O estranho sem nome - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O estranho sem nome

Por Wanfil em Cinema

30 de novembro de 2017

O povoado de Lago vive aflito à espera de um acontecimento: três criminosos presos próximo dali sairão em breve. O problema é que eles juraram incendiar a cidadezinha e matar seus poucos habitantes.

Certo dia um estranho aparece, mata os três pistoleiros contratados para proteger o lugarejo e ainda estupra uma mulher. Com medo da vingança dos bandidos, as principais lideranças do local dão ao xerife a missão de convencer o estranho a tomar o lugar dos pistoleiros como seu protetor. Ele não mostra interesse e logo todos o bajulam, oferecendo-lhe dinheiro e total controle sobre tudo e todos.

O estranho finalmente aceita e passa a ditar regras humilhantes para os moradores de Largo (chega a mudar o nome da cidade para Inferno, toma mulheres para o seu deleite e pinta a igreja de vermelho). E quando estes ousam reclamar, escutam como resposta: “Vocês escolheram viver assim, covardes”.

Esse é um breve resumo do filme “O estranho sem nome” (1973), primeiro longa dirigido e estrelado por Clint Eastwood. Pode ser conferido na Netflix. E o final – que não vou adiantar, claro – é o ponto alto da trama.

O desespero do povoado me fez lembrar do eleitorado brasileiro. Ou de boa parte dele, à espera de um “outsider” que enfrente os bandoleiros da política tradicional. A passividade dos moradores de Lago, dispostos a ceder qualquer vestígio de autonomia, também me sugere uma inevitável associação com autoridades, intelectuais, religiosos e empresários que temem o poder político no Ceará, como se fosse uma entidade acima de qualquer crítica, cobrança, fiscalização ou questionamento. Uns por medo, outros por falta de alternativa. Nos dois casos, o que mais impressiona – e o filme no fundo trata disso – é como pessoas ou grupos sociais evitam assumir a responsabilidade pelo próprio destino, dispostos a ceder o que for preciso para que alguém se encarregue por eles dessa possibilidade.

 

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O estranho sem nome

Por Wanfil em Cinema

30 de novembro de 2017

O povoado de Lago vive aflito à espera de um acontecimento: três criminosos presos próximo dali sairão em breve. O problema é que eles juraram incendiar a cidadezinha e matar seus poucos habitantes.

Certo dia um estranho aparece, mata os três pistoleiros contratados para proteger o lugarejo e ainda estupra uma mulher. Com medo da vingança dos bandidos, as principais lideranças do local dão ao xerife a missão de convencer o estranho a tomar o lugar dos pistoleiros como seu protetor. Ele não mostra interesse e logo todos o bajulam, oferecendo-lhe dinheiro e total controle sobre tudo e todos.

O estranho finalmente aceita e passa a ditar regras humilhantes para os moradores de Largo (chega a mudar o nome da cidade para Inferno, toma mulheres para o seu deleite e pinta a igreja de vermelho). E quando estes ousam reclamar, escutam como resposta: “Vocês escolheram viver assim, covardes”.

Esse é um breve resumo do filme “O estranho sem nome” (1973), primeiro longa dirigido e estrelado por Clint Eastwood. Pode ser conferido na Netflix. E o final – que não vou adiantar, claro – é o ponto alto da trama.

O desespero do povoado me fez lembrar do eleitorado brasileiro. Ou de boa parte dele, à espera de um “outsider” que enfrente os bandoleiros da política tradicional. A passividade dos moradores de Lago, dispostos a ceder qualquer vestígio de autonomia, também me sugere uma inevitável associação com autoridades, intelectuais, religiosos e empresários que temem o poder político no Ceará, como se fosse uma entidade acima de qualquer crítica, cobrança, fiscalização ou questionamento. Uns por medo, outros por falta de alternativa. Nos dois casos, o que mais impressiona – e o filme no fundo trata disso – é como pessoas ou grupos sociais evitam assumir a responsabilidade pelo próprio destino, dispostos a ceder o que for preciso para que alguém se encarregue por eles dessa possibilidade.