Março 2017 - Página 2 de 2 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Março 2017

Assembleia tenta enquadrar TCM e acaba enquadrada pelo STF e o Senado

Por Wanfil em Política

10 de Março de 2017

Sede da Assembleia Legislativa do Ceará, devidamente enquadrada

Segue tramitando na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, a PEC que proíbe a extinção de tribunais de contas por iniciativa dos legislativos estaduais. A informação foi confirmada pelo presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB), após encontro com Domingos Filho, do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará.

Como todos sabem, no final do ano passado a maioria governista na Assembleia Legislativa aprovou um projeto do deputado de oposição Heitor Férrer (PSB), acabando com o TCM, alegando corte de gastos. Foi uma retaliação contra Domingos, por causa de um racha na base aliada.

O caso foi parar no STF, que suspendeu a decisão por causa de problemas na tramitação do projeto, tocado às pressas no apagar das luzes de 2016. Governistas chegaram a ameaçar entrar com outro projeto, mas nesse meio tempo Eunício Oliveira assumiu o comando do Senado e acabou com a brincadeira.

A humilhação é o preço que os aliados de Cid e Ciro Gomes e o próprio Heitor pagam por deixarem o parlamento ser rebaixado a instrumento de vingança do governo estadual. Pior ainda que mesmo com o apoio do governador Camilo Santana e do presidente da AL, Zezinho Albuquerque, a base fracassou, dando tempo a uma reação.

O Senado também aceitou entrar nesse jogo de intriga, é verdade, mas não foi, como aqui, por subserviência. Ninguém realmente está muito preocupado em melhorar o controle de contas públicas, mas que a base aliada na Assembleia não precisava de mais esse vexame, não precisava.

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FHC lembra que caixa 2 e corrupção são crimes diferentes, mas o problema é outro: ambos são trapaças

Por Wanfil em Corrupção

08 de Março de 2017

Delatores da Lava-Jato afirmam que praticamente todos os partidos receberam doações de empreiteiras pelo caixa 2. Não é, convenhamos, novidade. O que pode complicar a situação de um ou de outro é a origem do dinheiro: se for de corrupção, com desvio de verbas públicas, as penas endurecem bastante.

Como no escuro da noite todos os gatos são pardos, acusados sem saída optam pelo mal menor, confessando o caixa 2, mas negando envolvimento com propinas. A grande dúvida agora é saber quem montou seu caixa 2 prometendo influência aos doadores (uma espécie de preliminar para futuras negociatas) e quem o fez com dinheiro roubado da Petrobras e de contratos fraudulentos com governos. Todos já temos uma ideia a respeito, mas é preciso esperar as provas.

Sobre essa dificuldade de separar o crime menor do crime maior após um delator citar um pedido de dinheiro supostamente feito por Aécio Neves, o ex-presidente FHC divulgou nota. Reproduzo aqui um trecho:

“Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção. Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais” .

Do ponto de vista jurídico, está certíssimo. Que cada um pague conforme seus atos, ora bolas. Mas existe algo que FHC parece não querer entender. É que do ponto de vista moral e político, caixa 2 e propina não se diferenciam tanto, pois além de crimes, são essencialmente trapaças. E ninguém aguenta mais trapaceiros. A desconfiança generalizada não é criação da imprensa, mas resultado de imposturas protagonizadas há décadas por partidos e políticos de todas as ideologias, com exceções que apenas confirmam a regra.

Se as delações não forem passadas a limpo antes das eleições – e tudo indica que não serão -, candidatos mencionados, se insistirem em disputar, terão que arcar com o peso delas.

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Dandara e a intolerância que há em nós

Por Wanfil em Crônica

07 de Março de 2017

O brutal assassinato da travesti Dandara, em Fortaleza, chocou pela violência gratuita e covarde expressa em imagens compartilhadas nas redes sociais: um grupo de cinco homens atacando uma pessoa indefesa. O motivo foi ódio à condição homossexual da vítima; a oportunidade se deu com a circunstancial diferença numérica entre agressores e agredido: eram muitos contra um.

A reação de autoridades e entidades civis, bem como a repercussão na imprensa e a rápida resposta com a prisão de suspeitos condiz com a gravidade dos fatos. Que sejam todos devidamente punidos como exemplo pedagógico de que a dignidade humana não tem sexo.

Embora a questão de gênero seja naturalmente colocada no caso em questão, existe outro aspecto, um pouco mais de fundo, a ser observado nesse caso: a cultura de exaltação à intolerância, que tem nas redes sociais seus veículos mais eficientes, e que pode atingir os mais diversos grupos e indivíduos. Negros, mulheres e nordestinos, por exemplo, costumam ser alvos de manifestações racistas, misóginas e xenofóbicas nesses ambientes. Isso é fato. Mas não para por aí. Esportes, política, religião e ideologia, tudo pode ser motivos para a intolerância, para o desprezo à pluralidade, à diferença.

