Janeiro 2017 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Janeiro 2017

“Justiça ou cemitério”. É assim que se fala, secretário!

Por Wanfil em Segurança

31 de Janeiro de 2017

Por falar em cemitério – Caixões com fotos de policiais mortos no Ceará, durante protesto realizado em 2016. (Divulgação)

O secretário da Segurança Pública do Ceará, André Costa, afirmou o seguinte durante entrevista coletiva no último sábado:

“Para o bandido a gente oferece duas coisas: se ele quiser se entregar, a gente oferece a justiça. Se ele quiser puxar uma arma, como foi feito contra nosso policial, a gente tem o cemitério para oferecer a ele. Tem a justiça e tem o cemitério, o que não pode é um bandido puxar uma arma na rua e matar um policial ou matar uma pessoa inocente”.

A repercussão na imprensa mostrou muita gente preocupada com a possibilidade de que declarações nesse sentido possam estimular a violência policial, como se os índices obscenos de crimes no Ceará pudessem ser reduzidos com citações de autoajuda. Com certeza muita gente – a maioria silenciosa – concorda.

Antes de mais nada, é preciso destacar a ressalva feita pelo próprio secretário: “se ele [o bandido] quiser puxar uma arma”. Esse é o ponto que qualifica a ação policial. Não se trata de executar suspeitos, mas de reagir à altura em caso de resistência que ponha em risco a vida do agente de segurança ou de terceiros. Quem pode ser contra isso? O ideal seria que todos pudessem chegar a um acordo com base no diálogo, mas, convenhamos, quem comete crimes de arma em punho não parece disposto a isso, a menos que seja forçado. Infelizmente, é algo que pessoas de bem não gostam de imaginar, mas que é uma necessidade real.

Pode haver abuso dos policiais? Sim, claro. Para esses casos, ofereça-se, do mesmo modo, a justiça. O cemitério é mais difícil, na medida de que não se tem notícia de policiais presos que tenham atirado nos colegas. Mas se for o caso, o princípio do uso legítimo e legal de força letal vale plenamente.

Por fim, vale lembrar que existe uma grande distância entre falar o que a maioria quer ouvir e efetivamente resolver o problema. A fala do secretário é mostra de solidariedade com seus comandados e com a população amedrontada, mas não é ainda uma política de segurança. É uma disposição, não um rumo de ação planejada. É um começo, não uma chegada.

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Reinventando a UNE

Por Wanfil em Política

27 de Janeiro de 2017

A UNE e o desafio de reinventar um discurso desgastado com base em desculpas esfarrapadas. (Divulgação)

A União Nacional dos Estudantes, entidade controlada pelo PC do B, que por sua vez é controlado pelo PT, realiza encontro em Fortaleza com o tema “Feira da Reinvenção”.

O evento acontece entre os dias 29 de janeiro e 1º de fevereiro. Para debater a “Reinvenção da economia e as saídas para a crise” foram anunciados do exg0vernador Ciro Gomes, da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)  e da ex-deputada federal Luciana Genro (PSOL), filha do petista Tarso Genro.

Assunto não falta. Nesta semana, por exemplo, o TCU suspendeu repasses para a Transnordestina após constatar “sério descompasso entre os investimentos e o cronograma físico-contábil”. Ciro Gomes, que entre 2015 e 2016 presidiu a subsidiária da CSN responsável pela obra, pode abordar a reinvenção do financiamento para grandes obras de infraestrutura.

Já Vanessa Grazziontin é a pessoa ideal para falar sobre a reinvenção da privatização de presídios, uma vez que a senadora do Amazonas recebeu pelo menos R$ 2,890 milhões de empresas privadas gestoras de presídios quando concorreu à prefeitura de Manaus, em 2012.

Luciana Genro, que foi contra o impeachment de Dilma, mas que no velório de Teori Zavascki defendeu a Operação Lava Jato, pode comentar sobre a prisão do marqueteiro da ex-presidente e sobre os três processos em que Lula figura como réu.

Diante disso, a UNE poderia incluir na programação um debate sobre a Reinvenção da Corrupção no Brasil na última década. Mas, pensando bem, para que isso fosse possível, seria preciso antes reinventar a própria UNE.

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A mais nova refinaria do Ceará

Por Wanfil em Ceará

25 de Janeiro de 2017

O assessor Especial de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, Antonio Balhmann, esteve na China onde “iniciou trabalhos de formatação para a implantação da refinaria”. Na semana passada, o governo estadual anunciou que  investidores do Irã também mostraram interesse na instalação de uma refinaria no Ceará.

