outubro 2018 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

outubro 2018

Pós-eleição: Ciro já não vê fascismo e Camilo quer diálogo com Bolsonaro

Por Wanfil em Política

31 de outubro de 2018

Charles Darwin explica: “Só quem se adapta, sobrevive”. Na política, isso pode ser recuo, adesão ou trégua

Só o petismo fanático vai chamar os 60% do povo brasileiro de fascista. Eu não, de forma nenhuma.Ciro Gomes, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo desta quarta-feira.

É o mesmo Ciro que durante a campanha alertava para “o crescimento do fascismo“. Como o suposto fascismo no país pode crescer sem supostos fascistas é um daqueles mistérios que desafiam a lógica comum, mas que podem perfeitamente conviver com a política.

Parece contradição. Na verdade, é contradição. E mesmo assim, eis o segredo, tem lá a sua lógica. De olho em 2020 e depois em 2022, percebendo a onda conservadora, a hora é de trabalhar estratégias de adaptação para sobreviver. Descolar de forma contundente do petismo e assinalar uma trégua temporária com o novo governo federal são ações alinhadas com o mais puro darwinismo político.

Acredito que nós vivemos em uma federação, e que a relação institucional possa existir entre a Presidência da República e os estados brasileirosCamilo Santana, em matéria do jornal O Povo, antes de reunião com secretários na terça-feira.

Faz bem o governador cearense em pedir sobriedade e consciência institucional. É preciso lembrar, porém, que essa é uma via de mão dupla. Camilo deseja manter a frente de governadores do Nordeste, única região onde Fernando Haddad venceu, para conversar com o novo governo.

Em outras ocasiões, esse grupo de governadores do NE, junto com Minas Gerais, que nunca viu nada de errado com as refinarias de Dilma e com a recessão produzida em seu governo, divulgou cartas criticando a gestão Temer e tentou visitar Lula, para produzir factoide eleitoral. É bom evitar esse tipo de engajamento.

É óbvio que os interlocutores no Ceará com o governo federal irão mudar e isso exigirá habilidade e respeito de todos – situação e oposição. Não é preciso elogiar ninguém gratuitamente, mas convém não criar arestas desnecessárias, preservando o aspecto institucional na relação com a União.

A palavra que melhor lhe servirá de norte não é resistência, mas como apontam as palavras de Ciro, adaptação.

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Nem mimimi, nem oba-oba: um conselho a vencidos e vencedores na eleição

Por Wanfil em Eleições 2018

29 de outubro de 2018

(IMAGEM: Esdras Nogueira/Tribuna do Ceará)

Clichês são sínteses superficiais que procuram contornar qualquer aprofundamento sobre o objeto em análise. Agora mesmo todos falam em unificação do Brasil. O momento é de amenizar o clima, de pacificar os ânimos, de darmos as mãos e por aí vai. É um apelo bonito em nome da paz, mas que evita encarar a cisão de valores que separa apoiadores do presidente eleito Jair Bolsonaro, de eleitores do candidato escolhido por Lula, Fernando Haddad.

De todo modo, em certas circunstâncias, o clichê pode ter lá seus minutos de sabedoria. Se por um lado a concordância entre vencedores e derrotados sobre temas como política econômica e segurança pública é impossível, por outro lado o chamado à tolerância é importante alerta para a necessidade de dar tempo ao tempo, para assimilar os novos acontecimentos.

Pedir cautela agora não significa abdicar de convicções e diferenças, mas de entender que nas democracias representativas liberais, a alternância de poder é um pressuposto fundamental. Não é hora para o mimimi de quem não aceita a vontade da maioria dos eleitores que compareceram as urnas, nem de oba-oba dos que venceram a disputa, assumindo desafios monumentais para lá de preocupantes, como a redução nas taxas de homicídios e a volta do crescimento da economia.

