novembro 2015 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

novembro 2015

Hospital Universitário para por falta de verbas: pois é, professor Jesualdo…

Por Wanfil em Ceará

30 de novembro de 2015

Vivendo a maior crise de sua história, o Hospital Universitário Walter Cantídio para atividades por causa da falta de repasses de verbas do governo federal, via SUS. É o que dizem médicos e gestores da instituição, em notas publicadas na imprensa e depoimentos nas rede sociais. Serão suspensos transplantes de rim, pâncreas, fígado e medula óssea. Outros procedimentos serão progressivamente reduzidos.

Às pressas, o reitor da Universidade Federal do Ceará, Henry Campos, foi a Brasília tentar uma saída junto ao secretário superior do Ministério da Educação, Jesualdo Farias, que antecedeu Campos na reitoria da UFC. Aliás, Jesualdo foi um dos 54 reitores (de um total de 58) que em 2014 assinaram um manifesto de apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, que assim justificava o posicionamento do grupo (grifos meus):

“Enquanto educadores, dirigentes universitários eleitos e com mandato, mas sobretudo como cidadãos que desejam ver o país continuar avançando, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção e com o respeito que merecem todos os candidatos a presidente da República que estamos no rumo certo, portanto, devemos continuar lutando e exigindo a perenidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis”.

A militância eleitoral rendeu a Jesualdo uma indicação para o Ministério da Educação, porém, a UFC e o hospital universitário estão como todos sabem. Confundir o papel de “cidadão” com as responsabilidades de gestor pode dar nisso. Fica pelo menos o registro de que Dilma não afundou o Brasil, a educação e a saúde sozinha.

Cota
Um jornalista do Sistema Jangadeiro me informou há pouco que médicos do HUWC, desses que trabalham longe dos  manifestos eleitorais e que preferem o anonimato, estão fazendo uma cota para pagar, do próprio bolso, os custos para realizar um transplante de fígado, pois o paciente corre sério risco. Essa é a situação. Médicos demonizados como culpados pela crise na saúde durante a campanha eleitoral, acusados de ser contra o programa “Mais Médicos” só por birra. Médicos que agora são criticados pela reitoria por ameaçarem suspender cirurgias por falta de condições de trabalho e de respeito aos pacientes.

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Não é questão de ser antipetista

Por Wanfil em Partidos

29 de novembro de 2015

A importância do Partido dos Trabalhadores na história do Brasil é indiscutível. Nascido distante das estruturas de poder, o PT chegou à Presidência da República e tornou-se referência simbólica capaz de substituir debates importantes pela simples retórica de um embate entre petistas e antipetistas, dualismo traduzido por vários de seus líderes na figura do “Nós” contra “Eles”. Com os escândalos do mensalão e do petrolão, o descontrole fiscal, a crise econômica, a perda de popularidade e a Operação Lava Jato, essa polarização se voltou contra o partido e o cristal quebrou.

Acontece que ser importante e ter história, no final, não significa ser eficiente ou estável. Olhando as coisas de modo pragmático, a gestão Dilma levou as contas públicas para o buraco e agora, catatônica, não consegue nem sequer apontar rumo para alguma saída. O ajuste fiscal anunciado como salvação é torpedeado pelo próprio petismo. A essa altura também não existem mais dúvidas sobre a incapacidade gerencial e a falta de liderança política da presidente, deficiências que poderiam ser mais ou menos compensadas pelo partido, mas como ficou ainda mais claro após a prisão do senador Delcídio Amaral, o petismo convulsiona em estado terminal. Não é questão de gostar ou não gostar, de ser petista ou antipetista, mas de constatar fatos.

A dúvida é: diante da paralisia do governo, fazer o quê? Um bom amigo me pergunta: “Se tirar o PT, se tirar a Dilma, tudo se resolve? A corrupção acaba? O problema é só o PT?”.

A resposta é difícil, porque dúbia. É preciso cuidado para não voltar, pela força do hábito, à infrutífera discussão do “Nós” contra “Eles”. A corrupção certamente não acaba, mas nas atuais circunstâncias, é necessária ação imediata para retomar a credibilidade do governo e aprovar ajustes necessários para corrigir as contas. E o primeiro passo para isso é admitir que o PT representa agora, pelo lugar que ocupa e os problemas que o engolem, o maior empecilho para que soluções de curto e médio prazo sejam tomadas. Nesta semana, o governo Dilma tentará desesperadamente mudar no Congresso a meta fiscal, para conseguir terminar o ano no vermelho sem incorrer em crime. Acabou.

