08/03/2017 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

08/03/2017

FHC lembra que caixa 2 e corrupção são crimes diferentes, mas o problema é outro: ambos são trapaças

Por Wanfil em Corrupção

08 de Março de 2017

Delatores da Lava-Jato afirmam que praticamente todos os partidos receberam doações de empreiteiras pelo caixa 2. Não é, convenhamos, novidade. O que pode complicar a situação de um ou de outro é a origem do dinheiro: se for de corrupção, com desvio de verbas públicas, as penas endurecem bastante.

Como no escuro da noite todos os gatos são pardos, acusados sem saída optam pelo mal menor, confessando o caixa 2, mas negando envolvimento com propinas. A grande dúvida agora é saber quem montou seu caixa 2 prometendo influência aos doadores (uma espécie de preliminar para futuras negociatas) e quem o fez com dinheiro roubado da Petrobras e de contratos fraudulentos com governos. Todos já temos uma ideia a respeito, mas é preciso esperar as provas.

Sobre essa dificuldade de separar o crime menor do crime maior após um delator citar um pedido de dinheiro supostamente feito por Aécio Neves, o ex-presidente FHC divulgou nota. Reproduzo aqui um trecho:

“Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção. Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais” .

Do ponto de vista jurídico, está certíssimo. Que cada um pague conforme seus atos, ora bolas. Mas existe algo que FHC parece não querer entender. É que do ponto de vista moral e político, caixa 2 e propina não se diferenciam tanto, pois além de crimes, são essencialmente trapaças. E ninguém aguenta mais trapaceiros. A desconfiança generalizada não é criação da imprensa, mas resultado de imposturas protagonizadas há décadas por partidos e políticos de todas as ideologias, com exceções que apenas confirmam a regra.

Se as delações não forem passadas a limpo antes das eleições – e tudo indica que não serão -, candidatos mencionados, se insistirem em disputar, terão que arcar com o peso delas.

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FHC lembra que caixa 2 e corrupção são crimes diferentes, mas o problema é outro: ambos são trapaças

Por Wanfil em Corrupção

08 de Março de 2017

Delatores da Lava-Jato afirmam que praticamente todos os partidos receberam doações de empreiteiras pelo caixa 2. Não é, convenhamos, novidade. O que pode complicar a situação de um ou de outro é a origem do dinheiro: se for de corrupção, com desvio de verbas públicas, as penas endurecem bastante.

Como no escuro da noite todos os gatos são pardos, acusados sem saída optam pelo mal menor, confessando o caixa 2, mas negando envolvimento com propinas. A grande dúvida agora é saber quem montou seu caixa 2 prometendo influência aos doadores (uma espécie de preliminar para futuras negociatas) e quem o fez com dinheiro roubado da Petrobras e de contratos fraudulentos com governos. Todos já temos uma ideia a respeito, mas é preciso esperar as provas.

Sobre essa dificuldade de separar o crime menor do crime maior após um delator citar um pedido de dinheiro supostamente feito por Aécio Neves, o ex-presidente FHC divulgou nota. Reproduzo aqui um trecho:

“Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção. Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais” .

Do ponto de vista jurídico, está certíssimo. Que cada um pague conforme seus atos, ora bolas. Mas existe algo que FHC parece não querer entender. É que do ponto de vista moral e político, caixa 2 e propina não se diferenciam tanto, pois além de crimes, são essencialmente trapaças. E ninguém aguenta mais trapaceiros. A desconfiança generalizada não é criação da imprensa, mas resultado de imposturas protagonizadas há décadas por partidos e políticos de todas as ideologias, com exceções que apenas confirmam a regra.

Se as delações não forem passadas a limpo antes das eleições – e tudo indica que não serão -, candidatos mencionados, se insistirem em disputar, terão que arcar com o peso delas.