dezembro 2015 - Página 2 de 2 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

dezembro 2015

Ciro e Carlos Lupi criam rede contra impeachment. Mas logo o Lupi?

Por Wanfil em Política

07 de dezembro de 2015

O UOL informa que Ciro Gomes, junto com o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) e do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, lançaram a “Rede da Legalidade” em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) . Seria uma reedição de uma iniciativa liderada por Leonel Brizola em 1961, na tentativa de salvar o governo de João Goulart.

Na ocasião, Ciro acusou Michel Temer de conspirar contra a presidente e Carlos Lupi, que já foi ministro do Trabalho de Dilma, afirmou que Eduardo Cunha é “um homem sob suspeição”. Atenção: Lupi não gosta de gente sob suspeição! O presidente do PDT voltou a dizer que Ciro é candidato a presidente em 2018, escanteando o senador Cristovam Buarque, pedetista histórico e respeitado, que deseja disputar a indicação.

Dino é do PC do B, sigla que hoje não passa de um satélite do PT. Ciro quer ser candidato e mira no eleitorado de esquerda órfão de liderança. Já Lupi, segue abaixo algumas manchetes colhidas em rápida busca no Google, que mostram aí a quqalidade moral da “Rede da Legalidade”, que curiosamente, não tem petistas:

1. ‘Isso sai na urina’, diz Lula a Lupi sobre acusação de corrupção – Terra;
2. Ex-ministro de Lula e Dilma diz que PT roubou demais e se esgotou – Estadão,
3. Carlos Lupi pede demissão do Ministério do Trabalho – Cai o sexto ministro envolvido em escândalo de corrupção – O Globo;
4. Propina no ministério de Lupi – assessores diretos do ministro do Trabalho queriam 60% do imposto sindical para regularizar entidade – IstoÉ.

Como candidato à presidência da República, Ciro Gomes já teve apoio de Paulo Brossard e Mangabeira Unger. Agora tem de Carlos Lupi. É isso o que dá mudar muito de partido. A memória de Leonel Brizola não merecia esse tipo de “homenagem”.

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Impeachment: a chantagem e os rabos presos de Cunha e Dilma

Por Wanfil em Política

03 de dezembro de 2015

A respeito do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff acatado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), disse o seguinte em sua página pessoal no Facebook:

“Trata-se claramente de uma atitude motivada por vingança pessoal e desnuda a inaceitável chantagem que vem paralisando o país nos últimos meses. (…) Tenho certeza absoluta de que as instituições sérias deste país e o seu povo jamais permitirão qualquer ruptura com a Democracia e com o Estado de Direito.”

Embora seja uma opinião pessoal, não há como dissociar o cidadão do governador. Na condição de autoridade pública, a manifestação individual é simultaneamente expressão política de interesse geral, ainda mais quando a autoridade é também aliada e correligionária da presidente.

Por isso, faço aqui três observações em relação as colocações feitas pelo governador cearense.

1) A chantagem: Camilo tem razão, houve chantagem, mas erra ao repetir o discurso de seu partido, dando a entender que tudo foi uma ação unilateral de um deputado contra uma gestão indefesa. Nada disso. Cunha chantageava o governo Dilma com o impeachment, que respondia chantageando Cunha com a cassação. Aliás, o fato de o governo ser coagido por uma chantagem a ponto de ensaiar acordos diz muito sobre a qualidade desse próprio governo. O mesmo vale para a Presidência da Câmara.

2) a paralisia: Tudo parado? Sim. Um desastre. Mas a chantagem é efeito de uma causa mais grave: o que paralisa governo e a Câmara são os rabos presos de Cunha e de Dilma, pois estes sabem que existem razões sólidas tanto para a cassação e como para o impeachment. Inclusive, tudo caminhava para um acordo de proteção mútua entre os dois; tanto que a oposição já dava por perdida a chance de ver o pedido aceito. Quem partiu para o rompimento não foi o Planalto, mas o PT. Os motivos para o fim das negociações ainda são objeto de especulação.

3) a ruptura: até o momento, não há risco de ruptura institucional. Cunha utiliza o cargo para seus interesses políticos? Usa! É da natureza do posto. É por isso, aliás, que governos estaduais se empenham nas eleições dos presidentes nos parlamentos: pelo poder de barrar ou de encaminhar pautas e investigações.

Vincular automaticamente o repúdio ao impeachment à defesa da democracia é um sofisma. O pedido e a tramitação de um processo de impeachment são previstos por lei; cumpridas as exigências para sua admissibilidade, que se trate do mérito. Se os argumentos contra ou a favor são consistentes aí, é outra discussão.

Cunha dificilmente se manterá na presidência da Câmara. E o futuro, para Dilma, é incerto, levando toda a nação nesse compasso que mistura incompetência e investigações policiais. Se o processo de impeachment for a chave para romper a paralisia do Executivo e do Legislativo, seja para manter ou para impedir a atual gestão, que assim seja.

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Que dia! Rombo de 120 bi aprovado, peregrinação por verbas e processo de impeachment acatado

Por Wanfil em Brasil

02 de dezembro de 2015

No mesmo dia em que o governador Camilo Santana, do PT, fez uma peregrinação na Esplanada dos Ministérios, em busca de uns trocados para a manutenção de serviços básicos essenciais, o Congresso Nacional aprovou a revisão da meta fiscal de 2015 (perdoando Dilma Rousseff pelo rombo de R$ 120 bilhões nas contas públicas), e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, acolheu o pedido de impeachment contra Dilma, feito com base nas chamadas pedaladas fiscais.