No longo prazo, a volta do PT para a oposição poderia ser a única forma de resgatar um pouco de sua força. Desconfio que, se renunciasse ao mandato, Dilma, uma pedetista, daria ao PT uma remota chance de salvação. Há momentos em que a necessidade fala mais alto, além das preferências partidárias, das cores, bandeiras, times e tudo em quanto. O Brasil caminha para um desastre econômico sem precedentes. A prioridade é estabilizar o quadro para depois discutir o que fazer.

Ao meu amigo petista, eu respondi: “Ou vocês mudam de casa ou pedem para que os líderes do partido respondam pelo que fizeram. Para sobreviver, vocês precisam se livrar deles.” O Brasil também.

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Desemprego explode e entidades silenciam no Ceará

Por Wanfil em Economia

20 de novembro de 2015

Alguns dados recentes sobre a situação do trabalhador brasileiro, divulgados nesta semana, no final do quinta ano da gestão Dilma Rousseff:

IBGE: o número de desempregados aumentou 67,4% em doze meses, maior patamar para outubro desde 2007;

IBGE: o rendimento médio dos trabalhadores caiu 7% em relação a outubro do ano passado;

Caged (Ministério do Trabalho): Fechadas 169 mil vagas em outubro, pior resultado para o mês desde 1992. Só no Ceará foram eliminados 4.787 postos;

Caged (Ministério do Trabalho):  Nos últimos 12 meses, encerrados agora em outubro, foram perdidos pouco mais de 1 milhão e 380 mil de empregos. No acumulado do ano, no Ceará, já são quase 19 mil empregos a menos.

Reação
Diante desse quadro, o que fazem as entidades representativas de trabalhadores e estudantes? Verifiquei alguns sites para conferir a reação das principais delas.

CUT/Ceará: entre as principais ações destacadas estão a promoção a um debate sobre “os desafios do povo negro brasileiro”, uma marcha em defesa da demarcação de terras para índios de 14 etnias cearenses e a denúncia contra o racismo e a violência de gênero em manifestação ocorrida em Brasília. Sobre desemprego e queda de renda dos que ainda estão empregados, nada;

Conlutas/Ceará: em sua página no Facebook, a entidade critica Dilma por quebrar a promessa de não mexer em direitos trabalhistas. Reclama do ministro Levy e procura uma alternativa à “oposição de direita”. Traduzindo: sonham com a volta da Dilma da campanha eleitoral. Sobre desemprego, nada;

UNE: no site nacional da entidade, que foi às ruas pedir o impeachment de Collor no passado, o foco agora é a ocupação de escolas em São Paulo. No Ceará, a UNE não tem página. Pelo menos, não a encontrei. De toda forma, ao que tudo indica, o quadro de desemprego, recessão, crise política e corrupção, não a preocupa, embora, teoricamente, os demais estudantes que não estão pendurados na máquina estudantil ou na pública mesmo, tenham no horizonte de seus planos a busca por um emprego no mercado, cada vez mais fechado.

Conclusão
O trabalhador, especialmente o trabalhador desempregado, está por conta própria. Não há protestos ou pressão. São todos parceiros na construção da atual conjuntura.

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Deputados ignoram secretário e aprovam requerimento pedindo a Camilo que avalie presença da Força Nacional no Ceará

Por Wanfil em Política

19 de novembro de 2015

Numa decisão surpreendente, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou requerimento de autoria do deputado Capitão Wagner (PR), que solicita ao governador Camilo Santana (PT) que “avalie a necessidade da presença da Força Nacional de Segurança no nosso Estado”.

A razão do pedido foram os recentes casos de assassinatos no bairro Messejana, em Fortaleza; ataques a delegacias e quartéis, com carros incendiados; além de uma onda de boatos no Whatsapp, com ameaças à população.

