Janeiro 2018 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Janeiro 2018

É possível falar de política com amor?

Por Wanfil em Crônica

12 de Janeiro de 2018

Nesses tempos de radicalismos de internet tomei, por acaso, conhecimento de um episódio envolvendo a comediante americana Sarah Silverman. Alvo de pesado xingamento no Twitter, Sarah respondeu ao insulto demonstrando preocupação com a condição emocional de seu agressor virtual: “Li seus tweets e vi o que você está fazendo. Seu ódio claramente quer esconder sua dor. Eu conheço estes sentimentos”. Realmente o sujeito tinha problemas, pediu desculpas e aceitou a sugestão de procurar ajuda profissional. Ao contar o caso para minha esposa, psicóloga, ela imediatamente o associou ao conceito de “comunicação não-violenta”, que a empolga e contagia quem a ouve.

Pois bem, essas considerações me fizeram lembrar das ofensas diárias trocadas nas redes sociais por causa de política. Muitas vezes gente bacana que levada pelo impulso, extravasa e exagera na hora de se posicionar diante de opiniões alheias e de algumas notícias. Ora, se foi possível para a comediante responder a um insulto com amor, no sentido de preocupação com o bem estar do outro, talvez também seja possível as pessoas falarem de política com respeito pelo interlocutor, ainda que se discorde do que ele diz e pensa.

Quando falo em política neste texto, não penso apenas em partidos, candidatos ou eleição, mas na legítima preocupação que indivíduos podem manifestar sobre o conjunto de regras e meios para construir uma vida em sociedade. Nesse sentido, é possível sim falar de política com amor, ou pelo menos, sem ódio.

O primeiro passo é não esperar que os outros tomem a iniciativa. Não acuse más intenções neles, não atribua-lhes crimes nem xingue ninguém. Respeite a divergência. Cada um tem suas razões quando pensa a realidade, que podem muito bem ser diferentes das suas, sem que isso signifique desejo de impor um mal aos demais.

O segundo passo é não entrar na vibração desequilibrada. Se você for alvo de um hater (apelido para internautas que sentem necessidade de provocar e brigar o tempo inteiro), lembre que tudo o que ele deseja é uma reação destemperada. Caso seja alguém conhecido, que por algum motivo o surpreenda agindo assim, diga que volta a conversar depois, com os ânimos serenados. Levar adiante um debate em termos violentos não constrói nada e ainda te deixa chateado, perturbando seu estado de espírito a troco de nada.

O terceiro é o comedimento. Se não por possível ter o mínimo de empatia pelo outro, ignore-o. Não torça para que o pior aconteça com essa pessoa, não deixe que instintos ruins floresçam. É só bloquear e pronto. Se for o caso de postar uma crítica, não custa lembrar que é possível fazer isso com educação e elegância, ainda que se trate de algo espinhoso.

E o quarto é ter responsabilidade na escolha das palavras, sobretudo dos adjetivos. Tenho amigos que nutrem admiração por políticos que particularmente eu desprezo. Certamente, o mesmo acontece com sinal invertido: eles podem não apreciar políticos que admiro. Mas em respeito à amizade que temos, evito usar expressões que possam dar a entender que todos os que gostam desse ou daquele político são cúmplices de seus erros ou crimes, ou dos seus supostos erros e crimes.

Claro que política também envolve paixão e disputa, e que o sentimento de indignação é compreensível quando as coisas não estão bem. Principalmente onde escândalos em série potencializam essas propensões. Mas quando isso se mistura com outros problemas, ressentimentos e frustrações, a pessoa indignada pode acabar extrapolando limites, confundir a própria sensibilidade e até desnortear a consciência, descontando tudo em quem pensa ou vota diferente dela.

Quando Sarah Silverman percebeu que a agressividade de seu detrator era reflexo de outros males, conseguiu não entrar na espiral de sensações negativas da troca de insultos gratuita. É por aí.

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Cristiane Brasil e Lula: condenados podem ou não podem pleitear cargos públicos?

Por Wanfil em Política

11 de Janeiro de 2018

A pergunta do título não tem por objetivo avaliar a legislação sobre Ficha Limpa e coisas tais. É antes retórica e diz respeito ao aspecto moral que envolve a questão.

Óbvio que a nomeação de pessoa condenada pela Justiça do Trabalho para comandar o Ministério do Trabalho é uma ideia descabida. Que autoridade teria, se não pode apresentar a própria conduta como exemplo de respeito às leis trabalhistas?

Sendo assim, a polêmica envolvendo a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) e o governo Michel Temer é compreensível.

O curioso é que partidos de esquerda, especialmente PT e PDT, não tomaram posição nesse debate. Criticam a parlamentar por outros episódios, mas não pela tentativa de nomeação, que aliás foi suspensa pela Justiça Federal. Onde estão os sindicatos para dizer que não aceitam negociar com uma condenada para o Ministério do Trabalho? Cadê a CUT?

O silêncio é revelador. “Há coisas que melhor se dizem calando”, já dizia Machado de Assis em Brás Cubas. É que a premissa do impedimento moral por causa de condenação judicial vale também para outra figura: Lula da Silva, pré-candidato petista ao Palácio do Planalto, condenado em primeira instância a nove anos de prisão por corrupção e prestes a ser julgado em segunda instância.

