Fevereiro 2016 - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Fevereiro 2016

Desabamento na Raul Barbosa: tragédia ameaça transformar trunfo eleitoral em prejuízo de imagem

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Fevereiro de 2016

O desabamento de parte das obras na ponte sobre o canal do Lagamar, na Avenida Raul Barbosa, em Fortaleza, é um daqueles eventos que exigem todo o cuidado na análise de suas causas e consequências, de modo a evitar precipitações, erros e injustiças. E principalmente, por respeito aos feridos e às duas vítimas que perderam a vida no desastre.

Por outro lado, como laudos técnicos demoram a ser concluídos, é inevitável que nesse meio tempo hipóteses sejam levantadas e debatidas pela população em geral e especialistas via imprensa. Nesse caso, não adianta autoridades e aliados da prefeitura reclamarem de possível exploração política, na esperança de impedir críticas. Mesmo sendo óbvio que ainda é cedo para apontar categoricamente o que causou o desabamento, suposições ocupam o vazio de respostas imediatas. É algo natural e acontece sempre, por exemplo, na sequência de desastres aéreos.

No episódio da ponte, comentários nas redes sociais vão de suspeitas de erro técnico, passando pela ação das chuvas, até uma suposta pressa na execução da obra, com objetivos eleitorais. A conexão com eleições é ainda previsível, afinal, não se pode negar mesmo que estamos em ano eleitoral. Da mesma forma que obras podem ser trunfos explorados em campanhas e propagandas, acidentes assim podem ser objetos de questionamentos e de prejuízo de imagem para o gestor, no caso, na imagem de Roberto Cláudio, caso as respostas gerenciais e a comunicação governamental não sejam bem trabalhadas.

A manifestação de solidariedade com as famílias das vítimas e o anúncio de medidas para apurar as causas do acidente, além de obrigações, são as reações possíveis para a Prefeitura nesse momento inicial. Resta agora esperar agilidade no resultado das investigações, firmeza na cobrança dos responsáveis e explicações claras para tranquilizar a população em relação a outras obras. Agir assim, sem tergiversações, assumindo o que deve ser assumido, responsabilizando quem deva ser responsabilizado, é mostrar compromisso com a verdade e, acima de tudo, questão de justiça.

Publicidade

O avanço do antipetismo em ano eleitoral

Por Wanfil em Partidos

22 de Fevereiro de 2016

Uma pesquisa Ibope publicada nesta segunda (22) na coluna do jornalista Fernando Rodrigues, do Estadão, mostra que a rejeição ao ex-presidente Lula aumentou de 55% para 61% em quatro meses. Na ponta inversa, 19% dos eleitores afirmam que votariam nele com certeza para voltar à Presidência, índice ainda competitivo.

Outro levantamento, feito em parceria pela Fundação Getúlio Vargas e pela Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, e publicada pela Folha de São Paulo no final de semana, mostra que o número de eleitores anti-PT saltou de 7,5% em 1997 para 11,%5 em 2014. Paradoxalmente, o PT ainda é o partido com mais simpatizantes, embora esse contingente tenha caído de 23% em 2006 para 16% em 2014.

Não entro aqui no mérito sobre a natureza desse fenômeno, o antipetismo. O foco aqui são as implicações dessa realidade. Nas duas pesquisas o problema para o PT é a consolidação de tendências negativas, que deve ter se acentuado em 2016 devido à crise econômica e ao avanço da Operação Lava Jato. É muito provável que o antipetismo puro tenha aumentado e que a quantidade de eleitores dispostos a defender o partido tenha diminuído.

Isso pode explicar, em parte, a apatia dos aliados na defesa do PT e da presidente Dilma mesmo aqui no Ceará, onde o PT comanda o Governo do Estado, afinal, ninguém quer o abraço de quem está se afogando. Mas digo em parte porque desde o início da atual gestão o governador Camilo Santana evitou nomear correligionários para os principais cargos da administração, reforçando o comentário geral de que o governador seria mais ligado ao projeto da família Ferreira Gomes do que ao próprio partido.

Falsa ou verdadeira, essa impressão alimenta boatos de que se o PT optar por candidatura própria em Fortaleza, Camilo deixaria o partido, pois seu compromisso maior seria com a reeleição de Roberto Cláudio, do PDT.

