outubro 2016 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

outubro 2016

Roberto Cláudio repete resultado de 2012 e é reeleito em Fortaleza. Sem máquinas, Wagner valoriza oposição

Por Wanfil em Eleições 2016

30 de outubro de 2016

Com 53,6% dos votos válidos, Roberto Cláudio (PDT) foi reeleito para a Prefeitura de Fortaleza, em segundo turno, derrotando Capitão Wagner (PR), que conseguiu 46,4%. A diferença de apenas sete pontos de diferença é muito semelhante ao resultado das eleições de 2012, quando o prefeito conseguiu os mesmos 53%, contra 47% de Elmano de Freitas (PT).

Significa dizer que a capital cearense continua politicamente polarizada. Porém, as circunstâncias que possibilitaram esse resultado agora são diferentes, o que requalifica os números. A começar pela crise econômica. Conseguir uma reeleição diante de um cenário de aperto fiscal, sendo ainda aliado dos responsáveis pela recessão, é sem dúvida um feito que exalta qualidades próprias da gestão.

Por outro lado, para ter êxito, o prefeito contou com a rara conjunção de ações das máquinas estadual e municipal, da Câmara e da Assembleia Legislativa, todos empenhados na sua reeleição. Discrepância de forças que valoriza muito o desempenho de Wagner, que pelos resultados de suas campanhas, passa a ser apontando como possível candidato ao governo estadual em 2018.

Passadas as comemorações de praxe, Roberto Cláudio tem a missão de manter o ritmo de trabalho que apresentou em seus programas e de buscar diálogo com setores da sociedade não endossaram sua administração e que quase lhe custou a reeleição. Concluir o IJF 2 em 2018, por exemplo, é tarefa complexa.

De modo geral, o eleitor fez a sua parte. Elegeu gestores para os próximos quatro anos, com o cuidado de não dar a nenhum grupo político no Estado, uma maioria expressiva. Continua, portanto, desconfiado. Não é sem razão.

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Suspense: Ibope e Datafolha projetam resultados diferentes em Fortaleza. Um deles está errado!

Por Wanfil em Pesquisa

30 de outubro de 2016

Gostaria de saber quem será o próximo prefeito. Dá pra ver?

Gostaria de saber quem será o próximo prefeito. Dá pra ver?

Hoje é o Dia D das eleições para a Prefeitura de Fortaleza e como diria o colunista esportivo: ninguém é de ninguém! Imprevisibilidade reforçada por duas pesquisas divulgadas na véspera deste domingo eleitoral.

Segundo previsão do Datafolha/O Povo Roberto Cláudio (PDT) tem 56% dos votos válidos contra 44% do Capitão Wagner (PR). Resultado igual ao captado pelo mesmo instituto no dia 22 passado. A margem de erro é de dois pontos. Nesse caso, a parada já estaria resolvida.

Já o Ibope/Verdes Mares aponta para um empate técnico. Com margem de erro de três pontos, RC tem 52% contra 48% de Wagner. Neste cenário, o risco de uma virada de última hora é uma realidade.

Quem tem razão? Temos acomodação nas intenções de voto ou intensa movimentação de uma das candidaturas? Os eleitores dirão logo mais. Fortaleza tem um histórico de resultados que constrangem e em alguns casos até desmoralizam institutos de pesquisa. De todo modo, diferenças à parte, as duas amostras mostram um eleitorado dividido. A disparidade entre as previsões só aumenta a expectativa que caracteriza disputas eleitorais. Lembrando que não é apenas o resultado final que dirá qual instituto mais se aproximou da realidade, mas a diferença de votos entre os concorrentes.

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Convicto, isento ou indiferente: que tipo de eleitor você é?

Por Wanfil em Pesquisa

28 de outubro de 2016

urnaUma pesquisa do Ibope sobre o comportamento do eleitor, divulgada por José Roberto de Toledo no Estadão, identificou três grupos distintos em 2016:

1 – Engajado convicto – 36%
2 – Isentão decisivo – 26%
3 – Só voto obrigado – 38%

Os primeiros formam opinião logo no início da campanha, às vezes antes, com a divulgação dos nomes dos candidatos. Não mudam de opinião e não anulam o voto. Compartilham conteúdos na redes sociais a favor de seus candidatos e contra os adversários. A convicção feita, imagino, por interesse pessoal, profissional, financeiro ou ideológico.

