dezembro 2015 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

dezembro 2015

Uma breve reflexão sobre 2015 e votos para um feliz 2016

Por Wanfil em Ao leitor

31 de dezembro de 2015

Todo ano em nossas vidas constitui um conjunto de oportunidades e aprendizados, alguns bons, outros ruins, mas que ao final, são sempre uma soma. Nesse circuito de altos e baixos, alguns anos deixam saudades e outros nascem sob o signo da esperança ou da incerteza. A nós cronistas cabe registrar os momentos que sintetizam, ou qualificam, o tempo vivido em nossas respectivas áreas de atuação nesse período. Sendo assim, vamos lá.

A Lava jato e as crises política e econômica
O ano de 2015 pode ser marcado, na política, pela confluência dos seguintes acontecimentos: recessão econômica profunda e sem perspectiva de melhora no curto prazo; crise fiscal e rombo nas contas públicas; impopularidade recorde da presidente Dilma Rousseff; Operação Lava Jato, com a inédita prisão de alguns dos maiores empreiteiros do país, de um banqueiro e de um senador; ameaça de impeachment e de cassação da presidente Dilma; ameaça de cassação e prisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Os principais partidos do país estão na seguinte situação: PT acuado, PMDB rachado, PSDB perdido. O resto orbitar em torno desse núcleo.

Nos estados e municípios, a apreensão é imensa, com riscos de colapso fiscal em 2016, caso os repasses federais continuem represados.

Cid no ministério
No Ceará, tivemos a nomeação de Cid Gomes para o Ministério da Educação e sua queda, por questões políticas, apenas três meses depois. Cid não gosta de Eduardo Cunha, que anunciou sua demissão ao vivo em rede de televisão após ser chamado de achacador por Cid em sessão no Congresso. O fato rendeu elogios ao ex-governador, já que Cunha é quase tão impopular quanto Dilma, mas de nada ajudou a Educação. Por falar em Ferreira Gomes, a família mudou mais uma vez de partido e agora foi para o PDT, levando consigo seus comandados.

Golpe da refinaria
Em 2015 os cearenses ficaram sabendo, logo no início, que a promessa de uma refinaria da Petrobras foi uma mentira. Fomos miseravelmente enganados. Depois, descobriu-se que a obra nem sequer tinha registro e autorização na Agência Nacional de Petróleo. Se não falta quem enfrente Cunha no Ceará, não apareceu um governista para responsabilizar Dilma e Lula pelo estelionato eleitoral. Ficou tudo por isso mesmo. É o que chamei de “indignação seletiva”.

Seca, saúde e segurança
Camilo Santana, correligionário de Dilma e aliado de Cid, foi eleito governador, com três grandes desafios: segurança, seca e saúde. Na segurança, Camilo pacificou a relação do governo com os policiais militares, feito que merece destaque, e conseguiu reduzir o índice de homicídios que aumentava há 17 anos, com notória intensidade nos oito anos de Cid. Na seca, fez o que pode fazer quem recebe uma herança maldita: correu para viabilizar ações de emergência, enquanto aguarda a conclusão da transposição do São Francisco, eternamente adiada e prevista agora para 2016. Na saúde está a maior fragilidade da gestão. Além das tradicionais superlotações, a falta de insumos angustiou médicos e pacientes. O governo do Estado encerra o ano cobrando os repasses federais que deixaram de vir ao Ceará.

A esperança
Muitos outros acontecimentos contribuíram para deixar 2015 com cara de ano perdido na política. Como 2016 é ano de eleição, para quem é situação resta conviver com a difícil tarefa de tentar não ser alvo da insatisfação popular com as crises. Para quem é oposição, é a oportunidade de se apresentar como mudança. Para ser justo, 2015 tem na Lava Jato a luz de esperança para uma reconstrução política do Brasil. Velhos esquemas estão ruindo e até o ex-presidente Lula foi obrigado a depor na Polícia Federal. Isso não é obra de governantes, mas de um amadurecimento natural e progressivo das instituições democráticas. Que em 2016, se faça justiça e que a justiça sirva de exemplo para novos gestores.

Obrigado
Encerro por aqui agradecendo aos leitores por mais um ano juntos. Ano que vem volto com a coluna Política na Tribuna Band News, com o Revista Jangadeiro na Jangadeiro FM e claro, aqui no blog, meu lazer, embora pareça trabalho.