Um dia e tanto. Esses fatos, claro, estão conectados uns aos outros. O pedido de impeachment só foi aceito porque um acordão entre Cunha e o PT fracassou. Cunha pode ser cassado pelo Conselho de Ética da Câmara, por ter mentido sobre contas secretas na Suíça. Dilma corre o risco de perder o mandato por causa das pedaladas fiscais de sua gestão que arruinaram o país. Como não conseguiram se entender, o PT pediu investigação contra Cunha, que retaliou acatando o pedido de impeachment. A base de toda a confusão, note-se, foi o desarranjo na economia. Sem as pedaladas, o governo não poderia ser ameaçado. Sem corrupção na Petrobras, Cunha não teria as tais contas na Suíça.

E a meta fiscal? Ora, a sessão que aprovou a revisão, foi comandada por Renan Calheiros, outro peemedebista enrolado na Lava Jato, que conseguiu fazer seu acordo com o Planalto. Sabe-se lá o que ganhou para ajudar o governo dessa vez. O fato é que isso permitiu que Dilma não faça um corte maior no Orçamento neste final de ano.

Que dias! Crise econômica com recessão brutal, pedido de impeachment aceito, governadores e prefeitos pedindo dinheiro na porta de ministérios. Resta torcer para que esses acontecimentos cumpram o destino do famoso ditado: Deus escreve certo por linhas tortas.

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André Esteves e a máxima de Gordon Gekko

Por Wanfil em Crônica

01 de dezembro de 2015

Gordon Gekko: "Ganância é bom".

Gordon Gekko: “Ganância é bom”

Se Chatô foi o nosso Cidadão Kane, o banqueiro André Esteves, preso na Operação Lava Jato, é o nosso Gordon Gekko, personagem de Michael Douglas em Wall Street – Poder e Cobiça, de 1987. A ascensão precoce e vertiginosa, a áurea de sucesso, a fama de especulador agressivo, a imagem de vencedor implacável, tudo isso aproxima Gekko e Esteves. E também agora a prisão.

Ainda na adolescência, ao ver Gekko ir em cana por crimes fiscais, conclui: “se fosse no Brasil não aconteceria nada, mas nos Estados Unidos é diferente”. Para a época o raciocínio estava correto. Hoje, essa certeza já não é inquebrantável.

Ao que parece, nossa democracia, aos poucos, com avanços e retrocessos, vai amadurecendo. Ainda somos tolerantes com muita coisa, mas a margem de manobra para todo o tipo de ilicitude ficou menor com as prisões do banqueiro do BTG Pactual e também a do senador petista Delcídio do Amaral, e antes, a do empresário Marcelo Odebrecht. Há no caso brasileiro uma singularidade em relação ao filme que merece destaque: todos esses figurões presos têm em comum o fato de atuarem próximos ao governo federal, mais especificamente, em negócios ligados à Petrobras, o que acrescenta um elemento de promiscuidade nas relações entre o Estado e setores privados, um vício antigo no Brasil.

Voltando a Wall Street, inebriado pelo poder e pelo excesso de confiança, Gordon Gekko ensinava: “O que vale a pena ser feito, vale a pena ser feito por dinheiro”. Era a confissão, via ficção, de um pensamento hegemônico em certos círculos. Michael Douglas ganhou um Oscar. André Esteves está em Bangu 8 cumprindo prisão preventiva. Valeu a pena?

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André Esteves e a máxima de Gordon Gekko

Por Wanfil em Crônica

01 de dezembro de 2015

Gordon Gekko: "Ganância é bom".

Gordon Gekko: “Ganância é bom”

Se Chatô foi o nosso Cidadão Kane, o banqueiro André Esteves, preso na Operação Lava Jato, é o nosso Gordon Gekko, personagem de Michael Douglas em Wall Street – Poder e Cobiça, de 1987. A ascensão precoce e vertiginosa, a áurea de sucesso, a fama de especulador agressivo, a imagem de vencedor implacável, tudo isso aproxima Gekko e Esteves. E também agora a prisão.

Ainda na adolescência, ao ver Gekko ir em cana por crimes fiscais, conclui: “se fosse no Brasil não aconteceria nada, mas nos Estados Unidos é diferente”. Para a época o raciocínio estava correto. Hoje, essa certeza já não é inquebrantável.

Ao que parece, nossa democracia, aos poucos, com avanços e retrocessos, vai amadurecendo. Ainda somos tolerantes com muita coisa, mas a margem de manobra para todo o tipo de ilicitude ficou menor com as prisões do banqueiro do BTG Pactual e também a do senador petista Delcídio do Amaral, e antes, a do empresário Marcelo Odebrecht. Há no caso brasileiro uma singularidade em relação ao filme que merece destaque: todos esses figurões presos têm em comum o fato de atuarem próximos ao governo federal, mais especificamente, em negócios ligados à Petrobras, o que acrescenta um elemento de promiscuidade nas relações entre o Estado e setores privados, um vício antigo no Brasil.

Voltando a Wall Street, inebriado pelo poder e pelo excesso de confiança, Gordon Gekko ensinava: “O que vale a pena ser feito, vale a pena ser feito por dinheiro”. Era a confissão, via ficção, de um pensamento hegemônico em certos círculos. Michael Douglas ganhou um Oscar. André Esteves está em Bangu 8 cumprindo prisão preventiva. Valeu a pena?