Maio 2018 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Maio 2018

Por que (quase) todos querem subir no palanque de Camilo?

Por Wanfil em Eleições 2018

23 de Maio de 2018

Palanque recorde no Ceará? Nelson Rodrigues explica: “As unanimidades decidem por nós”

Com a volta de Domingos Filho (PSD) para a base aliada de Camilo Santana (PT), já são 24 partidos no palanque governista.

Alianças eleitorais num sistema pluripartidário são normais, especialmente se resultam de afinidades programáticas e ideológicas. Eventualmente, partidos com orientações diferentes podem encontrar pontos em comum para firmar parcerias estratégicas. Raramente, partidos com mais diferenças que semelhanças se juntam por força das circunstâncias, como a necessidade de reformas diante de uma crise econômica, uma ameaça externa ou mesmo um adversário político comum.

Agora, quando partidos teoricamente incompatíveis celebram alianças, é sinal de que valores, ideias e programas foram subjugados por outros interesses. Quando esse tipo de anomalia contamina praticamente todo o sistema de representação, como ocorre no Ceará, quando a hegemonia governista é quase absoluta, é sinal de que além de interesses fisiológicos, outras questões se impuseram a esse cenário.

As perguntas que se impõem são óbvias e naturais: Como é que  o governo consegue seduzir tantos partidos? O que explica tamanha força de atração? A distribuição de cargos explica apenas parte das adesões. Ter cargos e verbas não basta para comprar apoio incondicional, como bem sabem Dilma e Temer. E se pensarmos bem, o inchaço governista no Ceará chegou a um estágio em que fica evidente que temos pouco Estado para tantos clientes (sim, de clientelismo).

E o qual seria então o amálgama capaz de reunir um grupo tão diverso de demandas e interesses? Talvez a melhor explicação esteja no mais básico instinto de autopreservação política.

Em um cenário de rejeição generalizada aos políticos tradicionais, a melhor forma de reduzir o perigo de não ser eleito é juntar forças e deixar o eleitor com menos opções para dar vazão a um possível desejo de mudança. O empenho em busca da quase unanimidade partidária é tão grande que, do alto do seu favoritismo eleitoral, deixa escapar uma pontinha de insegurança.

Por falar nisso, Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra, mas nesse caso, ela tenta ser mesmo é ser esperta. Esquerda, direita e centro misturados. Diferenças ideológicas e programáticas, traições, ofensas e humilhações são esquecidas em nome do maior acordão da história cearense em busca de um lugar no palanque governista.

Citando novamente Nelson, “as unanimidades decidem por nós”.  É isso. Querem decidir no lugar do eleitor.

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A voz de Ciro no PT

Por Wanfil em Eleições 2018

17 de Maio de 2018

A velha lição de Júlio César: “Divide et impera”

Camilo Santana disse, em entrevista ao Estadão, que a insistência do PT na candidatura de Lula é suicida. Defendeu que a melhor opção é embarcar agora na campanha de Ciro Gomes, do PDT, à presidência.

Em sentido contrário, a presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, declarou no início do mês que “Ciro não passa no PT nem com reza brava”. A senadora, que visita o ex-presidente regularmente na cadeia, hoje é a voz de Lula no PT.

Camilo nunca foi uma liderança proeminente dentro do petismo, mas a força do cargo empresta peso às suas palavras. Seu maior ativo eleitoral foi a legítima relação política com Cid e Ciro Gomes. Combinadas as circunstâncias, o governador cearense hoje é a voz de Ciro no PT.

Sem Lula para garantir a unidade do PT, as divisões internas tendem a se acirrar. É a oportunidade para os estrategistas de Ciro buscarem, quando menos, o apoio informal de lideranças regionais petistas já no primeiro turno, sobretudo no Nordeste, reeditando a histórica estratégia – pregada desde César até Maquiavel – de dividir para conquistar.

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O general tem chance?

Por Wanfil em Eleições 2018

14 de Maio de 2018

É a pergunta que mais tenho escuto há pelo menos duas semanas. Amigos, leitores, colegas jornalistas, ouvintes e até mesmo políticos querem saber um pouco mais sobre o general Guilherme Theophilo (PSDB), o pré-candidato surpresa da oposição para o Governo do Ceará.

É difícil, agora, nesse momento, oferecer ao interlocutor uma resposta que o satisfaça. O pesquisador americano Duncan Watts, no livro “Tudo é Óbvio”, explica que previsões exatas são possíveis dentro de sistemas razoavelmente simples. Prever com precisão a órbita de um satélite ou a velocidade para um avião decolar, embora sejam feitos espetaculares, é fácil: basta fazer os cálculos certos. O resto é física. Já adivinhar o valor do dólar no próximo mês ou qual série de televisão terá mais audiência é algo bem mais complexo, pois as variáveis econômicas, sociais e psicológicas envolvidas são muitas.

Só depois que o resultado aparece é que a maioria, olhando em perspectiva, considera-o óbvio. As explicações surgem aos montes, mas prever mesmo que é bom…

O mesmo vale para eleições. No máximo, é possível estabelecer probabilidades a partir de um conjunto de fatores, como base partidária, apoiadores, capacidade financeira, a conjuntura ou a eficácia da propaganda, podem influenciar. Nesse sentido, Camilo Santana (PT) é o favorito, isso ninguém discute. Até porque é mais conhecido e tem a máquina do estado. Em relação ao general Teophilo ainda existem muitas dúvidas, mas algumas condições pré-estabelecidas já podem ajudar na avaliação de perspectivas.