Para ser aprovado, foram necessárias alterações no texto original. Depois de negociar com o líder do governo na Casa, Evandro Leitão (PDT), a nova redação amenizou o tom de cobrança, destacando tratar-se de uma consulta.

Quando a maioria recua
A surpresa fica por conta da postura da base aliada. Como a oposição é minoria, o requerimento poderia ser reprovado com facilidade, poupando o governador do constrangimento de ter que se posicionar sobre essa possibilidade, que na prática, sugere falta de condições para o controle da situação com as forças locais.

Sem esquecer ainda que a posição da gestão a respeito já havia sido manifestada um dia antes, na própria Assembleia, quando o secretário de Segurança, Delci Teixeira, descartou a ideia de pedir apoio federal. Ficou a impressão de que os aliados de Camilo não acreditaram muito no que diz o próprio governo, na figura do responsável pela área.

Entre a convicção no apoio ao secretário e ao próprio governo e o risco de parecer mais uma vez omissa perante os eleitores, a base optou por aprovar o requerimento.

Segue abaixo o requerimento aprovado:

Requerimento AL Força Nacional

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Redução da desigualdade no Ceará coincide com aumento de famílias dependentes do Bolsa Família entre 2004 e 2014

Por Wanfil em Ceará

18 de novembro de 2015

Informa o site do Governo do Ceará:

“Nos últimos 10 anos, a desigualdade social e a pobreza foram reduzidas de forma drástica no Ceará. (…) Os 10% mais pobres, por exemplo, apresentaram um crescimento médio de 85,1% na renda, entre 2004 e 2014. O percentual de pessoas abaixo da linha da pobreza no Ceará reduziu de 47,5%, em 2004, para 17,3%, em 2014.”

Os dados são do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). Nesses 10 anos avaliados, dois pontos merecem atenção:

1) o período foi marcado por um ambiente econômico favorável nacionalmente, marcado por crescimento econômico razoável, inflação sob controle, oferta de crédito, demanda por commodities, e câmbio barato. Condições que agora deixaram de existir;

2) o papel dos programas de transferência de renda nessa equação, cuja importância é reconhecida pelo próprio diretor do Ipece, Flávio Ataliba. Em certa medida, as pessoas deixaram de ser pobres porque recebem dinheiro desses programas. Se deixarem de receber, voltam a ser pobres. Basta conferir a Matriz de Informação Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome: em 2004, no Ceará, 572.730 famílias eram assistidas pelo Bolsa Família. Dez anos depois, o número de famílias beneficiárias do programa subiu para 1.089.813. Qualquer relação de causa e efeito não é mera coincidência.

Conclusão: cenário econômico de crescimento baseado em oferta de crédito e estímulo ao consumo, somada à programas de transferência, especialmente o Bolsa Família, ajudaram a reduzir, momentaneamente, a pobreza. Na verdade, há nisso tudo uma enorme contradição. Se a pobreza e a desigualdade diminuíram, como explicar o aumento de famílias necessitadas dos programas de transferência?

Não houve, por exemplo, grandes saltos na educação, esperança de emancipação econômica para os filhos dessas famílias beneficiárias. De acordo com o mesmo Ipece, em 2004, apenas 5,5% dos cearenses com mais de 25 anos tinham ensino superior completo, contra 7,4% em 2014. Um avanço muito tímido.

Infelizmente, a redução da desigualdade ainda depende muito, demais, do assistencialismo oficial que vem de fora.

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Seu prefeito quer a volta da CPMF? Diga a ele o que você pensa nas urnas

Por Wanfil em Ceará

13 de novembro de 2015

Cerca de 40 prefeitos de cidades do interior estiveram no Palácio da Abolição, em Fortaleza, em mobilização organizada na manhã de ontem pela Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece). Eles querem a volta da CPMF para cobrir o buraco nos caixas municipais depois que os repasses federais caíram.

A ideia é pressionar a bancada federal para votar a favor da proposta do governo Dilma Rousseff, de modo que, pela previsão da Confederação Nacional dos Municípios, o imposto gere uma receita extra de R$ 14,4 bilhões. Tudo pela saúde, que até o ano passado era cantada em prosa e verso nas propagandas eleitorais.

