Cid exagera na dose ao tentar desqualificar procurador 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Cid exagera na dose ao tentar desqualificar procurador

Por Wanfil em Ceará

22 de Janeiro de 2013

Cid

Cid Gomes durante entrevista à imprensa (Foto: Kézya Diniz)

O governador Cid Gomes classificou o procurador-geral do Ministério Público de Contas, órgão do Tribunal e Contas do Estado, de “rapazinho” e afirmou que os questionamentos sobre o cachê pago à cantora Ivete Sangalo na inauguração de um hospital público em Sobral não passam de “picuinha”.

O show, realizado no último dia 18, custou R$ 650 mil. Cid diz que tudo está correto. O procurador diz que o preço é incompatível com outros contratos públicos feitos com a cantora. O governador diz que tudo é invenção, e justifica a afirmação dizendo que o procurador gosta de aparecer.

Em busca de um adversário

É estranho ver a maior autoridade do estado usar da desqualificação pessoal contra um servidor que, bem ou mal, exerce suas funções.

Ao chamar o procurador de “rapazinho” e de “garoto”, Cid insinua que a ação decorre de um comportamento imaturo, um impulso juvenil, quase infantil, em contraposição à competência dos profissionais maduros. O excesso de emoção na resposta pode deixar a impressão de que o governador toma a cobrança de prestação de contas, algo normal e desejável nas democracias, como ofensa pessoal, coisa de quem não gosta de ser contrariado… Gestores do dinheiro alheio devem ver isso com naturalidade.

Não estou dizendo que o procurador tem ou deixa de ter razão, nem entro no mérito da ação. O inusitado nesse caso é a forma de contestação escolhida pelo governador, que indica uma compreensão equivocada no que diz respeito ao seu papel institucional. Cid responde politicamente, de forma passional mesmo, a um agente técnico, praticamente tomando-o por opositor. Fazendo um rápido desvio, psicologicamente, talvez Cid deseje uma oposição e, na falta desta, inconscientemente mire em outros alvos. Políticos precisam de adversários, sejam reais ou imaginários.

Liturgia do cargo

Mas, voltando ao que interessa, Cid tem o direito de discordar de quem bem entender. No entanto, sua opinião pessoal deve ser reservada, de forma a preservar as relações do governo com seus fiscalizadores. Certamente a presidente Dilma tem uma opinião formada sobre a atuação do ministro Joaquim Barbosa no caso do mensalão. Mesmo assim, ela sempre evitou avaliá-lo publicamente, limitada pelo decoro do cargo do qual está investida. Da mesma forma, como chefe do executivo, em respeito à instituições e, portanto, à ordem democrática, o governador deve abster-se de adjetivações depreciativas em relação aos membros do MPC ou da Corte de Contas.

Se o procurador abusou de suas prerrogativas, que sejam tomadas as devidas medidas legais. Se não, que se proceda com sobriedade na reparação de eventuais erros do governo. Não dando em nada, é atestado de idoneidade. Qual o problema? Como eu já disse, não existe nem sequer uma oposição para explorar o assunto politicamente. A desqualificação como recurso retórico não ajuda nada. Aliás, parece birra de “garoto”.

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Cid exagera na dose ao tentar desqualificar procurador

Por Wanfil em Ceará

22 de Janeiro de 2013

Cid

Cid Gomes durante entrevista à imprensa (Foto: Kézya Diniz)

O governador Cid Gomes classificou o procurador-geral do Ministério Público de Contas, órgão do Tribunal e Contas do Estado, de “rapazinho” e afirmou que os questionamentos sobre o cachê pago à cantora Ivete Sangalo na inauguração de um hospital público em Sobral não passam de “picuinha”.

O show, realizado no último dia 18, custou R$ 650 mil. Cid diz que tudo está correto. O procurador diz que o preço é incompatível com outros contratos públicos feitos com a cantora. O governador diz que tudo é invenção, e justifica a afirmação dizendo que o procurador gosta de aparecer.

Em busca de um adversário

É estranho ver a maior autoridade do estado usar da desqualificação pessoal contra um servidor que, bem ou mal, exerce suas funções.

Ao chamar o procurador de “rapazinho” e de “garoto”, Cid insinua que a ação decorre de um comportamento imaturo, um impulso juvenil, quase infantil, em contraposição à competência dos profissionais maduros. O excesso de emoção na resposta pode deixar a impressão de que o governador toma a cobrança de prestação de contas, algo normal e desejável nas democracias, como ofensa pessoal, coisa de quem não gosta de ser contrariado… Gestores do dinheiro alheio devem ver isso com naturalidade.

Não estou dizendo que o procurador tem ou deixa de ter razão, nem entro no mérito da ação. O inusitado nesse caso é a forma de contestação escolhida pelo governador, que indica uma compreensão equivocada no que diz respeito ao seu papel institucional. Cid responde politicamente, de forma passional mesmo, a um agente técnico, praticamente tomando-o por opositor. Fazendo um rápido desvio, psicologicamente, talvez Cid deseje uma oposição e, na falta desta, inconscientemente mire em outros alvos. Políticos precisam de adversários, sejam reais ou imaginários.

Liturgia do cargo

Mas, voltando ao que interessa, Cid tem o direito de discordar de quem bem entender. No entanto, sua opinião pessoal deve ser reservada, de forma a preservar as relações do governo com seus fiscalizadores. Certamente a presidente Dilma tem uma opinião formada sobre a atuação do ministro Joaquim Barbosa no caso do mensalão. Mesmo assim, ela sempre evitou avaliá-lo publicamente, limitada pelo decoro do cargo do qual está investida. Da mesma forma, como chefe do executivo, em respeito à instituições e, portanto, à ordem democrática, o governador deve abster-se de adjetivações depreciativas em relação aos membros do MPC ou da Corte de Contas.

Se o procurador abusou de suas prerrogativas, que sejam tomadas as devidas medidas legais. Se não, que se proceda com sobriedade na reparação de eventuais erros do governo. Não dando em nada, é atestado de idoneidade. Qual o problema? Como eu já disse, não existe nem sequer uma oposição para explorar o assunto politicamente. A desqualificação como recurso retórico não ajuda nada. Aliás, parece birra de “garoto”.