Maio 2016 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Maio 2016

As gravações de Sérgio Machado mostram a atualidade de Nelson Rodrigues

Por Wanfil em Corrupção

30 de Maio de 2016

Nunca o Brasil foi tão profundamente rodriguiano como nos dias que vivemos. O instrumento da delação premiada, por exemplo, é a materialização jurídica de uma das tiradas de Nelson Rodrigues: “A fidelidade deveria ser facultativa“. Nosso maior dramaturgo não acreditava na fidelidade como promessa, mas como expressão de cinismo. Por isso também dizia que “só o cúmplice é fiel“. Fiel, porém, aos próprios interesses.

Vejamos o caso das gravações feitas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, de conversas com Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá. Os trechos vazados mostram que parte do PMDB, frustrada com o fracasso de Dilma e Lula em frear a Lava Jato, tentava desesperadamente transformar o impeachment numa manobra contra a operação. Flagrados, esses medalhões acabaram mais expostos do que nunca. Na verdade, chamaram a atenção para a manutenção dos cuidados necessários para preservar as investigações.

O fato é que a fidelidade prometida pelas conveniências da cumplicidade entre políticos agora é facultativa, diante da ameaça de prisão de alguns. É delicioso imaginar a paranoia, a desconfiança e o medo que hoje atinge os casamentos arranjados entre corruptos, que daqui em diante, ao iniciarem seus namoros ainda nas eleições, levarão consigo, intuitivamente, outra máxima de Nelson Rodrigues: “No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte“. Em politiquês, significa dizer que o aliado de hoje pode ser o delator de amanhã. Assim, nunca mais poderão confiar em ninguém, nem em quem tem o rabo preso e talvez, nem em si mesmos.

Nelson Rodrigues é eterno.

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Simpatizantes da maconha e antitabagistas realizam eventos em Fortaleza, uns por menos fumaça, outros por mais

Por Wanfil em Fortaleza

25 de Maio de 2016

Estão marcadas para o final deste mês, em Fortaleza, a Marcha da Maconha (dia 29), organizada pela entidade Coletivo Plantando Informação, e a comemoração pelo Dia Mundial sem Tabaco (31), organizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O primeiro pedindo liberdade para, entre outros usos, fumar um baseado; o segundo alertando contra o fumo de cigarros normais. Mas as diferenças não se encerram aí. O tabaco é legal, a maconha é ilegal. Mesmo assim, tabagistas não fazem apologia ao tabaco, pelo contrário, o que pega bem é ser um antitabagista. Questão de saúde. Médicos alertam para o risco de seu consumo. Ativistas lutam pela restrição de espaços para fumantes.

Já os maconheiros, simpatizantes e seus “coletivos” defendem em marchas públicas o uso da maconha para fins “diversos”, como o medicinal e o “recreativo”. Questão de liberdade de expressão, dizem. Pelo visto, em breve sugerirão que o consumo de maconha, além de saudável e recreativo, ajuda a combater os males do tabagismo.

O que eu acho? O consumo, digamos, recreativo da maconha não faz mal? Sua, por exemplo, inalação só faz bem?Os médicos poderiam dizer. Particularmente, não fumo nem um, nem outro. Corrijo: um cigarro (tabaco) ou charuto, muito, muitíssimo raramente. Mas, como dizia Dr. Sigmund Freud, às vezes um charuto é apenas um charuto.

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Força Nacional de Segurança no Ceará: decisão certa que não apaga erros

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

O pedido de reforço do governo estadual feito à Força Nacional de Segurança após a carnificina do final de semana nos presídios de Itaitinga e Caucaia, na Grande Fortaleza, que deixaram saldo provisório de 18 mortos segundo a Secretaria de Justiça, é plenamente justificável e acertado. O momento é de “estabilizar” o sistema carcerário, como bem enfatizaram o governador Camilo Santana e a Secretaria de Justiça, comandada pelo advogado Hélio Leitão.

Nessas horas, governos costumam hesitar por medo de parecerem inoperantes ou incapazes. Cabe então o registro de que nesse momento crítico o governo estadual priorizou a busca por uma solução do problema, com o apoio de outras instituições, como o Ministério Público. Parece uma tautologia, mas não custa lembrar que na greve dos policiais em 2011 o governo, sem comando, conseguiu piorar o que já era ruim.