Portanto, um 2016 de paz, saúde, realizações para todos nós; um ano novo de melhorias para o Ceará e para o Brasil, mesmo que para isso sejam necessários vivenciar alguns traumas; um porvir de união, esperança e crescimento espiritual para os brasileiros. O resto, a gente corre atrás. Grande abraço!

Wanfil

 

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Governador faz breve retrospectiva do ano em entrevista à Tribuna Band News

Por Wanfil em Ceará

29 de dezembro de 2015

Participei de uma entrevista com governador Camilo Santana nesta segunda-feira na Tribuna Band News FM, no programa do Nonato Albuquerque. Os temas gerais abordados podem ser conferidos no portal Tribuna do Ceará. A conversa foi uma espécie de autoavaliação de seu primeiro ano à frente do executivo estadual. Segue abaixo um pequeno relato sobre os principais pontos abordados:

Economia
Em poucas palavras, o governador se mostrou surpreendido pela profundidade da crise econômica, que impeliu a gestão a fazer consideráveis cortes de custeio, na busca de manter o nível de investimentos. A expectativa é que o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, libere os estados para contrair empréstimos e assim aliviar o sufoco.

Seca
A estiagem foi sua maior preocupação em 2015 e medidas emergenciais foram necessárias para evitar o colapso em cidades do interior, com destaque para adutoras e perfuração de poços. A esperança do governador para o ano que vem é a conclusão da transposição do São Francisco, prevista para 2016 após vários adiamentos.

Saúde
Respondendo a ouvintes sobre o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim (inaugurado por Cid em 2014 e que completou uma ano sem funcionar), Camilo responsabilizou o governo federal por não a arcar com metade dos custos da unidade, conforme o combinado. Segundo o governador, o ex-ministro Artur Chioro (demitido no “toma lá, dá cá” da última reforma ministerial) havia se comprometido resolver tudo ainda este ano, mas seu substituto, Marcelo Castro (PMDB), não honrou o acordo e deixou tudo para o ano que vem. Nesse ponto, o governador foi taxativo: o hospital só irá funcionar se Brasília fizer a sua parte.

Aliás, sobre Saúde, Camilo até fez um desabafo e falar sobre o tratamento “discrepante” que o governo federal dispensa ao Ceará em relação a Pernambuco, governado pelo PSB. Segundo Camilo, ao assumir, enquanto os pernambucanos recebiam R$ 1,2 bilhão de reais para a Saúde, os cearenses ficavam com apenas um terço disso, cerca de R$ 400 milhões. Indaguei sobre as razões para essa diferença e Camilo disse apenas que preferia não falar do passado. De todo modo, o governador ainda aposta na parceria com Dilma e defende uma nova fonte de financiamento para a Saúde, que pode ser a volta da CPMF. Por essas e outras é que ele se definiu diversas vezes como um otimista.

Segurança
Camilo Santana destacou a queda no número de homicídios, a primeira registrada “em 17 anos”, com o cuidado de lembrar que os números ainda estão longe do ideal, mostrando que tem o pé no chão. Se disse ainda emocionado com as promoções aos policiais militares e destacou que as melhorias são graduais e se devem em grande medida também ao Pacto pelo Ceará Pacífico, projeto que envolve diversos órgãos no planejamento de ações para a segurança.

Apesar de você
Não por acaso segurança foi o desafio com melhores resultados em 2015, pois pouco dependem da União. Ser aliado e correligionário de Lula e Dilma, no que diz respeito a obras, não significa qualidade e muito menos quantidade. E agora, com a crise, isso ficou ainda mais evidente. O próprio governador ressaltou a importância de reduzir a dependência do estado em relação ao governo federal, no que está coberto de razão. Pessoalmente, me pareceu em certos momentos que o governo estadual está procurando se descolar do governo Dilma, embora Camilo, fale contra o impeachment.

Por isso, fazendo uma síntese da conversa, o ano de 2015 pode ser resumido assim (usando, sem ironia, um trecho da famosa canção do petista Chico Buarque): para o Ceará, apesar de você (governo federal), amanhã há de ser, um novo dia.

