O problema não é o STF, o problema é você, eleitor - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O problema não é o STF, o problema é você, eleitor

Por Wanfil em Brasil

20 de setembro de 2013

Meu comentário na coluna política, da Tribuna BandNews FM – 101.7

A indignação geral – ou quase geral – com a decisão do STF sobre os tais embargos infringentes e que beneficiou 12 réus do mensalão é o assunto da hora nas rodas de conversa. Onde quer que a gente chegue, o rosário de lamentações começa. Curioso como todos são contra a impunidade e a impunidade ainda assim prospera… Bom, nesse clima de contrariedade, o vilão do momento é o ministro Celso de Mello, cujo voto desempatou a questão a favor dos condenados. De vez em quando elegemos um responsável pela impunidade crônica que vigora no país.

O escritor Nelson Rodrigues dizia que subdesenvolvimento não se improvisa. Eu digo, na mesma linha, que impunidade e decadência também não se improvisam.

Amplidão

Se hoje o Judiciário brasileiro se vê ameaçado pelo aparelhamento ideológico partidário, isso acontece porque existem forças políticas de posse dos instrumentos necessários para essa ação. O próprio mensalão foi instrumento utilizado para controlar outro poder, o Legislativo, em benefício do projeto idealizado por José Dirceu, Lula e companhia.

O que muitos dos que agora reclamam não atentam, ou não querem atentar, é para o fato de que o mensalão não se resume aos réus que terão novo julgamento, mas antes se amplia no arco de alianças que fazem orbitar em torno do PT as mais diferentes siglas, todas conectadas por interesses nada republicanos.

A presidente da República, o governador do Ceará, a ex-prefeita e o atual o prefeito de Fortaleza, por exemplo, são aliados políticos dos mensaleiros, quer admitam isso ou não. Em 2014, cada um a seu modo, sabe que precisa preservar o arranjo de poder do compartilhado por José Genoíno e Delúbio Soares.

Quem pode passar o país a limpo?

Por isso, querer que o judiciário agora corrija em um único julgamento as distorções que começam no Executivo e se estendem pelo Legislativo é sintoma de desespero ou cegueira.

Antes de culpar esse ou aquele ministro do Supremo Tribunal nesse episódio, é preciso que façamos a seguinte pergunta para nós mesmos: Afinal, como chegamos a esse ponto? Como deixamos as instituições serem desmoralizadas desse jeito? Como, enquanto nação, nos permitimos ser governados, ainda hoje, nesse exato instante, pelos agentes do mensalão? E, por fim, o que faremos a respeito?

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O problema não é o STF, o problema é você, eleitor

Por Wanfil em Brasil

20 de setembro de 2013

Meu comentário na coluna política, da Tribuna BandNews FM – 101.7

A indignação geral – ou quase geral – com a decisão do STF sobre os tais embargos infringentes e que beneficiou 12 réus do mensalão é o assunto da hora nas rodas de conversa. Onde quer que a gente chegue, o rosário de lamentações começa. Curioso como todos são contra a impunidade e a impunidade ainda assim prospera… Bom, nesse clima de contrariedade, o vilão do momento é o ministro Celso de Mello, cujo voto desempatou a questão a favor dos condenados. De vez em quando elegemos um responsável pela impunidade crônica que vigora no país.

O escritor Nelson Rodrigues dizia que subdesenvolvimento não se improvisa. Eu digo, na mesma linha, que impunidade e decadência também não se improvisam.

Amplidão

Se hoje o Judiciário brasileiro se vê ameaçado pelo aparelhamento ideológico partidário, isso acontece porque existem forças políticas de posse dos instrumentos necessários para essa ação. O próprio mensalão foi instrumento utilizado para controlar outro poder, o Legislativo, em benefício do projeto idealizado por José Dirceu, Lula e companhia.

O que muitos dos que agora reclamam não atentam, ou não querem atentar, é para o fato de que o mensalão não se resume aos réus que terão novo julgamento, mas antes se amplia no arco de alianças que fazem orbitar em torno do PT as mais diferentes siglas, todas conectadas por interesses nada republicanos.

A presidente da República, o governador do Ceará, a ex-prefeita e o atual o prefeito de Fortaleza, por exemplo, são aliados políticos dos mensaleiros, quer admitam isso ou não. Em 2014, cada um a seu modo, sabe que precisa preservar o arranjo de poder do compartilhado por José Genoíno e Delúbio Soares.

Quem pode passar o país a limpo?

Por isso, querer que o judiciário agora corrija em um único julgamento as distorções que começam no Executivo e se estendem pelo Legislativo é sintoma de desespero ou cegueira.

Antes de culpar esse ou aquele ministro do Supremo Tribunal nesse episódio, é preciso que façamos a seguinte pergunta para nós mesmos: Afinal, como chegamos a esse ponto? Como deixamos as instituições serem desmoralizadas desse jeito? Como, enquanto nação, nos permitimos ser governados, ainda hoje, nesse exato instante, pelos agentes do mensalão? E, por fim, o que faremos a respeito?