A decisão acertada, no entanto, não apaga os erros que resultaram no espetáculo de selvageria dentro dos presídios. O estopim desse barril de pólvora que é a superlotação das prisões foi aceso por agentes penitenciários que, em greve, impediram as visitas aos presos. Deu no que deu. As devidas responsabilidades deverão ser apuradas assim que o quadro volte a uma normalidade mínima.

Mas é fato que emparedado pelo caos, o Governo do Estado recuou e aceitou as reivindicações da categoria. Ora, se havia possibilidade de acordo, faltou capacidade das partes na condução das negociações. Impasse que resultou em mortes.

Quanto a superlotação, boa parte do problema é causado pela lentidão do judiciário: 70% dos presos são provisórios à espera de julgamento. Muitos poderiam cumprir penas alternativas, a depender da gravidade do crime. Daí que essa seja uma questão nacional. De todo modo, cabe ao executivo gerir o amontoado que se avoluma nas penitenciárias, cadeias e delegacias, que por sua vez, são precárias, inseguras e ineficientes, como atestam as fugas semanais que acontecem por todo o Ceará.

O problema dos presídios precisa sim de um profundo debate que exige até mesmo mudanças na legislação. Antes disso, porém, toda essa tragédia exigirá mudanças locais mais imediatas assim que tudo se estabilize. Ficar como estava é que não tem condição.

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Bandido bom é bandido… preso!

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

As rebeliões nos presídios cearenses expuseram com muito sangue a crise no sistema carcerário do Estado. Mais informações no post Força Nacional de Segurança no Ceará. É um tema delicado para qualquer governo. De um lado, a obrigação de manter um sistema carcerário eficiente e do outro a população ressentida dos criminosos e da violência.

Bandido bom é bandido morto
Assim, não é raro ouvirmos gente insuspeita dizendo que bandido bom é bandido morto, como forma de desabafo e indignação. Com o noticiário das rebeliões, vi uma amiga, pessoa de bem, escrever que não consegue “ter empatia” pelo sofrimento desses criminosos. Quem consegue, não é mesmo?Outro afirmou que “não dá para ter pena desses marginais”. Realmente, é difícil. E um terceiro, pessoa cordata e doce, disparou: “Quem morre ali são os mais perigosos, eles que se entendam”. Não dá mesmo para chorar.

São reações compreensíveis, afinal, é praticamente impossível nutrir algum tipo de compaixão por quem mata, estupra, sequestra, mata e rouba, sem parecer um masoquista. De certo modo, concluímos, eles, os marginais, merecem um fim doloroso.

Quem decide o que é certo?
Esse é o ponto. Bandido que morre em confronto com a polícia, em última análise, é também vítima das escolhas que fez. Antes ele do que o policial que se arrisca em serviço. No entanto, uma vez capturado e encaminhado para um presídio, muitas vezes por crimes de menor gravidade, como furto, as coisas mudam do ponto de vista ético e moral.

Também não tenho empatia por criminosos. E por isso mesmo entendo que estou obrigado a tratá-los de acordo com aquilo o que eles não aceitam: o respeito à lei e à condição de ser humano. Tolerar (ou apostar) na selvageria em presídios como método de assepsia é investir na cultura da violência, é dar-lhes razão quanto aos métodos de ação. Por isso, bandido bom é bandido preso, cumprindo a pena até o final em condições adequadas, sem regalias, mas também sem degradação. Bandido bom é bandido submetido às regras que entendemos serem as corretas e não às que eles mesmos imaginam como certas.

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Desemprego cresce e autoridades divulgam carta sobre fusão entre Cultura e Educação: muita confusão, pouco resultado

Por Wanfil em Ceará

20 de Maio de 2016

Manifestantes 'ocupam' prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar

Manifestantes ‘ocupam’ prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar (Divulgação)

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), junto com os demais governadores de estados nordestinos, divulgou carta contra a “extinção” do Ministério da Cultura. Horas antes, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) , e o presidente da Câmara de Vereadores, Salmito Filho (PDT), também assinaram texto contra a “extinção do Ministério da Cultura” e sua “incorporação ao Ministério da Educação”.

