Março 2016 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Março 2016

Sindicato convoca servidores para ato na hora do expediente: eles ainda não entenderam

Por Wanfil em Política

30 de Março de 2016

Não bastasse a reitoria da UFC fazer proselitismo no site da instituição, agora o Sindicato dos Servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará “convida todos os colegas servidores e todos os trabalhadores, em geral, a participar, nesta quinta-feira, 31/3, às 14h, na Praça do Carmo, da manifestação “Em Defesa da Democracia – A Saída pela Esquerda”. Na verdade, explicam os organizadores, o ato é contra o impeachment de Dilma Rousseff. Até aí, nenhuma surpresa.

Entidades sindicais podem protestar como quiserem, desde que de acordo com seus filiados. Mas reparem apenas no horário do evento acima: 14h. É revelador. De largada, impede a participação dos “trabalhadores em geral”. Em relação aos próprios servidores do IFCE, caso compareça algum que desempenhe suas funções nesse turno, deverá ter o ponto cortado, do contrário, a administração da instituição incorrerá em improbidade.

Parece que os dirigentes do sindicato ainda não entenderam a situação. É fundamental separar o que é sindicato, entidade privada, do que é Instituto, órgão público. Vejamos: a hora de trabalho de cada servidor que tem expediente à tarde e que foi convidado para o tal ato é paga pelos contribuintes, brasileiros que, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (30), reprovam a presidente Dilma (82%). Os idealizadores do manifesto governista podem alegar que o chamado se destina apenas aos funcionários que não estiverem de serviço, embora isso não fique claro no texto. De todo modo, convenhamos, seria injusto com aqueles que, estando nessa condição, desejassem ir.

Minha sugestão amiga: façam seus eventos à noite ou no sábado. Optar por horário de expediente em dia de semana prejudica o serviço prestado pela instituição, o que leva, indiretamente, a desperdício de dinheiro público. Entendam: ninguém aguenta mais ver grupos, quaisquer que sejam, não importam os argumentos, usando bens ou cargos públicos como se fossem coisa particular. Dessa distorção é que nasceu o petrolão.

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Ciro Gomes: “A natureza do PT é ter candidatura própria”

Por Wanfil em Política

28 de Março de 2016

O pré-candidato do PDT à presidência da República concedeu entrevista ao Estadão na última quinta-feira (25), para falar sobre a conjuntura nacional. Destaco aqui um pensamento interessante de Ciro a respeito do PT, já no final da conversa com os repórteres Igor Gadelha e Caio Junqueira.

Estadão – O senhor acredita em um futuro apoio do PT à sua candidatura em 2018 como o presidente do PDT, Carlos Lupi, tem defendido?
Ciro – Só se eu fosse uma criança imbecil iria entrar numa bobagem dessa. A natureza do PT é de ter candidato e não apoiar ninguém.

Quem discorda?
É uma leitura que considero correta. Servir de linha auxiliar a projeto de terceiros é algo raro de se ver no petismo. Embora o ex-governador fale do cenário nacional, essa percepção serve para outras instâncias do partido, como percebemos nas declarações da ex-prefeita Luizianne Lins em defesa de candidatura própria do PT em Fortaleza.

O partido até poderá apoiar a reeleição de Roberto Cláudio, do PDT, por causa de fatores ligados à crise política, mas se o fizer, será contrariando sua própria natureza.

A quem interessar, aqui está a íntegra da entrevista.

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com 50 anos de atraso UFC divulga nota contra o “autoritarismo”

Por Wanfil em Política

28 de Março de 2016

A Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC) publicou na última quarta-feira (23) uma nota pública para “expressar sua grande preocupação com o grave momento sociopolítico pelo qual atravessa a nação brasileira”, assinada em conjunto pelo reitor Henry de Holanda Campos e pelo vice-reitor Custódio Almeida. Reproduzo a seguir, na cor vermelha, um trecho da nota (grifos meus).

Todos sabemos o quanto a Democracia e o Estado de Direito no Brasil são conquistas políticas jovens e ainda frágeis, alcançadas a partir de altos custos pessoais e institucionais, por meio de lutas contra condicionamentos culturais de origem colonial-escravagista, responsáveis por formas de pensar e agir autoritárias, e que historicamente têm excluído vastos setores de nossa população. Em momentos de dificuldade como o atual, essa resistência está sendo posta à prova e exigirá de todos nós o compromisso em manter a expansão de tais conquistas, evitando soluções fáceis que prometam a redenção de todos os “males” com “boas intenções” e “limpezas éticas”.