A alternância no poder, com respeito aos espaços políticos da oposição, é uma das principais características da democracia. Aceitar a importância disso não impede o debate aberto sobre os graves problemas da nação, mas ajuda a encaminhá-los de forma racional, compreendendo que os ciclos de poder são naturais e que uma nova etapa se inicia. A eleição de Bolsonaro encerra um ciclo no governo federal iniciado em 2002 com a eleição de Lula, que por sua vez interrompeu outro ciclo comandado por Fernando Henrique Cardoso. É assim que funciona.

O momento agora, de parte a parte – perdão pelo clichê – é de amenizar os discursos eleitorais, de modo que as forças políticas possam  e organizar o planejamento para o próximo ciclo.

(Texto escrito originalmente para a cobertura especial do portal Tribuna do Ceará)

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Eleições, demônios e precipícios

Por Wanfil em Crônica

26 de outubro de 2018

Em 1872, Fiódor Dostoiévski publicou Os Demônios, romance de características premonitórias escrito a partir de um caso real, o assassinato do estudante Ivan Ivanov por seguidores de Serguei Nietcháiev, um dos autores de O Catecismo Revolucionário (1869), que defende, em nome de um novo mundo, o terror e o assassinato como métodos políticos.

O enredo narra os delírios de um grupo de jovens niilistas. A distância entre o deslumbre dos salões nobres e a miséria dos camponeses na Rússia, entre governantes e governados, faz surgir um ressentimento social pronto para ser usado por fanatismos religiosos e políticos. Os personagens representam conflitos morais que no futuro, mais precisamente em 1917, daria vida ao fascismo bolchevista, com sua Revolução Russa e seus 30 milhões de cadáveres no Século XX.

Li Os Demônios em 2014 (confira aqui a resenha) e desde logo fui obrigado a concordar com Albert Camus, para quem Dostoiévski – e não Karl Marx – é o grande profeta do Século XIX. De fato, 45 anos antes do totalitarismo Russo, seguido depois pelo Alemão, o escritor captou a essência de suas primeiras manifestações.

Em 2018, no Brasil, forças sociais movimentadas por tensões políticas não conseguem promover diálogos. A corrupção sistêmica, a violência em patamares de guerra civil, os cacoetes de autoritarismo, a produção acadêmica subjugada pelo ativismo político, o corporativismo, a economia chantageada pelo estamento burocrático estatal (denunciado por Raimundo Faoro no século passado), constituem os fenômenos que alimentam uma espécie de revolta sem rumo, sem alvo certo, difusa.

Logo no início de Os Demônios há uma passagem bíblica, no Evangelho de Lucas (8, 32-36), com a qual Dostoiévski explica o título e proposta do livro: “Uma grande manada de porcos estava pastando naquela colina. Os demônios imploraram a Jesus que lhes permitisse entrar neles, e Jesus lhes deu permissão. Saindo do homem, os demônios entraram nos porcos, e toda a manada atirou-se precipício abaixo em direção ao lago e se afogou. Vendo o que acontecera, os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram esses fatos, na cidade e nos campos, e o povo foi ver o que havia acontecido. Quando se aproximaram de Jesus, viram que o homem de quem haviam saído os demônios estava assentado aos pés de Jesus, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com medo. Os que o tinham visto contaram ao povo como o endemoninhado fora curado”.

Na atual eleição brasileira, nada indica, a rigor, o encaminhamento de uma ruptura revolucionária ou de um golpe militar. Há mais histeria que fatos e os verdadeiros problemas continuam os mesmos de outras eleições. A jovem democracia nacional tenta se curar, mas talvez os nossos demônios, que andam agitados nos porcos da cegueira política e da intolerância, como disse Mano Brown, não estejam a procura de um abismo para se atirarem, mas prefiram ficar por aqui e a continuar na lama da violência, da corrupção e do atraso.