O segundo grupo, tal como os engajados, tem interesse por eleições e acompanha as propagandas, mas deixa para definir o voto nas últimas semanas da disputa. É curioso e mais suscetível a notícias negativas sobre um candidato. Eu, Wanderley, creio que esses procuram antes definir em quem não irão votar, meio que dentro daquela lógica de escolher o mal menor.

Os que votam forçados apresentam, evidentemente, grande desinteresse por política e não simpatizam com nenhum partido em particular. Além de ser o maior grupo, é também o mais imprevisível, que pode mudar de opinião ou mesmo anular o voto em cima da hora.

Naturalmente, se você se identifica com o segundo e terceiro tipos de eleitor, saiba que é o alvo prioritário dos candidatos nessa reta final. Tudo o que dizem, mostram e fazem visa influenciar sua escolha, seja para votar neles ou para não votar no adversário. Aproveite. É o único momento em que você é prioridade.

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Os deputados cearenses e a PEC 241

Por Wanfil em Política

27 de outubro de 2016

Parafraseando Woody Allen, o pessimista afirma que já chegamos no fundo do poço, o otimista acha que dá pra gastar mais

Parafraseando Woody Allen, o pessimista afirma que já chegamos no fundo do poço, o otimista acha que dá pra gastar mais

Na madrugada da última quarta-feira a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita, pelos próximos 20 anos, o aumento dos gastos federais ao índice de inflação registrado no ano anterior. A oposição diz que a medida congelará investimentos na saúde e educação, o que não é verdade, basta ler o texto do projeto.

A falsa polêmica desvia a questão do verdadeiro cerne: anos de frouxidão no controle da inflação e de gastos descontrolados durante as gestões do PT levaram o país para a maior recessão de sua História. São 12 milhões de desempregados, segundo o IBGE e a arrecadação federal de setembro é a pior desde 2009, informam os jornais desta quinta-feira.

Nesse cenário de destruição a PEC 241 acena com a arrumação das contas públicas e com o resgate a credibilidade perdida. Em estado crítico, os remédios para estabilizar o paciente tem efeitos colaterais, mas sem isso não há chance de recuperação.

Deputados cearenses

Segue o registro do posicionamento dos integrantes da bancada federal do Ceará.

Votaram a favor de colocar as contas públicas em ordem: Aníbal Gomes (PMDB), Arnon Bezerra (PTB), Danilo Forte (PSB), Domingos Neto (PSD), Gorete Pereira (PR), Macedo (PP), Moses Rodrigues (PMDB), Raimundo Gomes de Matos (PSDB), Ronaldo Martins (PRB) e Vitor Valim (PMDB).

Lavaram as mãos na votação mais importante do ano para a economia nacio0nal: Moroni Torgan (DEM), Cabo Sabino (PR), Adhail Carneiro (PHS) e Genecias Noronha (SD).

Votaram contra a medida que impede a gastança irresponsável dos recursos federais: André Figueiredo (PDT), Chico Lopes (PCdoB), José Airton Cirilo (PT), José Guimarães (PT), Leônidas Cristino (PDT), Luizianne Lins (PT), Odorico Monteiro (PROS) e Vicente Arruda (PDT).

Fundo do poço

A discussão sobre a PEC faz lembrar a máxima de Woody Allen: O pessimista afirma que já chegamos no fundo do poço, o otimista acha que dá para cair mais. Pois é. Nesse caso, os pessimistas querem o teto de gastos, enquanto os otimistas do PT, PDT , PCdoB e companhia apostam que dá para gastar mais ainda, mesmo depois de quebrarem o caixa do País.

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Debate Jangadeiro é marcado por duelo de imagens entre Wagner e RC

Por Wanfil em Eleições 2016

25 de outubro de 2016

O debate promovido pelo Sistema Jangadeiro entre os pretendentes a Prefeitura de Fortaleza nesta terça-feira (25) foi marcado pela por um duelo de imagens cuidadosamente planejadas por seus estrategistas.