No mesmo dia, um laudo de perícia criminal feito pela Polícia Federal para a Operação Lava Jato contabiliza R$ 42,8 bilhões de prejuízo no escândalo da Petrobras, dividido nas seguintes categorias: desvios de recursos, superfaturamento de obras e acordos com empreiteiras.

Ou seja, só o roubo na Petrobras é mais que o triplo dos recursos que os prefeitos e o governo federal querem retirar da sociedade via CPMF. Ou seja, querem que as pessoas, que você, pague a conta da corrupção.

Procure saber se o prefeito da sua cidade acha isso correto e defende a volta do imposto. Ano que vem tem eleições municipais, quando o eleitor também poderá dizer o que pensa a respeito.

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Em véspera de eleição, “mudar tudo para que tudo fique como está”

Por Wanfil em Política

12 de novembro de 2015

Lampedusa desnudou a natureza de certas mudanças políticas

A intenção final de certas mudanças políticas é iludir para conservar o poder

A justiça eleitoral divulgou o calendário para as eleições municipais em 2016. No geral, as mudanças mais impactantes foram a redução do prazo de mudança de partido para candidatos de um ano para seis meses e a diminuição do tempo de campanha, com destaque para a propaganda obrigatória de 45 para 35 dias.

Na verdade, são pequenos ajustes decorrentes da mini reforma eleitoral aprovada pelo Congresso Nacional em setembro passado, que por serem superficiais, em nada alteram a natureza do jogo, seguindo a máxima do príncipe de Falconeri, personagem de Lampedusa em O Leopardo: “tudo deve mudar para que tudo fique como está”.

Assim, a velha prática de ofertar cargos nas máquinas governamentais (e suas verbas, muito cobiçadas em períodos eleitorais), em troca de apoio político, continua intocada.

O governo federal, por exemplo, entregou o a presidência dos Correios ao médico Giovanni Queiroz, ex-deputado do PDT, ligado à Frente Parlamentar da Agropecuária. Pelo currículo, o sujeito não tem nada a ver com os Correios. A indicação coube ao ministro das Comunicações, André Figueiredo, do PDT do Ceará.

Em outro caso, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, também do PDT e candidato à reeleição, chegou a cogitar a criação de uma nova secretaria apenas para abrigar o deputado federal Adail Carneiro, do PHS, de modo a abrir vaga na Câmara o suplente Paulo Henrique Lustosa, garantindo assim o apoio do PP nas próximas eleições.

Como a proposta de criar uma estrutura em tempos de crise apenas por conveniência eleitoral pegou mal, o governador Camilo Santana, do PT, entrou em campo para terceirizar a manobra, nomeando o deputado federal como assessor para articulação política.

Esses são exemplos colhidos na ordem do dia, mas a prática é antiga e disseminada na política nacional, independente de partidos ou ideologias. E assim, apesar das decepções da população, dos escândalos, das denúncias e do descrédito da classe política em razão justamente dessas maquinações, os velhos vícios continuam e as mudanças apresentadas como se fossem reformas, não passam de perfumaria barata “para que tudo fique como está”.

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Só comparando: quanto custa estabilizar um sistema socioeducativo?

Por Wanfil em Ceará

10 de novembro de 2015

O Governo do Ceará anunciou uma série de medidas para conter as rebeliões nos centros de detenção de “jovens em conflito com a lei”, batizado de Plano de Estabilização do Sistema Socioeducativo. O descontrole chegou ao ponto de um adolescente internado morrer baleado, sem que ninguém saiba de onde saiu o disparo.

Esses centros são administrados pela  Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), cujo titular é Josbertini Clementino, que substituiu Evandro Leitão ainda em 2013, no governo Cid Gomes, pela cota do PDT.

Entre as medidas anunciadas está o investimento de aproximadamente R$ 4,2 milhões em infraestrutura, incluindo reformas de algumas unidades que já estavam em andamento.

Isso é muito ou é pouco? Não sei ao certo. É menos do que os R$ 5 milhões de contratos com a Petrobras que o delator Ricardo Pessoa, dono da UTC e chefe do “clube das empreiteiras” enroladas na Operação Lava Jato, disse ter repassado a Edinho Silva, tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff e atual ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, no primeiro turno da última campanha eleitoral.