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Sem os Ferreira Gomes, Fernando Haddad veste azul no Ceará, mas o vermelho o persegue

Por Wanfil em Eleições 2018

22 de outubro de 2018

A semiótica me fascina e muitas vezes, como é comum em quem a aprecia, quando vejo uma imagem, fico a procurar signos e significantes organizados em sistemas deliberadamente produzidos ou criados ao sabor do acaso. Vejam essa foto de Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, em passagem pelo Ceará no último sábado (20).

Fernando Haddad, de azul, destoa em meio ao “mar vermelho” (FOTO: Ricardo Stuckert/Divulgação)


Azul X vermelho

Como todos sabem, o PT mudou a identidade visual da campanha para o segundo turno, adotando as cores utilizadas pela campanha do adversário, Jair Bolsonaro (PSL), na esperança de conquistar indecisos e moderados.

Pois bem, como é possível constatar na foto, por mais que Haddad tente escapar do vermelho, o vermelho insiste em segui-lo. O que é um pontinho azul em meio a uma multidão de bandeiras e camisas vermelhas na Praça do Ferreira? É Fernando Haddad.

Cadê os Ferreira Gomes?
Outra significação possível de extrair, não apenas dessa imagem, como de outras produzidas durante os eventos de sábado, é uma espécie de solidão, mesmo em meio a tanta gente.  Ciro e Cid Gomes (atualmente no PDT) – líderes do maior grupo político do Ceará e aliados dos governos petistas nas gestões de Lula e Dilma – definitivamente pularam fora da campanha.

Cid ainda distribuiu adesivos de Haddad em Sobral, pedindo votos para, palavras dele, “o menos ruim”. Isso uma semana após ter dito que o PT merecia perder a eleição. A ausência dos Ferreira Gomes preenche uma lacuna, como dizia Stanislaw Ponte Preta.

Antipetismo e autopreservação
Matutar com imagens é bom para estimular conexões. Foi então que li, no mesmo dia, números de uma pesquisa do Datafolha mostrando que o antipetismo é realmente a maior força destas eleições. Basta ver que apenas 1% dos eleitores de Bolsonaro votam nele por rejeitarem Fernando Haddad. Outros 69% são declaradamente contrários ao PT ou a valores relacionados por eles ao petismo, como corrupção.

Esta não é a primeira eleição que Lula e o PT atrapalharam a campanha de Ciro Gomes. Das outras vezes, os Ferreira Gomes não romperam por puro pragmatismo: os petistas tinham alta popularidade e controle da máquina federal. Agora o sinal mudou. Ciro e Cid são hábeis leitores dos movimentos políticos e muito antes de qualquer pesquisa já sentiram as mudanças de humor no eleitorado. Por isso, não foi só por ressentimento que se afastaram do partido, sem tirar nem sequer uma foto com Haddad no Ceará. É também, e principalmente, por senso de autopreservação.

Realmente uma imagem pode dizer mais que mil palavras.

(Texto publicado originalmente para o Portal Jangadeiro – especial eleições)

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Eleições: UECE divulga nota aos pupilos do senhor Reitor

Por Wanfil em Eleições 2018

18 de outubro de 2018

A Universidade Estadual do Ceará divulgou nota “em defesa da democracia” e contra a “iminente possibilidade de um profundo retrocesso social, político e econômico”. O texto cita ainda a “assustadora disseminação do ódio contra pessoas em razão das suas diferenças sociais, de gênero, étnico-raciais e ideológicas”, mas não aponta episódios – seja nas suas dependências  ou mesmo fora delas – em que essas ameaças tenham se materializado. Não há menção sobre quem seriam os seus agentes.

A nota, assinada em conjunto pelo reitor José Jackson Coelho Sampaio e o vice-reitor Hidelbrando dos Santos Soares, se resume ao um amontoado de chavões, que apesar de não apontar nomes de grupos ou de lideranças que estariam atuando para agravar os riscos alardeados no texto, se dirige indiretamente, por meio de insinuações, às eleições presidenciais.