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Investimentos públicos em Fortaleza despencam 30% em 2015: culpa de quem?

Por Wanfil em Fortaleza

27 de dezembro de 2015

Na comparação entre os anos de 2014 e 2015, o investimentos feitos pela Prefeitura de Fortaleza caíram 29,98%, segundo informações divulgadas neste domingo pelo jornal O Globo, com base nos relatórios apresentados no início do mês por 22 prefeitos de capitais ao Tesouro Nacional. Desse total, 14 estão no vermelho.

Fortaleza está em situação bem menos ruim do que Natal (-89,75%) e Curitiba (-63,71%), e pouco menos ruim que Vitória (-46,42%) e Belo Horizonte (-41,97%). No entanto, algumas poucas capitais conseguiram aumentar os investimentos, como Goiânia (+ 113,81%) e Cuiabá (+197,35%). Essas, entretanto, são exceções. No geral, o investimento nas capitais desabou.

O Globo ouviu o consultor econômico Irineu de Carvalho, da Associação dos Municípios do Estado do Ceará, que didaticamente explicou: “Num primeiro momento, o prefeito reduz o custeio, depois o investimento. Mas chega um momento que não tem muito mais o que fazer, e aí vai ter que começar a reduzir serviços”.

A matéria mostra ainda que contando as com as demais prefeituras, as que não são capitais de estados, que 62% delas devem a fornecedores. Em algumas, o investimento caiu 90%. Imaginem, por dedução lógica, a situação das prefeituras no interior do Ceará.

No título do post, pergunto de quem é a culpa. Como a maioria dos prefeitos cearenses é aliada ao governo Dilma por orientação do grupo político liderado pelo ex-governador Cid Gomes, eles responderiam mais tecnicamente ao questionamento. Diriam (como têm feito, com Roberto Cláudio à frente) que a conjunção de queda na arrecadação, redução do FPM e cenário de crise criou esse cenário de dificuldades e que a solução é enterrar a ideia de impeachment e voltar com a CPMF. Na verdade, eles ainda não se arriscam a chamar a recessão econômica criada pelos erros do governo federal pelo nome verdadeiro: Dilma Rousseff. Talvez em 2016, ano eleitoral, mudem de postura e resolvam não arcar sozinhos com os ônus do Palácio do Planalto.

 

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Governo Federal libera recursos para a transposição. Ótima notícia, mas é bom permanecer alerta

Por Wanfil em Ceará

23 de dezembro de 2015

Finalmente uma boa notícia do governo federal para o Ceará neste 2015, conforme registrado no site do governo estadual:

O Governo do Ceará, por meio da Secretaria das Cidades, assinou nesta terça-feira (22) o Termo de Compromisso com o Ministério da Integração Nacional, visando o repasse de recursos no valor de R$93.902.137,48 para a implantação, operação e manutenção da infraestrutura de abastecimento de água de comunidades rurais localizadas no Ceará, ao longo dos canais de integração do Rio São Francisco. O compromisso foi firmado durante visita da presidente Dilma Rousseff a Pernambuco.

Como todos sabem, a situação hídrica no estado é alarmante. O volume de água nos reservatórios está em 12,4% de sua capacidade total. Com previsão de mais um ano de estiagem, o empenho para garantir a conclusão da transposição em 2016 é vital para os cearenses e o governo estadual sabe disso.

Ver para crer
Durante a solenidade, o governador do Ceará, Camilo Santana, que pacientemente tem buscado recursos federais cada vez mais escassos por causa da recessão, comemorou:

“Para quem não acreditava, a transposição do rio São Francisco já é uma realidade e será muito importante para nosso estado e para toda Região Nordeste”.

Trata-se, repito, de uma ótima notícia. É um rumo que aponta para uma saída, uma luz no fim do túnel, mas ainda não é uma realidade pronta e acabada. Não há dúvida de que o aporte de água será muito importante para o Ceará e o Nordeste. E realmente muita gente, principalmente no início do empreendimento, não acreditava que a transposição fosse viável. Falava-se até no risco de prejudicar o São Francisco. Isso parece superado, portanto, é importante não confundir esses incrédulos com os que criticam o atraso e as suspeitas de corrupção na obra. A cobrança também é parte importante, pois impele o cobrado a agir.

