Câmara dos Vereadores Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Câmara dos Vereadores

Fora, Che Guevara!

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

21 de Fevereiro de 2018

A vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PRTB) quer mudar o nome do Cuca Che Guevara, inaugurado em 2009 por Luizianne Lins (PT), para Bárbara de Alencar. A iniciativa merece atenção por dois motivos: fazer justiça histórica e combater uma variante do patrimonialismo, aquela mania dos governantes de confundir o público com o privado.

Lembrado como revolucionário eficiente e profundo humanista, Che Guevara costuma a ser lembrado pela propaganda de esquerda como autor da célebre frase Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás. Porém, outras citações menos românticas acabaram esquecidas, como quando Che aconselha aos seus seguidores que cultivar o ódio intransigente ao inimigo, ódio que impulsiona além das limitações naturais do ser humano e converte o guerrilheiro numa eficiente e fria máquina de matar. Esse não um modelo adequado de inspiração a jovens estudantes.

Segundo Priscila, além do guerrilheiro matador (que foi capturado por soldados, vejam que potência, bolivianos) não ter feito nada por Fortaleza, não faz sentido exaltar a figura de um assassino. Exagero? O próprio Che esclareceu qualquer dúvida, quando disse na Assembleia-Geral da ONU, em 11 de dezembro de 1964: Fuzilamos e seguiremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta até a morte.

Tem mais. Em carta a esposa, Hilda, datada de janeiro de 1957, o angelical Guevara mandou ver: Estou na selva cubana, vivo e sedento de sangue.

É possível ver esses muitos outros episódio na biografia assinada por John Lee Anderson (Che Guevara: uma Biografia –  Objetiva, 1997). Como na vez em que o humanista da revolução cubana dirigia a prisão de La Cabaña (pesquisem a respeito), quando uma mãe aflita pediu-lhe que poupasse a vida do filho, de apenas 17 anos, preso por pichar críticas a Fidel. Che conferiu o prontuário do rapaz e mandou executá-lo imediatamente. Fuzilamento. Disse que era para a mãe não sofrer a agonia da espera.

Se esses feitos não bastam para demonstrar a inconveniência desse nome para uma escola, podemos ir ao segundo ponto: o patrimonialismo. A vereadora está correta quando lembra que Che não tem a menor identificação com Fortaleza. Tal escolha, digo eu, se deu exclusivamente por inclinação ideológica. Se os patrimonialistas tradicionais batizam prédios públicos com nomes de seus parentes, imaginando serem donos da obra, os patrimonialistas progressistas os nomeiam por proselitismo ideológico, para demarcá-los como propriedade do partido e promover seus ídolos e símbolos.

Por isso tudo a proposta da trocar o nome de Che me parece pertinente. Pode parecer bobagem para muitos, mas mantê-lo como um farol da educação é um anacronismo que representa o pior da política, cultivado como se fosse coisa banal. A corrupção dos modos nasce e sobrevive na corrupção das ideias.

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Difícil transparência: abaixo-assinado cobra informações sobre gastos dos vereadores em Fortaleza

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

06 de Fevereiro de 2018

Divulgação

A ONG Patrulha da Transparência tenta desde o ano passado saber como e onde os vereadores de Fortaleza gastam o dinheiro do chamado “Serviço de Desempenho Parlamentar”. A Câmara Municipal divulga os valores gerais com gastos, mas parece não querer nem ouvir falar em detalhamento dessas despesas pagas pelo contribuinte.

Cansada de esperar, a ONG está divulgando uma petição online pedindo os comprovantes desses gastos. Qualquer empresa pede comprovações dessa natureza aos seus funcionários. Pegou um táxi? Almoçou com um cliente? Precisou viajar? Tudo certo, na volta mostre as notas e os recibos. Com dinheiro público, o rigor deveria ser o mesmo. Especialmente agora que a discussão sobre controle de gastos, privilégios, auxílios disso e daquilo, estão na ordem do dia.

Já abordei o assunto aqui no blog: “A situação é no mínimo constrangedora. Se os vereadores não conseguem explicar como gastam as verbas de seus gabinetes, que dizer da função fiscalizadora que deveriam exercer em relação aos gastos do Executivo? Na pior hipótese, lançam sobre a Câmara a sombra da suspeita em relação aos cuidados com a real destinação desses recursos.”

