratos regionais em feiras livres ou fingindo que estão trabalhando em cenários cheios de livros. Todos iguais, ou quase iguais.

Na forma, uns abusam na exibição de padrinhos políticos, enquanto outros escondem aliados inconvenientes. Na essência, abundam leituras superficiais sobre problemas complexos e propostas batizadas com nomes simpáticos, no melhor estilo Mamãe Feliz, Saúde na Hora, Escola Primeiro Mundo (nomes fictícios), que desafiam qualquer projeção orçamentária.

É verdade que algumas pessoas gostam de assistir a propaganda eleitoral, até como programa de humor. Mas a maioria, que nunca prestou atenção ao noticiário político, mas que é obrigada a votar, senta desolada diante da televisão e espera a volta da programação normal. Foi pensando nesse público que pesquisei junto a amigos, dicas para aproveitar o horário eleitoral gratuito de forma construtiva e prazerosa. São sugestões colhidas de forma aleatória e muitas outras opções não foram contempladas.

Dez coisas para fazer durante a propaganda eleitoral:

1 – Conversar com a família – Sem jornais ou novelas para disputar a atenção de todos, essa é uma boa oportunidade para saber como as crianças estão na escola ou se o cônjuge tem novidades no trabalho;

2 – Ler um livro – Com 15 ou 20 páginas diárias, dá para passar o tempo e ainda adquirir cultura. Se a intenção for fugir da realidade, uma boa dica para disputar com as propagandas eleitorais são as ficções científicas; Leia mais

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A traição como doutrina política e as eleições em Fortaleza

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

12 de agosto de 2012

Cena de A Rainha Margot: Fazendo-se amiga de Henrique de Navarra, Catarina de Médici busca transformar a traição em virtude. Qualquer semelhança com as eleições…

Num dos diálogos mais cínicos do cinema, no filme A Rainha Margot (1994), Catarina de Médici diz ao genro e futuro rei da França, Henrique de Navarra: “Que é a traição? A habilidade de se adaptar aos acontecimentos”. O ardil tinha por intenção transformar o erro em virtude para justificar a falta de princípios no ambiente sórdido da corte francesa no ano de 1572, quando as disputas sem limites pelo poder e a desmesurada ambição da nobreza fizeram dessa trama, baseada em fatos reais, símbolo perfeito do vale tudo para se dar bem.

Deixando o século XVI e voltando ao XXI, viajando da França monarquista para a República brasileira, e mais precisamente para as eleições municipais em Fortaleza, capital do Ceará, recordo também de Karl Marx: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Apesar da distância e guardadas devidas as proporções históricas, os candidatos em evidência na atual disputa eleitoral preservam esse elemento clássico das relações de poder: o signo da traição na política.

Conveniências da hora

Não vou citar nomes, pois esta reflexão diz respeito a uma forma generalizada, embora a cada época, possua seus protagonistas de sucesso. Pense um pouco, amigo leitor, quantos candidatos que agora posam de críticos convictos dos descaminhos da gestão de Luizianne não estavam, até poucos dias atrás, com seus partidos controlando secretarias e órgãos municipais, administrando verbas públicas e principalmente, caladinhos, sem nada verem de errado na administração da qual eram sócios menores. Quantos não foram fiadores do governo que agora repudiam, colocando a própria credibilidade a serviço da reeleição da petista, garantindo aos eleitores que era esse o melhor caminho, apesar das fragilidades que já se faziam sentir naquele momento.

A gestão atual, evidentemente, não é vítima passiva. Leia mais

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A criança e o abutre

Por Wanfil em Crônica

17 de junho de 2012

Pesquisando imagens para um trabalho acadêmico deparei-me com uma foto que me chamou a atenção. Uma criança negra no chão de terra batida, nua, esquálida, observada por um abutre sombrio. Morte e solidão rondam o ambiente. Procurei informações sobre a data e o autor do registro e descobri que essa imagem é a extremidade oposta de uma outra tragédia, que se abateu sobre o próprio fotógrafo que a capturou.

A impressionante imagem foi a glória e a desgraça do fotojornalista sul-africano Kevin Carter

A foto é de 1993 e a criança era uma menina – o rosto ninguém viu, o nome ninguém sabe – que buscava forças para rastejar,  sozinha, em direção a um campo de alimentação da ONU, distante cerca de 1 km. Feita no Sudão e publicada no The New York Times em 26 de março de 1993, rendeu ao fotógrafo sul-africano Kevin Carter, especialista em cobertura de guerras, o Prêmio Pulitzer por Fotografia, em 23 de maio de 1994. É o maior prêmio no mundo para quem trabalha com comunicação.

No entanto, dois meses depois do auge profissional, no dia 27 de julho, Carter se matou envenenado com monóxido de carbono em seu carro, às margens de um rio onde brincava na infância. Ema sua carta de despedida, obviamente perturbado, Kevin relata o seu tormento:

“Eu estou sendo perseguido pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor… Pelas crianças famintas ou feridas… Pelos homens loucos com o dedo no gatilho, mesmo policiais, executivos, assassinos…”.

Kevin Carter morreu atormentado pelas imagens que registrou.

E a criança?

Após a publicação da foto, o público passou a questionar o jornal sobre o destino da menina. Afinal, o que teria acontecido a ela? Sobrevivera? Estaria com os pais? A resposta foi que, obedecendo orientação da ONU, jornalistas e fotógrafos não deveriam entrar em contato com as pessoas na região, para evitar doenças contagiosas e mesmo riscos de guerra.