Seu perfil profissional combina com segurança pública e eficiência administrativa. Há uma parcela do eleitorado indisposta em relação a candidatos indicados pela família Ferreira Gomes, basta conferir os resultados das últimas eleições. Algo ali na casa dos 35%. É um outsider que conta com apoio de políticos experientes. É uma base que pode lhe dar alguma competitividade. As variáveis, repito, são muitas.

Por fim, a curiosidade dos que acompanham a política no dia a dia sobre é um indicativo interessante. Quando o candidato não tem potencial de crescimento, a regra é o desinteresse. O general tem chance? Eu diria que tem chance de conferir emoção a uma disputa que se anunciava sem graça. Já é mais do que esperavam, até uns dias atrás, o governo e a própria oposição.

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A cinco meses da eleição governo propõe Superintendência de Pesquisa para Segurança

Por Wanfil em Segurança

09 de Maio de 2018

Corrida contra o tempo: segurança e eleições terão novo encontro em outubro

A Assembleia Legislativa aprovou nesta quarta-feira o pedido de urgência para a tramitação de um projeto enviado pelo Governo do Estado, que cria a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública do Ceará (SUPESP).

O objetivo, de acordo com o texto enviado aos deputados, é “realizar pesquisas, estudos, projetos estratégicos e análise criminal para o fortalecimento da formulação da política de segurança pública“.

A urgência é compreensível. Faltam pouco menos de cinco meses para as eleições e de sete meses para o fim da atual gestão.

É bom saber que passados quase três anos e meio desde a eleição passada, quando a segurança pública foi o principal tema, e continuando a experiência dos oito anos do governo anterior, a formulação da política de segurança pública será finalmente fortalecida com pesquisas, estudos, projetos estratégicos e análise criminal.

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Ciro diz ter “desagrado profundo e definitivo” em caso de aliança com Eunício no Ceará

Por Wanfil em Política

08 de Maio de 2018

Em entrevista ao Band Eleições, na segunda-feira, Ciro Gomes foi questionado sobre a possibilidade de aliança do PDT com o MDB de Eunício Oliveira no Ceará.

Segue a resposta (grifos meus):

“Lá no Ceará eu estou resistindo muito bravamente. Lembre-se que quem está indo na sucessão lá é o governador Camilo Santana, do PT, que tem minha simpatia, e é a ele quem toca a última palavra da sua aliança. Porém eu tenho deixado com muita clareza a minha, digamos assim, insatisfação, o meu desagrado profundo e definitivo com isso que eu não considero razoável, menos por moralismo e mais porque nós acabamos de nos enfrentar. Acho que a gente tem que ter coerência.”

Reproduzo outro trecho:

“Com a quadrilha do MDB, vamos deixar claro, eu não quero negócio, porque isto aqui é um quadro simbólico.”

Mais um:

Essa quadrilha organizada em que se transformou o MDB tem que ser desmontada. Por quê? Porque eles hoje têm um poder imenso e não têm responsabilidade nenhuma com a sorte do povo, com a sorte da República. E vivendo de destruir governos.”

O recado é cristalino: é impossível dissociar as articulações nacionais das estaduais. E diante das colocações de Ciro, uma vez confirmada a coligação entre PT e MDB no Ceará, a única saída para o PDT manter a coerência seria o rompimento, menos por moralismo e mais por uma questão simbólica.

Confira a entrevista aqui:

 

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Ciro diz ter “desagrado profundo e definitivo” em caso de aliança com Eunício no Ceará

Por Wanfil em Política

08 de Maio de 2018

Em entrevista ao Band Eleições, na segunda-feira, Ciro Gomes foi questionado sobre a possibilidade de aliança do PDT com o MDB de Eunício Oliveira no Ceará.

Segue a resposta (grifos meus):

“Lá no Ceará eu estou resistindo muito bravamente. Lembre-se que quem está indo na sucessão lá é o governador Camilo Santana, do PT, que tem minha simpatia, e é a ele quem toca a última palavra da sua aliança. Porém eu tenho deixado com muita clareza a minha, digamos assim, insatisfação, o meu desagrado profundo e definitivo com isso que eu não considero razoável, menos por moralismo e mais porque nós acabamos de nos enfrentar. Acho que a gente tem que ter coerência.”

Reproduzo outro trecho:

“Com a quadrilha do MDB, vamos deixar claro, eu não quero negócio, porque isto aqui é um quadro simbólico.”

Mais um:

Essa quadrilha organizada em que se transformou o MDB tem que ser desmontada. Por quê? Porque eles hoje têm um poder imenso e não têm responsabilidade nenhuma com a sorte do povo, com a sorte da República. E vivendo de destruir governos.”

O recado é cristalino: é impossível dissociar as articulações nacionais das estaduais. E diante das colocações de Ciro, uma vez confirmada a coligação entre PT e MDB no Ceará, a única saída para o PDT manter a coerência seria o rompimento, menos por moralismo e mais por uma questão simbólica.

Confira a entrevista aqui: