Catilinárias - nome perfeito para a nova operação da PF na Lava Jato - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Catilinárias – nome perfeito para a nova operação da PF na Lava Jato

Por Wanfil em Corrupção

15 de dezembro de 2015

No site da Polícia Federal:

“A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagrou hoje, 15, a Operação Catilinárias que tem como objetivo o cumprimento de 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, referentes a sete processos instaurados a partir de provas obtidas na Operação Lava Jato.”

“* Catilinárias são uma série de quatro discursos célebres do cônsul romano Cícero contra o senador Catilina.”

Os nomes das operações da Polícia Federal são fantásticos. Na investigação do roubo de verbas na Transposição do São Francisco, na semana passada, foi a Vidas Secas – Sinhá Vitória, em alusão à personagem criada  por Graciliano Ramos, que denunciava a exploração de fazendeiros inescrupulosos contra sertanejos.

Agora é a Operação Catilinárias, que mira figurões do PMDB, entre os quais Eduardo Cunha e Henrique Alves, além de nomes menores, como os cearenses Sérgio Machado e Aníbal Ferreira Gomes. O nome, mais uma vez, é perfeito.

Cícero discursou contra Catilina porque este tencionava dissolver o Senado Romano e com desfaçatez assombrosa, insistia em frequentar o local como se ninguém soubesse de sua intenção. Logo no primeiro discurso, Cícero, que viveu entre 106 e 43 a.C, e foi um dos maiores oradores da História, disparou:

“Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?”

Depois mandou ver ainda:

“Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?”

É um recado direto para Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados enrolados com denúncias de corrupção e que usa suas prerrogativas e manobras para obstruir investigações no Conselho de Ética, além de reduzir o robusto pedido de impeachment feito por Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal contra Dilma Rousseff, a mero instrumento de retaliação contra o governo, também ele enrolado com a lei.

A quem Cunha imagina enganar? Após o discurso de Cícero exortando seus colegas a tomar uma iniciativa, Catilina deixou Roma.

No Brasil de hoje, a diferença é que nos falta um Cícero, papel que não pode ser exercido pela PF. E que em Roma Catilina era apenas um, enquanto por aqui, é uma legião. Lula, Renan, Dilma, Edinho Silva, José Guimarães, Carlos Lupi, Romero Jucá, Jacques Wagner e tantos outros, já sentem que seus planos estão à vista de todos, mas fingem que não.

Na falta de um Cícero, para esses que tramam contra o interesse público, fica a dica: cuidado com o japonês da Polícia Federal.

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Catilinárias – nome perfeito para a nova operação da PF na Lava Jato

Por Wanfil em Corrupção

15 de dezembro de 2015

No site da Polícia Federal:

“A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagrou hoje, 15, a Operação Catilinárias que tem como objetivo o cumprimento de 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, referentes a sete processos instaurados a partir de provas obtidas na Operação Lava Jato.”

“* Catilinárias são uma série de quatro discursos célebres do cônsul romano Cícero contra o senador Catilina.”

Os nomes das operações da Polícia Federal são fantásticos. Na investigação do roubo de verbas na Transposição do São Francisco, na semana passada, foi a Vidas Secas – Sinhá Vitória, em alusão à personagem criada  por Graciliano Ramos, que denunciava a exploração de fazendeiros inescrupulosos contra sertanejos.

Agora é a Operação Catilinárias, que mira figurões do PMDB, entre os quais Eduardo Cunha e Henrique Alves, além de nomes menores, como os cearenses Sérgio Machado e Aníbal Ferreira Gomes. O nome, mais uma vez, é perfeito.

Cícero discursou contra Catilina porque este tencionava dissolver o Senado Romano e com desfaçatez assombrosa, insistia em frequentar o local como se ninguém soubesse de sua intenção. Logo no primeiro discurso, Cícero, que viveu entre 106 e 43 a.C, e foi um dos maiores oradores da História, disparou:

“Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?”

Depois mandou ver ainda:

“Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?”

É um recado direto para Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados enrolados com denúncias de corrupção e que usa suas prerrogativas e manobras para obstruir investigações no Conselho de Ética, além de reduzir o robusto pedido de impeachment feito por Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal contra Dilma Rousseff, a mero instrumento de retaliação contra o governo, também ele enrolado com a lei.

A quem Cunha imagina enganar? Após o discurso de Cícero exortando seus colegas a tomar uma iniciativa, Catilina deixou Roma.

No Brasil de hoje, a diferença é que nos falta um Cícero, papel que não pode ser exercido pela PF. E que em Roma Catilina era apenas um, enquanto por aqui, é uma legião. Lula, Renan, Dilma, Edinho Silva, José Guimarães, Carlos Lupi, Romero Jucá, Jacques Wagner e tantos outros, já sentem que seus planos estão à vista de todos, mas fingem que não.

Na falta de um Cícero, para esses que tramam contra o interesse público, fica a dica: cuidado com o japonês da Polícia Federal.