A falta de objetividade é compensada por um jogo de associações induzidas, pois o alinhamento com o discurso da candidatura de Fernando Haddad (PT) contra Jair Bolsonaro (PSL). Que professores, alunos, servidores e reitores tenham suas preferências, isso não é da conta de ninguém, mas ao usar o site (pago com dinheiro de impostos) e o nome de uma universidade pública para promover argumentos utilizados por um candidato à Presidência da República, é um desrespeito às instituições e a pluralidade que a mesma nota afirma defender. Se o mesmo artifício fosse usado para espalhar mensagens cifradas de Bolsonaro contra Haddad, estaria errado do mesmo jeito.

Como todos sabem, as universidades, especialmente as públicas, e mais ainda nas áreas de humanas, são espaços dominados por uma – digamos assim – produção acadêmica mais à esquerda. Não por acaso os signatários da nota dizem que estão “sendo convocados a se posicionar”. Quem os convoca? Isso acontece há tanto tempo que, para seus dirigentes, parece não haver vida fora dessa redoma.

A nota que se anuncia como instrumento de resistência “contra a violência, a opressão e todas as formas de preconceito e discriminação”, não passa de pregação aos convertidos, de afago aos pupilos, de panfleto panfleto em “defesa dos bens e serviços públicos”, que curiosamente não se posiciona sobre temas como corrupção e aparelhamento, que tanto prejudicam bens e serviços públicos.

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Camilo nega rompimento, mas endossa fala de Cid: “Eu também sempre fui um crítico”

Por Wanfil em Eleições 2018

17 de outubro de 2018

(FOTO: Divulgação/Facebook/Camilo Santana)

Buscando conter o estrago dos ataques que Cid Gomes fez ao PT em reunião pró-Haddad, na última segunda-feira (15), em Fortaleza, o governador Camilo Santana disse que a seu ver não existe possibilidade de rompimento do PT com o PDT no Ceará.

Sobre as cobranças do senador eleito pelo PDT e seu padrinho político, que deram munição para Jair Bolsonaro (PSL), Camilo Santana afirmou, segundo o jornal Valor Econômico, que o “desabafo” de Cid não é motivo para inviabilizar a aliança, “até porque eu também sempre fui um crítico e dei declarações no sentido de que era importante o PT reconhecer alguns erros que foram cometidos”.

É verdade, porém, o tom dos pedidos de autocrítica do governador nunca foi, evidentemente, hostil. Já a contundência, a forma agressiva e o momento (em pleno segundo turno) escolhido por Cid correspondem sim, no conjunto, a um rompimento. É inegável que a relação entre as direções nacionais do PT e do PDT azedou de vez.

A entrevista foi concedida em Brasília, após reunião para destravar recursos com o senador Eunício Oliveira, do MDB, que acabou derrotado em sua campanha à reeleição, mesmo com o apoio do governador, pois não contou com o engajamento do grupo político liderado por Cid.

Camilo age com cuidado para preservar sua base de apoio, porém, ao dar razão a Cid nesse episódio, afaga o PDT por um lado, mas por outro deixa as lideranças do PT cearense, que optaram por não responder os ataques para não prejudicar Haddad, em posição constrangedora.

O certo é que diante de tantas arestas, quanto mais falam, mais se complicam. A roupa suja entre PT, PDT e MDB no Ceará será lavada depois da eleição.

(Texto produzido para o Portal Tribuna do Ceará)

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Cid mira no PT e acerta em Camilo Santana: “Só foi governador porque o PDT apoiou!”

Por Wanfil em Eleições 2018

16 de outubro de 2018

Cid Gomes cobrou o apoio dado para eleger Camilo Santana (FOTO: Reprodução)

O discurso em que Cid Gomes, senador eleito pelo PDT, esculhamba o PT e os petistas durante evento de apoio a Fernando Haddad, em Fortaleza, ganhou repercussão nacional. A cobertura foca o ressentimento dos pedetistas com Lula e o PT (assunto que tratei em outro artigo no final de semana: PT e PDT se estranham: em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão), deixando escapar um aspecto local de grande relevância para os cearenses. É que ao mirar no PT, Cid humilhou o governador reeleito Camilo Santana, petista e anfitrião do encontro realizado na noite desta segunda-feira (16), no hotel Marina Park.