Especialistas dizem que as sensações de anonimato, de distância e de grupo estimulam a agressividade em certas pessoas. Há nisso ressentimentos, frustrações, covardia e medo. Parece algo distante, exclusivamente virtual, até que uma pessoa como Dandara ou algum torcedor de time de futebol acabem assassinados por nada.

Qual a solução para a cultura da intolerância? É fácil ver o mal nos outros, em nós mesmos é que é difícil. Uma cultura, porém, é algo que se enraíza por todo o corpo social, por mais que lavemos as mãos. Correntes de difamações, compartilhamento de informações falsas, disseminação de rótulos degradantes e apelidos pueris fazem parte das nossas timelines, como se diz na internet.

Até que ponto consentimos com isso? Até que ponto somos veículos, voluntários ou involuntários, desses conteúdos carregados de desprezo pelo que nos é diferente? Isso vale especialmente para nós, formadores de opinião. Não significa deixar de discordar com sobriedade, de abdicar da divergência de ideias ou de aceitar tudo, mas de compreender que até entre as pessoas que gostamos, amigos e parentes, existem opiniões diferentes e que isso nãos as torna inimigas nossas. Quanto mais, quem não conhecemos.

É claro que a culpa e a responsabilidade pela morte de Dandara recai sobre os seus assassinos, indivíduos que decidiram agir, em última instância, de acordo com o livre arbítrio que todos possuímos. Que sejam, repito, punidos. No entanto, o homem é produto do seu tempo. E como mostrou Hannah Arendt, sem um exame de consciência de cada um sobre seus atos, indivíduos podem, ainda que por omissão, ajudar a construir uma sociedade em que o mal passa a ser uma banalidade. Que sejamos vigilantes com o que fazemos em relação à tolerância e o respeitos aos outros.

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Odebrecht usou cervejaria com amigos no Ceará para disfarçar propina

Por Wanfil em Corrupção

03 de Março de 2017

A imprensa nacional repercute o depoimento de Marcelo Odebrecht à Justiça Eleitoral, que confessou, entre outros crimes, ter usado a Cervejaria Petrópolis para terceirizar doações para o caixa dois para a campanha de Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014. A empresa, que pertence ao enrolado empresário Walter Farias, é dona da marca Itaipava, “a cerveja 100%”.

Não há notícias de doações da cervejaria para candidatos no Ceará. Não significa dizer que a empresa não tenha relações influentes no Estado. Veja um resumo do que o blog já publicou a respeito nos posts A cerveja 100% e Justiça põe água no chope de Cid Gomes:

Segundo reportagem da revista Época, em 2014 a Petrópolis renegociou um empréstimo de R$ 830 milhões com o BNB, que liberou a empresa de oferecer garantias para sua quitação, manobra de interesse político que gerou insatisfação interna junto aos técnicos do banco. Logo em seguida, a cervejaria doou R$ 17,5 milhões para a candidata Dilma Rousseff.

Também em 2014, a Petrópolis fechou acordo para alugar um galpão em Sobral, que ainda seria construído pelo então governador Cid Gomes e um sócio. Valor do aluguel: R$ 36 mil mensais, de acordo com outra matéria da Época. No mesmo ano, o BNB emprestou em condições especiais R$ 1,3 milhão de reais para uma empresa de Cid construir o tal galpão. O financiamento foi questionado pelo Ministério Público e Cid agora é réu em processo que corre na Justiça Federal sobre o caso.

E o que tem a ver o caso da propina com tudo isso? Além da cervejaria de Walter Farias, das datas, da relação com a campanha de Dilma e da proximidade de todos com o BNB na gestão petista, nada. Nadinha. São casos distintos que apenas mostram como o mundo é pequeno. É 100% coincidência.

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Corriola petista na rede me acusa de defender Temer porque não defendo Lula. Não adianta: são farinha do mesmo saco!

Por Wanfil em Ideologia

02 de Março de 2017

Pois é… Foto original: R.Stucker/Instituto Lula

O post anterior, em que fiz uma crítica sobre a cobertura que, a meu ver, exageraram os protestos contra o presidente Michel Temer no Carnaval, atiçou militantes e simpatizantes petistas que agora voltam a ficar assanhados na expectativa de uma possível candidatura de Lula em 2018.