Fosse escrita em 23 de março em 1964, ainda na véspera do golpe militar daquele ano, a nota seria perfeita. Mas agora, em plena democracia, o texto fica anacrônico, pois perde o sentido objetivo. O que está sendo posto à prova são as instituições democráticas que trabalham para fazer valer a Constituição, contra uma organização criminosa que se apossou do Estado. Não sou eu quem diz isso. É o Ministério Público Federal, a Procuradoria Geral da República, o Tribunal de Contas da União, delatores da Operação Lava-Jato íntimos do poder (inclusive o ex-líder do governo no Senado) e o próprio STF na sentença do mensalão. Na verdade, a peça demonstra justamente a confusão conceitual que deu início ao “grave momento sociopolítico” e econômico, é bom lembrar. Que confusão? Confundir o público com o privado.

É óbvio que o texto da reitoria, ao defender a democracia e o Estado de Direito, faz uma alusão ao pedido de impeachment, sarcasticamente chamado de “solução fácil” e de ser resultante de um “modo de pensar e agir autoritário”. Pode ser que o alvo seja o juiz Sérgio Moro, mas isso não fica claro. Por isso, acaba dirigido, de modo geral, aos poderes Judiciário (que estabeleceu o rito do impeachment, resguardando, portanto, seu caráter legal) e Legislativo, já que cabe ao Congresso votar o possível afastamento da presidente Dilma Rouseff, que nomeou os reitores da universidades federais.

O reitor e seu vice podem discordar do impeachment, é claro. Podem, inclusive, se manifestar a respeito como cidadãos livres. Isso é tão legítimo quanto, defender o processo. Podem, para isso, escrever artigos em jornais ou mesmo em redes sociais de uso pessoal. O que não pega bem é tomar parte em assuntos partidários valendo-se da posição que ocupam e utilizando recursos públicos, fazendo passar por opinião de toda a universidade o que não passa de posição particular. A nota é da reitoria, da instituição, portanto, um posicionamento oficial da entidade.

Na própria UFC, órgão público que deve primar pela impessoalidade, já que custeado por impostos de contribuintes de todas as cores partidárias, políticas, ideológicas e posições sociais, certamente tem professores, funcionários e alunos que concordam com o impeachment como solução viável e legal. Eu mesmo conheço alguns.

Quando gestores públicos usam as instituições que administram (órgãos de estado e não de governos), que pertencem aos brasileiros (e não a um partido), como instrumentos privados em disputas políticas para reverberar o discurso oficial, tornam-se eles mesmos, agentes do autoritarismo que fingem combater.

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Por que Cid e Ciro ainda defendem Dilma? O que há para “temer”?

Por Wanfil em Política

19 de Março de 2016

Cid Gomes deu uma entrevista coletiva na Assembleia Legislativa ontem (sexta) para fazer uma defesa meio envergonhada da presidente Dilma (“Eu não estou satisfeito com a Dilma, mas ela foi eleita”) – e para criticar de modo estranho o PMDB (“Está no poder desde sempre, porque aquilo é a sobrevivência deles”). Estranho porque, afinal, ter a política como meio de vida não deveria ser algo estranho ao ex-governador. Estranho porque o PMDB fez parte de seu governo por sete anos. De todo modo, é o mesmo discurso de seu irmão Ciro Gomes.

Minoria
A essa altura, poucos fora do PT e de seus satélites ainda se mostram aliados incondicionais de Dilma e Lula. Especialmente por estarmos em ano eleitoral. Mais raro ainda são manifestações públicas nesse sentido. Cid e Ciro falam, gritam, ponderam e reclamam, mas pregam no vazio, porque a população não endossa seus argumentos porque rejeita a presidente. Os governistas são minoria indiscutível e constrangedora. Os protestos de domingo, 13 de março, contra o governo, reuniram, segundo a Secretaria de Segurança (gestão do PT) cerca de 40 mil pessoas. As manifestações a favor do governo, realizadas na sexta, 18 de março, mesmo com o apoio de entidades aparelhadas, levaram às ruas 6 mil pessoas segundo a PM. Só mesmo muita torcida para ver nessa surra um fôlego para Dilma.