Depois de dizer que o PT merecia perder por não se desculpar pelas “besteiras” que fez, referência eufemística aos crimes cometidos pelo partido, Cid criticou a natureza hegemônica do petismo e se colocou como contraponto vivo dessa prática: “Nós sempre fomos democratas. Nós nunca quisemos ser hegemônicos. Nós sempre compartilhamos o poder. Quer prova maior? Eu votei no PT em Sobral!”.

Continuando com o que seriam exemplos de renúncia em benefício do PT, disparou:

“O Camilo só foi governador – com todos os méritos que ele tem, porque também não teria escolhido se não tivesse talento, se não tivesse competência, se não fosse amigo do povo – porque o PDT, compreendendo momentos políticos e sem ser partido hegemônico, apoiou a candidatura do Camilo”.

Na verdade, ao cobrar publicamente a eleição e a reeleição de Camilo, diminuindo a autoridade do governador diante da própria base aliada, Cid expressou uma compreensão particular de hegemonia, em que aliados são colocados em cargos eletivos por uma espécie de concessão política do seu grupo familiar. O recado foi claro: quem manda é quem tem voto.

O deputado federal petista José Guimarães disse no Twitter que “acabou a liança no Ceará”. Depois apagou a postagem, mas o registro já estava feito. E Camilo, como reagiu? Cid deixou o palanque sem anunciar formalmente apoio a Haddad. Logo depois o governador foi chamado para discursar e mandou ver:

“Boa noite! Tá um calor danado aqui, não tá. Quem tá com calor aí levanta o braço! (…) Queria cumprimentar e agradecer a presença de todos pedindo uma salva de palmas a todos vocês que estão aqui: prefeitos, prefeitas, vice-prefeitos prefeitos, vereadores, lideranças, deputados estaduais e deputados federais. (…) E queria cumprimentar o nosso senador Cid Ferreira Gomes, o senador mais votado proporcionalmente no País”.

Já imaginou alguém fazendo o mesmo quando Cid era governador? O fato é que agora Camilo terá que decidir entre PT e PDT. Não precisa romper, mas um posicionamento é inevitável. O governador, ao seu estilo conciliador, disse entender Cid, ressaltando que o momento é de união. Não é, definitivamente, o que Cid pensa sobre a relação entre seus partidos. Fingir que nada aconteceu, dizer que nem concorda e nem discorda, fragiliza a posição de quem precisa mostrar, por força do cargo, liderança e brilho próprio.

(Texto publicado originalmente no Portal Tribuna do Ceará)

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PT e PDT se estranham: em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão

Por Wanfil em Eleições 2018

13 de outubro de 2018

PT (?) e PDT – (FOTO: Divulgação)

O PT sabotou a candidatura de Ciro Gomes, atualmente no PDT, no início do ano, quando os partidos montavam suas coligações. Agora o PDT e o próprio Ciro Gomes, de férias na Europa, lavam as mãos no segundo turno e declaram um distante “apoio crítico”.

Magoados, petistas graúdos vazaram para o jornal o Estado de São Paulo que o PDT teria condicionado o engajamento na campanha de Fernando Haddad a cargos: três ministérios, o BNB e a presidência do Senado para Cid Gomes. O pedido teria sido negado.

Os pedetistas negam. O deputado federal pelo Ceará André Figueiredo disse ao portal Focus.jor que a informação é falsa, acusando ainda o PT de ser irresponsável  e safado. Isso bem no momento em que o governador Camilo Santana, petista que não se veste de vermelho, tenta motivar sua base aliada na campanha de Haddad. Base que é majoritariamente composta, não custa lembrar, por prefeitos e parlamentares do… PDT!