Não por acaso, a maioria dos comentários foi de estudantes e professores da UFC, a mais tradicional escolinha de doutrinação do Ceará. O português é sofrível e a argumentação tosca, com xingamentos. Só não me chamaram de ladrão porque essa palavra foi riscada da lista de ofensas usada pela militância, em razão do telhado de vidro.

Estão atiçados por ordem de partidos de esquerda. Grupos de universitários (professores e alunos) formam a massa de manobra especializada que atuam como “agentes de influência”. As redações, também repletas de agentes de influência, captam o movimento e tocam o tambor.

Foi o que apontei. Não se trata de defender Temer, que isso é perda de tempo. O PMDB é o que sempre foi e faz o que sempre fez, todos sabem. Ocorre que, apesar disso, simplesmente não houve um tsunami de revoltas no Carnaval contra Temer. Não significa dizer que ele não mereça ou que tenha apoio da população, nada disso. Sua impopularidade é imensa, mas não existe ainda uma movimentação de rua ou coisa que o valha que corresponda aos índices apontados pelas pesquisas, por razões que não foram objeto do texto anterior, nem desse.

Mas o que interessa ao militante petista – e seu comendo, claro – é apontar para os que não repetirem suas palavras de ordem, gritando que estes atuam a serviço do “governo golpista”. Preparam assim terreno para a próxima palavra de ordem, que é claro, será o “volta Lula”, como se o “companheiro” nunca tivesse tirado proveito dos vícios dos peemedebistas, sendo ele mesmo, e não eu, sócio deles nas falcatruas reveladas pela Lava-Jato.

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“Fora Temer” foi o hit do Carnaval? Menos, gente…

Por Wanfil em Política

01 de Março de 2017

Foto utilizada pelo PT para ilustrar o “Fora Temer” de Carnaval. Sem bandeiras vermelhas ou cartazes. É a tentativa de construir um “enredo” para a imprensa (Fernando Maia/Riotur)

O site do PT publicou texto afirmando que “Fora Temer” foi o hit do Carnaval 2017, “mais do que qualquer outra música do verão”. Antes de embarcar em releases partidários é preciso rigor redobrado na avaliação dos fatos.

Sim, a expressão “Fora Temer” foi entoada como palavra de ordem aqui e ali. No entanto, não há nada que endosse o tom apoteótico e ensurdecedor sugerido pela agência petista. Além do mais, a irreverência crítica contra políticos é comum nos carnavais.

Temer consegue ser tão impopular quanto Dilma, conforme atestam as pesquisas. Além das manobras contra a Lava-Jato, pesa contra ele uma rejeição de base, que reúne eleitores do PT que o consideram traidor, com aqueles que não votaram em Dilma (e em Temer), indignados desde antes das eleições com a situação do País.

Simpatizantes e militantes do PT se misturaram a foliões de todos os credos para protestar contra a política, elegendo Temer como alvo. Foi isso. Não existe aí um “volta Lula”, que é o que se tenta construir agora. Cuidado, pessoal. Eles são bons em fabricar “narrativas”. Nesse caso, ainda em clima de Carnaval, são bons em criar enredos para a imprensa cantar.

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“Fora Temer” foi o hit do Carnaval? Menos, gente…

Por Wanfil em Política

01 de Março de 2017

Foto utilizada pelo PT para ilustrar o “Fora Temer” de Carnaval. Sem bandeiras vermelhas ou cartazes. É a tentativa de construir um “enredo” para a imprensa (Fernando Maia/Riotur)

O site do PT publicou texto afirmando que “Fora Temer” foi o hit do Carnaval 2017, “mais do que qualquer outra música do verão”. Antes de embarcar em releases partidários é preciso rigor redobrado na avaliação dos fatos.

Sim, a expressão “Fora Temer” foi entoada como palavra de ordem aqui e ali. No entanto, não há nada que endosse o tom apoteótico e ensurdecedor sugerido pela agência petista. Além do mais, a irreverência crítica contra políticos é comum nos carnavais.

Temer consegue ser tão impopular quanto Dilma, conforme atestam as pesquisas. Além das manobras contra a Lava-Jato, pesa contra ele uma rejeição de base, que reúne eleitores do PT que o consideram traidor, com aqueles que não votaram em Dilma (e em Temer), indignados desde antes das eleições com a situação do País.

Simpatizantes e militantes do PT se misturaram a foliões de todos os credos para protestar contra a política, elegendo Temer como alvo. Foi isso. Não existe aí um “volta Lula”, que é o que se tenta construir agora. Cuidado, pessoal. Eles são bons em fabricar “narrativas”. Nesse caso, ainda em clima de Carnaval, são bons em criar enredos para a imprensa cantar.