Se você paga a conta e deseja saber como seu dinheiro é gasto, basta conferir o link:

Abaixo-assinado pelos comprovantes de gastos dos vereadores de Fortaleza

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Câmara de Fortaleza não esclarece gastos de vereadores e ainda faz graça com quem pede detalhamento

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

20 de dezembro de 2017

O pedido de informações protocolado pelo Livres e pela Patrulha da Transparência com o detalhamento dos gastos feitos pelos vereadores da Câmara de Fortaleza foi negado no último de prazo para a resposta. Na verdade, essa é a terceira vez  (ler post anterior) que a “Casa do Povo” se nega a dizer como, com quem e onde suas Excelências gastaram a grana dos impostos pagos pelos cidadãos da capital.

O Ofício 0170/2017, assinado pelo diretor geral da Câmara, Robson de Oliveira,  explica que “não havendo, no âmbito desta Câmara Municipal, o procedimento de ressarcimento futuro (reembolso), por meio de apresentação de comprovantes (notas fiscais e recibos), modelo comumente adotado por outras Casas Legislativas“, nada pode ser feito. Isso mesmo, o dinheiro PÚBLICO é repassado antecipadamente ao parlamentar, na base da confiança, para que estes o utilizem como bem entenderem. O problema é que se um vereador, por exemplo, quisesse pagar empréstimos particulares com recursos que deveriam ser exclusivos para a compra de combustíveis, poderia fazê-lo tranquilamente, já que não é obrigado a a apresentar comprovantes. Mas isso, pelo visto, jamais vai acontecer no entendimento dos próprios vereadores. Daí a dispensa de maiores cuidados.

Já em relação a outras informações solicitadas, como a quantidade de servidores por gabinete, o Oficio diz que tudo está disponibilizado na internet e pronto. Por qual motivo isso impede uma resposta devidamente documentada, ninguém sabe. Se é tão fácil, bastaria que os zelosos funcionários da Câmara imprimissem o material, de modo a atender o pedido.

Para coroar a peça, os impertinentes reclamantes são informados de que “o Tribunal de Contas do Estado, em avaliação recente sobre a transparência das Câmaras Municipais, considerando as notas de zero a dez, atribuiu nota 9,5 à Câmara de Fortaleza“. E sabe por que não foi dez? Ora, por causa de problemas na “seção de Acessibilidade, considerado para a efetivação de melhorias  quando ao acesso a deficientes visuais e surdos“, os quais já “estão providências de evolução“. Com uma Câmara tão cristalina assim é de admirar que deficientes visuais de verdade ainda tenham dificuldades nesse ambiente onde até despesa sem nota vira prova de transparência.

Afinal, QUANTO CADA VEREADOR GASTOU EM 2017 COM FUNCIONÁRIOS, QUEM SÃO E ONDE TRABALHAM ESSES SERVIDORES, E QUANDO (E COMO) GASTARAM AS VERBAS VINCULADAS AO SERVIÇO DE DESEMPENHO PARLAMENTAR? Qual o problema em mostrar?

PS. Os autores dos pedidos, Livres e Patrulha da Transparência, informam que buscarão a Justiça para obter as respostas.

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Câmara continua sem esclarecer quanto (e como) gastou cada vereador de Fortaleza com verbas de gabinete. Cadê a transparência?

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

18 de dezembro de 2017

Lembram dela?

O presidente da Câmara dos Vereadores de Fortaleza Salmito Filho (PDT) não cansa de elogiar o compromisso da Casa com a transparência. Não duvido de sua sinceridade, mas acontece que por algum motivo desconhecido às vezes é muito difícil ter aceso a determinadas informações.

Para se ter uma ideia, o grupo Patrulha da Transparência, movimento criado na capital cearense, apresentou (dias 24 de agosto e 31 de outubro) dois pedidos de detalhamento sobre os gastos de cada parlamentar com a Verba de Desempenho Parlamentar (rebatizada de Serviços de Desempenho Parlamentar após escândalos de corrupção) e com o pagamento de assessores, todavia, sem sucesso.

