A mobília do TCE e os Bourbons do Ceará - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

A mobília do TCE e os Bourbons do Ceará

Por Wanfil em Ceará

20 de dezembro de 2013

Aumenta-se o IPTU e institui-se a cobrança de uma tal Taxa de Melhoria para sugar mais dinheiro de quem paga impostos. Como nada funciona direito, apesar dos seguidos recordes de arrecadação, fica evidente que a diferença entre o que arrancam do contribuinte e o que devolvem ao público em forma de obras e serviços serve, entre outras coisas, para sustentar luxos, como o refinado senso estético dos Bourbons (parafraseando Paulo Francis) encastelados no Tribunal de Contas do Estado. Essa turma resolveu torrar R$ 1,1 milhão com mobília. Coisa chique.

Na lista de móveis para dos Bourbons do TCE, que julgam merecer o que de melhor o dinheiro alheio pode comprar, estão 191 cadeiras no valor de R$ 2.100 a unidade. Uma das preciosidades é um sofá de R$ 11.400,00. O Ministério Público de Contas suspeita de irregularidades na operação e denuncia que esses mesmos móveis foram adquiridos em outros órgãos estatais pela metade do preço. Não sabe que, para a suscetibilidade da nobreza local, pechinchar é cafona.

O TCE, órgão que deveria dar o exemplo de austeridade e zelo nos gastos de verbas públicas, já se notabilizou recentemente por ter um ex-presidente envolvido com um esquema de desvio de dinheiro para a construção de banheiros em áreas rurais, junto com ONGs falsas e dois ou três secretários de Estado. Não deu em nada e os autores do crime estão no poder. O dinheiro, ninguém sabe, ninguém viu, nunca foi recuperado. No Ceará é assim.

Pois bem, a aristocracia do dinheiro fácil se esbalda em delírios consumistas, na sôfrega tentativa de imitar as classes ricas genuínas, com a diferença de que estas usufruem o que é bom com os próprios recursos e por serem o que são, e não na ilusão de serem o que não poderiam ser sem privilégios indevidos ou imorais.

Essas “autoridades” jecas se deslumbram com carros caríssimos, viagens internacionais, roupas de grife, fotos em colunas sociais, tudo ao custo do que falta aos miseráveis. A-DO-RAM Nova Iorque, mas lá não poderiam sobreviver sem o risco de prestar contas com a Justiça. O jeito então é voltar para reinar entre os cearenses.

Mas essa, digamos, cultura, não atinge apenas o TCE, claro. Trata-se de um padrão disseminado nas altas esferas da burocracia. É assim na Assembleia Legislativa, nas prefeituras e câmaras municipais, no Palácio da Abolição, no Tribunal de Justiça e similares. O Ceará é pobre, mas sua nobreza enverga, de nariz empinado, ternos Armani e gravatas Ermenegildo Zenga. Coisa chique.

E tome imposto no lombo da gentalha que precisa trabalhar de verdade!

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A mobília do TCE e os Bourbons do Ceará

Por Wanfil em Ceará

20 de dezembro de 2013

Aumenta-se o IPTU e institui-se a cobrança de uma tal Taxa de Melhoria para sugar mais dinheiro de quem paga impostos. Como nada funciona direito, apesar dos seguidos recordes de arrecadação, fica evidente que a diferença entre o que arrancam do contribuinte e o que devolvem ao público em forma de obras e serviços serve, entre outras coisas, para sustentar luxos, como o refinado senso estético dos Bourbons (parafraseando Paulo Francis) encastelados no Tribunal de Contas do Estado. Essa turma resolveu torrar R$ 1,1 milhão com mobília. Coisa chique.

Na lista de móveis para dos Bourbons do TCE, que julgam merecer o que de melhor o dinheiro alheio pode comprar, estão 191 cadeiras no valor de R$ 2.100 a unidade. Uma das preciosidades é um sofá de R$ 11.400,00. O Ministério Público de Contas suspeita de irregularidades na operação e denuncia que esses mesmos móveis foram adquiridos em outros órgãos estatais pela metade do preço. Não sabe que, para a suscetibilidade da nobreza local, pechinchar é cafona.

O TCE, órgão que deveria dar o exemplo de austeridade e zelo nos gastos de verbas públicas, já se notabilizou recentemente por ter um ex-presidente envolvido com um esquema de desvio de dinheiro para a construção de banheiros em áreas rurais, junto com ONGs falsas e dois ou três secretários de Estado. Não deu em nada e os autores do crime estão no poder. O dinheiro, ninguém sabe, ninguém viu, nunca foi recuperado. No Ceará é assim.

Pois bem, a aristocracia do dinheiro fácil se esbalda em delírios consumistas, na sôfrega tentativa de imitar as classes ricas genuínas, com a diferença de que estas usufruem o que é bom com os próprios recursos e por serem o que são, e não na ilusão de serem o que não poderiam ser sem privilégios indevidos ou imorais.

Essas “autoridades” jecas se deslumbram com carros caríssimos, viagens internacionais, roupas de grife, fotos em colunas sociais, tudo ao custo do que falta aos miseráveis. A-DO-RAM Nova Iorque, mas lá não poderiam sobreviver sem o risco de prestar contas com a Justiça. O jeito então é voltar para reinar entre os cearenses.

Mas essa, digamos, cultura, não atinge apenas o TCE, claro. Trata-se de um padrão disseminado nas altas esferas da burocracia. É assim na Assembleia Legislativa, nas prefeituras e câmaras municipais, no Palácio da Abolição, no Tribunal de Justiça e similares. O Ceará é pobre, mas sua nobreza enverga, de nariz empinado, ternos Armani e gravatas Ermenegildo Zenga. Coisa chique.

E tome imposto no lombo da gentalha que precisa trabalhar de verdade!