Portanto, a liberação dos recursos é um alívio, porém, convém não descansar enquanto a transposição não estiver funcionando plenamente, levando água para os cearenses. A história de sua construção mostra que a obra está sujeita a problemas diversos, principalmente de gerenciamento e de custos, que adiantem sua finalização. Com a seca, isso não é mais tolerável. Vamos aguardar mais notícias positivas, alertas para que nada as prejudique.

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Servidores acusam PDT de transformar Correios em cabide de empregos. E agora, como ficam as críticas de Ciro ao PMDB?

Por Wanfil em Partidos

22 de dezembro de 2015

Na coluna Expresso, da revista Época, e no site da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP):

Funcionários dos Correios promoverão nesta terça-feira (22) uma manifestação em frente à sede da estatal em Brasília durante a posse de seis novos vice-presidentes. Os principais beneficiários (terão salários de R$ 24 mil) das mexidas na cúpula da empresa são ligados ao PDT. A presidência dos Correios está sob o comando de Giovanni Queiroz, também do partido, há pouco mais de um mês.

O protesto, segundo informe que circula nas redes sociais, será contra  o ” aparelhamento da empresa”.  Outro trecho do informe diz que “a intenção é tentar salvar a empresa que, por conta de ter se tornado um cabide de empregos, tem apresentado déficit em suas contas”. Os servidores deverão estar vestidos de preto.

Casa de ferreiro, espeto de pau
Quando a crise política se intensificou, o líder do PDT na Câmara, deputado federal André Figueiredo, do Ceará, anunciou que sua bancada adotaria postura independente. Para segurar o PDT na base, a presidente Dilma entregou os Correios ao partido e o Ministério das Comunicações para Figueiredo, agrados que transformaram a “independência” em “convicção governista”. Tamanha convicção que Carlos Lupi, presidente do partido, junto com o neopedetista Ciro Gomes, criaram o “movimento pela legalidade”, contra o impeachment de Dilma.

Lupi, só para lembrar, foi ministro do Trabalho na gestão da petista, mas saiu a pedido da Comissão de Ética da Presidência da República, após denúncias de corrupção.

Ciro Gomes voltou a aparecer no cenário nacional criticando duramente o PMDB e suas práticas fisiologistas. Nesse caso, é severo nas adjetivações. Resta saber o que ele acha quando o fisiologismo é usado para comprar o apoio do PDT, seu atual partido. Ou os Correios não deveriam ser geridos por seus funcionários de carreira?

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Pesquisa mostra que maioria dos deputados federais apoia impeachment de Dilma. E o seu deputado, o que pensa disso?

Por Wanfil em Política

21 de dezembro de 2015

Uma pesquisa Datafolha realizada entre os dias 7 e 18 de dezembro mostra que 42% dos deputados federais são favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, contra 31% que ainda a apoiam. Outros 27% estão indecisos.

O fato de estarem indecisos indica, naturalmente, um sentimento de desconfiança. Ou de medo… De quê? Ora, das urnas, claro. Dilma encerra 2015 como a presidente mais rejeitada do Brasil desde a redemocratização, com 65% de desaprovação, segundo o mesmo Datafolha. Como a tendência da economia é piorar (o boletim Focus do Banco Central divulgado nesta segunda mostra piora acentuada na expectativa do mercado para 2016, com alta de juros e inflação, com recessão), estar ao lado de uma presidente nessa situação é assumir um pesadíssimo ônus eleitoral. Deputados federais não disputam nada no ano que vem, mas suas bases estarão em processo de reconfiguração, o que poderá ser determinante para seus projetos. Que candidato a prefeito irá querer um deputado dilmista ao seu lado nos santinhos ou na propaganda de TV?

Sem contar com a continuidade da operação Lava Jato, revelando mais e mais corrupção, e o julgamento no TSE das contas de campanha do PT, com gravíssimas suspeitas de que dinheiro roubado da Petrobras tenha abastecido o caixa do partido para eleger e reeleger Dilma.

