A Copa das copas... - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

A Copa das copas…

Por Wanfil em Brasil

12 de junho de 2014

Copa-das-CopasComeça hoje a Copa do Mundo de Futebol. E o que deveria ser a Copa das Copas – a apoteose do ufanismo tupiniquim, do Brasil potência alardeado pelo PT, mais rico do que a Inglaterra e mais justo do que a Suécia -, virou um problema para o governo.

A propaganda que vendeu a “Copa das Copas” se tornou profecia, mas com sinal invertido. Sim, esta será a Copa das Copas, mas não pelos motivos imaginados pelo governo, com a construção de uma nova identidade nacional vinculada a um projeto político-partidário. Será, ao contrário, a Copa da contestação ao discurso oficial e do repúdio à cultura política nacional.

Por isso agora todo o esforço de comunicação do governo federal e de seus defensores busca descontextualizar as críticas relacionadas aos atrasos, sobrepreços e promessas vazias que marcaram a preparação para o evento. Não por acaso, a presidente Dilma buscou associar, no texto que leu em cadeia nacional de rádio e televisão na última terça (10), as opiniões desfavoráveis à sua gestão com a adjetivação “pessimista”. Sua equipe sabe que torcida precisa ser otimista. Logo,  ideia é ligar as cobranças por mais eficiência e menos corrupção (o tal pessimismo) ao derrotismo de “quem é do contra”. O truque é velho, mas não cola agora. Tanto que a presidente não irá discursar na abertura da Copa.

Apesar de você

Os brasileiros, naturalmente, irão torcer e vibrar. Muitos dizem que uma vitória do Brasil beneficiaria Dilma nas eleições. Não sei, não. A realidade do presente é demasiadamente complexa para caber nessa equação simples. A conquista da Copa das Confederações no ano passado, por exemplo, não estancou o sentimento crítico da população. Em 1998, o Brasil perdeu a Copa para a França, e mesmo assim o então presidente Fernando Henrique Cardoso foi reeleito em primeiro turno. Isso mostra que uma eventual ligação de causa e efeito entre Copa e eleição não é assim uma regra fixa, mas algo que varia conforme a época e a conjuntura. Para 2014, tentaram fazer da Copa um ativo eleitoral para a continuidade, mas acabaram criando um potente catalisador de insatisfações que propulsiona o desejo de mudança, como atestam pesquisas de opinião.

É claro que governos apostam em torneios como a Copa pensando em ganhos de imagem e popularidade. Mas isso demanda um trabalho bem feito que possa casar as ações governamentais com a expectativa do público. Não foi o que aconteceu agora. Pelo contrário. O descompasso entre o que foi prometido e o que foi entregue, além dos custos, desagradou a população. A situação chegou a um ponto que, caso o Brasil conquiste o hexa, qualquer tentativa mais explícita de buscar tirar proveito político disso pode virar um tiro no pé, causando indignação geral e derrubando ainda mais a aprovação do governo.

Para o brasileiro, Copa é Copa, apesar do governo, ou dos governos. E que vença o melhor.

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A Copa das copas…

Por Wanfil em Brasil

12 de junho de 2014

Copa-das-CopasComeça hoje a Copa do Mundo de Futebol. E o que deveria ser a Copa das Copas – a apoteose do ufanismo tupiniquim, do Brasil potência alardeado pelo PT, mais rico do que a Inglaterra e mais justo do que a Suécia -, virou um problema para o governo.

A propaganda que vendeu a “Copa das Copas” se tornou profecia, mas com sinal invertido. Sim, esta será a Copa das Copas, mas não pelos motivos imaginados pelo governo, com a construção de uma nova identidade nacional vinculada a um projeto político-partidário. Será, ao contrário, a Copa da contestação ao discurso oficial e do repúdio à cultura política nacional.

Por isso agora todo o esforço de comunicação do governo federal e de seus defensores busca descontextualizar as críticas relacionadas aos atrasos, sobrepreços e promessas vazias que marcaram a preparação para o evento. Não por acaso, a presidente Dilma buscou associar, no texto que leu em cadeia nacional de rádio e televisão na última terça (10), as opiniões desfavoráveis à sua gestão com a adjetivação “pessimista”. Sua equipe sabe que torcida precisa ser otimista. Logo,  ideia é ligar as cobranças por mais eficiência e menos corrupção (o tal pessimismo) ao derrotismo de “quem é do contra”. O truque é velho, mas não cola agora. Tanto que a presidente não irá discursar na abertura da Copa.

Apesar de você

Os brasileiros, naturalmente, irão torcer e vibrar. Muitos dizem que uma vitória do Brasil beneficiaria Dilma nas eleições. Não sei, não. A realidade do presente é demasiadamente complexa para caber nessa equação simples. A conquista da Copa das Confederações no ano passado, por exemplo, não estancou o sentimento crítico da população. Em 1998, o Brasil perdeu a Copa para a França, e mesmo assim o então presidente Fernando Henrique Cardoso foi reeleito em primeiro turno. Isso mostra que uma eventual ligação de causa e efeito entre Copa e eleição não é assim uma regra fixa, mas algo que varia conforme a época e a conjuntura. Para 2014, tentaram fazer da Copa um ativo eleitoral para a continuidade, mas acabaram criando um potente catalisador de insatisfações que propulsiona o desejo de mudança, como atestam pesquisas de opinião.

É claro que governos apostam em torneios como a Copa pensando em ganhos de imagem e popularidade. Mas isso demanda um trabalho bem feito que possa casar as ações governamentais com a expectativa do público. Não foi o que aconteceu agora. Pelo contrário. O descompasso entre o que foi prometido e o que foi entregue, além dos custos, desagradou a população. A situação chegou a um ponto que, caso o Brasil conquiste o hexa, qualquer tentativa mais explícita de buscar tirar proveito político disso pode virar um tiro no pé, causando indignação geral e derrubando ainda mais a aprovação do governo.

Para o brasileiro, Copa é Copa, apesar do governo, ou dos governos. E que vença o melhor.