Desde o início Capitão Wagner (PR) buscou ocupar uma posição ofensiva, alternando críticas à gestão do oponente e referências à própria trajetória humilde. Pontuou diversas vezes que o prefeito seria um político tradicional, amarrado por acordos com aliados. Já Roberto Cláudio (PDT), que tenta a reeleição, procurou trabalhar o perfil de candidato propositivo e moderado, reagindo ao concorrente acusando-o de ser despreparado para o cargo e agressivo por não ter propostas.

Cada aposta com seus riscos. Wagner de parecer demasiadamente negativo ou soar arrogante, o que gera antipatias; Roberto Cláudio de afigurar-se muito passivo diante de acusações diretas, condição que prejudica a imagem de líder para quem procurar brilhar por conta própria. Em apenas um momento o prefeito foi mais incisivo na defesa, na maior parte do tempo, limitou-se a lamentar a postura do republicano.

Um dos clichês mais conhecidos do marketing político é o que o desafio do debate é não errar, não cometer uma gafe ou ser surpreendido por um fato novo desconcertante. Sem isso, não há ganhadores e perdedores, No entanto, como eu disse no post anterior (Presença e ausência de aliados nas propagandas revela estratégias opostas na reta final), uma vez que a disputa está apertada, todo detalhe agora pode ser determinante.

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Segundo turno: presença (e ausência) de aliados nas propagandas revela estratégias opostas na reta final

Por Wanfil em Eleições 2016

25 de outubro de 2016

Na reta final do segundo turno em Fortaleza o candidato Capitão Wagner (PR) levou ao seu programa eleitoral seus apoiadores Tasso Jereissati, do PSDB, na semana passada, e Eunício Oliveira, do PMDB, nesta semana. Já nas peças de Roberto Cláudio (PDT) as figuras do governador Camilo Santana (PT) e dos ex-governadores Ciro e Cid Gomes (PDT) curiosamente ainda não apareceram.

Não obstante as qualidades e defeitos dos candidatos e de toda a comunicação feita até o momento, a presença ou a ausência de aliados nas propagandas pode ser determinante, uma vez que a disputa será decidida pelos indecisos. Todo detalhe agora é mais importante do que nunca.

Daí a opção de apresentá-los ou não, de associar imagens ou de evitar essas associações, na expectativa de agregar votos ou de evitar perdê-los. São decisões tomadas, claro, com base em pesquisas internas. Bem observadas as escolhas feitas neste segundo turno, há muito nelas que dizem respeito às próximas eleições, em 2018.

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Datafolha: Wagner cresce e embola disputa na última semana

Por Wanfil em Eleições 2016

23 de outubro de 2016

O segundo turno em Fortaleza caminha para um final emocionante, conforme indicam os números da pesquisa Datafolha/O Povo divulgados no sábado (22). Na comparação com o levantamento anterior, feito entre os dias 7 e 8 de outubro, Capitão Wagner (PR) subiu de 34% para 36%, enquanto Roberto Cláudio (PDT) que recuou de 48% para 45%.

Mais importante do que os números em si, é o movimento captado pela pesquisa o que interessa. O republicano não apenas interrompeu o fluxo de crescimento do pedetista, que era constante, mas inverteu essa tendência. Obviamente, isso é resultado da estratégia de comunicação de Wagner, que há pelos duas semanas passou a veicular propagandas mais críticas (que já demandaram mediação da Justiça Eleitoral) em relação a Roberto Cláudio e sua gestão.

Essas alterações nos humores do eleitorado, é importante anotar, não são estáticos e acontecem dentro de uma onda cujo deslocamento é de difícil apreensão. Pesquisas captam um breve instante de um fenômeno que é contínuo e de velocidade variável. Entre a captação, a publicação e a análise dos índices, as flutuações continuam ocorrendo.

Na guerra de imagens que é uma campanha, a coligação do prefeito buscou desconstruir o adversário com a pecha da inexperiente, que pareceu funcionar entre o final do primeiro e o início do segundo turnos. Agora, os estrategistas de Wagner miram na desconfiança do público em relação aos políticos, acusando o prefeito de não cumprir o que promete. Pelo Datafolha, surtiu efeito.

Falta uma semana para a eleição. É pouco tempo para alterações na comunicação de ambos. A se confirmar a tendência de redução na distância entre os dois candidatos, que caiu de 14 para nove pontos, o desafio é saber se a intensidade dessa propensão será suficiente para uma mudança de posições.