E o seu deputado?
A pergunta por aqui é simples: e a bancada cearense? Bom, a maioria dos 23 deputados federais do estado foi eleita garantindo que Dilma é grande gestora e parceira do Ceará. Quantos manterão o discurso diante do atual quadro? Em 2015 o Ceará ficou sem refinaria, uma tapeação sem igual na crônica política estadual. A transposição, atrasadíssima, virou caso de polícia. A população, que volta a sentir no bolso o que é a inflação, quer ver a presidente pelas costas.

Taí uma boa pauta.

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Sentença que condena tucano por mensalão vale de recado para Lula e Dilma

Por Wanfil em Corrupção

17 de dezembro de 2015

O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo, do PSDB, foi condenado a 20 anos e 10 meses de prisão pela juíza Melissa Pinheiro Costa Lage, de Belo Horizonte, no caso que ficou conhecido por “mensalão tucano”. Ainda cabe recurso, mas a decisão derruba um dos argumentos dos defensores dos “heróis do povo brasileir0” José Dirceu e José Genoíno, presos pelo “mensalão do PT”: sem a condenação, parte da esquerda posava de vítima argumentando  haver aí uma proteção contra os adversários do petismo, com o Judiciário agindo seletivamente. Com a condenação, esse discurso não cola mais.

Antes de prosseguir, um esclarecimento: em comum, esses “mensalões” têm como figura central o publicitário Marcos Valério atuando como operador responsável por desviar e distribuir o dinheiro de contratos de publicidade feitos com o governo de Minas num caso e com o governo federal em outro. Mas no caso de Azeredo, a acusação é de que essa grana serviu para financiar sua campanha ao governo; já no caso do PT (pelo qual Valério também fio condenado e preso), os recursos roubados serviam para comprar apoio de partidos no Congresso, pagos mensalmente, daí o nome mensalão.

Agora indo ao que interessa, destaco esse trecho da condenação proferida pela magistrada:

“Ora, acreditar que ele (Eduardo Azeredo) não sabia de nada e foi um simples fantoche seria o mesmo que afirmar que não possuímos líderes políticos, que os candidatos a cargos majoritários são manipulados por seus assessores e coordenadores políticos.”

Perfeito! Uma coisa é um foco de corrupção de algum assessor, secretário ou ministro, limitado pelo campo de atuação de cada um. Isso pode acontecer sem que prefeitos, governadores ou presidentes saibam. Mas quando o esquema envolve a alta cúpula da administração e beneficia, em última instância, o próprio chefe dos envolvidos, aí não tem jeito de alegar inocência, de dizer que não sabia.

Essa lógica serviu para condenar Dirceu no passado e Azeredo no presente. A ser mantida, serve também, sem tirar nem pôr, para condenar Lula e Dilma. Basta reler a sentença.

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Catilinárias – nome perfeito para a nova operação da PF na Lava Jato

Por Wanfil em Corrupção

15 de dezembro de 2015

No site da Polícia Federal:

“A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagrou hoje, 15, a Operação Catilinárias que tem como objetivo o cumprimento de 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, referentes a sete processos instaurados a partir de provas obtidas na Operação Lava Jato.”

“* Catilinárias são uma série de quatro discursos célebres do cônsul romano Cícero contra o senador Catilina.”

Os nomes das operações da Polícia Federal são fantásticos. Na investigação do roubo de verbas na Transposição do São Francisco, na semana passada, foi a Vidas Secas – Sinhá Vitória, em alusão à personagem criada  por Graciliano Ramos, que denunciava a exploração de fazendeiros inescrupulosos contra sertanejos.

Agora é a Operação Catilinárias, que mira figurões do PMDB, entre os quais Eduardo Cunha e Henrique Alves, além de nomes menores, como os cearenses Sérgio Machado e Aníbal Ferreira Gomes. O nome, mais uma vez, é perfeito.

Cícero discursou contra Catilina porque este tencionava dissolver o Senado Romano e com desfaçatez assombrosa, insistia em frequentar o local como se ninguém soubesse de sua intenção. Logo no primeiro discurso, Cícero, que viveu entre 106 e 43 a.C, e foi um dos maiores oradores da História, disparou:

“Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?”

Depois mandou ver ainda:

“Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?”

É um recado direto para Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados enrolados com denúncias de corrupção e que usa suas prerrogativas e manobras para obstruir investigações no Conselho de Ética, além de reduzir o robusto pedido de impeachment feito por Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal contra Dilma Rousseff, a mero instrumento de retaliação contra o governo, também ele enrolado com a lei.

