outubro 2016 - Página 2 de 3 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

outubro 2016

Crimes recuam, mas o medo não diminui: por isso segurança ainda é tema eleitoral relevante no Ceará

Por Wanfil em Segurança

13 de outubro de 2016

Passa eleição, volta eleição, o medo da violência é um estado permanente. Imagem: O Grito, de Edvar Munch

Passa eleição, volta eleição, o medo como um estado permanente. Imagem: O Grito, de Edvar Munch

O Governo do Ceará divulgou, na última terça-feira (11), redução de 33% de homicídios do mês de setembro no Estado, em comparação com o mesmo período de 2015. Em Fortaleza, o recuo de impressionantes 57%. Diante desses números, intriga como a segurança continua no centro do debate eleitoral na disputa pela prefeitura da Capital.

É que o tema já predomina desde as eleições para o governo estadual em 2006, quando Cid Gomes foi eleito. Em 2014, com Camilo Santana, não foi diferente. A grande novidade foi a inversão nas taxas de homicídios verificada na atual administração, após a explosão de violência registrada na gestão de Cid Gomes. Mesmo assim o medo persiste, como indicam pesquisas de opinião.

Se por um lado merece reconhecimento ações de Camilo na área, como a retomada do diálogo com os policiais , as promoções, os investimentos (apesar da crise) e a transparência na divulgação dos números,  por outro há algo nos dados oficiais que escapa ao sentimento das pessoas.

A resposta pode estar, talvez, nas ações midiáticas do chamado crime organizado. No mesmo dia em que a redução nos índices foram anunciados, homens armados invadiram uma delegacia em Fortaleza, resgataram sete presos, roubaram um policial e quatro pessoas que faziam boletins de ocorrência e ainda levaram uma viatura e armas. Dois dias antes, um grupo já havia resgatado sete presos da carceragem do prédio da Superintendência de Polícia. Da Superintendência!

São ações que pela ousadia e desrespeito ao poder constituído, geram medo e ofuscam os dados oficiais. Sem contar as rebeliões de março em penitenciárias que ensejaram a presença da Guarda Nacional no Ceará para controlar a situação. Hoje o governo comunicou que irá transferir presos das delegacias para esses presídios, para tentar conter as fugas.

Por fim, ainda existe a suspeita, muito comentada nas ruas, de que a redução nos homicídios é fruto, em parte, de acordos entre quadrilhas para organizar melhor o tráfico, negada com veemência pelas autoridades locais. O fato é que a insegurança, apesar dos números (e o próprio governo é o primeiro a reconhecer – isso também é novidade em relação à gestão anterior – que muito ainda precisa ser feito), continua a fazer do tema o grande vetor eleitoral no Ceará.

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Datafolha mostra como largam RC e Wagner no 2º turno: nova corrida, novas estratégias

Por Wanfil em Pesquisa

10 de outubro de 2016

Segundo turno é nova corrida. RC larga com 48% e Wagner com 34%, segundo o Datafolha. O desafio agora é dosar a energia, a agressividade e o oxigênio

Segundo turno é nova corrida. RC larga com 48% e Wagner com 34%, segundo Datafolha.

A primeira pesquisa Datafolha feita após o início do segundo turno em Fortaleza, encomendada pelo jornal O Povo, mostra Roberto Cláudio (PDT) com 48% das intenções e Capitão Wagner (PR) com 34%. Ao  longo da campanha, os dois só fizeram crescer, com o candidato à reeleição mantendo no primeiro turno uma distância mais ou menos constante em relação ao principal adversário, ali na casa dos 10%.

A propaganda de Roberto Cláudio, que tem maior recall por já ter disputado a prefeitura em 2012, repetiu as campanhas do grupo político liderado pela família Ferreira Gomes: obras, imagens aéreas, as cores de sempre, ilustrando o perfil realizador do candidato. Já a campanha de Wagner, que possui menor recall, centrou esforços para apresentá-lo, com ênfase no apelo à emoção, com enfoque na segurança pública para colocá-lo no centro do debate e, ao mesmo tempo, com gravações do candidato como professor na sala de aula e cidadão que anda nas ruas, para ampliar a dimensão de sua imagem.