Essas iniciativas aconteceram no mesmo dia (19/05) em que o IBGE anunciou que o desemprego no Brasil chegou a 10,9% no primeiro trimestre deste ano. O Nordeste foi a região mais afeta, com índice de 12,8%  (o Sul está com 7,3%). No Ceará os desempregados são 10,8% e na Região Metropolitana de Fortaleza, 11,5%. E o que tem a ver uma coisa com a outra, Wanfil? Vamos por partes.

Não é o fim da Cultura
Dizer que o Ministério da Cultura será extinto pode dar a impressão de que as políticas públicas para a área serão também extintas. Não é por aí. A pasta será incorporada ao Ministério da Educação, no esforço para reduzir o número de ministérios. Menos custos, mais investimentos, diz o governo. Além do mais, a fusão entre cultura e educação não é nenhuma jabuticaba. No Japão é assim, acrescida de ciência e tecnologia no mesmo ministério.

O que está acontecendo aqui é uma disputa política por influência e verbas. O MinC é loteado entre grupos bem articulados, com direito a especialistas em editais e licitações. Seu campo de atuação pode ir desde a reforma de prédios históricos até o financiamento de festivais com as mais variadas temáticas (geralmente com viés ideológico sintonizado com bandeiras de partidos políticos de esquerda). Pois bem, durante anos esse universo foi aparelhado por entidades partidárias, artistas sem público (nem todos, óbvio) e grupos privados interessados em fazer do acesso aos recursos públicos um meio de vida. O receio é que um novo enfoque na aplicação desse dinheiro possa prejudicar esses grupos.

Indignação seletiva
A rigor, ser contra ou a favor da fusão não interfere no problema do desemprego. É perfeitamente possível que governadores e prefeitos discordem da decisão, afinal, estamos numa democracia. Mas é curioso que não tenham adotado atitude semelhante quando, por exemplo, o golpe da refinaria que não veio foi consumado. Onde estavam? Por que não fizeram uma carta cobrando ressarcimento ao Estado? E agora, o que dizem sobre o desemprego?

Aliás, poderiam nossas autoridades aproveitar o embalo e registrar, por escrito, repúdio ao rombo fiscal nas contas federais, assumindo publicamente o compromisso de ajudar, com suas bancadas, na aprovação de medidas de ajuste. Bom mesmo seria um documento pedindo desculpas aos brasileiros e aos cearenses desempregados pelo apoio que deram  ao governo e à gestora que arruinaram a economia com suas pedaladas fiscais. Problemas são muitos, ma a prioridade é tirar o País do buraco. O resto é perfumaria.

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UFC divulga nota sobre confusão entre estudantes pró e contra Bolsonaro. Sem perder a ternura, faço uma correção

Por Wanfil em Ideologia

17 de Maio de 2016

A Universidade Federal do Ceará divulgou nota assinada pelo reitor Henry de Holanda Campos e pelo vice-reitor Custódio Almeida, sobre recente confusão ocorrida entre alunos do curso de Letras e um estudante apoiador do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC). Antes que me acusem disso ou daquilo, aviso que não estou entre os que o admiram, tampouco entre os que o odeiam. Acho que o destaque dado a ele e a Jean Wylys (PSOL), seu inverso político, é sinal de profunda ausência de lideranças de qualidade. Falei sobre isso no post O efeito Bolsonaro. No entanto, o que interessa aqui é a nota da Reitoria, especialmente duas passagens que reproduzo abaixo na cor azul, seguidas de singelos comentários meus.

A Reitoria apela para a reinstauração do bom senso e da convivência pacífica entre os que adotam ideologias e comportamentos diferentes. Esperamos que se preserve o respeito mútuo, mesmo quando uma das partes manifesta condenável acolhida a ideias e personagens sabidamente aversos aos nossos valores democráticos e a conquistas institucionais, como o repúdio à prática da tortura.

