Março 2018 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Março 2018

Virou rotina

Por Wanfil em Crônica

27 de Março de 2018

A rotina da insegurança e a lição de Santo Tomás: “o hábito aperfeiçoa a malícia”

Em resposta à recente onda de ataques criminosos no Ceará, o governador Camilo Santana voltou ao Facebook para defender as iniciativas de sua gestão. Uma rápida pesquisa no Google mostra que essa dinâmica de agressões ao Estado seguidas de explicações oficiais nas redes sociais virou uma espécie de rotina. Vez por outra se repete, não obstante os esforços e investimentos anunciados.

Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica IV, explica que “o hábito mau é pior do que os atos viciosos que logo passam”, porquanto “o hábito aperfeiçoa o ato em sua bondade ou em sua malícia”.

É claro que o governo não tem intenções maldosas no que diz respeito à crise na segurança, mas isso não muda o fato de que estamos diante de um mau hábito involuntário, no sentido de rotina. Assim, ser fizermos um paralelo com o tomismo, mais preocupante do que os atos criminosos em si, coordenados a partir de grupos organizados, é a sua repetição sistemática. Ônibus e prédios públicos como alvos para criar medo e constrangimento político.

Dito de outra forma, o problema é a falta de solução eficaz ou de ações que pelo menos o amenizem. Ainda de acordo com São Tomás de Aquino, “o hábito está no meio entre a potência e o ato”. Existe, portanto, o mal em potencial. Na comparação com os problemas de segurança pública no Ceará e no Brasil, essa potência se apresenta nas articulações do crime organizado, especialmente dentro dos presídios. Para que o mal não degenere em hábito, é preciso pois separar a potência do ato.

Amém.

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Fantasma da candidatura de Lula assombra candidatura de Ciro Gomes

Por Wanfil em Política

24 de Março de 2018

Discussões jurídicas à parte, carteirada ou não, casuísmo ou não, privilégio ou não, aceno à impunidade ou não, a liminar do STF que livrou Lula temporariamente da prisão teve efeitos políticos imediatos. O mais visível foi ressuscitar a candidatura do petista à Presidência da República. Quem pode garantir que um tribunal superior não possa conceder, sei lá, uma liminar que garanta seus planos? Ou que até mesmo anule a condenação do ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro?

A decisão do STF, da forma que se deu, com ministros alegando cansaço ou compromissos de modo a adiar a decisão para depois da Páscoa, com 12 dias de folga, conseguiu ampliar a enorme desconfiança geral sobre a seriedade de uma politizada Suprema Corte. A imagem de desprezo para com as urgências da nação e de desdém pelas instâncias inferiores reforça a sensação de insegurança jurídica nesse ano eleitoral.

Assim, a candidatura Lula, que estava praticamente descartada, volta a ser uma possibilidade colocada no horizonte. Isso muda o cenário para os partidos de esquerda. A iminente prisão de Lula, então admitida pelo próprio PT, animava as movimentações de líderes do PDT em busca de aliados para Ciro Gomes, que esperar herdar votos do ex-presidente para crescer nas pesquisas. Aliás, nos cenários sem Lula, realmente Ciro cresce. O pedetista já falava em disputar o segundo turno contra Alckmin, do PSDB. Alguns petistas já falavam sobre a possibilidade de apoiar Ciro no primeiro turno, em nome de uma união das esquerdas.

Agora será preciso esperar os próximos capítulos nos tribunais e, no caso de Ciro, rezar pela aplicação da Lei da Ficha Limpa. Nada que altere o palanque de Camilo, Cid e Eunício. Os interesses que unem PT, PDT e MDB no Ceará seguem preservados, pelo menos por enquanto.

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Segurança pública e eleições no Ceará: novas ideias, novas conquistas

Por Wanfil em Eleições 2018

20 de Março de 2018

Os péssimos resultados na área da segurança pública obrigaram o Governo do Ceará a reescrever seu discurso, com o duplo objetivo de reduzir o desgaste de imagem e impedir que opositores possam se beneficiar eleitoralmente da situação.