Temer
Diante disso tudo, porque Cid e Ciro insistem? Porque estão desolados com a possibilidade, cada vez mais real, de o vice Michel Temer, que não quer ver os dois nem pelas costas, vir a assumir a Presidência da República. Existe a possibilidade de cassação no TSE, mas é um processo lento, com previsão de desfecho para o final do ano – se houver desfecho. Até lá, as portas do Palácio do Planalto estarão fechadas para os irmãos, sem a menor chance de abertura. Pior ainda: seu ex-aliado e hoje desafeto Eunício Oliveira, do PMDB, será o homem forte do governo federal no Ceará. Pior ainda (para a dupla e seus aliados locais): antes das eleições de outubro. O cálculo é político e o choro é livre.

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É Lula… Não tá tranquilo, não tá favorável

Por Wanfil em Política

17 de Março de 2016

Segue o conteúdo da Coluna Política desta quinta-feira (17), que tenho na rádio Tribuna Band News FM (101.7):

Sob o pretexto de enfrenta a crise econômica e reunificar a base aliada, o ex-presidente Lula foi nomeado ministro da Casa Civil. Na prática, Lula quer foro privilegiado para escapar de um provável pedido de prisão e poder político para tentar evitar o impeachment de Dilma.

Muitos analistas lembram que não se deve subestimar o ex-presidente, mas é importante também não subestimar o contexto, para não confundirmos passado e presente.

O Lula presidente deixou o planalto com alta popularidade, o Lula ministro assume com viés de baixa; o Lula presidente tinha a legitimidade das urnas, o Lula ministro tem o endosso dos conchavos de conveniência; o Lula presidente herdou um país com diretrizes econômicas bem definidas; o Lula ministro herda um país sem rumo e que vive uma recessão sem precedentes; Lula presidente tinha o benefício da dúvida, Lula ministro é um suspeito investigado por corrupção.

Essas diferenças, assim como a desconfiança generalizada da população, não podem de forma alguma ser ignoradas.

Os grupos responsáveis pelos protestos de domingo (13), os maiores da história, já falam em voltar às ruas para exigir a saída de Lula. No Ceará, que possui uma das bancadas governistas mais subservientes do País, onde o PIB despencou 3,5% em 2015 e o desemprego bate recorde, coube à iniciativa privada falar pelos cearenses. A Federação das Indústrias do Estado (Fiec) se manifestou no mesmo dia para pedir uma mobilização nacional contra a nomeação do ex-presidente.

Só mesmo o governo federal e seus aliados, por conta do desespero, ainda acreditam em salvadores da pátria.

Abaixo, o áudio da coluna.

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O Ministério e a diferença entre Lula e Brás Cubas

Por Wanfil em Brasil

16 de Março de 2016

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, obra essencial do grande Machado de Assis, o personagem título dedica um capítulo, com apenas uma página totalmente em branco, a sua quase nomeação para um ministério (cap. CXXXIX: De como não fui ministro d’Estado). No capitulo seguinte (cap. CXL), Brás Cubas explica a razão de seu silêncio: “Há coisas que melhor se dizem calando; tal é a matéria do capítulo anterior“. Ironia com requinte de classe.

O romance de Machado foi publicado em 1881. Eram outros tempos. Passados 135 anos, a discrição de outrora parece impossível nessa época de informação em tempo real, de redes sociais, de implacável cobertura de imprensa. O ex-presidente Lula pode vir a ser ministro de Dilma Rousseff, mas independente de sua efetivação ou não, essa página de sua história não poderá ficar em branco. É que o país inteiro já sabe os motivos dessa articulação.

Dilma, sua sucessora sem liderança própria ameaçada de impeachment, foi constrangida por seus correligionários a nomeá-lo ministro, abdicando, portanto, de comandar o próprio governo, para que Lula, a fonte de liderança que a elegeu, possa escapar da prisão. Esse capítulo, sem prejuízo para novos acontecimentos, ficaria bem descrito com o seguinte título, de autoria do próprio Lula, em 1988: No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba ele vira ministro.