A quem Cunha imagina enganar? Após o discurso de Cícero exortando seus colegas a tomar uma iniciativa, Catilina deixou Roma.

No Brasil de hoje, a diferença é que nos falta um Cícero, papel que não pode ser exercido pela PF. E que em Roma Catilina era apenas um, enquanto por aqui, é uma legião. Lula, Renan, Dilma, Edinho Silva, José Guimarães, Carlos Lupi, Romero Jucá, Jacques Wagner e tantos outros, já sentem que seus planos estão à vista de todos, mas fingem que não.

Na falta de um Cícero, para esses que tramam contra o interesse público, fica a dica: cuidado com o japonês da Polícia Federal.

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PF investiga fraude na transposição do São Francisco. Governadores do Nordeste farão uma carta?

Por Wanfil em Política

11 de dezembro de 2015

Brasília - DF, 08/12/2015. Presidenta Dilma Rousseff durante reunião com Governadores no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Quando querem, governadores do NE sabem se mobilizar, como na reunião em defesa de Dilma Rousseff . Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Batizada de Vidas Secas – Sinhá Vitória, uma operação da Polícia Federal investiga empresas de fachada que teriam sido usadas para desviar R$ 200 milhões, em dois dos 14 lotes da transposição do rio São Francisco, nos trechos entre Pernambuco e Paraíba. Foram cumpridos 32 mandados judiciais nos Estados de Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e na cidade de Brasília.

Na última terça-feira (8), oito dos nove governadores do Nordeste, entre os quais Camilo Santana, aliado do governo federal e correligionário da petista Dilma Rousseff, publicaram um documento chamado de “Carta da Legalidade”, contra o pedido de impeachment da presidente.

A dedicação é tanta, que no Ceará o governo publicou a carta em sua página oficial, paga com dinheiro público arrecadado junto a população que desaprova Dilma.

Agora, diante da suspeitas de roubo na transposição, com o Nordeste em suplício por causa da seca, resta aguardar uma carta dos governadores em apoio à investigação, pedindo, inclusive, urgência e punição para os responsáveis. Além de cobrar o governo federal, responsável pelas contratações e pelos reiterados atrasados na obra, cuja previsão de custo saltou de 4 bilhões reais para oito.

Afinal, quando querem, os excelentíssimos sabem se mobilizar em defesa da “legalidade”.

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Como ficaria o Ceará num eventual governo Temer?

Por Wanfil em Política

09 de dezembro de 2015

Michel Temer arte

Possível governo Temer já provoca debates. No Ceará, o eixo de poder mudaria radicalmente

Brasília, 2016. O governador Camilo Santana, do PT, vai a Brasília conversar com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Na pauta, ações contra a seca. Santana é informado que novas verbas já foram alocadas a pedido do senador Eunício Oliveira, que divulgará a notícia no mesmo dia aos cearenses, junto com o ministro da Integração, José Serra. Com as bênçãos do Planalto, Oliveira trabalha com o PSDB para confirmar o hub da TAM no Ceará. Agradecido, o governador elogia o espírito republicano do novo presidente. Roberto Cláudio não é recebido, por ter acusado o PMDB de ser chantagista. O governo federal prefere esperar pelo próximo prefeito de Fortaleza a ser eleito em breve, de preferência, alguém do próprio PMDB ou aliado. Enquanto isso, Ciro e Cid Gomes, sem mandatos, acusam Temer de ser chefe de quadrilha, o que isola ainda mais Camilo Santana e Roberto Cláudio.

Esse é o pior pesadelo do grupo liderado por Ciro no Ceará. E depois da sova que o governo tomou na Câmara, quando a oposição e dissidentes do PMDB, sob o comando de Temer, elegeram uma chapa pró-impeachment para a Comissão Especial que irá analisar o pedido de afastamento de Dilma, o pesadelo ganha contornos de realidade em formação. Pesadelo político. Administrativamente, o Ceará sempre foi desprezado pelas gestões petistas no Planalto, ao contrário de Pernambuco e Alagoas.