Muito bem! Só é preciso, para ficar perfeito, uma simples retificação. No lugar de “uma das partes” o correto seria “ambas as partes“. Afinal, se Bolsonaro defende gente como o coronel Ustra, entre aqueles detestam o deputado estão (não só eles, mas sobretudo) bons esquerdistas seguidores de figuras como Ernesto “Che” Guevara, que para a inveja dos torturadores do regime militar, fuzilou e torturou, pessoalmente, muito mais gente (atenção garotada, pesquisar “prisão de La Cabaña” no Google).

Eu, assim como muitos, repudio “Ustras” e “Ches”. Já dizia Kant que só pode ser ético o que é universal, princípio simplificado pela máxima popular da sabedoria nacional “pau que dá em Chico, dá em Francisco”. Muitas vezes radicais imaginam-se muito distantes, sem perceberem que estão mais próximos do que poderiam acreditar, como as pontas de uma ferradura. Compreender isso é fundamental, uma vez que a obrigação do “repúdio à prática de tortura” não pode valer apenas para uns, segundo a ideologia que professam. Para a Reitoria, é importante não deixar a impressão de que toma partido por “uma das partes”, sem atentar para o fato de que as duas celebram, cada uma a seu gosto, “ideias e personagens sabidamente aversos aos nossos valores democráticos”.

Entenda-se, por fim, que não seremos coniventes com a partidarização da Instituição. A Universidade tem objetivos amplos e muito claros, mas nenhum deles contempla a subserviência a ideologias ou a partidos políticos, seja qual for sua tendência.

O que dizer disso? Reitores de diversas universidades federais assinaram uma lista para defender a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição, devidamente utilizada como peça de propaganda eleitoral. Dessa lista constava o nome do professor Henry Campos. “Ah, mas não foi ato institucional, foi posição pessoal”. Pode ser, mas como bem sabem os marqueteiros, nesses casos o peso das assinaturas está diretamente relacionado aos cargos de seus signatários, que são, não custa lembrar, representantes de comunidades feitas também de estudantes e funcionários eleitores de outros candidatos.

Em outro episódio, reitor e vice-reitor divulgaram nota criticando veladamente o impeachment. Fosse uma nota no Facebook, tudo bem, mas uma vez publicada no site da UFC, ganhou sim conotação oficial, colocando o órgão a serviço de um discurso político de tendência inegavelmente governista.

Fui aluno da UFC no curso de História. Nos cursos de “humanas”, todos sabem, a maior parte da comunidade acadêmica não apenas aprova, mas estimula e cobra, subserviência ideológica, eufemisticamente chamada de “consciência de classe”. Esse tipo de aparelhamento, isso sim, está na raiz da “grave deterioração do clima que caracteriza a Universidade”, como diz a nota. Uma última correção: no lugar de “caracteriza a Universidade”, melhor seria “que deveria caracterizar a Universidade”.

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Ministério sem cearenses pode indicar falta de prestígio, é verdade. Mas quando foi que realmente houve prestígio?

Por Wanfil em Ceará

16 de Maio de 2016

Entre os indicados para a equipe ministerial de Michel Temer não há, a exemplo de mulheres e negros, gestores cearenses. Talvez seja o caso de imaginar que do ponto de vista administrativo e político, o governo do PMDB não tenha feito do gênero, da cor e do Estado de origem, critérios de escolha.

Quais foram, então, os critérios? Ora, varia de acordo com a pasta. Foi técnico para o pessoal da área econômica; fisiológico, como no caso de Leonardo Picciani no Esporte; pessoal, como José Serra nas Relações Exteriores; e ainda teve as nomeações que misturam perfis técnicos com acordos políticos. O ministério é um amálgama de necessidades urgentes com as conveniências de sempre para fazer a tal maioria no parlamento. A esperar os resultados disso. Mesmo assim, essa ausência de cearenses tem causado rumores no meio político local.

Eunício sem nada?
Havia a expectativa de que o senador Eunício Oliveira conseguisse emplacar um nome, mais precisamente Gaudêncio Lucena, na Integração Nacional, o que não aconteceu. Seus adversários falam em falta de prestígio, apesar dos órgãos federais já comandados por indicados do Senador, como é o caso do BNB e DNOCS. Pode ser que sim, pode ser que não.