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Protestos: fora da desconfiança não há salvação

Por Wanfil em Brasil

14 de Março de 2016

Desde a redemocratização, nos idos dos anos 80 do século passado, os brasileiros já acreditaram em salvadores da pátria e que a esquerda fosse imune à corrupção. Collor e Lula destruíram essas ilusões, causando imensos prejuízos financeiros e traumas morais à nação. A desconfiança nascida da decepção não implica em direcionar gratuitamente as esperanças para outras forças políticas, sejam as linhas auxiliares do petismo ou seus adversários atualmente na oposição. Amadurecer é isso, aprender com a experiência.

Desse modo, as imagens dos protestos contra a presidente Dilma Rousseff e o PT não deixam dúvidas: foram os maiores já realizados contra um governo no Brasil. Protestos legítimos e pacíficos, distantes da ideia de golpe ou de manipulação midiática. Pedem o impeachment não porque Dilma se mostrou incompetente como gestora ou mentirosa como candidata, mas por ser acusada de, no mínimo, conceder com a corrupção, ou de, mais grave ainda, de ter sido eleita por ela.

Prestígio mesmo, só tem o juiz federal Sérgio Moro, que comanda e personifica a Operação Lava Jato, que em nota resumiu bem esse estado de espírito: “Importante que as autoridades eleitas e os partidos ouçam a voz das ruas e igualmente se comprometam com o combate à corrupção, reforçando nossas instituições e cortando, sem exceção, na própria carne, pois atualmente trata-se de iniciativa quase que exclusiva das instâncias de controle”.

O recado é claro: se engana quem pensa que o impeachment encerra ou tira força da Lava Jato, pois os brasileiros, que aprenderam a desconfiar de todos os políticos e de todos os partidos, cobrarão a continuidade da Operação. Nessa todos confiam, até mesmo os corruptos investigados, que andam apavorados com a possibilidade de serem presos. Assim, governantes e candidatos que não se comprometerem com as investigações contra a corrupção, que chamarem de golpismo a aplicação da lei, serão definitivamente desmoralizados. A esperança agora está na desconfiança crônica do povo contra seus representantes. Amadurecimento.

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Prefeito diz que solução agora é eleger aliados de quem criou a crise

Por Wanfil em Fortaleza

11 de Março de 2016

Do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), em evento da sigla de aluguel PROS, defendendo que o PT de Camilo Santana (e Dilma Rousseff) apoie sua candidatura à reeleição, segundo matéria de O Povo :

“É muito importante que uma cidade como Fortaleza tenha uma aliança administrativa entre Prefeitura e Governo que possibilite recursos a mais e apoio político a mais para fazer o que a gente deve fazer em época de crise.”

Esse argumento perdeu a validade desde que o governo federal não cumpriu a promessa eleitoreira de construir uma refinaria da Petrobras no Ceará. Nesse caso, a única coisa que essa “aliança administrativa” conseguiu produzir foi o silêncio e a omissão dos governistas cearenses, que evitaram denunciar e cobrar o golpe, fingindo que nada aconteceu.

Por outra ainda, se aliança é garantia de ação, por que então o Hospital de Quixeramobim, inaugurado em 2014, ainda não funciona?

Quando o ex-prefeito Juraci Magalhães governava, dizia justamente o contrário: ter adversários nesses cargos evitaria acomodações e geraria uma disputa para ver quem faria mais. E aí? São ideias adaptáveis, conforme os interesses do momento.

De todo modo, mesmo compreendendo, digamos assim, o apelo eleitoral dessas formulações, o mais incrível agora é ver governistas dizendo que a melhor forma de enfrentar a crise é manter no poder a mesma aliança que a produziu.

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Beto Studart: “Acordamos para reagir e começar um novo tempo”

Por Wanfil em Ceará

10 de Março de 2016

Em solenidade realizada na FIEC nesta sexta-feira, o Banco do Nordeste, presidido por Marcos Holanda, lançou o “Cartão FNE” para agilizar financiamentos com juros reduzidos com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste. Participaram empresários e políticos, incluindo os governadores do Ceará, Camilo Santana (PT); do Piauí, Wellington Dias (PT); e de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

Na maior parte do tempo os discursos foram técnicos, evitando na medida do possível as tensões políticas do momento. Pontualmente algumas ponderações nesse sentido foram feitas, de forma cautelosa, especialmente na fala do empresário Beto Studart, presidente da Fiec, cuja passagem reproduzo abaixo (grifos meus):

“Estou confiante de que acordamos para reagir e começar um novo tempo (…), porque sabemos que o cerne do problema não é econômico, é ético, é moral.