Deu certo para ambos. Na prática, suas campanhas priorizaram uma abordagem de autoafirmação, com menos espaço para a desconstrução de adversários. Agora deve ser diferente. É comum dizer que segundo turno é nova eleição. Assim, o que funcionou antes não garante sucesso agora. Nesse sentido, a pesquisa Datafolha registra o posicionamento inicial para uma corrida de velocidade, disputada após um corrida de fundo. Os competidores agora traçam suas estratégias a partir dessa condição.

A vantagem, evidentemente, é de Roberto Cláudio, que conseguiu ampliar a distância de largada para Wagner. É sobre  o candidato do PR, portanto, que a pressão pela desconstrução – leia-se ataque – do concorrente é maior, afinal, não basta conseguir mais votos: é necessário tirar votos dele. Acertar o tom e a intensidade desse ataque é fundamental, porém, difícil. Para RC, o risco é a acomodação, a mesmice, uma vez que sua liderança não é incontornável e Wagner já não é o desconhecido do primeiro turno.

Como a propaganda eleitoral voltou a ser veiculada somente na última sexta-feira, seu impacto ainda não foi captado pelo Datafolha. E imagem é tudo, como diz o bordão. Será preciso esperar pelo menos uma semana para ver como ela pode interferir junto aos eleitores. Assim, para os candidatos, é hora de controlar os nervos e, principalmente, os aliados mais afoitos. Qualquer erro agora, pode ser fatal, pois não haverá tempo para corrigi-lo. Agora a corrida é de velocidade.Nada de poupar energia.

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Segundo turno: A polêmica das camisas com o Capitão América

Por Wanfil em Eleições 2016

05 de outubro de 2016

Se fosse cearense, Steve Rogers (Chris Evans) não poderia votar em Fortaleza,

Dura Lex: Capitão América é barrado nas eleições em Fortaleza.

A Justiça Eleitoral no Ceará proibiu o uso de camisetas com símbolos que possam ser associados aos candidatos que disputam o segundo turno em Fortaleza. A polêmica surgiu por causa de eleitores do Capitão Wagner que usaram camisetas com a imagens alusivas ao Capitão América, personagem fictício associado ao candidato pela patente, iniciativa interpretada como propaganda irregular.

Assim, no próximo dia 30, data na eleição, a camiseta do Capitão América está banida, assim como a tradicional estrela do PT.

A legislação eleitoral realmente busca evitar ações que influenciem eleitores no dia da votação. E de fato, o próprio candidato Capitão Wagner fez uso da imagem do personagem Capitão América. Não há o que discutir.

Mesmo assim, vale lembrar que as campanhas costumam utilizar formas mais sutis de padronização de roupas, símbolos e gestos, para que seus eleitores possam se identificar a caminho das urnas e assim causar a impressão de volume nas seções eleitorais. O uso de uma cor, por exemplo, é clássico. Verde, laranja, azul, amarelo, vermelho, são as mais usadas. O grupo de eleitores de Roberto Cláudio usa o amarelo. Petistas fizeram do vermelho uma marca registrada.

Nesses casos, a associação é menos direta, sem o concurso de informações objetivas como números, marcas ou símbolos. Mas, de todo modo, é inegável que se trata de uma forma de propaganda, digamos, subliminar. Felizmente o bom senso prevalece e o artifício não gera maiores problemas. Já imaginou?

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Segundo turno: o apoio do PT ajuda ou atrapalha? Eis a questão

Por Wanfil em Eleições 2016

04 de outubro de 2016

Nas cidades onde acontece segundo turno, é natural que os candidatos que continuam na disputa busquem o apoio daqueles que ficaram pelo meio do caminho. Em Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) e Capitão Wagner (PR) trabalham para conquistar parte dos 15% obtidos por Luizianne Lins (PT), terceira colocada no primeiro turno. Lideranças do PT prometem uma definição para esta quarta-feira. A decisão, porém, não é simples.

A ex-prefeita, que controla o Diretório Municipal do partido, não contou com a ajuda do governador Camilo Santana, que apoiou Roberto Cláudio, que  pertence ao grupo político liderado por Ciro Gomes, desafeto de Luizianne.

Em 2012, o PT chegou a sondar o então vereador Capitão Wagner para ser vice de Elmano de Freitas contra Roberto Cláudio, mas em 2016, o apoio do PMDB e do PSDB à deputado do PR dificulta o diálogo com os petistas.

Assim, embora o ex-presidente Lula e o deputado José Guimarães, que controla a Executiva Estadual do PT, defendam abertamente a aliança com o PDT, para Luizianne, qualquer escolha que não seja a neutralidade guarda contradições com sua trajetória política.

