O Ceará no limbo: governo Cid acabou, gestão Camilo é mistério - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O Ceará no limbo: governo Cid acabou, gestão Camilo é mistério

Por Wanfil em Ceará

13 de novembro de 2014

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Na semana em que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmou o Ceará como o segundo estado mais violento do Brasil (16% de aumento no número de homicídios em um ano), o governador Cid Gomes postou uma série de fotos com obras como a reforma do Cine São Luiz, o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, um viaduto e uma escola profissionalizante em Maranguape. Tudo muito bacana e bonito, mas o silêncio sobre a violência contrasta com a gravidade dos índices anunciados. Enquanto isso, a Guarda Municipal de Fortaleza deixou o programa “Crack, é Possível Vencer”, feito em parceria com a Secretaria de Segurança, por falta de condições de trabalho. Na Via Expressa, tradicional ponto da bandidagem em Fortaleza, cidadãos continuam sendo assassinados. No interior, policiais são executados. De certo modo, o governo Cid não tem mais o que fazer mesmo nessa área e segue agora em modo automático. Resta esperar e contar os mortos.

Após oito anos, o clima parece ser de prestação de contas informal, de despedida. Bons números sempre existem, especialmente em relação a infraestrutura, mérito reconhecido nas urnas. Numa época de desconfiança generalizada contra políticos, Cid foi um governador razoavelmente bem avaliado pela população. Segundo o Datafolha, durante a campanha eleitoral, quando os feitos da administração são realçados pela propaganda, o governador conseguiu média 6,6 e sua gestão foi aprovada por 47% dos entrevistados (em 2010 a aprovação era de 65%). Não é brilhante, mas no contexto atual, foi bom.

Restando menos de dois meses para o fim do governo, nada de impactante será discutido ou anunciado, pois o compasso é de espera. Assim, até janeiro, os cearenses vivem um limbo de comando: o atual governante se despedindo, o novo, Camilo Santana, do PT, se preparando para assumir. E aí é que são elas. Mesmo sendo de continuidade, o governo Camilo é uma incógnita até o momento, por diversas razões. Como dividir a estrutura administrativa entre o PT, que certamente anseia por maior participação, e o Pros, sigla de aluguel que abriga o grupo cidista? Camilo realmente terá independência e autonomia para contrariar interesses? Os conflitos internos na base acontecerão e sua liderança será testada. Esse é outro fator que gera expectativa, pois até hoje o governador eleito nunca liderou grupos políticos. Autoridade não se transfere: ou o sujeito a emana naturalmente, ou não. A força da caneta bastará? Para Dilma, não bastou e sua autoridade, em que pese o estilo pessoal da presidente, não se estabeleceu de fato, pois seus comandados sempre esperam pela palavra de Lula. Que secretários serão mantidos? Aliás, será mesmo bom manter secretários de uma gestão anterior? Mais: quais serão devidamente dispensados? Cargos serão distribuídos para compensar aliados não eleitos?

Por fim, a segurança pública poderá ter um novo rumo? O anuário deste ano tem como base nos dados de 2013. No Ceará, ainda que os índices melhorem na próxima edição, eles são de tal forma ruins, que a única certeza é de que este ainda será o maior desafio da próxima gestão. Passadas as eleições, sem a pressão da disputa, Camilo pode avaliar o que realmente deu errado (e que nunca foi admitido pelo governo estadual) e pensar em mudanças nas políticas públicas para a área. Se fechar os olhos para as falhas da gestão que se encerra, corre o risco de repetir o que não deu certo. E para fazer isso, é necessário não temer melindres. “Reconhecer é aprender, meu amor”, diz o roqueiro Nasi. Janeiro está logo ali.

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O Ceará no limbo: governo Cid acabou, gestão Camilo é mistério

Por Wanfil em Ceará

13 de novembro de 2014

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Na semana em que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmou o Ceará como o segundo estado mais violento do Brasil (16% de aumento no número de homicídios em um ano), o governador Cid Gomes postou uma série de fotos com obras como a reforma do Cine São Luiz, o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, um viaduto e uma escola profissionalizante em Maranguape. Tudo muito bacana e bonito, mas o silêncio sobre a violência contrasta com a gravidade dos índices anunciados. Enquanto isso, a Guarda Municipal de Fortaleza deixou o programa “Crack, é Possível Vencer”, feito em parceria com a Secretaria de Segurança, por falta de condições de trabalho. Na Via Expressa, tradicional ponto da bandidagem em Fortaleza, cidadãos continuam sendo assassinados. No interior, policiais são executados. De certo modo, o governo Cid não tem mais o que fazer mesmo nessa área e segue agora em modo automático. Resta esperar e contar os mortos.

Após oito anos, o clima parece ser de prestação de contas informal, de despedida. Bons números sempre existem, especialmente em relação a infraestrutura, mérito reconhecido nas urnas. Numa época de desconfiança generalizada contra políticos, Cid foi um governador razoavelmente bem avaliado pela população. Segundo o Datafolha, durante a campanha eleitoral, quando os feitos da administração são realçados pela propaganda, o governador conseguiu média 6,6 e sua gestão foi aprovada por 47% dos entrevistados (em 2010 a aprovação era de 65%). Não é brilhante, mas no contexto atual, foi bom.

Restando menos de dois meses para o fim do governo, nada de impactante será discutido ou anunciado, pois o compasso é de espera. Assim, até janeiro, os cearenses vivem um limbo de comando: o atual governante se despedindo, o novo, Camilo Santana, do PT, se preparando para assumir. E aí é que são elas. Mesmo sendo de continuidade, o governo Camilo é uma incógnita até o momento, por diversas razões. Como dividir a estrutura administrativa entre o PT, que certamente anseia por maior participação, e o Pros, sigla de aluguel que abriga o grupo cidista? Camilo realmente terá independência e autonomia para contrariar interesses? Os conflitos internos na base acontecerão e sua liderança será testada. Esse é outro fator que gera expectativa, pois até hoje o governador eleito nunca liderou grupos políticos. Autoridade não se transfere: ou o sujeito a emana naturalmente, ou não. A força da caneta bastará? Para Dilma, não bastou e sua autoridade, em que pese o estilo pessoal da presidente, não se estabeleceu de fato, pois seus comandados sempre esperam pela palavra de Lula. Que secretários serão mantidos? Aliás, será mesmo bom manter secretários de uma gestão anterior? Mais: quais serão devidamente dispensados? Cargos serão distribuídos para compensar aliados não eleitos?

Por fim, a segurança pública poderá ter um novo rumo? O anuário deste ano tem como base nos dados de 2013. No Ceará, ainda que os índices melhorem na próxima edição, eles são de tal forma ruins, que a única certeza é de que este ainda será o maior desafio da próxima gestão. Passadas as eleições, sem a pressão da disputa, Camilo pode avaliar o que realmente deu errado (e que nunca foi admitido pelo governo estadual) e pensar em mudanças nas políticas públicas para a área. Se fechar os olhos para as falhas da gestão que se encerra, corre o risco de repetir o que não deu certo. E para fazer isso, é necessário não temer melindres. “Reconhecer é aprender, meu amor”, diz o roqueiro Nasi. Janeiro está logo ali.