Pois bem, no dia  29 de novembro o grupo ganhou o reforço do Partido Livres, representado por seu presidente estadual, o advogado Rodrigo Marinho, que protocolou nova solicitação de prestação de contas, direito garantido por lei. Na ocasião, o vereador chamou a iniciativa de O ano vai acabar e nada! Rodrigo Marinho me disse que o prazo para o atendimento do requerimento se encerra nesta terça (19). Vamos ver.

A situação é no mínimo constrangedora. Se os vereadores não conseguem explicar como gastam as verbas de seus gabinetes, que dizer da função fiscalizadora que deveriam exercer em relação aos gastos do Executivo? Na pior hipótese, lançam sobre a Câmara a sombra da suspeita em relação aos cuidados com a real destinação desses recursos.

Se algum vereador se dispusesse a divulgar os dados de seus gabinetes por iniciativa própria, seria muito bacana, pois estamos falando dinheiro público. Se o problema for, digamos, burocracia, melhor ainda se o presidente Salmito Filho recebesse e ajudasse aqueles que anseiam constatar, na prática, se a transparência anunciada com tanto entusiasmo é mesmo para valer.

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Câmara de Fortaleza divulga prestação de contas… sem contas. E quem paga a conta, como é que fica?

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

05 de julho de 2017

Na página da Câmara Municipal de Fortaleza, estampado com destaque, o leitor fica sabendo:

 

 

 

Muito bacana, mas tem um problema. Se conferir o “Relatório de Atividades do 1º semestre legislativo” na íntegra, o mesmo leitor poderá perceber que, curiosamente, a prestação de contas não apresenta as contas do parlamento municipal nesse período.

O cidadão que paga a conta é informado, por exemplo, sobre a criação de uma comissão para discutir a Lei do Silêncio, a revisão da Lei Orgânica, o convênio com a Associação dos Profissionais Intérpretes e Tradutores de Libras, e que o presidente da Casa, Salmito Filho (PDT), compareceu a eventos públicos e visitou a AMC.

O contribuinte só não fica sabendo nessa “prestação de contas” quanto custaram essas atividades. Nem sobre nada a respeito de gastos. Despesas devidamente discriminadas com passagens, pessoal de gabinete, auxílio disso ou daquilo, ajudas de custo, verbas extras e outros salamaleques é que não aparecem mesmo.

Parece que os senhores e senhoras do parlamento – ou dos parlamentos cearenses – ainda não perceberam que nesse momento em que prefeituras cortam gastos e a população é chamada a fazer sacrifícios por causa da crise, o mais importante é mostrar compromisso com a austeridade com as contas públicas.

PS. Algum vereador mais preocupado poderia alegar: “Ah, Wanderley, quer saber sobre os gastos da Câmara? Basta ir ao portal da transparência”. Eu diria então que não é bem assim. O portal tem limites. Não discrimina gastos por parlamentar. E além do mais, sendo assim, o próprio relatório seria dispensável, afinal, tudo o que vai ali pode ser pesquisado no site da Câmara.

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MP convoca TODOS os vereadores de Fortaleza em investigação de desvio de verbas. Todos!

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

27 de outubro de 2015

O Ministério Público do Ceará quer ouvir todos os 43 vereadores de Fortaleza a respeito de gastos com as chamadas Verbas de Desempenho Parlamentar. Os promotores, juntamente com a Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública (Procap), investigam desvios que podem chegar a R$ 11 milhões.

A suspeita é que parlamentares usem recibos falsos para embolsar o dinheiro. Mais do que isso, pela natureza dos procedimentos, tudo indica que a suspeita é de que a prática possa estar disseminada em diversos gabinetes.

Por um momento, pensando em possíveis inocentes chamados a falar sobre o caso, me deixei levar pelo sentimentalismo: “O justo paga pelo pecador”. Mas depois, deduzindo que os investigadores tenham bons motivos para querer ouvir a todos, resolvi esperar um pouco mais. Vai que a convocação geral é  forma mais segura de não cometer injustiças?

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A Lei Antibaixaria em Fortaleza e as verdadeiras baixarias sem lei

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

04 de dezembro de 2012

Afetando sensibilidade, eles querem cuidar de você, querem dizer o que é bom pra você, definir o que você pode fazer. Mas são lobos em pele de cordeiro. Eles querem tutelar você.