E o que uma coisa tem a ver com a outra, Wanfil? Nada. Lembrei de Edinho Silva por causa de algumas declarações que ele deu tentando menosprezar a greve dos caminhoneiros, não obstante o fato de que se ele a considerasse realmente irrelevante, não precisaria se pronuncia a respeito. Em seguida, inevitavelmente, lembrei-me de Ricardo Pessoa, que o implicou na Lava Jato.

Vejam só como funcionam essas associações. É que agora, sempre que gestores falam em investimentos, automaticamente uso os valores das propinas citadas nas delações premiadas como parâmetro.

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Morre Beni Veras: seu legado é lição contra as crises

Por Wanfil em Artigo

06 de novembro de 2015

O Governo do Estado decretou luto de três dias pela morte do ex-governador, ex-senador e ex-ministro Beni Veras, aos 80 anos. Jornais e site publicam sua trajetória, desconhecida dos mais jovens.

Aqui me limito a ressaltar um fato que, nos dias de hoje, pode até soar estranho: Beni Veras foi empresário,  político e gestor público sobre quem nunca se ouviu falar de escândalos, denúncias, investigações ou mesmo suspeitas. Algo raro, tomando-se as lideranças do Brasil nestes tempos de crise.

Outra característica marcante em Beni foi a disposição de estudar temas com os quais tinha lidar nos cargos que ocupou, como a questão das desigualdades regionais no Brasil, para sugerir soluções, sem no entanto nunca parecer arrogante. Isso é outra coisa incomum: a noção de que a responsabilidade das posições de comando exige preparo e atualização não apenas no setor privado, mas também nas atividades públicas.

Em tempo de descrédito generalizado da política e dos políticos, o legado de Beni Veras é uma oportuna lembrança: pessoas de bem, independente de colorações partidárias ou ideológicas, devem, na medida de suas possibilidades, compartilhar seus conhecimentos a serviço da política e da gestão pública, apesar dos tipos inescrupulosos que estão sempre por aí.

No Ceará, Beni provou que essa é a melhor forma de enfrentar crises. Que descanse em merecida paz.

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A polêmica dos depósitos judiciais: os fins não podem justificar os meios

Por Wanfil em Ceará

03 de novembro de 2015

O governo busca soluções mágicas para a crise. Mas mágicas, como bem revelou Mister M, não existem.

O governo busca soluções mágicas para a crise. Mas mágicas, como bem revelou Mister M, não existem.

Na última quinta-feira a Assembleia Legislativa aprovou, sem maiores discussões e a toque de caixa, uma lei que transfere do Tribunal de Justiça para o Governo do Estado o controle sobre os chamados depósitos judiciais (cerca de R$1,2 bilhão). E não é só isso: se antes o Judiciário podia usar até 30% desses recursos, agora o Executivo poderá utilizar até 70% desses recursos.

Os depósitos judiciais constituem um fundo privado abastecido em grande parte com dinheiro que pessoas e empresas depositam em juízo, enquanto seus processos correm nos tribunais. Ou seja, não é dinheiro do orçamento público. Naturalmente, a medida causou polêmica.

Inconstitucional
Defensores do projeto alegam que a grana fica parada nos bancos e que melhor seria usá-la em prol do interesse coletivo. No presente caso, para cobrir gastos na previdência estadual e pagar “despesas de capital” não especificadas. Para os críticos do projeto, o custeio da previdência e gastos com obras já deveriam constar no orçamento.

O governo diz que, diante da crise, é preciso buscar novas fontes de recursos. A oposição lembra que os fins não podem justificar os meios, alegando que a medida é inconstitucional. Nesse sentido, a oposição está respaldada pelo Supremo Tribunal Federal. No mesmo dia em que o projeto foi aprovado no Ceará, o ministro Teori Zavascki suspendeu, em caráter liminar, lei semelhante em Minas Gerais por causar “insegurança jurídica” e “risco para o direito de propriedade dos depositantes”.

Confisco e desconfiança
O fato é que os problemas financeiros no caixa estadual decorrentes da crise econômica podem assumir perigosa dimensão. Por isso a pressa e a disposição de apostar em medidas, digamos, criativas, capazes de gerar dúvidas pertinentes.