Está muito claro que as soluções para o Brasil vão além da economia e não podem ser postergadas nem mais um dia. Cada um de nós precisa exercer sua cidadania da forma mais transparente, para superarmos os entraves que impedem que o país siga o caminho correto e avance com sua vocação para potência mundial.

Cidadania, meus amigos, se pratica todos os dias, mas são nos momentos de maior dificuldade que precisamos exercê-la com mais força, com mais intensidade, com toda a paixão. São nesses períodos que devem aflorar o amor maior à nação, o patriotismo, o compromisso com o Brasil. A hora é agora e a missão é nossa.”

Tradução
Alguns dos presentes com os quais conversei queriam algo mais direto. É que as pessoas andam exaltadas. Como não se tratava de evento político, o discurso foi contundente dentro dos limites impostos pela liturgia e natureza da ocasião. Considerando ainda que estamos às vésperas de uma nova rodada de protestos contra Dilma e Lula, isso fica mais evidente, conforme demonstro em tradução livre que faço a seguir.

“Reagir” para começar um “novo tempo” significa agilizar a mudança de governo. Reconhecer que “o problema não é econômico”, mas “ético” e “moral”, é concordar que a gestão Dilma foi desmoralizada pela Lava Jato, perdendo, assim, qualquer condição de liderança. As “soluções que vão além da economia e não podem mais ser postergadas” são três: renúncia, cassação ou impeachment da presidente. “Exercer a cidadania com mais força e intensidade” significa ir às ruas. Quando? No próximo domingo, claro, pois “a hora é agora”. Retirada a maquiagem da formalidade, essa foi a essência do recado.

Repito: essa interpretação é exclusivamente minha. Na relação entre emissor e receptor da mensagem, foi assim que a decodifiquei.

Sem reação
Em seguida, o presidente e técnicos do BNB falaram. Ninguém citou o governo federal, muito menos a presidente. O elogiado do dia foi Marcos Holanda, economista de boa reputação indicado para a presidência do BNB por Eunício Oliveira (PMDB).

Finalizando o evento, a palavra foi concedida aos governadores. Nada sobre “escalada golpista”, “crise internacional” ou “recriação da CPMF”, que ninguém ali é bobo. Só Wellington Dias falou explicitamente o nome de Dilma Rousseff, mas só de passagem, em alusão a uma reunião. Camilo Santana ainda disse que o momento pede união e não divisão, sem maiores detalhes. Nenhum elogiou a presidente.

Esse silêncio também pode ser traduzido. Significa “Dilma está por conta própria”.

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Camilo acusa Lava Jato de tentar desestabilizar o País

Por Wanfil em Política

07 de Março de 2016

Camilo FaceDo governador Camilo Santana, no Facebook, na última sexta-feira, após o depoimento do ex-presidente Lula nas investigações da Lava Jato (grifos meus):

“O que temos visto nos últimos dias são alguns episódios preocupantes de agressão ao estado de direito. Depois de vazamentos seletivos de suposta delação premiada atingindo a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, o país foi surpreendido hoje por uma ação espetaculosa, com o aparente objetivo de desestabilizar o país. O mandado de condução coercitiva do ex-presidente, que tem prestado seguidos esclarecimentos à Justiça, inclusive sobre o processo em questão, soa arbitrário, constrangendo uma figura pública que se notabilizou no mundo inteiro, como o presidente que mais contribuiu para a redução da desigualdade social em um país.”

Que o PT e Lula usem essa retórica como estratégia para mudar o foco das acusações que lhes são feitas, faz parte do jogo. Estranho seria se eles elogiassem a investigação que revela ao País os podres de um projeto de poder em crise. O que não fica bem é quando autoridades como o governador Camilo Santana ou mesmo a presidente Dilma Rousseff, ambos petistas, passam a endossar esses argumentos, puramente retóricos, que não demonstram em momento algum agressões ao Estado de Direito ou arbitrariedades no processo. É preciso que digam objetivamente quais pontos da Constituição foram violados, denunciando nominalmente os responsáveis. Sem isso, essas autoridades correm o risco de se deixarem confundir com meros militantes que usam o prestígio de suas posições para defender o líder em apuros.