Foi aprovada na Câmara Municipal de Fortaleza projeto de lei que proíbe o uso de recursos públicos municipais para contratação de artistas que em suas músicas estimulem qualquer forma de discriminação, incentivando a violência ou expondo a situação de constrangimento mulheres, homossexuais, negros e negras. Chamada de Lei Antibaixaria, o projeto é de autoria do vereador Ronivaldo Maia (PT).

Escrevi sobre o assunto quando a proposta ainda tramitava na Câmara e reproduzo agora alguns trechos, com pequenas alterações de atualização:

Quem diz o que é bom ou ruim para você?

Ainda que a iniciativa de Ronivaldo Maia seja inspirada nos mais belos propósitos educacionais e artísticos, resta  refletir um ponto crucial: Quem determina quando a moral, a estética e a ética são desrespeitadas numa música ou dança? Quais os parâmetros? Nem na ditadura conseguiram estabelecer consensos sobre esses limites. A questão permanece difícil e parte da mesma premissa arrogante, segundo a qual a maioria das pessoas não possui capacidade intelectual ou discernimento para separar o que é bom do que é ruim por conta própria.

É a mesma sanha que anima alguns grupos a propor o controle da imprensa e demais meios de comunicação. Querem tutelar tudo quanto puderem e criar, aos poucos, um Estado policial.

A matéria trata de assunto que depende em grande medida da subjetividade do receptor. Prova disso é o corte de raça e gênero como “categorias” a serem protegidas. Por que não proibir a contratação de artistas que ofendam a família, a pátria, os gordos, os bastardos, os deficientes, os cornos ou os anões? Por que não proibir musicas com apologia comsumo de bebidas alcóolicas? A delimitação da proibição em si é uma peça discriminatória contra outras “categorias”.

O fato é que o juízo do que venha a ser baixaria muda de uma pessoa para outra. Para alguns grupos, a exaltação à promiscuidade é que constrange a sensibilidade. Não infringindo a legislação – como os funks que incitam ao crime de consumo de drogas (e que não são proibidas) – a questão é de gosto.

Melhor fiscalizar os gastos

Faço  uma sugestão aos vereadores, na condição de cidadão e contribuinte. No lugar de se preocuparem com conteúdos artísticos que, apesar de serem ruins (na minha opinião pessoal, que não desejo transformar em lei), são o que o povo gosta, melhor seria fiscalizarem de verdade OS GASTOS dessas contratações.

Nos últimos três ou quatros anos, o dinheiro despejado na contratação de artistas para as festas de Réveillon em Fortaleza é motivo de questionamentos no Tribunal de Contas dos Municípios. O que fizeram os vereadores? As escolas da capital cearense aprecem seguidamente nas piores colocações do ranking estadual. Sendo a educação o principal antídoto contra o mau gosto, o que fizeram os senhores vereadores? Nada! Existem baixarias que não atiçam o pudor de nossos representantes; existem baixarias para as quais a lei não passa de letra morta, sem que isso incomode essas autoridades.

Olhando bem as câmaras municipais de todo o país, eu diria que baixaria é ter vereador ficha-suja dizendo o que é certo ou errado para os outros.

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A CPI do Bolsa Família e o Código de Ética da Câmara de Fortaleza: a ordem dos fatores altera o produto

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

28 de agosto de 2012

Não por acaso as Comissões Parlamentares de Inquérito são comumente associadas a pizzas. É festa.

Leio no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz, que a Câmara Municipal de Fortaleza anunciou a instalação da CPI do Bolsa Família para investigar “a fragilidade do programa de transferência de renda” na capital cearense, depois da revelação de que a esposa do vereador Leonelzinho Alencar (PTdoB) recebia dinheiro do programa.

Não acredito mais em Comissões Parlamentares de Inquérito. Aliás, não acredito que ainda exista quem acredite nelas, principalmente depois que virou moda a recusa dos investigados em responder quaisquer perguntas que lhes sejam feitas nessas comissões. Assim, seria necessário árduo trabalho investigativo e sobretudo muita vontade para compensar a ausência de depoimentos reveladores, com a coleta de dados técnicos como provas. Portanto, agora, quem tem medo de CPI?