São especulações que não podem ser confundidas com fatos, mas que servem para ilustrar o estado de espírito que predomina nos bastidores da política no Ceará, dividido entre a luta do PT pela sobrevivência e a luta de seus aliados para sobreviver ao PT.

Publicidade

Do PROS ao pó: partido perde nove deputados com janela da infidelidade

Por Wanfil em Partidos

19 de Fevereiro de 2016

O PROS no Ceará virou pó, esmagado pelas circunstâncias eleitorais  do momento. Com a janela da infidelidade aberta (30 dias para que parlamentares mudem de partido sem o risco de perder os mandatos), o Partido Republicano da Ordem Social perderá nove deputados na Assembleia Legislativa, segundo informação do deputado estadual Sérgio Aguiar, ele mesmo membro do bloco que irá para o PDT, seguindo os passos da errática trajetória partidária de Ciro e Cid Gomes.

Criado em 2013 por um desconhecido e obscuro vereador de Planaltina, nos arredores de Brasília, sem nada de substancial a oferecer e programaticamente vazio, o PROS apareceu como saída de emergência para que políticos descontentes com seus partidos pudessem driblar a Justiça Eleitoral, que em 2007 havia decidido que os mandatos pertenciam aos partidos. Em busca de filiados, seus emissários apresentavam-no com o seguinte anúncio: “Insatisfeito com seu partido? Quer sair dele sem perder o mandato? O PROS é a mais nova opção”. E assim, seduzidos por esse pragmatismo sem compromisso ideológico, dissidentes do PSB no Ceará rompidos com o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, entraram no PROS. No entanto, a sintonia entre a fome e a vontade de comer durou pouco, pois a executiva estadual (leia-se Cid) não se sentia obrigada a prestar contas com a executiva nacional.

Instrumentos descartáveis
Vários partidos já foram usados como instrumentos de ocasião no Ceará, mas o caso do PROS, sigla de aluguel por excelência, escancara de forma inequívoca a essência dessa promiscuidade: o partido serviu momentaneamente, no Ceará, a um projeto de poder baseado nas relações de parentesco e compadrio, de amizade e servilismo.

Se o PDT oferece aos nômades da política cearenses um discurso ideológico, sempre amparado na figura de Leonel Brizola, no PROS isso nunca foi possível, fato que deixou exposto que o negócio do grupo é a instrumentalização dos partidos e da política como meio de vida e de ascensão social. É a consagração do poder pelo poder sem o peso de se ater a valores fixos. Do pó do oportunismo o PROS nasceu, ao pó do oportunismo o PROS retorna: sua utilidade se resume a garantir mais um tempinho de propaganda eleitoral para seus antigos usuários, todos juntos na mesma aliança. Sabe como é, vergonha é perder eleição.

leia tudo sobre

Publicidade

Epidemias não se improvisam: governos federal e estadual reduziram gastos com prevenção

Por Wanfil em Brasil

16 de Fevereiro de 2016

No programa que apresento na Rede Jangadeiro FM (o Revista Jangadeiro), comentando sobre a campanha nacional contra o Aedes aegypti realizada no último sábado, eu disse que a mobilização é fundamental, mas que as autoridades deveriam aproveitar a oportunidade para pedir desculpas pelas péssimas condições sanitárias e de falta de investimento em pesquisa e prevenção no País.

Pois bem, o jornal Folha de São Paulo publica a seguinte matéria neste sábado: “Governo federal e Estados cortam recursos contra epidemias“. A reportagem mostrou que os valores gastos (liquidados, ou seja, efetivamente pagos) pelo governo federal no combate a epidemias entre 2014 e 2015 caíram 9,2%.

Por causa da crise e da queda nos repasses federais, 17 estados também reduziram investimentos em vigilância epidemiológica. Segundo a Folha, no Ceará a queda foi de 10%. De R$ 29 milhões para R$ 26 milhões. O resultado é o recorde em casos de dengue, além da chikungunya e o do vírus zika.

Por isso, quando você ouvir a presidente Dilma dizendo que a culpa da epidemia é da “mosquita” (sim, ela disse isso, basta pesquisar na internet), lembre desses números. Eles expressam a parceria entre governo federal, estadual e municípios na construção de “um novo Ceará”.

Publicidade

Cid diz que erros de Lula são perdoáveis. Que erros?

