Fora, Che Guevara! - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Fora, Che Guevara!

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

21 de Fevereiro de 2018

A vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PRTB) quer mudar o nome do Cuca Che Guevara, inaugurado em 2009 por Luizianne Lins (PT), para Bárbara de Alencar. A iniciativa merece atenção por dois motivos: fazer justiça histórica e combater uma variante do patrimonialismo, aquela mania dos governantes de confundir o público com o privado.

Lembrado como revolucionário eficiente e profundo humanista, Che Guevara costuma a ser lembrado pela propaganda de esquerda como autor da célebre frase Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás. Porém, outras citações menos românticas acabaram esquecidas, como quando Che aconselha aos seus seguidores que cultivar o ódio intransigente ao inimigo, ódio que impulsiona além das limitações naturais do ser humano e converte o guerrilheiro numa eficiente e fria máquina de matar. Esse não um modelo adequado de inspiração a jovens estudantes.

Segundo Priscila, além do guerrilheiro matador (que foi capturado por soldados, vejam que potência, bolivianos) não ter feito nada por Fortaleza, não faz sentido exaltar a figura de um assassino. Exagero? O próprio Che esclareceu qualquer dúvida, quando disse na Assembleia-Geral da ONU, em 11 de dezembro de 1964: Fuzilamos e seguiremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta até a morte.

Tem mais. Em carta a esposa, Hilda, datada de janeiro de 1957, o angelical Guevara mandou ver: Estou na selva cubana, vivo e sedento de sangue.

É possível ver esses muitos outros episódio na biografia assinada por John Lee Anderson (Che Guevara: uma Biografia –  Objetiva, 1997). Como na vez em que o humanista da revolução cubana dirigia a prisão de La Cabaña (pesquisem a respeito), quando uma mãe aflita pediu-lhe que poupasse a vida do filho, de apenas 17 anos, preso por pichar críticas a Fidel. Che conferiu o prontuário do rapaz e mandou executá-lo imediatamente. Fuzilamento. Disse que era para a mãe não sofrer a agonia da espera.

Se esses feitos não bastam para demonstrar a inconveniência desse nome para uma escola, podemos ir ao segundo ponto: o patrimonialismo. A vereadora está correta quando lembra que Che não tem a menor identificação com Fortaleza. Tal escolha, digo eu, se deu exclusivamente por inclinação ideológica. Se os patrimonialistas tradicionais batizam prédios públicos com nomes de seus parentes, imaginando serem donos da obra, os patrimonialistas progressistas os nomeiam por proselitismo ideológico, para demarcá-los como propriedade do partido e promover seus ídolos e símbolos.

Por isso tudo a proposta da trocar o nome de Che me parece pertinente. Pode parecer bobagem para muitos, mas mantê-lo como um farol da educação é um anacronismo que representa o pior da política, cultivado como se fosse coisa banal. A corrupção dos modos nasce e sobrevive na corrupção das ideias.

Publicidade aqui

Fora, Che Guevara!

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

21 de Fevereiro de 2018

A vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PRTB) quer mudar o nome do Cuca Che Guevara, inaugurado em 2009 por Luizianne Lins (PT), para Bárbara de Alencar. A iniciativa merece atenção por dois motivos: fazer justiça histórica e combater uma variante do patrimonialismo, aquela mania dos governantes de confundir o público com o privado.

Lembrado como revolucionário eficiente e profundo humanista, Che Guevara costuma a ser lembrado pela propaganda de esquerda como autor da célebre frase Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás. Porém, outras citações menos românticas acabaram esquecidas, como quando Che aconselha aos seus seguidores que cultivar o ódio intransigente ao inimigo, ódio que impulsiona além das limitações naturais do ser humano e converte o guerrilheiro numa eficiente e fria máquina de matar. Esse não um modelo adequado de inspiração a jovens estudantes.

Segundo Priscila, além do guerrilheiro matador (que foi capturado por soldados, vejam que potência, bolivianos) não ter feito nada por Fortaleza, não faz sentido exaltar a figura de um assassino. Exagero? O próprio Che esclareceu qualquer dúvida, quando disse na Assembleia-Geral da ONU, em 11 de dezembro de 1964: Fuzilamos e seguiremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta até a morte.

Tem mais. Em carta a esposa, Hilda, datada de janeiro de 1957, o angelical Guevara mandou ver: Estou na selva cubana, vivo e sedento de sangue.

É possível ver esses muitos outros episódio na biografia assinada por John Lee Anderson (Che Guevara: uma Biografia –  Objetiva, 1997). Como na vez em que o humanista da revolução cubana dirigia a prisão de La Cabaña (pesquisem a respeito), quando uma mãe aflita pediu-lhe que poupasse a vida do filho, de apenas 17 anos, preso por pichar críticas a Fidel. Che conferiu o prontuário do rapaz e mandou executá-lo imediatamente. Fuzilamento. Disse que era para a mãe não sofrer a agonia da espera.

Se esses feitos não bastam para demonstrar a inconveniência desse nome para uma escola, podemos ir ao segundo ponto: o patrimonialismo. A vereadora está correta quando lembra que Che não tem a menor identificação com Fortaleza. Tal escolha, digo eu, se deu exclusivamente por inclinação ideológica. Se os patrimonialistas tradicionais batizam prédios públicos com nomes de seus parentes, imaginando serem donos da obra, os patrimonialistas progressistas os nomeiam por proselitismo ideológico, para demarcá-los como propriedade do partido e promover seus ídolos e símbolos.

Por isso tudo a proposta da trocar o nome de Che me parece pertinente. Pode parecer bobagem para muitos, mas mantê-lo como um farol da educação é um anacronismo que representa o pior da política, cultivado como se fosse coisa banal. A corrupção dos modos nasce e sobrevive na corrupção das ideias.