Tradição

Na verdade, se não houver uma intensa disputa política como força propulsora da CPI, muito provavelmente nada acontecerá, nada será apurado, ninguém será punido. De resto, como bem mostram os livros de história, nossa tradição política mais antiga é a da conciliação, que celebra o pragmatismo amoral como estratégia de perpetuação no poder, em detrimento da preservação de valores morais. (Ver A Consciência Conservadora no Brasil, Paulo Mercadante, 1965).

Veja mais:
Vereador Leonelzinho chora e diz que não sabia que esposa recebia verba do Bolsa Família

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Muito além do aumento dos salários dos vereadores: a hipocrisia disfarçada de cidadania

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores, Opinião pública, Política

04 de julho de 2012

Em Raízes do Brasil (1936), Sérgio Buarque de Holanda já mostrava a dificuldade do brasileiro em distinguir entre o público e o privado, criando privilégios, jeitinhos e tolerando a corrupção. É um clássico que mostra como o Brasil se sabota.

Os vereadores de Fortaleza aumentaram os próprios salários em 28%. Todos reclamaram e viram no episódio mais uma demonstração de privilégio da classe política, de locupletação particular com o dinheiro público, em suma, de uma tremenda injustiça com o contribuinte, que para ter seus vencimentos reajustados com base nis índices de inflação já sofrem um bocado.

No entanto, quando todo mundo concorda com algo e nada acontece para mudar ou impedir o objeto da insatisfação é sinal de que há algo errado mesmo é com quem reclama da situação. Como pode? Se ninguém, absolutamente ninguém, é a favor da forma como os parlamentares definem os valores dos seus próprios contracheques, como essa prática não só se perpetua, mas se dissemina por todo o país?

Algumas reflexões preliminares podem ser úteis para uma melhor avaliação do fenômeno. Se os vereadores tivessem aprovado 60% de aumento, conforme o projeto original, em vez de 28%, o que teria acontecido? Nada. Nada, nada, nada. Em uma semana todos esqueceriam, que é o que vai acontecer. Fiquei surpreso mesmo foi com a redução do índice. E se fossem deputados estaduais, federais ou senadores a se autoconceder aumentos, o que aconteceria? Muita reclamação, mas de objetivo, novamente nada. O perigo é a população confundir o Legislativo – fundamental para a democracia – com os legisladores que lá estão. Os espíritos autoritários adoram essa confusão, tendência muito presente em diversos países da América Latina.

Público e privado

Prosseguindo com as especulações, se fossem magistrados, governadores, ou presidentes gozando de privilégios inimagináveis aos cidadãos comuns, da mesma forma nada aconteceria. A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, nunca prestou contas de como gastou o cartão corporativo a que tinha direito em seu primeiro mandato. O governador Cid Gomes foi ao exterior em viagem oficial, levando parentes para fazer turismo. Nos dois casos, ficou tudo por isso mesmo. O que seria intolerável em outras sociedades aqui no Brasil é visto como uma inconveniência sem maiores consequências. No fundo, apesar dos protestos que afetam indignação, os brasileiros toleram essas práticas porque compartilham de sua essência: a confusão entre o público e o provado, tão bem demonstrada por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil. Leia mais

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Em defesa do aumento: Vereadores, unidos, jamais serão vencidos!

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

28 de junho de 2012

Sem os nossos vereadores, não teríamos o Dia do Saci ou o Dia do Abraço – Foto: Divulgação Cmfor

Como é que é? Essas redes sociais não têm jeito, não. A novidade agora é um monte de anônimos – provavelmente contribuintes que vivem a reclamar de pagar impostos – protestando contra a proposta de aumento salarial de 60% para os vereadores de Fortaleza, que passariam a receber pouco mais de 15 mil reais por mês. É muita ingratidão com esses abnegados servidores.

Policiais correm o risco de prisão por terem cruzado os braços pedindo aumento. Professores apanharam da Guarda Municipal em frente a Câmara de Vereadores da Capital pelo mesmo motivo. Nas duas ocasiões, a população se mostrou solidária com essas categorias. Mas quando o aumento é para os nobres parlamentares, todos reclamam. Isso só pode ser implicância.