Seguidas campanhas eleitorais alimentaram na população uma expectativa de soluções de curto e médio prazos que não se concretizou, gerando imensa frustração. A menos de oito meses para as eleições, dificilmente o quadro agudo de insegurança será revertido. Não podendo mudar a realidade em tempo hábil, o jeito é mudar a conversa.

Dessa forma, mais do que meras desculpas de gestores sem resultados, as cobranças de apoio federal e as explicações sobre a complexidade do problema, com “décadas de falta de planejamento”, procuram constituir antes uma vacina contra eventuais candidaturas da oposição.

Convencer o público de que ninguém – notadamente governos estaduais – é capaz de resolver o problema da segurança, sugerindo que agora, somente agora, promessas nesse sentido são demagógicas e “exploração da desgraça”, é a melhor forma de desestimular, no eleitor, a vontade de mudar.

São novas ideias para novas conquistas… eleitorais.

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No Teatro do Acordão Ciro e Eunício agora se respeitam pelo bem do Ceará

Por Wanfil em Política

06 de Março de 2018

A arte de encenar requer muitas máscaras

Novos atos do Teatro do Acordão no Ceará foram encenados neste início de março. Ciro Gomes fala em agradecimento e diálogo com Eunício Oliveira, que por sua vez, fica feliz com o reconhecimento do presidenciável do PDT. Tudo devidamente registrado pela imprensa.

Por que chamo a isso de teatro? Simples. Pela contradição entre o novo e o velho discurso de ambos. Antes e continuar, faço uma ponderação.

Romper e reatar relações políticas é normal até um certo limite. É possível um partido discordar de um ponto programático de um ex-aliado e depois, em outra circunstância, estabelecer um acordo em nome de pontos convergentes. É perfeitamente aceitável uma pessoa rever posições e mudar de opinião. E em muitos casos, até mesmo um adversário em comum pode servir de elo estratégico em determinado momento. Isso é política.

Coisa muito diferente é um rompimento justificado por objeções de natureza ética ou moral. Ciro dizia até recentemente que Eunício era corrupto e membro de uma quadrilha que precisava ser banida da vida. Eunício rebatia chamando Ciro de desequilibrado e questionando a fonte de renda do adversário para insinuar discrepância entre receitas e despesas de seu desafeto. Não eram, portanto, meras divergências ideológicas ou conceituais sobre problemas específicos, mas considerações sobre falhas de caráter.

E o que os fez mudar? Segundo eles mesmos, a defesa dos interesses do Estado do Ceará e dos cearenses, que estariam acima de diferenças pessoais. O fato de haver eleições neste ano seria somente uma coincidência. Nessa peça fica difícil é saber onde termina a comédia e onde começa a tragédia.

Curiosamente, até o momento, nenhum dos dois disse que estavam errados ou que pelo menos que exageraram. Voltam assim a acenar com a possibilidade de voltarem a compartilhar o mesmo projeto político, sem retirarem nada do que disseram um do outro. É muito amor pelo Ceará.

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A História do “golpe”

Por Wanfil em Ideologia

02 de Março de 2018

Os jornais informam que o curso de História da Universidade Federal do Ceará brindará a ciência e seus alunos com aulas sobre o “Golpe de 2016 e a Futuro da Democracia no Brasil”, ofertadas na disciplina “Tópicos Especiais em História 4”.

Não surpreende. Quando cursei História na UFC, nos idos dos 90, testemunhei o professor Eurípedes Funes explicando, em sala de aula, que a criação dos agentes de saúde pelo governo do Ceará não passava de uma estratégia da elite para impedir a revolução camponesa.

Lembro também que a professora Adelaide Gonçalves convidou os alunos do primeiro semestre, já no final da aula mas ainda em horário de expediente (pago pelo contribuinte), para uma reunião que teria o objetivo de ajudar na construção do plano de governo do então candidato Lula. Esse alinhamento não é casual ou aleatório. É padrão.

A obsessão pela hegemonia cultural, o proselitismo ideológico e partidário explícito nas universidades brasileiras, a militância travestida de isenção científica é uma velha História.