PT e PDT precisam discutir a relação o quanto antes, mas isso acaba sendo dificultado pela iminente derrota do candidato petista, caso estejam corretas as pesquisas, que mostram ampla vantagem para Jair Bolsonaro, do PSL. Nesse ambiente, ressentimentos guardados começam a aflorar com mais força.

Em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. Na política, em casa sem expectativa de poder, todos brigam e todos têm razão.

(Texto publicado originalmente para o Portal Tribuna do Ceará)

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Eleições Ceará: vitória do acordão e nova chance para a oposição

Por Wanfil em Eleições 2018

08 de outubro de 2018

Divulgação/Facebook

Reeleito com o recorde de 79% dos votos válidos, o governador  Camilo Santana (PT) superou até mesmo a votação dos seus seus padrinhos políticos Cid e Ciro Gomes. Apesar disso, a oposição também conseguiu alguns êxitos que ajudam a compor – lá vem o clichê! – o recado das urnas.

Eduardo Girão, do Pros, surpreendeu ao derrotar Eunício Oliveira (MDB), preside08nte do Senado que contava com o apoio pessoal do governador com a maior votação proporcional do País. Tem mais. Capitão Wagner (Pros) e André Fernandes (PSL) foram respectivamente os deputados federal e estadual mais votados no Ceará.

Como avaliar o bom desempenho de candidatos contrários a um governo com ampla aprovação? “O homem é o homem e suas circunstâncias” disse Ortega Y Gasset. Pois é, o estilo cordato de Camilo se casou perfeitamente com algumas das fragilidades e contradições da nossa cultura política. O pendor para a conciliação encontrou terreno fértil na tradição adesista da política cearense. O avanço sobre grupos regionais sem identidade ideológica clara foi tranquilo. Até lideranças e partidos de oposição mudaram de lado e para aderir em troca de apoio eleitoral, cargos e verbas.

Na verdade, essa disposição para a superação de divergências que noutros países parecem insuperáveis, é uma espécie de tradição brasileira, muito bem demonstrada na obra do historiador Paulo Mercadante, especialmente em “A consciência conservadora no Brasil”. Por um lado, evita conflitos diretos como guerras civis (Mercadante cita como exemplo a Guerra de Secessão americana, no Séc. 19); por outro, enfraquece valores, sempre acabam relativizados em nome do pragmatismo. No fim, as negociatas prevalecem sobre os princípios, que com o tempo, perdem o sentido e viram apenas pretextos para justificar as idas e vindas de grupos políticos para permanecer próximo ao poder. Mercadante viu tudo isso nas articulações de grupos conservadores na início da República no Brasil. Hoje, isso é notório, a esquerda assimilou a prática.

No Ceará, as virtudes da gestão Camilo conseguiram conter e reduzir desgastes causados por seus erros. Isso não é pouco. Mas o acordão que reuniu 24 partidos na sua base eleitoral, reunindo até desafetos recentes, e a cooptação de parte da oposição foram fundamentais para evitar percalços no caminho da reeleição. A oposição, por sua vez, ganhou de eleitores a chance de se reorganizar

Por fim, resta ver para onde soprarão os ventos da eleição presidencial. Isso pode mudar a relação de forças no estado, mas isso fica para outro texto.

(Texto publicado originalmente no Portal Tribuna do Ceará)

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Boatos, antipetismo e esperança cirista na véspera da eleição

Por Wanfil em Eleições 2018

06 de outubro de 2018

Véspera de eleição. Atenções voltadas para disputa presidencial. Ânimos exaltados entre eleitores, apoiadores, simpatizantes e pragmáticos das candidaturas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Liberalismo contra estatismo, petismo contra antipetismo, apoio à Lava Jato contra freio às investigações, corte de gastos contra ampliação de despesas. Notícias falsas de todos os lados, reducionismos, distorções sobre falas e intenções do adversários, boatos e mentiras transitando intensamente nas redes sociais.