Em nota, a Força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal lembrou que “o instituto da condução coercitiva baseia-se no Código de Processo Penal” e que “apesar de todo respeito que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva merece, esse respeito é-lhe devido na exata medida do respeito que se deve a qualquer outro cidadão brasileiro, pois hoje não é ele titular de nenhuma prerrogativa que o torne imune a ser investigado na operação Lava Jato”. Alguma dúvida? O MPF afirma ainda que outras 116 pessoas foram alvo de conduções coercitivas e ninguém apontou uma irregularidade. Por que Lula teria direito a privilégios? Estamos numa democracia, ora.

Uma coisa é um amigo, admirador, aliado ou correligionário torcer para que Lula, que conta com excelentes advogados, prove sua inocência, rebatendo os contundentes indícios de que teria usado o cargo para conseguir vantagens pessoais de empreiteiras e empresas de telefonia. Outra coisa bem diferente é ver autoridades aderirem sem maiores cuidados a um discurso que procura desqualificar instituições que nada mais fazem do que o seu papel constitucional. Instituições acusadas, vejam só, de funcionar de modo independente.

Coube ao governador do Mato Grosso, Pedro Taques, afirmar diante de Dilma e de outros governadores, inclusive o do Ceará, que ninguém está acima da lei. Existe ainda o perigo de colocar a mão no fogo agora por alguém investigado e diretamente envolvido figuras já condenadas por corrupção, é se queimar nas próximas etapas da Lava Jato.

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Camilo acusa Lava Jato de tentar desestabilizar o País

Por Wanfil em Política

07 de Março de 2016

Camilo FaceDo governador Camilo Santana, no Facebook, na última sexta-feira, após o depoimento do ex-presidente Lula nas investigações da Lava Jato (grifos meus):

“O que temos visto nos últimos dias são alguns episódios preocupantes de agressão ao estado de direito. Depois de vazamentos seletivos de suposta delação premiada atingindo a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, o país foi surpreendido hoje por uma ação espetaculosa, com o aparente objetivo de desestabilizar o país. O mandado de condução coercitiva do ex-presidente, que tem prestado seguidos esclarecimentos à Justiça, inclusive sobre o processo em questão, soa arbitrário, constrangendo uma figura pública que se notabilizou no mundo inteiro, como o presidente que mais contribuiu para a redução da desigualdade social em um país.”

Que o PT e Lula usem essa retórica como estratégia para mudar o foco das acusações que lhes são feitas, faz parte do jogo. Estranho seria se eles elogiassem a investigação que revela ao País os podres de um projeto de poder em crise. O que não fica bem é quando autoridades como o governador Camilo Santana ou mesmo a presidente Dilma Rousseff, ambos petistas, passam a endossar esses argumentos, puramente retóricos, que não demonstram em momento algum agressões ao Estado de Direito ou arbitrariedades no processo. É preciso que digam objetivamente quais pontos da Constituição foram violados, denunciando nominalmente os responsáveis. Sem isso, essas autoridades correm o risco de se deixarem confundir com meros militantes que usam o prestígio de suas posições para defender o líder em apuros.

Em nota, a Força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal lembrou que “o instituto da condução coercitiva baseia-se no Código de Processo Penal” e que “apesar de todo respeito que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva merece, esse respeito é-lhe devido na exata medida do respeito que se deve a qualquer outro cidadão brasileiro, pois hoje não é ele titular de nenhuma prerrogativa que o torne imune a ser investigado na operação Lava Jato”. Alguma dúvida? O MPF afirma ainda que outras 116 pessoas foram alvo de conduções coercitivas e ninguém apontou uma irregularidade. Por que Lula teria direito a privilégios? Estamos numa democracia, ora.

Uma coisa é um amigo, admirador, aliado ou correligionário torcer para que Lula, que conta com excelentes advogados, prove sua inocência, rebatendo os contundentes indícios de que teria usado o cargo para conseguir vantagens pessoais de empreiteiras e empresas de telefonia. Outra coisa bem diferente é ver autoridades aderirem sem maiores cuidados a um discurso que procura desqualificar instituições que nada mais fazem do que o seu papel constitucional. Instituições acusadas, vejam só, de funcionar de modo independente.

Coube ao governador do Mato Grosso, Pedro Taques, afirmar diante de Dilma e de outros governadores, inclusive o do Ceará, que ninguém está acima da lei. Existe ainda o perigo de colocar a mão no fogo agora por alguém investigado e diretamente envolvido figuras já condenadas por corrupção, é se queimar nas próximas etapas da Lava Jato.