01/12/2015 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

01/12/2015

André Esteves e a máxima de Gordon Gekko

Por Wanfil em Crônica

01 de dezembro de 2015

Gordon Gekko: "Ganância é bom".

Gordon Gekko: “Ganância é bom”

Se Chatô foi o nosso Cidadão Kane, o banqueiro André Esteves, preso na Operação Lava Jato, é o nosso Gordon Gekko, personagem de Michael Douglas em Wall Street – Poder e Cobiça, de 1987. A ascensão precoce e vertiginosa, a áurea de sucesso, a fama de especulador agressivo, a imagem de vencedor implacável, tudo isso aproxima Gekko e Esteves. E também agora a prisão.

Ainda na adolescência, ao ver Gekko ir em cana por crimes fiscais, conclui: “se fosse no Brasil não aconteceria nada, mas nos Estados Unidos é diferente”. Para a época o raciocínio estava correto. Hoje, essa certeza já não é inquebrantável.

Ao que parece, nossa democracia, aos poucos, com avanços e retrocessos, vai amadurecendo. Ainda somos tolerantes com muita coisa, mas a margem de manobra para todo o tipo de ilicitude ficou menor com as prisões do banqueiro do BTG Pactual e também a do senador petista Delcídio do Amaral, e antes, a do empresário Marcelo Odebrecht. Há no caso brasileiro uma singularidade em relação ao filme que merece destaque: todos esses figurões presos têm em comum o fato de atuarem próximos ao governo federal, mais especificamente, em negócios ligados à Petrobras, o que acrescenta um elemento de promiscuidade nas relações entre o Estado e setores privados, um vício antigo no Brasil.

Voltando a Wall Street, inebriado pelo poder e pelo excesso de confiança, Gordon Gekko ensinava: “O que vale a pena ser feito, vale a pena ser feito por dinheiro”. Era a confissão, via ficção, de um pensamento hegemônico em certos círculos. Michael Douglas ganhou um Oscar. André Esteves está em Bangu 8 cumprindo prisão preventiva. Valeu a pena?

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André Esteves e a máxima de Gordon Gekko

Por Wanfil em Crônica

01 de dezembro de 2015

Gordon Gekko: "Ganância é bom".

Gordon Gekko: “Ganância é bom”

Se Chatô foi o nosso Cidadão Kane, o banqueiro André Esteves, preso na Operação Lava Jato, é o nosso Gordon Gekko, personagem de Michael Douglas em Wall Street – Poder e Cobiça, de 1987. A ascensão precoce e vertiginosa, a áurea de sucesso, a fama de especulador agressivo, a imagem de vencedor implacável, tudo isso aproxima Gekko e Esteves. E também agora a prisão.

Ainda na adolescência, ao ver Gekko ir em cana por crimes fiscais, conclui: “se fosse no Brasil não aconteceria nada, mas nos Estados Unidos é diferente”. Para a época o raciocínio estava correto. Hoje, essa certeza já não é inquebrantável.

Ao que parece, nossa democracia, aos poucos, com avanços e retrocessos, vai amadurecendo. Ainda somos tolerantes com muita coisa, mas a margem de manobra para todo o tipo de ilicitude ficou menor com as prisões do banqueiro do BTG Pactual e também a do senador petista Delcídio do Amaral, e antes, a do empresário Marcelo Odebrecht. Há no caso brasileiro uma singularidade em relação ao filme que merece destaque: todos esses figurões presos têm em comum o fato de atuarem próximos ao governo federal, mais especificamente, em negócios ligados à Petrobras, o que acrescenta um elemento de promiscuidade nas relações entre o Estado e setores privados, um vício antigo no Brasil.

Voltando a Wall Street, inebriado pelo poder e pelo excesso de confiança, Gordon Gekko ensinava: “O que vale a pena ser feito, vale a pena ser feito por dinheiro”. Era a confissão, via ficção, de um pensamento hegemônico em certos círculos. Michael Douglas ganhou um Oscar. André Esteves está em Bangu 8 cumprindo prisão preventiva. Valeu a pena?