Tomara que dê tudo certo, não é mesmo? Porém, por motivos óbvios, é bom ter cuidado com o otimismo. Quando a promessa eleitoreira da refinaria da Petrobras começou a ficar insustentável, apesar dos estudos, da pedra fundamental, do plano de investimentos, das renúncias fiscais e das garantias dos governistas da época, a Assembleia Legislativa do Ceará patrocinou em 2013 uma campanha pelo interior para mostrar a importância da refinaria para o Estado. A cobrança feita pelos aliados locais da ex-presidente Dilma, parceiros da promessa, foi solenemente ignorada e nada aconteceu.

Pelo visto, se o internacional Antonio Balhmann  estivesse no grupo liderado por Zezinho Albuquerque, a história da refinaria da Petrobras no Ceará poderia ter ido além dos repetitivos anúncios de  intenções publicados rotineiramente pelo governo do Estado. Ou não, afinal, o assessor, na condição de deputado federal, foi também um dos defensores e entusiastas das promessas impossíveis feitas por Lula e Dilma.

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E Camilo (por enquanto) continua no PT

Por Wanfil em Política, Sem categoria

24 de Janeiro de 2017

Camilo Santana vai trocar o PT pelo PSB. É o que dizem os jornais desde o final do ano passado. Quando será? Ninguém sabe. A demora é compreensível. Basta ver que o PSB do Ceará, sob o comando do deputado federal Danilo Forte, não apenas apoia, mas faz campanha para a reeleição de Rodrigo Maia no comando da Câmara dos Deputados. Maia é do DEM, partido que no vocabulário do PT de Camilo e do PDT de Ciro Gomes, é golpista.

É bem verdade que, contradição por contradição, o PT também apoia Rodrigo Maia e o PDT é aliado do DEM em Fortaleza. Mas existe um fato que complica as coisas para o governador cearense. É que para 2018, tanto PSB como DEM não se colocam como entusiastas da candidatura de Ciro à Presidência da República. Se o PSB apoiar Marina Silva ou mesmo um nome governista, Camilo fica em posição mais do que constrangedora.

É certo que a relação entre o PT do Ceará e o governador é ruim. A troca pelo PSB no curto prazo é viável? Pode até ser, negociações estão sendo feitas, mas  as variáveis ainda são muitas para uma garantia cabal agora.

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Muito anúncio, pouco resultado: agora são os iranianos que podem construir uma refinaria no Ceará

Por Wanfil em Ceará

19 de Janeiro de 2017

Lembra dela?

Em viagem oficial ao Oriente Médio nesta semana, o governador Camilo Santana (ainda no PT, apesar do noticiário) conversou com investidores do Irã sobre a instalação de uma refinaria no Ceará.  E Dubai, nos Emirados Árabes, visitou “a maior usina de dessalinização do planeta”, empresa italiana que “demonstrou interesse em instalar unidade no Ceará”.

Em novembro do ano passado Camilo assinou um memorando de estudos para avaliar condições para uma refinaria, desta vez chinesa, aqui no Estado. Não faz muito tempo, o assessor especial para assuntos internacionais do governo cearense, Antonio Balhmann, conversou com fabricantes de tratores na Bielorrússia.

Naturalmente, o governo acerta quando procura investimentos, mas se arrisca ao alimentar expectativas com base em tratativas tão iniciais. Não se trata de ser otimista ou pessimista, mas de guardar prudência para não confundir desejo com realização. É preciso tratar prospecção como prospecção e não como missão cumprida. Nesse sentido, o alarde sobre possibilidades pode gerar ilusões que mais à frente gerem constrangimento. Quanto maior a esperança atiçada, maior pode ser a decepção, como no caso da refinaria da Petrobras que seria construída no Ceará.

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Assegurando a segurança nos presídios do Ceará

Por Wanfil em Segurança

18 de Janeiro de 2017

Notícia do portal do Governo do Estado informa:

Ceará assegura R$ 52 milhões para sistema prisional

No texto do próprio governo o leitor descobre que:

1 – R$ 8,49 milhões foram garantidos após reunião nesta quarta-feira com o “Departamento Penitenciário Nacional (Depen/MJ) e secretários da Justiça de todo o País”, em Brasília;

2 – “o valor se soma aos R$ 44 milhões – anunciados pelo Ministério da Justiça no início deste mês”.