De fato, a falta de um nome ligado a Eunício, simplesmente o tesoureiro do PMDB e muito próximo a Temer, soa estranho. A não ser que a influência do senador tenha sido direcionada em outro sentido, como, por exemplo, suceder Renan Calheiros na presidência do Senado em 2017, com apoio do governo federal. E hoje, como resta comprovado por fatos recentes, presidir as casas legislativas no Congresso confere poderes aos seus ocupantes muito maiores do que os de um ministro. Mas isso são especulações a serem confirmadas, lembrando que tendências podem mudar a todo instante.

O que fizeram os ministros cearenses?
Vamos lá. Vários nomes cearenses ocuparam diversos ministérios nos últimos anos e isso, francamente, não fez muita diferença para o Estado.

Quantas obras realmente importantes para mudar o perfil socioeconômico do Ceará foram inauguradas por esses ministros? Nem mesmo a reforma do aeroporto foi realizada (lembram do “puxadinho”?). De que valeram para os cearenses essas nomeações na hora, por exemplo, de garantir a refinaria que não veio? De que serviram para evitar os caríssimos atrasos na transposição do rio São Francisco? Qual a utilidade de ter tido um ministro da Educação por três meses? Para o Ceará, os resultados nesses últimos 15 anos foram pífios, essa é a verdade.

Não estou dizendo que nada fizeram. Com certeza alguns deixaram suas marcas etc., etc. Só lembro que esses cargos, que são de abrangência nacional, não resultaram em ações direcionadas para beneficiar o estado natal dos ministros. Pelo menos no que diz respeito ao Ceará.

De toda forma, se o problema é o medo de falta de prestígio, é preciso dizer que, infelizmente, pela ausência de inaugurações e pelas promessas não cumpridas, falta de prestígio nunca faltou para a base que deu sustentação a Lula e Dilma no Ceará, apesar da nomeação de um ou outro ministro. Não seria, portanto, novidade alguma.

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O exemplo de Camilo

Por Wanfil em Ceará

13 de Maio de 2016

Gente da assessoria do governador Camilo Santana (CE), repetindo queixumes do ressentimento petista com o impeachment, critica o fato de não haver na equipe ministerial de Michel Temer negros, mulheres ou “representantes das classes mais pobres”.

Falso problema
A preocupação, nesse momento, é saber o que a equipe ministerial de Temer, independentemente de cores, credos, raças ou gênero, fará para consertar o monumental estrago feito por Dilma nas contas públicas. A prioridade é saber como acomodar a dívida dos estados na meta fiscal do ano que vem. Isso sim é problema de verdade.

Vidraça
De resto, fui conferir mais uma vez o perfil, digamos assim, social, do secretariado de Camilo. Vejam só: não há um negro! Seria racismo? Tem gente rica e apenas um ex-representante das classes mais pobres: Inácio Arruda. E contemplando as mulheres tem Nicolle Barbosa, que na verdade foi nomeada por critérios políticos, na condição de representante das classes mais ricas, o que é perfeitamente legítimo. Quem é governo tem que ter cuidado redobrado antes de falar de outros governos.

Exemplo
Por isso mesmo o próprio Camilo Santana, mesmo sendo aliado e correligionário de Dilma, evitou criticar Temer na declaração que postou quinta no Facebook lamentando o impeachment. Na verdade, o governador foi na direção contrária aos discursos belicosos, dizendo estar “amparado no diálogo e na busca de consensos”. Fica a lição para a sua assessoria, afinal, o estado já tem muito com o que se preocupar, a começar pelo ajuste dos servidores. O resto é perda de tempo. O Brasil está quebrando e Dilma perdeu as condições de governar. Se não houver uma reação estados e municípios quebram juntos e os culpados, para os eleitores, serão os governadores e prefeitos, brancos ou pretos, homens ou mulheres.

CORREÇÃO
A assessoria de comunicação do Governo do Ceará, gentilmente, entrou em contato comigo para fazer uma correção, pelo que sou grato. Além de Nicolle Barbosa, também compõe o time feminino do secretariado Aline Bezerra (Políticas sobre Drogas). Lembrou ainda de Socorro França na Controladoria Geral de Disciplina, que não é secretaria, e a vice-governadora Izolda Cela. Todas brancas e bem posicionadas socialmente, se é que isso importa como critério.