Agora, tudo será fundamental. Especialmente o debate do Sistema Jangadeiro, na próxima terça (25), que pelo horário – às 12:20 – tem grande alcance junto aos eleitores que não podem acompanhar debates em outros horários.

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Cid se nega a “tripudiar” sobre prisão de Cunha

Por Wanfil em Corrupção

21 de outubro de 2016

Cid Gomes na sessão da Câmara em que chamou o vingativo Eduardo Cunha de achacador. (Foto: Agência Brasil)

Cid Gomes na sessão da Câmara em que chamou o vingativo Eduardo Cunha de achacador. (Foto: Agência Brasil)

O ex-governador Cid Gomes perdeu o cargo de ministro da Educação após brigar com Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados, em março do ano passado. Cunha pediu a cabeça de Cid à ex-presidente Dilma, que prontamente o atendeu em nome da governabilidade.

Depois Cunha e Dilma brigaram e também perderam seus mandatos. Sem foro privilegiado, o ex-deputado foi preso na quarta-feira (18), por ordem do juiz Sérgio Moro.

O Povo Online procurou Cid Gomes, atualmente no PDT, para saber o que ele acha da prisão de seu desafeto, conforme matéria assinada por Lucas Mota ontem à noite (20):

“Olha, não é meu estilo, jamais será, de tripudiar de situações. Ele já perdeu a presidência da Câmara, perdeu o mandato de deputado e agora está preso. Enfim, prefiro não comentar.”

A resposta, além de sóbria, é oportuna. Não se trata de tripudiar, mas de evitar provocações no momento em que Cunha estuda fazer um acordo de delação premiada com a Lava Jato sobre as relações entre a Petrobras e o financiamento de campanhas do PMDB e do PT, aliado do PDT e, em particular, de Cid no Ceará. Não por acaso, nenhum político de grande expressão está tripudiando de Cunha.

PS. Tripudiar de Cunha hoje pode ser o constrangimento amanhã para aliados de Dilma e Lula, em caso de prisão de Lula ou Dilma, que sem foro privilegiado, também estão enrolados com na Lava Jato.

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Investigadões do Forró

Por Wanfil em Corrupção

18 de outubro de 2016

A Operação For All, deflagrada nesta terça pela Polícia Federal, em parceria com a Receita Federal, investiga empresas de entretenimento responsáveis por bandas de forró, acusadas de sonegar R$ 500 milhões.

Os cantores Xand e Solange, da banda Aviões do Forró, e os empresários Isaías CDs e Carlinhos Aristides, da A3 Entretenimento, estão entre as pessoas levadas à sede da Polícia federal em Fortaleza para prestar esclarecimentos. Ninguém foi preso, mas os bens em nome dos suspeitos foram bloqueados pela Justiça. Por enquanto, formam o grupo Investigadões do Forró. Todos negam crimes fiscais.

Não é de hoje que os cachês de artistas Isso me faz lembrar de um amigo que trabalhou no Tribunal de Contas dos Municípios e que pelos idos de 2010 já dizia: “Se um dia investigarem a contratação de bandas de forró por prefeituras, será o maior escândalo da história do Ceará”.

Pois é. Pelo que ele contava, crime fiscal é o de menos.

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Wagner e RC: ataque como estratégia eleitoral funciona?

Por Wanfil em Eleições 2016

17 de outubro de 2016

O clima esquentou de vez no segundo turno da disputa eleitoral pela Prefeitura de Fortaleza. Desde o final de semana propagandas veiculadas pela coligação do Capitão Wagner (PR) apresentam ataques e denúncias contra o rival Roberto Cláudio (PDT), cuja campanha, por sua vez, revidou.

Apesar do tom emotivo para mobilizar o eleitorado, existe uma lógica racional a orientar esse acirramento. Não se trata de ser bom ou mal, vermelho ou azul, rico ou pobre: é estratégia, ainda que se possa, naturalmente, discordar de seu conteúdo e eficácia.

O fato é que Roberto Cláudio encerrou o primeiro turno à frente de seu concorrente, Wagner. Se ambos mantivessem as mesmas abordagens de comunicação, o resultado provavelmente se repetiria. Aliás, isso tem sido constatado nas pesquisas. Situação que interessa ao pedetista, óbvio. Nesse caso, a pressão por mudança pesa mais sobre o candidato republicano.