Por Wanfil em Política

13 de Fevereiro de 2016

O ex-governador do Ceará Cid Gomes disse em entrevista ao jornal O Povo que “Lula é um homem que cometeu erros ao longo da sua vida pública, e certamente esses erros são insignificantes perto do bem que ele fez ao Brasil“. Na prática, para bom entendedor, equivale a dizer que são perdoáveis eventuais deslizes de Lula.

Infelizmente, não ficou claro o quais seriam esses erros, aos olhos do ex-ministro relâmpago da Educação. Entre eles estaria a refinaria da Petrobras prometida aos cearenses por Lula e aliados? Ou a demora na conclusão da Transposição do São Francisco? Ou Cid será fala novamente da coligação com entre PT e PMDB? Acho que foi o duque  François de La Rochefoucauld, no século 17 (cito de memória), quem disse que confessamos os pequenos erros para insinuar que não cometemos os grandes. Pois é, a imprecisão abre portas para a especulação. 

Outro ponto importante é separar erro de crime. Ou não tratar crime como mero erro. Porque nessa condição não há perdão. Cid estaria falando do mensalão e do petrolão? Aí tudo mudaria de figura, pois a fala em defesa do ex-presidente se assemelharia à defesa do “rouba mais faz”, o que certamente não deve ter sido a intenção.

Quem sabe a referência aos tais “erros” sejam uma alusão à polêmica do apartamento do Guarujá e do sítio de Atibaia, imóveis frequentados por Lula e família, mas comprados por empresários que enriqueceram mediante contratos públicos e reformados por empreiteiras enroladas na Operação Lava Jato. A suspeita é de que Lula seja o verdadeiro dono de patrimônio e que os favores de empreiteiros sejam retribuição por negócios fraudulentos. Apesar de tudo ainda ser tratado como suspeita, também não cabe aí a comparação com erro no sentido de descuido, já que haveria premeditação e organização para a consumação dos fatos. De todo modo, a investigação deverá esclarecer tudo, não é? Portanto, sendo Lula apenas uma vítima das aparências, não há com que se preocupar. Já do contrário…

Errar é humano, tudo bem. Nas democracias, aceitar as consequências desses “erros”, conforme sua gravidade, também. Sabe como é, ninguém está acima das leis.

leia tudo sobre

Publicidade

A alma do negócio

Por Wanfil em Política

10 de Fevereiro de 2016

“A propaganda é a alma do negócio”, reza o ditado. Adaptado às conveniências da política brasileira, o conceito foi alterado com a substituição do termo “propaganda” por “ilusão”: A ilusão é a alma do negócio. Deu certo nos últimos anos para vencer eleições, quando conexões entre promessas e realidade são construídas na base da emoção.

No Ceará o caso mais emblemático de anúncio de intenções vazias foi o golpe da refinaria da Petrobras, que dispensa maiores comentários. Os grupos responsáveis pela presepada estão aí no poder. Mas de tanto usarem o artifício, perderam a mão e exageraram na dose, prometendo crescimento quando já colhiam recessão. Flagrados no truque, insistem na fórmula que tanto sucesso lhes rendeu em passado recente.

Assim, o governo federal agora divulga campanha contra a o mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e vírus zika, com a seguinte mensagem: “um mosquito não é mais forte que um país inteiro”, procurando se valer do apelo à emoção coletiva, ao sentimento patriótico, à luta contra o inimigo comum e outros clichês.  No mundo real, o Comitê Olímpico dos EUA liberou seus atletas que não quiserem participar dos jogos do Rio de Janeiro por causa do vírus zika. Em resposta, as autoridades brasileiras buscaram tranquilizar os americanos, dizendo que “em agosto é baixa a circulação do mosquito”, fator que “reduz muito os riscos de contágio”. Azar de quem mora aqui e precisa passar pelos meses de alta circulação do inseto.

Em outra frente, o Partido dos Trabalhadores levou ao ar desde a noite de terça um comercial em que diz o seguinte: “tá na hora de mudar o enredo. Vamos deixar de lado o pessimismo”. Como se o pessimismo fosse causa e não consequência das crises econômica, moral e política que o país vive; como se não estivessem em dívida e sob suspeitas mil.

O difícil é saber quando a mentira é deliberada ou quando expressa devaneios de quem não quer ver a realidade. O problema aí é que uma dia, cedo ou tarde, toda propaganda tem que prestar contas aos fatos. E esses, por sua vez, insistem em desmoralizar os anúncios de que as coisas não são tão ruins e de que tudo vai melhorar logo, logo, por obra desses mesmo vendedores de ilusões.