A lógica moral é a mesma. Que autoridade teria um presidente nessa condição para editar medidas provisórias isentando impostos para um setor da economia? Especialmente para aqueles setores com os quais mantinha relações indevidas, como revelou a Lava Jato? A suspeita de favorecimento ilegal seria automática. Esse é só um exemplo. Como poderia um presidente condenado por corrupção demitir um ministro condenado por corrupção?

Assim, por conveniência, as supostas entidades de representação dos trabalhadores fazem de conta que nem sabem direito quem é Cristiane Brasil, não obstante o fato de ser filha de Roberto Jefferson, aquele do Mensalão. Os partidários da deputada acusam injustamente de perseguição do PT. É só uma desculpa para insistir na indicação, na esperança de ganhar a simpatia de antipetistas. Não cola.

A maior diferença entre Lula e Cristiane, no que concerne aos problemas de cada um com a justiça, é que corrupção é muito mais grave que uma irregularidade trabalhista. Neste, o caso foi reparado, naquele, o prejuízo atingiu as vidas de milhões de brasileiros, que agora pagam a conta.

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Previsões eleitoreiras

Por Wanfil em Eleições 2018

08 de Janeiro de 2018

Volto das férias e as perguntas que mais ouço dizem respeito a previsões eleitorais. Quem serão os candidatos, se Lula disputará, se Camilo Santana não terá adversário forte, se Tasso concorrerá ao governo estadual, se Cid Gomes subirá no mesmo palanque com Eunício Oliveira. Tem outras, mas não quero me alongar.

Invariavelmente digo que são questões impossíveis de serem respondidas agora com razoável grau de exatidão. Isso não quer dizer que tudo seja mistério. Na verdade, muitas coisas são fáceis de antever. É o que chamarei aqui de “previsões” eleitoreiras, mas que são apenas constatações de métodos consagrados no tempo, pois todo ano novo de eleição é marcado politicamente por velhas práticas. Cito algumas aqui, que o leitor poderá verificar sem maiores dificuldades no dia a dia.

– Aumento de viaturas circulando nas maiores cidades;
– Guardas fixos nas esquinas de maior visibilidade (foi um sucesso em 2010);
– Canteiros de obras do Metrofor apinhados de operários (bombou em 2012 e 2014);
– Inauguração de obra ainda não concluída;
– Isenção de taxas para serviços populares (emissão carteiras de motorista e ampliação de passes livres para o transporte público, por exemplo);
– Distribuição efetiva de remédios (deixam de faltar);
– Liberação de emendas parlamentares para atender lideranças e entidades selecionadas pelo potencial de voto que podem arregimentar;
– Retomada de programas e projetos parados (financiamento de bolsas, construção de casas populares, etc.);
– 
Intensificação de ações assistencialistas com distribuição de dinheiro (agora no Ceará é a vez do Cartão Mais Infância).

Pronto. Tudo isso (e um pouco mais) é comum em ano eleitoral, com variações de intensidade e preferência, de estilo e orçamento. São as engrenagens, ou parte das engrenagens, da máquina eleitoreira. Não tem como errar a “previsão”. Depois – outra constatação histórica – volta tudo ao normal.

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Previsões eleitoreiras

Por Wanfil em Eleições 2018

08 de Janeiro de 2018

Volto das férias e as perguntas que mais ouço dizem respeito a previsões eleitorais. Quem serão os candidatos, se Lula disputará, se Camilo Santana não terá adversário forte, se Tasso concorrerá ao governo estadual, se Cid Gomes subirá no mesmo palanque com Eunício Oliveira. Tem outras, mas não quero me alongar.

Invariavelmente digo que são questões impossíveis de serem respondidas agora com razoável grau de exatidão. Isso não quer dizer que tudo seja mistério. Na verdade, muitas coisas são fáceis de antever. É o que chamarei aqui de “previsões” eleitoreiras, mas que são apenas constatações de métodos consagrados no tempo, pois todo ano novo de eleição é marcado politicamente por velhas práticas. Cito algumas aqui, que o leitor poderá verificar sem maiores dificuldades no dia a dia.

– Aumento de viaturas circulando nas maiores cidades;
– Guardas fixos nas esquinas de maior visibilidade (foi um sucesso em 2010);
– Canteiros de obras do Metrofor apinhados de operários (bombou em 2012 e 2014);
– Inauguração de obra ainda não concluída;
– Isenção de taxas para serviços populares (emissão carteiras de motorista e ampliação de passes livres para o transporte público, por exemplo);
– Distribuição efetiva de remédios (deixam de faltar);
– Liberação de emendas parlamentares para atender lideranças e entidades selecionadas pelo potencial de voto que podem arregimentar;
– Retomada de programas e projetos parados (financiamento de bolsas, construção de casas populares, etc.);
– 
Intensificação de ações assistencialistas com distribuição de dinheiro (agora no Ceará é a vez do Cartão Mais Infância).

Pronto. Tudo isso (e um pouco mais) é comum em ano eleitoral, com variações de intensidade e preferência, de estilo e orçamento. São as engrenagens, ou parte das engrenagens, da máquina eleitoreira. Não tem como errar a “previsão”. Depois – outra constatação histórica – volta tudo ao normal.