Não significa dizer, porém, que vale tudo, seja do ponto de vista legal ou da conveniência eleitoral. Apontar eventuais erros ou desvios do concorrente, ou supostos erros e desvios, faz parte do jogo. Mas sempre existe o risco do excesso e do feitiço virar contra o feiticeiro. Na ponta inversa, é preciso ainda saber como reagir: ignorar, mostrar-se superior, posar de vítima ou partir para o enfrentamento? Vai depender do potencial de estrago.

Há nisso tudo uma boa dose de cálculo, para definir a intensidade da propaganda de desconstrução. O certo é que ninguém fica indiferente a essa nova situação, o que mostra que a esperança de um lado e o temor de outro por seus resultados são uma realidade.

Se vai dar certo,isso é impossível dizer, pois depende de inúmeras variáveis. Pode gerar desconfiança contra o alvo dos ataques em certos segmentos do eleitorado, ao tempo em que junto a outros grupos pode criar antipatia em relação a quem os desfere.

Uma decisão liminar da Justiça Eleitoral suspendeu, temporariamente, algumas propagandas do PR contra o candidato do PDT. Os advogados de Wagner prometem recorrer. A difícil missão de arbitrar uma disputa que envereda por esse caminho pede pressa e muito cuidado. Pressa porque o tempo é curto, cuidado porque críticas ou denúncias fazem parte da política, desde que amparadas nos fatos e colocadas em termos adequados.

De resto, caberá ao eleitor decidir sobre a conveniência e a eficácia dessa estratégia.

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Wagner e RC: ataque como estratégia eleitoral funciona?

Por Wanfil em Eleições 2016

17 de outubro de 2016

O clima esquentou de vez no segundo turno da disputa eleitoral pela Prefeitura de Fortaleza. Desde o final de semana propagandas veiculadas pela coligação do Capitão Wagner (PR) apresentam ataques e denúncias contra o rival Roberto Cláudio (PDT), cuja campanha, por sua vez, revidou.

Apesar do tom emotivo para mobilizar o eleitorado, existe uma lógica racional a orientar esse acirramento. Não se trata de ser bom ou mal, vermelho ou azul, rico ou pobre: é estratégia, ainda que se possa, naturalmente, discordar de seu conteúdo e eficácia.

O fato é que Roberto Cláudio encerrou o primeiro turno à frente de seu concorrente, Wagner. Se ambos mantivessem as mesmas abordagens de comunicação, o resultado provavelmente se repetiria. Aliás, isso tem sido constatado nas pesquisas. Situação que interessa ao pedetista, óbvio. Nesse caso, a pressão por mudança pesa mais sobre o candidato republicano.

Não significa dizer, porém, que vale tudo, seja do ponto de vista legal ou da conveniência eleitoral. Apontar eventuais erros ou desvios do concorrente, ou supostos erros e desvios, faz parte do jogo. Mas sempre existe o risco do excesso e do feitiço virar contra o feiticeiro. Na ponta inversa, é preciso ainda saber como reagir: ignorar, mostrar-se superior, posar de vítima ou partir para o enfrentamento? Vai depender do potencial de estrago.

Há nisso tudo uma boa dose de cálculo, para definir a intensidade da propaganda de desconstrução. O certo é que ninguém fica indiferente a essa nova situação, o que mostra que a esperança de um lado e o temor de outro por seus resultados são uma realidade.

Se vai dar certo,isso é impossível dizer, pois depende de inúmeras variáveis. Pode gerar desconfiança contra o alvo dos ataques em certos segmentos do eleitorado, ao tempo em que junto a outros grupos pode criar antipatia em relação a quem os desfere.

Uma decisão liminar da Justiça Eleitoral suspendeu, temporariamente, algumas propagandas do PR contra o candidato do PDT. Os advogados de Wagner prometem recorrer. A difícil missão de arbitrar uma disputa que envereda por esse caminho pede pressa e muito cuidado. Pressa porque o tempo é curto, cuidado porque críticas ou denúncias fazem parte da política, desde que amparadas nos fatos e colocadas em termos adequados.

De resto, caberá ao eleitor decidir sobre a conveniência e a eficácia dessa estratégia.