Por exemplo: o uso de dinheiro de particulares para financiar investimentos e custeio de serviços públicos abre uma brecha perigosa. Hoje são os depósitos judiciais, amanhã, poderá ser a poupança, ressuscitando o trauma do confisco feito pelo ex-presidente Collor de Mello. A lógica é a mesma: fins justificando os meios. Não deu certo antes e Zélia Cardoso (ministra de Collor) caiu em desgraça.

O Estado garante que se houver necessidade de devolver dinheiro aos depositantes em valores que ultrapassem os 30% do fundo em caixa, ele mesmo irá repor a quantia em até cinco dias. Ora, se o próprio governo admite dificuldades, quem haverá de confiar nessa garantia?

A busca continua
No final, diante de tantas dúvidas e dificuldades, inclusive jurídicas, e a exemplo que tem acontecido com a proposta de recriação da CPMF, é bom o Governo do Ceará continuar procurando outras alternativas para equilibrar suas contas. Buscar dinheiro que já tem dono pode parecer o caminho mais rápido, mas, definitivamente, não é o mais seguro. Não passa de ilusão.

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A polêmica dos depósitos judiciais: os fins não podem justificar os meios

Por Wanfil em Ceará

03 de novembro de 2015

O governo busca soluções mágicas para a crise. Mas mágicas, como bem revelou Mister M, não existem.

O governo busca soluções mágicas para a crise. Mas mágicas, como bem revelou Mister M, não existem.

Na última quinta-feira a Assembleia Legislativa aprovou, sem maiores discussões e a toque de caixa, uma lei que transfere do Tribunal de Justiça para o Governo do Estado o controle sobre os chamados depósitos judiciais (cerca de R$1,2 bilhão). E não é só isso: se antes o Judiciário podia usar até 30% desses recursos, agora o Executivo poderá utilizar até 70% desses recursos.

Os depósitos judiciais constituem um fundo privado abastecido em grande parte com dinheiro que pessoas e empresas depositam em juízo, enquanto seus processos correm nos tribunais. Ou seja, não é dinheiro do orçamento público. Naturalmente, a medida causou polêmica.

Inconstitucional
Defensores do projeto alegam que a grana fica parada nos bancos e que melhor seria usá-la em prol do interesse coletivo. No presente caso, para cobrir gastos na previdência estadual e pagar “despesas de capital” não especificadas. Para os críticos do projeto, o custeio da previdência e gastos com obras já deveriam constar no orçamento.

O governo diz que, diante da crise, é preciso buscar novas fontes de recursos. A oposição lembra que os fins não podem justificar os meios, alegando que a medida é inconstitucional. Nesse sentido, a oposição está respaldada pelo Supremo Tribunal Federal. No mesmo dia em que o projeto foi aprovado no Ceará, o ministro Teori Zavascki suspendeu, em caráter liminar, lei semelhante em Minas Gerais por causar “insegurança jurídica” e “risco para o direito de propriedade dos depositantes”.

Confisco e desconfiança
O fato é que os problemas financeiros no caixa estadual decorrentes da crise econômica podem assumir perigosa dimensão. Por isso a pressa e a disposição de apostar em medidas, digamos, criativas, capazes de gerar dúvidas pertinentes.

Por exemplo: o uso de dinheiro de particulares para financiar investimentos e custeio de serviços públicos abre uma brecha perigosa. Hoje são os depósitos judiciais, amanhã, poderá ser a poupança, ressuscitando o trauma do confisco feito pelo ex-presidente Collor de Mello. A lógica é a mesma: fins justificando os meios. Não deu certo antes e Zélia Cardoso (ministra de Collor) caiu em desgraça.

O Estado garante que se houver necessidade de devolver dinheiro aos depositantes em valores que ultrapassem os 30% do fundo em caixa, ele mesmo irá repor a quantia em até cinco dias. Ora, se o próprio governo admite dificuldades, quem haverá de confiar nessa garantia?

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No final, diante de tantas dúvidas e dificuldades, inclusive jurídicas, e a exemplo que tem acontecido com a proposta de recriação da CPMF, é bom o Governo do Ceará continuar procurando outras alternativas para equilibrar suas contas. Buscar dinheiro que já tem dono pode parecer o caminho mais rápido, mas, definitivamente, não é o mais seguro. Não passa de ilusão.