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Amigos petistas vejam o lado bom do impeachment

Por Wanfil em Crônica

12 de Maio de 2016

Faça como Pangloss, mentor de Cândido na sátira O Otimismo, de Voltaire (1759)

Faça como Pangloss, mentor de Cândido na sátira O Otimismo, de Voltaire (1759)

Os eventos, mesmo os mais difíceis, sempre podem ser vistos com otimismo, ensinava Pangloss a Cândido, personagens de Voltaire. “Tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”, repetia diante dos reveses da vida.

Noto que amigos, conhecidos e até desconhecidos que avisto em minhas redes sociais, estão inconsoláveis com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Alguns por afinidade ideológica, outros por lealdade partidária, uns tantos por necessidade (em geral comissionados e assessores) e vários por simpatia gratuita mesmo. Os motivos variam de acordo com o senso de justiça, ou de urgência, de cada um. Esses também estão, naturalmente, revoltados com Michel Temer, que assume interinamente a Presidência da República.

Comovido com esse sofrimento, aqui estou, solidário, a dizer-lhes: há algo de bom para vocês em tudo isso. Se antes estava difícil pregar contra a corrupção, especialmente após o mensalão e o petrolão, agora já se pode apontar ministros enrolados com a Lava Jato. Se antes o constrangimento de ver uma gestão autoproclamada progressista cortando benefícios como o seguro-desemprego era uma humilhação, agora já é possível acusar de neoliberais (quanta saudade desse xingamento, hein?) os que adotam medidas de restrição para fazer o ajuste que pode colocar a economia de volta nos trilhos. Sem contar o alívio que será cobrar aumento salarial, elevação de gastos sociais e nos investimentos em infraestrutura, tudo isso e muito mais, sem precisar se preocupar em fechar a conta. É o paraíso! É o melhor dos mundos possíveis.

Sem os erros nas últimas eleições, sem a maquiagem nas contas públicas, sem os esquemas turbinados nas estatais e nos fundos de pensão, sem os acordos com as empreiteiras, sem o impeachment, sem Eduardo Cunha e Michel Temer, nada disso seria possível. É bem verdade que, após muito sofrer, Cândido conclui, um tanto cético e pessimista, que “devemos cultivar o nosso jardim”. Mas essa parte, convenhamos, não cabe na narrativa do golpismo.

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Dilma fora. E agora Camilo? E agora PT?

Por Wanfil em Política

12 de Maio de 2016

Martelo batido no Senado: Dilma sai de jogo e Michel Temer assume a Presidência da República. Significa dizer, entre muitas outras coisas, que depois da primeira eleição de Collor de Mello, ainda em 1989, quando Tasso Jereissati era governador, o Ceará volta a ter uma gestão estadual de oposição ao governo federal.

Olhar pragmático
Junto com Dilma sai de cena a sua equipe ministerial. São todos agora passado. Promessas não cumpridas e obras atrasadas não dependem mais desse pessoal. Ponto. Caberá pois ao governador Camilo Santana olhar para frente e buscar, junto com a bancada no Congresso, investimentos reais junto ao novo governo. O momento é de adaptação, o que não significar dizer adesão (pelo menos em relação ao governador, já os deputados…).

Convém evitar declarações provocativas ou dúbias. O próprio estilo de Camilo, mais comedido, deve ajudar nesse sentido. Resta então guardar prudência nas ações e discrição nas eleições de outubro. O governador não deverá fazer como seu antecessor Cid Gomes, que se licenciou do cargo para ajudar na eleição de Roberto Cláudio (PDT) em Fortaleza. A menos que queira agravar a indisposição com o PMDB de Eunício Oliveira, arriscando prejudicar qualquer interlocução mais profunda com os ministérios nessa transição.

Relação institucional
O Ceará, não custa lembrar, precisa do governo federal. Em contrapartida, o novo presidente precisa de votos no legislativo. Temer provavelmente deverá entrar em contato com governadores de oposição para dizer que pretende manter uma relação institucional e até propositiva com esses estados, pois o que importa agora é aprovar medidas de recuperação etc. e tal. Será a deixa para construir uma via de acesso ao Planalto para discutir assuntos de interesse da população cearense.