Tudo bem, é meio estranho que uma determinada categoria tenha o poder de se autoconceder aumentos, calculados pelos índices mais convenientes e custeados com o nosso dinheirinho. Como não precisam pedir aumento aos seus patrões – o povo – fica a impressão de privilégio. Curiosamente, esses reajustes autoconcedidos sempre chamam a atenção pelos percentuais aplicados. Fazer o quê? A vida está difícil, a inflação assusta e agradar cabos eleitorais custa caro. Para compensar o desgaste, os pobres parlamentares dificilmente propõem menos de 50% de aumento salarial. Existem, pasmem, criaturas insensíveis que defendem a indexação dos vencimentos de um vereador, deputados estaduais e federais, e até senadores, pelo salário mínimo. O percentual de reajuste de autoridades não poderia ser maior do que o concedido aos pobres. Um acinte!

Por isso, imbuído do maravilhoso sentimento da solidariedade, sugiro aos nossos vereadores que façam uma greve. Isso mesmo! Parem de trabalhar para que a população perceba como os senhores são indispensáveis. Quero ver só esses contribuintes que vivem a reclamar o que farão sem poder assistir uma sessão na TV Câmara. Já imaginaram? Sem os vereadores, não teríamos o Dia do Saci ou o Dia do Abraço, por exemplo.

Eu gostaria de dar essa sugestão ao próprio vereador em quem votei nas últimas eleições, se eu me lembrasse dele. Mas você que me compreende pode fazer isso com o seu representante. Ou você também não lembra em quem votou? É muita ingratidão.

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Em defesa do aumento: Vereadores, unidos, jamais serão vencidos!

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

28 de junho de 2012

Sem os nossos vereadores, não teríamos o Dia do Saci ou o Dia do Abraço – Foto: Divulgação Cmfor

Como é que é? Essas redes sociais não têm jeito, não. A novidade agora é um monte de anônimos – provavelmente contribuintes que vivem a reclamar de pagar impostos – protestando contra a proposta de aumento salarial de 60% para os vereadores de Fortaleza, que passariam a receber pouco mais de 15 mil reais por mês. É muita ingratidão com esses abnegados servidores.

Policiais correm o risco de prisão por terem cruzado os braços pedindo aumento. Professores apanharam da Guarda Municipal em frente a Câmara de Vereadores da Capital pelo mesmo motivo. Nas duas ocasiões, a população se mostrou solidária com essas categorias. Mas quando o aumento é para os nobres parlamentares, todos reclamam. Isso só pode ser implicância.

Tudo bem, é meio estranho que uma determinada categoria tenha o poder de se autoconceder aumentos, calculados pelos índices mais convenientes e custeados com o nosso dinheirinho. Como não precisam pedir aumento aos seus patrões – o povo – fica a impressão de privilégio. Curiosamente, esses reajustes autoconcedidos sempre chamam a atenção pelos percentuais aplicados. Fazer o quê? A vida está difícil, a inflação assusta e agradar cabos eleitorais custa caro. Para compensar o desgaste, os pobres parlamentares dificilmente propõem menos de 50% de aumento salarial. Existem, pasmem, criaturas insensíveis que defendem a indexação dos vencimentos de um vereador, deputados estaduais e federais, e até senadores, pelo salário mínimo. O percentual de reajuste de autoridades não poderia ser maior do que o concedido aos pobres. Um acinte!

Por isso, imbuído do maravilhoso sentimento da solidariedade, sugiro aos nossos vereadores que façam uma greve. Isso mesmo! Parem de trabalhar para que a população perceba como os senhores são indispensáveis. Quero ver só esses contribuintes que vivem a reclamar o que farão sem poder assistir uma sessão na TV Câmara. Já imaginaram? Sem os vereadores, não teríamos o Dia do Saci ou o Dia do Abraço, por exemplo.

Eu gostaria de dar essa sugestão ao próprio vereador em quem votei nas últimas eleições, se eu me lembrasse dele. Mas você que me compreende pode fazer isso com o seu representante. Ou você também não lembra em quem votou? É muita ingratidão.