Conclusão: Quem assegurou o dinheiro para os presídios no Ceará foi o Governo Federal, foi Michel Temer.

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Imagens de elevador que leva a lugar nenhum em escola de Fortaleza ganham projeção nacional

Por Wanfil em Fortaleza

17 de Janeiro de 2017

Elevador em Fortaleza agora nacionalmente famoso (Foto: MPCE)

A Prefeitura de Fortaleza conseguiu sua primeira notícia de repercussão nacional em 2017. A edição desta terça-feira (17) do Jornal Hoje, da Rede Globo, apresentou, com direito a imagens exclusivas, denúncia do MP sobre a instalação de um elevador que não leva a lugar nenhum na Escola Municipal Professor Denizard Macedo.

O apresentador Evaristo Costa apresentou a obra como mau exemplo de ação pública:

Uma escola municipal de Fortaleza ganhou um elevador, ao custo de R$ 50 mil. Isso deveria ser um bom exemplo, mas não foi o que aconteceu.

Segundo a matéria, o relatório dos gestores municipais escondeu o fato: “A parte de cima não tem acesso a nada, mas isso não aparece na foto do relatório da obra encaminhado ao Ministério Público”. Ainda de acordo com o Jornal Hoje, a prefeitura responsabiliza a construtora que realizou a obra pela situação inusitada. Esta, por sua vez, responde afirmando que fez o que o projeto determinava.

A notícia foi devidamente coberta com farto material de imagens e amplo acesso ao local com exclusividade -, de modo que todos os brasileiros pudessem ver melhor a “qualidade” do planejamento das obras nas escolas municipais de Fortaleza.

O caso foi mostrado pelo portal Tribuna do Ceará no último dia 12.

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Justiça põe água no chope de Cid Gomes

Por Wanfil em Ceará

14 de Janeiro de 2017

A Justiça Federal aceitou ação de improbidade movida pelo Ministério Público Federal contra o ex-governador do Ceará Cid Gomes, acusado de participar de um esquema para a liberação irregular de R$ 1,3 milhão junto ao Banco do Nordeste, para a construção de galpões em Sobral.

Cid Gomes é 100% inocente até prova em contrário. Ser réu não antecipa juízo de culpa. Na verdade, será uma boa oportunidade para esclarecer um conjunto de relações e coincidências que abrem espaço para eventuais suspeições e dúvidas.

Cid é sócio da empresa Corte Oito Gestão e Empreendimento Ltda, beneficiária do empréstimo e dona do galpão. Segundo a Revista Época publicou em janeiro de 2015, a empresa de Cid acertou o aluguel do galpão em Sobral em 2014 com a cervejaria Petrópolis por R$ 36 mil mensais.

O dono da cervejaria Petrópolis, dona da marca Itaipava – “a cerveja 100%”, é o empresário Walter Faria, que no mesmo ano conseguiu um empréstimo de R$ 830 milhões no mesmo Banco do Nordeste para, logo em seguida, depositar R$ 5 milhões na conta do comitê da então candidata Dilma Rousseff. Dias depois, foram mais R$ 12 milhões para a campanha da petista, que depois de reeleita, nomeou Cid para o Ministério da Educação.

Tudo 100% coincidência, até prova em contrário.

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Ocupados demais para falar sobre seca

Por Wanfil em Assembleia Legislativa

13 de Janeiro de 2017

O Ceará enfrenta o sexto ano de seca. Não há quem não coloque o combate aos seus efeitos como a prioridade das prioridades no momento. Pois bem. O Diário do Nordeste desta sexta-feira apresentou m levantamento sobre a tramitação de matérias na Assembleia Legislativa sobre o tema, entre 2015 e 2016.

Segundo o jornal, “os deputados estaduais apresentaram pelo menos 16 projetos de Lei e 15 de Indicação com propostas relacionadas à convivência com a estiagem. Destes, porém, apenas quatro projetos de Lei e cinco de Indicação foram apreciados na Casa”.

Pelo visto, o comando do legislativo estadual não enxergam os projetos desses deputados como prioridade. Estes, por sua vez, talvez não façam a devida pressão sobre os responsáveis por pautar as votações na Casa.

E não dá para alegar falta de tempo, pois tempo nunca falta na hora de batizar ruas e escolas ou para homenagear autoridades e amigos com medalhas e salamaleques, coisas sem as quais, devem imaginar, o Ceará não pode sobreviver.