PT na oposição
O PT já avisou que será oposição. Isolado e com todo o desgaste sofrido, a perspectiva do comando nacional da legenda é que prefeituras sejam perdidas em outubro. Em Fortaleza, o partido não decidiu se lançará candidatura própria ou se ficará na sombra de Roberto Cláudio, talvez como o vice da chapa.

PT como aliado?
A essa altura dos acontecimentos é hora de o próprio prefeito (leia-se Cid e Ciro Gomes) avaliar bem se a companhia do PT, apesar do tempo de propaganda que agrega, mais ajuda ou atrapalha. Se não seria melhor ter o PT correndo por fora para bater nos seus adversários… Ao PT, uma candidatura seria uma oportunidade de palanque para uma defesa de sua história. Que estudem as opções.

Incertezas
Ainda é muito cedo para dizer como serão as primeiras semanas da gestão Temer e como elas poderão impactar no Estado. Conseguirá estancar a sangria na economia e até prover alguma recuperação? Impossível dizer. O mercado tem sinalizado positivamente ao impeachment, o que é um indicativo considerável. O certo é que a configuração partidária do poder mudou e que o tempo para se adaptar a esse ambiente em formação é muito curto.

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Dilma fora. E agora Camilo? E agora PT?

Por Wanfil em Política

12 de Maio de 2016

Martelo batido no Senado: Dilma sai de jogo e Michel Temer assume a Presidência da República. Significa dizer, entre muitas outras coisas, que depois da primeira eleição de Collor de Mello, ainda em 1989, quando Tasso Jereissati era governador, o Ceará volta a ter uma gestão estadual de oposição ao governo federal.

Olhar pragmático
Junto com Dilma sai de cena a sua equipe ministerial. São todos agora passado. Promessas não cumpridas e obras atrasadas não dependem mais desse pessoal. Ponto. Caberá pois ao governador Camilo Santana olhar para frente e buscar, junto com a bancada no Congresso, investimentos reais junto ao novo governo. O momento é de adaptação, o que não significar dizer adesão (pelo menos em relação ao governador, já os deputados…).

Convém evitar declarações provocativas ou dúbias. O próprio estilo de Camilo, mais comedido, deve ajudar nesse sentido. Resta então guardar prudência nas ações e discrição nas eleições de outubro. O governador não deverá fazer como seu antecessor Cid Gomes, que se licenciou do cargo para ajudar na eleição de Roberto Cláudio (PDT) em Fortaleza. A menos que queira agravar a indisposição com o PMDB de Eunício Oliveira, arriscando prejudicar qualquer interlocução mais profunda com os ministérios nessa transição.

Relação institucional
O Ceará, não custa lembrar, precisa do governo federal. Em contrapartida, o novo presidente precisa de votos no legislativo. Temer provavelmente deverá entrar em contato com governadores de oposição para dizer que pretende manter uma relação institucional e até propositiva com esses estados, pois o que importa agora é aprovar medidas de recuperação etc. e tal. Será a deixa para construir uma via de acesso ao Planalto para discutir assuntos de interesse da população cearense.

PT na oposição
O PT já avisou que será oposição. Isolado e com todo o desgaste sofrido, a perspectiva do comando nacional da legenda é que prefeituras sejam perdidas em outubro. Em Fortaleza, o partido não decidiu se lançará candidatura própria ou se ficará na sombra de Roberto Cláudio, talvez como o vice da chapa.

PT como aliado?
A essa altura dos acontecimentos é hora de o próprio prefeito (leia-se Cid e Ciro Gomes) avaliar bem se a companhia do PT, apesar do tempo de propaganda que agrega, mais ajuda ou atrapalha. Se não seria melhor ter o PT correndo por fora para bater nos seus adversários… Ao PT, uma candidatura seria uma oportunidade de palanque para uma defesa de sua história. Que estudem as opções.

Incertezas
Ainda é muito cedo para dizer como serão as primeiras semanas da gestão Temer e como elas poderão impactar no Estado. Conseguirá estancar a sangria na economia e até prover alguma recuperação? Impossível dizer. O mercado tem sinalizado positivamente ao impeachment, o que é um indicativo considerável. O certo é que a configuração partidária do poder mudou e que o tempo para se adaptar a esse ambiente em formação é muito curto.