O clima não é bom. Os candidatos não ajudam a amenizar seus grupos. Os discursos são de intolerância diante da divergência.

Por fora, correndo contra o tempo, Ciro Gomes (PDT), que apesar de falar em pacificação e união, também busca no alarmismo e no medo o impulso para uma arrancada de última hora.

A palavra da vez é “antipetismo”. Os partidos, é claro, recalibram suas estratégias na esperança de explorar o termo. Bolsonaristas a usam para pregar o voto útil. Petistas falam em manipulação eleitoreira, posando de vítimas. Ciristas garantem que seu candidato estaria imune ao antipetismo, ainda que venha a ser apoiado pelo petismo.

É preciso ter cuidado para não confundir o repúdio de grande parcela da população contra a corrupção e a violência, com uma mera antipatia partidária gratuita. É bom lembrar também que há uma rejeição contra os partidos em geral. Outras siglas, e talvez sejam todas, também sofrem com a perda da credibilidade.

O que pode haver de específico no antipetismo é o contraste entre o discurso messiânico de salvação da política e as práticas reveladas pela Lava Jato e outras investigações. Não só isso. A defesa dos preceitos politicamente corretos priorizou e atendeu a militância de grupos influentes e de minorias organizadas, mas deixou órfã a maioria silenciosa que paga a conta e que não possui canais de mobilização política.

O próprio Ciro avisou que essa polarização estava em curso e que poderia inviabilizar uma candidatura petista. Acabou isolado. O antipetismo cresce mais como reação ao que o petismo fez no poder do que pela ação planejada de adversários.

(Texto publicado originalmente para o Portal Tribuna do Ceará)

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Boatos, antipetismo e esperança cirista na véspera da eleição

Por Wanfil em Eleições 2018

06 de outubro de 2018

Véspera de eleição. Atenções voltadas para disputa presidencial. Ânimos exaltados entre eleitores, apoiadores, simpatizantes e pragmáticos das candidaturas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Liberalismo contra estatismo, petismo contra antipetismo, apoio à Lava Jato contra freio às investigações, corte de gastos contra ampliação de despesas. Notícias falsas de todos os lados, reducionismos, distorções sobre falas e intenções do adversários, boatos e mentiras transitando intensamente nas redes sociais.

O clima não é bom. Os candidatos não ajudam a amenizar seus grupos. Os discursos são de intolerância diante da divergência.

Por fora, correndo contra o tempo, Ciro Gomes (PDT), que apesar de falar em pacificação e união, também busca no alarmismo e no medo o impulso para uma arrancada de última hora.

A palavra da vez é “antipetismo”. Os partidos, é claro, recalibram suas estratégias na esperança de explorar o termo. Bolsonaristas a usam para pregar o voto útil. Petistas falam em manipulação eleitoreira, posando de vítimas. Ciristas garantem que seu candidato estaria imune ao antipetismo, ainda que venha a ser apoiado pelo petismo.

É preciso ter cuidado para não confundir o repúdio de grande parcela da população contra a corrupção e a violência, com uma mera antipatia partidária gratuita. É bom lembrar também que há uma rejeição contra os partidos em geral. Outras siglas, e talvez sejam todas, também sofrem com a perda da credibilidade.

O que pode haver de específico no antipetismo é o contraste entre o discurso messiânico de salvação da política e as práticas reveladas pela Lava Jato e outras investigações. Não só isso. A defesa dos preceitos politicamente corretos priorizou e atendeu a militância de grupos influentes e de minorias organizadas, mas deixou órfã a maioria silenciosa que paga a conta e que não possui canais de mobilização política.

O próprio Ciro avisou que essa polarização estava em curso e que poderia inviabilizar uma candidatura petista. Acabou isolado. O antipetismo cresce mais como reação ao que o petismo fez no poder do que pela ação planejada de adversários.

(Texto publicado originalmente para o Portal Tribuna do Ceará)