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Você acha que os gastos públicos precisam de mais transparência? O Movimento Renasce também

Por Wanfil em Ceará

02 de Março de 2018

O Renasce quer reunir pessoas de diferentes áreas para fiscalizar gastos públicos e renovar a política. O lançamento será nesta sexta-feira, às 19 h, no hotel Gran Marquise

Se tem uma coisa que aprendi nos últimos anos acompanhando a cobertura política é que o discurso de transparência na prestação e contas dos gastos públicos não corresponde na prática a uma transparência total. As leis e os portais representaram avanços, mas as brechas, exceções, omissões e imprecisões são muitas. 

Tente descobrir onde um vereador, qualquer um, gastou o auxílio-alimentação no mês passado. Eles não são obrigados a apresentar comprovantes. Tente perguntar em que postos de gasolina deputados abastecem a frota de seus gabinetes, com as respectivas notas fiscais. Nada. O mesmo vale para secretários de governo. Como gastam as diárias de viagem? Onde estão os contratos de locação de imóveis para justificar os famosos auxílios-moradia? Ninguém precisa comprovar detalhes, mas é nos detalhes que o diabo mora. Não dá para esperar, como nas fábulas, que o lobo tome conta do galinheiro.

Por isso merece destaque o lançamento, nesta sexta-feira, do movimento Renasce, formado por um grupo suprapartidário de profissionais de diversas áreas, inspirados por ideias ligadas ao pensamento liberal (que no Ceará tem tradição, a começar pelo pioneirismo dos movimentos abolicionistas). Conversei com Rodrigo Marinho, um dos organizadores do grupo. O objetivo é acompanhar e cobrar a correta aplicação dos recursos públicos, reunir pessoas preocupadas com a atual situação do Estado e fomentar o surgimento de novas lideranças.

O encontro será no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza, às 19 h, e contará com palestra do senador Tasso Jereissati sobre a experiência de mobilização da sociedade civil no Centro Industrial do Ceará nos anos 70 e 80 até a chegada ao governo em 87. O caso é visto como uma espécie de modelo de organização externa que gerou efeitos práticos transformadores na política e na gestão pública. Quanto mais gente de olho, melhor.

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Você acha que os gastos públicos precisam de mais transparência? O Movimento Renasce também

Por Wanfil em Ceará

02 de Março de 2018

O Renasce quer reunir pessoas de diferentes áreas para fiscalizar gastos públicos e renovar a política. O lançamento será nesta sexta-feira, às 19 h, no hotel Gran Marquise

Se tem uma coisa que aprendi nos últimos anos acompanhando a cobertura política é que o discurso de transparência na prestação e contas dos gastos públicos não corresponde na prática a uma transparência total. As leis e os portais representaram avanços, mas as brechas, exceções, omissões e imprecisões são muitas. 

Tente descobrir onde um vereador, qualquer um, gastou o auxílio-alimentação no mês passado. Eles não são obrigados a apresentar comprovantes. Tente perguntar em que postos de gasolina deputados abastecem a frota de seus gabinetes, com as respectivas notas fiscais. Nada. O mesmo vale para secretários de governo. Como gastam as diárias de viagem? Onde estão os contratos de locação de imóveis para justificar os famosos auxílios-moradia? Ninguém precisa comprovar detalhes, mas é nos detalhes que o diabo mora. Não dá para esperar, como nas fábulas, que o lobo tome conta do galinheiro.

Por isso merece destaque o lançamento, nesta sexta-feira, do movimento Renasce, formado por um grupo suprapartidário de profissionais de diversas áreas, inspirados por ideias ligadas ao pensamento liberal (que no Ceará tem tradição, a começar pelo pioneirismo dos movimentos abolicionistas). Conversei com Rodrigo Marinho, um dos organizadores do grupo. O objetivo é acompanhar e cobrar a correta aplicação dos recursos públicos, reunir pessoas preocupadas com a atual situação do Estado e fomentar o surgimento de novas lideranças.

O encontro será no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza, às 19 h, e contará com palestra do senador Tasso Jereissati sobre a experiência de mobilização da sociedade civil no Centro Industrial do Ceará nos anos 70 e 80 até a chegada ao governo em 87. O caso é visto como uma espécie de modelo de organização externa que gerou efeitos práticos transformadores na política e na gestão pública. Quanto mais gente de olho, melhor.