Na verdade, o Ceará foi humilhado no caso da refinaria e enormemente prejudicado com os atrasos na transposição do São Francisco. Portanto, as mudanças, a princípio, seriam mesmo de caráter estritamente político, com a transferência do eixo de poder para o PMDB estadual. O PT estaria na difícil situação de ser oposição nacionalmente e precisar conviver institucionalmente com os peemedebistas como situação local. Os Ferreira Gomes, inimigos de Temer e do PMDB, ficariam por conta própria, buscando defender seu feudo em Sobral, já que a base aliada de Dilma no estado mudaria rapidinho de lado, fazendo juras de amor ao governo de plantão.

O futuro é imprevisível e tudo ainda está no campo das hipóteses. Não é questão de torcer contra ou a favor, mas de fazer uma projeção pragmática, com base em premissas que estão sim na ordem do dia, independente das vontades. Se pode acontecer, então é preciso estar minimamente preparado. Até porque a derrota do governo, que está em indiscutível minoria na Câmara, reforça um pouco mais a expectativa – com o medo dos governistas e a ansiedade mal disfarçada dos oposicionistas – de que essas possibilidades possam a vir se tornar realidade. Na política, a perspectiva de poder é o centro gravitacional onde orbitam candidatos e partidos. E, no momento, esse centro de atração parece mais forte para os que estão a favor do impeachment.

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Como ficaria o Ceará num eventual governo Temer?

Por Wanfil em Política

09 de dezembro de 2015

Michel Temer arte

Possível governo Temer já provoca debates. No Ceará, o eixo de poder mudaria radicalmente

Brasília, 2016. O governador Camilo Santana, do PT, vai a Brasília conversar com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Na pauta, ações contra a seca. Santana é informado que novas verbas já foram alocadas a pedido do senador Eunício Oliveira, que divulgará a notícia no mesmo dia aos cearenses, junto com o ministro da Integração, José Serra. Com as bênçãos do Planalto, Oliveira trabalha com o PSDB para confirmar o hub da TAM no Ceará. Agradecido, o governador elogia o espírito republicano do novo presidente. Roberto Cláudio não é recebido, por ter acusado o PMDB de ser chantagista. O governo federal prefere esperar pelo próximo prefeito de Fortaleza a ser eleito em breve, de preferência, alguém do próprio PMDB ou aliado. Enquanto isso, Ciro e Cid Gomes, sem mandatos, acusam Temer de ser chefe de quadrilha, o que isola ainda mais Camilo Santana e Roberto Cláudio.

Esse é o pior pesadelo do grupo liderado por Ciro no Ceará. E depois da sova que o governo tomou na Câmara, quando a oposição e dissidentes do PMDB, sob o comando de Temer, elegeram uma chapa pró-impeachment para a Comissão Especial que irá analisar o pedido de afastamento de Dilma, o pesadelo ganha contornos de realidade em formação. Pesadelo político. Administrativamente, o Ceará sempre foi desprezado pelas gestões petistas no Planalto, ao contrário de Pernambuco e Alagoas.

Na verdade, o Ceará foi humilhado no caso da refinaria e enormemente prejudicado com os atrasos na transposição do São Francisco. Portanto, as mudanças, a princípio, seriam mesmo de caráter estritamente político, com a transferência do eixo de poder para o PMDB estadual. O PT estaria na difícil situação de ser oposição nacionalmente e precisar conviver institucionalmente com os peemedebistas como situação local. Os Ferreira Gomes, inimigos de Temer e do PMDB, ficariam por conta própria, buscando defender seu feudo em Sobral, já que a base aliada de Dilma no estado mudaria rapidinho de lado, fazendo juras de amor ao governo de plantão.

O futuro é imprevisível e tudo ainda está no campo das hipóteses. Não é questão de torcer contra ou a favor, mas de fazer uma projeção pragmática, com base em premissas que estão sim na ordem do dia, independente das vontades. Se pode acontecer, então é preciso estar minimamente preparado. Até porque a derrota do governo, que está em indiscutível minoria na Câmara, reforça um pouco mais a expectativa – com o medo dos governistas e a ansiedade mal disfarçada dos oposicionistas – de que essas possibilidades possam a vir se tornar realidade. Na política, a perspectiva de poder é o centro gravitacional onde orbitam candidatos e partidos. E, no momento, esse centro de atração parece mais forte para os que estão a favor do impeachment.