Carter contou que ouviu a criança choramingar e ao perceber a ave, esperou por cerca de vinte minutos, aguardando que o animal abrisse as asas, o que não aconteceu. Ele tirou a foto e correu para afastar o abutre, deixando a criança onde estava. A postura, elogiada por profissionais da fotografia (o fotógrafo não pode nunca interferir na realidade que registra, sob pena de transformar o trabalho em montagem), especialmente em regiões de conflito, foi duramente rejeitada pela opinião pública. O trabalho de maior sucesso de Carter tornou-se também alvo de críticas de cunho moral. Leia mais

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As lições de Barcelona e Chelsea

Por Wanfil em Crônica

25 de Abril de 2012

Futebol como metáfora: o trabalho que enaltece o talento e a coragem para enfrentar o favoritismo do adversários

É impressionante como a partida entre Barcelona e Chelsea atraiu atenções e gerou debates nas redes sociais e na mídia. Não me atrevo a fazer análises táticas ou técnicas sobre o desempenho dos times. Como todos sabem, a equipe espanhola, favorita, a mesma que deu uma surra no Santos de Neymar, perdeu para os ingleses. Mas o futebol, e o esporte em geral, serve de amostra capaz de revelar tendências de comportamento que podem ser vistas em outras áreas.

Carência
Certa vez, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, lamentando o péssimo futebol em seu país, disse ser um “mendigo do futebol” que perambulava pelos canais de televisão até encontrar um bom jogo, quando escolhia um dos times para torcer, não importava de onde fossem. Embora eu não goste da obra do uruguaio, a comparação é um achado. Há uma carência nessa celebração do futebol estrangeiro.

No fundo, o brasileiro sabe que seus times não estão a altura da equipe de Messi e companhia. Não apenas na qualidade do futebol apresentado. É muito mais. É organização, sucesso financeiro, planejamento, foco e busca pela excelência. E títulos. A maioria dos jogadores do clube é composta de espanhóis. Uma constelação de craques selecionados num país com população bem menor que a nossa.

E com a amargura de Galeano constatamos que sabemos admirar as qualidades do Barcelona, enquanto somos carentes, torcendo por clubes que vivem do improviso, da dívida, da cartolagem, do amadorismo.

Se a Espanha vive uma crise econômica e o Brasil experimenta estabilidade, quem é que é o bom? Primeiro, a vida não se resume a economia. Segundo, nossa melhor seleção atuou quando vigorava a hiperinflação. Crises são testes, tal como campeonatos. E mesmo perdendo, para continuar na analogia, o Barcelona continua admirado pelo que construiu.

Imprevisível
De certa forma, essa equipe do Barcelona exerce fascínio sobre aqueles que gostam de bom futebol, mesmo entre os que não torcem pelos catalães. Entretanto, mesmo com todo o talento e preparo, os ingleses do Chelsea lograram a classificação para a próxima fase da Liga dos Campeões. Leia mais

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As lições de Barcelona e Chelsea

Por Wanfil em Crônica

25 de Abril de 2012

Futebol como metáfora: o trabalho que enaltece o talento e a coragem para enfrentar o favoritismo do adversários

É impressionante como a partida entre Barcelona e Chelsea atraiu atenções e gerou debates nas redes sociais e na mídia. Não me atrevo a fazer análises táticas ou técnicas sobre o desempenho dos times. Como todos sabem, a equipe espanhola, favorita, a mesma que deu uma surra no Santos de Neymar, perdeu para os ingleses. Mas o futebol, e o esporte em geral, serve de amostra capaz de revelar tendências de comportamento que podem ser vistas em outras áreas.

Carência
Certa vez, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, lamentando o péssimo futebol em seu país, disse ser um “mendigo do futebol” que perambulava pelos canais de televisão até encontrar um bom jogo, quando escolhia um dos times para torcer, não importava de onde fossem. Embora eu não goste da obra do uruguaio, a comparação é um achado. Há uma carência nessa celebração do futebol estrangeiro.

No fundo, o brasileiro sabe que seus times não estão a altura da equipe de Messi e companhia. Não apenas na qualidade do futebol apresentado. É muito mais. É organização, sucesso financeiro, planejamento, foco e busca pela excelência. E títulos. A maioria dos jogadores do clube é composta de espanhóis. Uma constelação de craques selecionados num país com população bem menor que a nossa.

E com a amargura de Galeano constatamos que sabemos admirar as qualidades do Barcelona, enquanto somos carentes, torcendo por clubes que vivem do improviso, da dívida, da cartolagem, do amadorismo.

Se a Espanha vive uma crise econômica e o Brasil experimenta estabilidade, quem é que é o bom? Primeiro, a vida não se resume a economia. Segundo, nossa melhor seleção atuou quando vigorava a hiperinflação. Crises são testes, tal como campeonatos. E mesmo perdendo, para continuar na analogia, o Barcelona continua admirado pelo que construiu.

Imprevisível
De certa forma, essa equipe do Barcelona exerce fascínio sobre aqueles que gostam de bom futebol, mesmo entre os que não torcem pelos catalães. Entretanto, mesmo com todo o talento e preparo, os ingleses do Chelsea lograram a classificação para a próxima fase da Liga dos Campeões. (mais…)