Publicidade

Unidos no fracasso e nas desculpas

Por Wanfil em Política

05 de Fevereiro de 2016

No Brasil, confundiram harmonia entre os poderes com promiscuidade e subserviência. Montesquieu não merecia.

No Brasil, confundiram harmonia entre os poderes com promiscuidade e subserviência. Montesquieu não merecia.

Governistas de todos os níveis agora pregam a união do Brasil contra a crise econômica. Foi o que se viu durante a semana, por ocasião das solenidades de retorno das casas legislativas. Por união entenda-se a concordância automática com medidas que atenuem o desastre por eles causado e com as quais pretendem manter-se no poder que conquistaram ao passo em que destruíam a estabilidade da economia.

Com esse viés discursaram a presidente Dilma Rousseff e o senador Renan Calheiros, presidente do Senado; o governador Camilo Santana e o deputado estadual Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa; bem como o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e o vereador Salmito Filho, presidente da Câmara na capital cearense. A unidade retórica dessas autoridades não nasce do acaso ou de verdades incontestáveis, mas do arranjo político que as uniu na aliança eleitoral que hoje predomina em Fortaleza, no Ceará e no Brasil.

Origem
Esse apelo à união é bonito e remete à ideia de harmonia entre os poderes, distorcendo-lhe, porém, seu conceito original, que preconiza uma relação harmônica e INDEPENDENTE entre Legislativo, Judiciário e Executivo. Uma harmonia que pressupõe uma relação livre de interferências que atentem contra a independência de cada um. Resumindo, para Montesquieu, que foi quem definiu as bases dessa visão clássica sobre os poderes,  “só o poder freia o poder”. Nem ele, nem John Locke ou Jacques Rousseau pregaram a “união” incondicional dos poderes, presente nos governos absolutistas.

Jeitinho
No Brasil, essa, digamos, “solidariedade” que se pretende harmônica encontrou no fisiologismo ou mesmo na compra direta, como foi o caso do mensalão, sua fórmula de governabilidade, replicada nos estados e municípios.

No Ceará, a título de ilustração do que digo, a base aliada na Assembleia (e que controla a Casa) manobrou para adiar uma CPI que pretende investigar a construção de um aquário milionário, obra com diversos problemas na Justiça, abdicando temporariamente de seus deveres constitucionais em benefício, ou a serviço, de outro poder.

Vez por outra desentendimentos momentâneos podem dar a impressão de independência. Entretanto, via de regra, parlamentares dos mais variados naipes confundem o conceito de harmonia com a conveniência da intimidade eleitoral.

Papo furado
Ao contrário do discurso governista em curso, a união desses poderes não é a solução para a crise, pelo contrário: a subserviência do Legislativo diante do Executivo é uma de suas causas. Foi justamente a omissão do Legislativo no dever de fiscalizar as contas públicas que permitiu ao Executivo a liberdade de pedalar dívidas e maquiar números até que quebrar o País.

Se reformas eram necessárias, por que não foram discutidas antes, quando a maioria do governo era segura? Fingem ignorar o fato de que os impasses que atormentam o Palácio do Planalto decorrem do racha na base e não por sabotagem da oposição, que minoria, é incapaz de impor sua pauta.

Dilma, por exemplo, deseja recriar a CPMF e acena com a reforma da Previdência para consertar o estrago que fez. Para isso pede votos da oposição que ela acusa de ser golpista, enquanto seu próprio partido, o PT, e parceiros de esquerda, são contra, pois não querem arcar com o peso de medidas impopulares.

Pedir união nessas circunstâncias não passa de conversa mole, de cortina de fumaça, de quem deseja repassar ou dividir suas responsabilidades para terceiros, fazendo de conta que só agiu com as melhores intenções do mundo.

Publicidade

Dilma e Camilo no parlamento: diferenças, antigas novidades e vaia

Por Wanfil em Política

03 de Fevereiro de 2016

O governado do Ceará, Camilo Santana, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ambos do PT, discursaram nas sessões de abertura dos trabalhos nas respectivas casas parlamentares com as quais negociam politicamente. Ele na Assembleia Legislativa, ela no Congresso Nacional. É o momento em que falam sobre o que estão fazendo, ou imaginam que estão fazendo, e a respeito de suas expectativas para o ano.

