100 dias de Camilo, sem perdão - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

100 dias de Camilo, sem perdão

Por Wanfil em Ceará

10 de Abril de 2015

A gestão Camilo Santana (PT) completa 100 dias neste 10 de abril. A marca possui um valor simbólico para efeito de avaliação, pois seria o tempo necessário para que o público conferir os rumos e o ritmo do novo governo. Sendo assim, vejamos a situação dentro dessa, digamos, tradição analítica.

Marcado pela crise
A crise econômica aguda que o país atravessa, obrigando o governo estadual a determinar ajustes nas contas e cortes de gastos logo de saída, turva o ambiente. Se algum programa atrasa pagamentos ou uma obra estoura o prazo, tudo pode, afinal, ser debitado na conta da retração econômica. Governadores podem dizer: “Se não fossem nossas ações, estaria pior”. Como não há base de comparação, já que nos anos anteriores a situação era diferente, será preciso aguardar mais algum tempo para que possamos ter a real dimensão de como esse cenário afeta a administração, comparando o desempenho do Ceará com de outros estados nordestinos.

Herança e silêncio
Outro ponto a levar em consideração é que erros da gestão anterior caíram no colo da atual que, por ser de continuidade, não pode reclamar. Erros como o passivo na segurança pública ou a falta de recursos para tocar os hospitais regionais, ou ainda problemas em licitações para o VLT. Herança agravada pela queda de repasses federais.

Estilo pessoal
No entanto, no que diz respeito ao estilo pessoal do governador, é possível anotar diferenças em relação ao antecessor Cid Gomes, que acabam influenciando a condução do governo.

O relacionamento com servidores, imprensa e com a oposição parece mais cordato, com menos crises e mais diálogo. No entanto, a gestão ainda está no começo, período em que esses interlocutores ainda estão motivados pela esperança de ver seus pleitos atendidos.

Na medida em que impasses forem surgindo, é que veremos a habilidade de Camilo em situações de negociação sob pressão. Na hora de cobrar compensações pelo golpe da refinaria, o estilo não funcionou.

100, sem
Assim como o número sem possui um valor simbólico para a crônica política, a preposição “sem” acabou sendo adotado como uma espécie de contraposição ao numeral, para destacar a ausência ou carência de realizações, serviços, iniciativas, e por aí vai. Então vamos embarcar nessa variante para não perder a chance de provocar o senso crítico.

100 dias, sem água;
100 dias, sem transposição;
100 dias, sem refinaria;
100 dias, sem verbas;
100 dias, sem ministro;
100 dias, sem empregos;
100 dias, sem presidente.

Conclusão: dinheiro, inclusive o público, não aceita desaforo. A economia não perdoa. Agora o Ceará, sob nova administração, vive a expectativa e as incertezas de uma crise criada pelo governo Dilma Rousseff.

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100 dias de Camilo, sem perdão

Por Wanfil em Ceará

10 de Abril de 2015

A gestão Camilo Santana (PT) completa 100 dias neste 10 de abril. A marca possui um valor simbólico para efeito de avaliação, pois seria o tempo necessário para que o público conferir os rumos e o ritmo do novo governo. Sendo assim, vejamos a situação dentro dessa, digamos, tradição analítica.

Marcado pela crise
A crise econômica aguda que o país atravessa, obrigando o governo estadual a determinar ajustes nas contas e cortes de gastos logo de saída, turva o ambiente. Se algum programa atrasa pagamentos ou uma obra estoura o prazo, tudo pode, afinal, ser debitado na conta da retração econômica. Governadores podem dizer: “Se não fossem nossas ações, estaria pior”. Como não há base de comparação, já que nos anos anteriores a situação era diferente, será preciso aguardar mais algum tempo para que possamos ter a real dimensão de como esse cenário afeta a administração, comparando o desempenho do Ceará com de outros estados nordestinos.

Herança e silêncio
Outro ponto a levar em consideração é que erros da gestão anterior caíram no colo da atual que, por ser de continuidade, não pode reclamar. Erros como o passivo na segurança pública ou a falta de recursos para tocar os hospitais regionais, ou ainda problemas em licitações para o VLT. Herança agravada pela queda de repasses federais.

Estilo pessoal
No entanto, no que diz respeito ao estilo pessoal do governador, é possível anotar diferenças em relação ao antecessor Cid Gomes, que acabam influenciando a condução do governo.

O relacionamento com servidores, imprensa e com a oposição parece mais cordato, com menos crises e mais diálogo. No entanto, a gestão ainda está no começo, período em que esses interlocutores ainda estão motivados pela esperança de ver seus pleitos atendidos.

Na medida em que impasses forem surgindo, é que veremos a habilidade de Camilo em situações de negociação sob pressão. Na hora de cobrar compensações pelo golpe da refinaria, o estilo não funcionou.

100, sem
Assim como o número sem possui um valor simbólico para a crônica política, a preposição “sem” acabou sendo adotado como uma espécie de contraposição ao numeral, para destacar a ausência ou carência de realizações, serviços, iniciativas, e por aí vai. Então vamos embarcar nessa variante para não perder a chance de provocar o senso crítico.

100 dias, sem água;
100 dias, sem transposição;
100 dias, sem refinaria;
100 dias, sem verbas;
100 dias, sem ministro;
100 dias, sem empregos;
100 dias, sem presidente.

Conclusão: dinheiro, inclusive o público, não aceita desaforo. A economia não perdoa. Agora o Ceará, sob nova administração, vive a expectativa e as incertezas de uma crise criada pelo governo Dilma Rousseff.