Além do mais, é preciso avaliar até que ponto o apoio ostensivo do PT realmente pode ajudar. A sigla vive sua maior crise de imagem e tenta sobreviver ao duro golpe sofrido nessas eleições, quando perdeu nas principais capitais e viu seu tamanho reduzir em todo o país.

É claro que neste segundo turno Wagner e RC querem atrair os eleitores de Luizianne. O desafio será como fazer isso sem afugentar aqueles que rejeitaram o PT nas urnas. Não foram poucos.

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Eleições 2016: O Ceará na primeira eleição pós-impeachment

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

As primeiras impressões a respeito das eleições 2016 no Ceará ainda estão sendo processadas. A troca de ideias e informações ajuda a delinear as formas do quadro político no Estado. Para tanto, é preciso levar em conta o cenário e as circunstâncias que agiram sobre o pleito.

Abaixo, faço considerações sobre alguns resultados que me parecem significativos para a construção desse entendimento.

Primeiras considerações (clique nos links para ler os textos)

1 – Fortaleza: a disputa continua, mas já existem um derrotado e um vencedor

2 – Sobral e o preço de uma hegemonia

3 – Barbalha e o escândalo da compra de votos

4 – Massapê e Tauá, casos de família

5 – Quixadá como alento para o PT

6 – Crato frustra o PSDB

Outras considerações

As análises não se encerram aqui. Outras cidades ou disputas importantes merecem um olhar mais de perto. Nos próximos dias, mais resultados e o segundo turno em Fortaleza e Caucaia serão avaliados aqui no blog. Conto com sua divulgação nos seus municípios.

Abraço,

Wanderley Filho.

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Eleições 2016: Fortaleza já tem um derrotado e um vencedor

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

A eleição para a Prefeitura de Fortaleza será decidida no próximo dia 30 de outubro, em segundo turno. Continuam na disputa o prefeito Roberto Cláudio (PDT), que terminou o primeiro turno com 40% dos votos, e Capitão Wagner (PR) com 31%.

Evidentemente, tudo pode acontecer. De todo modo, se por um lado a disputa continua, por outro é possível dizer que o maior derrotado na capital foi o PT, que ainda viu sua bancada na Câmara reduzir de quatro para dois vereadores. Para ser justo, a terceira posição de Luizianne Lins, com 15,06% dos votos válidos, foi resultado que superou a maioria dos candidatos petistas em outras capitais, mas insuficiente para avançar ao segundo turno.

Assim, paradoxalmente, o grande vencedor na capital pode ser o governador Camilo Santana, que pode ampliar sua influência na sigla no momento em que José Guimarães e Luizianne estão enfraquecidos, desde que haja disposição e apetite para isso. A sorte, como dizia Napoleão, sorri para os audazes.

Muito se especula a respeito de uma possível saída de Camilo do PT para o PDT. Parece lógico, dada a sua proximidade com os Ferreira Gomes. Porém, no PDT, o governador nunca será uma liderança, pois esse papel atualmente cabe aos irmãos Ciro e Cid. Já o PT no Ceará, mais do que nunca, precisa de Camilo. Mas para tanto, a vitória do aliado Roberto Cláudio é fundamental, pois fortalece a parceria entre petistas e cidistas, contra a qual Luizianne lutou.

Por ironia, para que isso se confirme de vez, é preciso conquistar os eleitores da ex-prefeita.

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Eleições 2016: Quixadá como alento para o PT

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

Se o PT foi o partido que mais perdeu em todo o país, no Ceará não foi diferente. A sigla fez 15 prefeitos em 2016, contra 28 em 2012. Um recuo de 13 municípios. Explicações não faltam, dos escândalos à crise econômica.

No entanto, em Quixadá, município onde o partido travou longa disputa com o PSDB nas últimas décadas, a vitória soa como uma das poucas boas notícias para o partido. Ilário Marques conseguiu reconquistar a prefeitura com 56,94% dos votos válidos, derrotando Ricardo Silveira, do PR, que obteve 43,06%.

A ironia é que para vencer, Ilário precisou se unir ao arquirrival Osmar Baquiti, ex-tucano que hoje está no PDT, com quem trocou acusações durante anos. Até na vitória o PT constrange seus militantes mais românticos.