Suas falas contemplaram um ponto em comum, bem específico, que serve bem para ilustrar a diferença entre os momentos por que passam cada um desses gestores: a Transposição do Rio São Francisco. Ele cobrando (com muito cuidado, diga-se); ela, garantindo a entrega. A obra que deveria ter ficado pronta em 2010, mas foi adiada para 2012, 2014, 2015 e agora para 2016, dobrando de preço nesse período. São discursos que nascem velhos por anunciarem, ao final, “antigas novidades”. Depois de tantos atrasos, sem contar as denúncias de corrupção, o melhor é guardar prudência e fazer como São Tomé: só vendo para acreditar.

Vale lembrar que a promessa é sonho antigo e sua realização será um feito, mas que pela forma como foi encaminhada ao longo do tempo, não pode ser vista como prova de competência ou coisa que o valha. Mais do que uma obrigação, será a quitação de uma dívida com os nordestinos que, durante todos esses anos, garantiram recursos para a obra via impostos.

Vaias
Por falar em impostos, o fato inusitado ficou por conta da vaia que a presidente Dilma levou no Congresso Nacional, entoada por parlamentares (e não só os de oposição), na hora em que defendeu a recriação da CPMF para reequilibrar o caixa da união. A claque governista como sempre aplaudiu, mas a vaia entre autoridades, especialmente em ambiente solene, é coisa rara ou mesmo inédita. Parlamentares, malgrado diferenças que tenham com governantes, costumam a respeitar o cargo temporariamente representado pelo chefe do Executivo.

Desse modo, o episódio mostra bem o nível da relação entre parlamento e governo neste início de ano. Dilma prosseguiu lendo o discurso que levara, falando em união, em responsabilidade e preocupação com números, tudo o que ela não fez no primeiro mandato. Posando de solução, pede mais dinheiro do contribuinte para cobrir o rombo nas contas públicas, como se os brasileiros não soubessem a causa do problema.

Publicidade

Dilma e Camilo no parlamento: diferenças, antigas novidades e vaia

Por Wanfil em Política

03 de Fevereiro de 2016

O governado do Ceará, Camilo Santana, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ambos do PT, discursaram nas sessões de abertura dos trabalhos nas respectivas casas parlamentares com as quais negociam politicamente. Ele na Assembleia Legislativa, ela no Congresso Nacional. É o momento em que falam sobre o que estão fazendo, ou imaginam que estão fazendo, e a respeito de suas expectativas para o ano.

Suas falas contemplaram um ponto em comum, bem específico, que serve bem para ilustrar a diferença entre os momentos por que passam cada um desses gestores: a Transposição do Rio São Francisco. Ele cobrando (com muito cuidado, diga-se); ela, garantindo a entrega. A obra que deveria ter ficado pronta em 2010, mas foi adiada para 2012, 2014, 2015 e agora para 2016, dobrando de preço nesse período. São discursos que nascem velhos por anunciarem, ao final, “antigas novidades”. Depois de tantos atrasos, sem contar as denúncias de corrupção, o melhor é guardar prudência e fazer como São Tomé: só vendo para acreditar.

Vale lembrar que a promessa é sonho antigo e sua realização será um feito, mas que pela forma como foi encaminhada ao longo do tempo, não pode ser vista como prova de competência ou coisa que o valha. Mais do que uma obrigação, será a quitação de uma dívida com os nordestinos que, durante todos esses anos, garantiram recursos para a obra via impostos.

Vaias
Por falar em impostos, o fato inusitado ficou por conta da vaia que a presidente Dilma levou no Congresso Nacional, entoada por parlamentares (e não só os de oposição), na hora em que defendeu a recriação da CPMF para reequilibrar o caixa da união. A claque governista como sempre aplaudiu, mas a vaia entre autoridades, especialmente em ambiente solene, é coisa rara ou mesmo inédita. Parlamentares, malgrado diferenças que tenham com governantes, costumam a respeitar o cargo temporariamente representado pelo chefe do Executivo.

Desse modo, o episódio mostra bem o nível da relação entre parlamento e governo neste início de ano. Dilma prosseguiu lendo o discurso que levara, falando em união, em responsabilidade e preocupação com números, tudo o que ela não fez no primeiro mandato. Posando de solução, pede mais dinheiro do contribuinte para cobrir o rombo nas contas públicas, como se os brasileiros não soubessem a causa do problema.