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Nelson Martins na Casa Civil e Maia Júnior no Planejamento: Max Weber explica

Por Wanfil em Política

12 de Janeiro de 2017

Max Weber alertava para a tensão entre  interesses políticos e decisões técnicas de um governo. Eis o desafio

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), assim justificou a minirreforma no secretariado, com destaque para Nelson Martins (PT) na Casa Civil e Maia Júnior (PSDB) no Planejamento: “Esses ajustes feitos (…) buscam imprimir um ritmo ainda maior nas nossas ações nesta segunda metade de governo”.

Martins e Maia comandarão, respectivamente, ações de articulação política e coordenação executiva. Para Max Weber (1864-1920), as características de comando do político são totalmente opostas as do burocrata (no sentido de executor de serviços). Nesse sentido, o técnico visa a execução eficaz das tarefas, subordinando-as às suas convicções de ofício; já o político vive a luta pelo poder, buscando, ao final, manter as condições de sucesso eleitoral do governo. Trata-se, com efeito, de um sistema de tensão permanente.

Como vivemos um momento atípico, de crise profunda e pouca margem de manobra para governos, esse potencial de conflito apontado por Weber precisa, por força das circunstâncias, amoldar-se a uma nova lógica. Nesse caso, caberá ao formulador político dar as condições para que o técnico faça o que é necessário fazer, harmonicamente combinados a partir de um sentido comum de autopreservação.

O desafio para Camilo é dar as condições de autoridade para que ambos possam desempenhar seus papéis. Além da qualidades pessoais, o poder de um secretário depende em grande medida da liderança de quem o escolheu para o cargo. As trocas no secretariado refletem uma demanda por mudanças identificada pelo governador, o que é um mérito de quem comanda. Insistir no que não está a contento é que não pode.

Ocorre que mesmo com uma equipe atuando em conjunto internamente, mudanças reais propostas por governos implicam, mais cedo ou mais tarde, na possibilidade de comprar brigas, desagradar a opinião pública e enfrentar resistências. Por exemplo: uma decisão técnica no Planejamento bate de frente com interesses políticos e econômicos de aliados ligados ao grupo de apoio ao governo, que pressiona a Casa Civil para impedir sua execução. O que prevalecerá? É nessas horas que o poder é realmente testado.

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Nelson Martins na Casa Civil e Maia Júnior no Planejamento: Max Weber explica

Por Wanfil em Política

12 de Janeiro de 2017

Max Weber alertava para a tensão entre  interesses políticos e decisões técnicas de um governo. Eis o desafio

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), assim justificou a minirreforma no secretariado, com destaque para Nelson Martins (PT) na Casa Civil e Maia Júnior (PSDB) no Planejamento: “Esses ajustes feitos (…) buscam imprimir um ritmo ainda maior nas nossas ações nesta segunda metade de governo”.

Martins e Maia comandarão, respectivamente, ações de articulação política e coordenação executiva. Para Max Weber (1864-1920), as características de comando do político são totalmente opostas as do burocrata (no sentido de executor de serviços). Nesse sentido, o técnico visa a execução eficaz das tarefas, subordinando-as às suas convicções de ofício; já o político vive a luta pelo poder, buscando, ao final, manter as condições de sucesso eleitoral do governo. Trata-se, com efeito, de um sistema de tensão permanente.

Como vivemos um momento atípico, de crise profunda e pouca margem de manobra para governos, esse potencial de conflito apontado por Weber precisa, por força das circunstâncias, amoldar-se a uma nova lógica. Nesse caso, caberá ao formulador político dar as condições para que o técnico faça o que é necessário fazer, harmonicamente combinados a partir de um sentido comum de autopreservação.

O desafio para Camilo é dar as condições de autoridade para que ambos possam desempenhar seus papéis. Além da qualidades pessoais, o poder de um secretário depende em grande medida da liderança de quem o escolheu para o cargo. As trocas no secretariado refletem uma demanda por mudanças identificada pelo governador, o que é um mérito de quem comanda. Insistir no que não está a contento é que não pode.

Ocorre que mesmo com uma equipe atuando em conjunto internamente, mudanças reais propostas por governos implicam, mais cedo ou mais tarde, na possibilidade de comprar brigas, desagradar a opinião pública e enfrentar resistências. Por exemplo: uma decisão técnica no Planejamento bate de frente com interesses políticos e econômicos de aliados ligados ao grupo de apoio ao governo, que pressiona a Casa Civil para impedir sua execução. O que prevalecerá? É nessas horas que o poder é realmente testado.