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Eleições 2016: Massapê e Tauá, casos de família

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

Em Massapê, Jacques Albuquerque, do PMDB, será o novo prefeito, com 53,92% dos votos, substituindo o atual gestor, Antônio José, do PP, que não conseguiu a reeleição.

O curioso é que Jacques é tio de Antônio, que por sua vez, é filho de Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, muito próximo a Cid Gomes. Pelo cargo que exerce, pelo papel central dentro do grupo político de Cid e Ciro, a derrota chama a atenção.

Em Tauá, a candidata Patrícia, do PMB,  foi derrotada por Carlos Windson, do PR, por 50,14% a 49,86%. Resultado apertado que surpreendeu, afinal, Patrícia Aguiar é casada com Domingos Filho, ex-presidente da AL, ex-vice-governador e atual conselheiro do TCM, e o filho, o deputado federal Domingos Neto, que se manteve ao lado de Dilma até o fim.

Se os Ferreira Gomes continuam hegemônicos em casa, alguns aliados começam a perder espaços para adversários nas suas, afinal, Jacques e Carlos contaram com o apoio do senador Eunício Oliveira, do PMDB, adversário e desafeto de Cid e Ciro.

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Eleições 2016: Crato frustra o PSDB

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

As eleições no Crato constituem provavelmente a maior derrota do PSDB no Ceará. Não que a disputa estivesse fácil, mas é que a expectativa de eleger Samuel Araripe, um dos remanescentes da época em que a sigla foi a maior do Estado, era grande.

As pesquisas mostravam uma corrida eleitoral emparelhada, algumas com ligeira vantagem para Samuel, que já foi prefeito do município. Projeções não confirmadas pelas urnas: Zé Ailton, do PP, venceu com 58,78% dos votos válidos.  O candidato do PSDB ficou em segundo38,38%.

O alento para os tucanos é que a sigla voltou a crescer. Fez 13 prefeituras em 2012, e agora, conquistou 16. Pouco para quem já foi hegemônico, mas é melhor do que encolher.

 

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Eleições 2016: Barbalha e o escândalo da compra de votos

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

O município de Barbalha entrou para a crônica política das eleições 2016 por causa da prisão de uma assessora da primeira-dama do Ceará, Onélia Leite, e de outras duas pessoas, com maços de dinheiro e material de campanha para Fernando Santana, do PT, apoiado pelo governador Camilo Santana, na antevéspera da votação. Segundo a Polícia Federal, o grupo planejava comprar votos.

O caso ganhou repercussão nacional e as investigações continuam. Em nota, o governo do Estado se limitou a dizer que a assessora estava afastada das funções. Ciro Gomes acusou a PF de abuso. Barbalha é reduto eleitoral do governador e por isso, naturalmente, uma de suas prioridades para as eleições.

Com tudo isso, é bem possível que o peso do flagrante e da denúncia tenham interferido no resultado do pleito, apertadíssimo. Argemiro Sampaio, do PSDB, foi eleito com 49,44% dos votos, contra 48,91% de Fernando Santana.

Vencer em casa é sempre importante. Basta ver o empenho de Cid e Ciro Gomes para eleger Ivo Gomes. No caso de Camilo, porém, essa ligação com o berço político é menos evidente do que com seus aliados de Sobral.

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Eleições 2016: Barbalha e o escândalo da compra de votos

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

O município de Barbalha entrou para a crônica política das eleições 2016 por causa da prisão de uma assessora da primeira-dama do Ceará, Onélia Leite, e de outras duas pessoas, com maços de dinheiro e material de campanha para Fernando Santana, do PT, apoiado pelo governador Camilo Santana, na antevéspera da votação. Segundo a Polícia Federal, o grupo planejava comprar votos.

O caso ganhou repercussão nacional e as investigações continuam. Em nota, o governo do Estado se limitou a dizer que a assessora estava afastada das funções. Ciro Gomes acusou a PF de abuso. Barbalha é reduto eleitoral do governador e por isso, naturalmente, uma de suas prioridades para as eleições.

Com tudo isso, é bem possível que o peso do flagrante e da denúncia tenham interferido no resultado do pleito, apertadíssimo. Argemiro Sampaio, do PSDB, foi eleito com 49,44% dos votos, contra 48,91% de Fernando Santana.

Vencer em casa é sempre importante. Basta ver o empenho de Cid e Ciro Gomes para eleger Ivo Gomes. No caso de Camilo, porém, essa ligação com o berço político é menos evidente do que com seus aliados de Sobral.