outubro 2015 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

outubro 2015

Aula de cinismo: ministro da Educação ignora a realidade e diz que Ceará e Brasil estão crescendo. De onde ele tirou isso?

Por Wanfil em Educação

29 de outubro de 2015

O ministro da Educação, Aluísio Mercadante, veio no Ceará em busca de uma agenda positiva na quarta-feira. Participou de vários eventos cuidadosamente produzidos, falou em pacto nacional pela educação, fez elogios e discursos.

A certa altura, falando a uma plateia de professores e estudantes de escolas premiadas pelo governo estadual, e embalado pela recepção festiva, algo raro nesses tempos de crise, o ministro mandou ver:

“Hoje, o Ceará é o estado que mais cresce no Brasil. E são vocês que ajudam a fazer esse país crescer, pois é através do esforço de cada um de vocês que teremos um futuro ainda mais promissor para o Brasil.”

Correções
De onde Mercadante tirou isso? O país, ministro, está em RECESSÃO! Vamos aos fatos:

O Ceará não é o estado que mais cresce, pelo contrário, está entre os que mais sentem a crise. A economia estadual desabou 5,32% no segundo trimestre de 2015, superando, por exemplo, São Paulo (-5%), Minas Gerais (3,5%), Bahia (-1,9) e Rio Grande do Sul (-0,6).

O Brasil não está crescendo também, como todos sabem. Para o mercado, a expectativa é de que o PIB nacional registre uma retração na casa dos 3% em 2015 e de 1,5% em 2016.

Reprovado
Aluísio Mercadante foi colocado no Ministério da Educação como prêmio de consolação na última reforma ministerial, após ser demitido da poderosa Casa Civil, a pedido, ou melhor, por exigência de Lula e do PMDB. Substituiu o professor Renato Janine Ribeiro, que passou poucos meses no cargo, nomeado depois da saída de Cid Gomes da pasta, que também ficou poucos meses no cargo.

Sem intimidade técnica com a área, Mercadante fez o que sabe fazer: política ruim. Não realizou nada e distorce a realidade para fazer festa. Para isso, não há nada melhor do que vir ao Ceará.

PS. O governador Camilo Santana e o ministro Mercadante, ambos do PT, inauguraram mais uma escola profissionalizante em Fortaleza. Bacana. O nome da escola é Leonel Brizola, maior liderança na história do PDT. É que agora todo mundo por aqui é pedetista desde criancinha.

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CNT/MDA: brasileiros rejeitam Dilma, o governo, o Congresso e os partidos. E agora?

Por Wanfil em Partidos

28 de outubro de 2015

Pesquisa de opinião do instituto MDA divulgada nesta semana pela Confederação Nacional dos Transportes mostra que 70% dos entrevistados avaliam negativamente a gestão de Dilma Rouseff e que 80% desaprovam o desempenho pessoal da presidente.

Também foi avaliada a confiança da população nas instituições. Destaco, em negrito, as três últimas, para depois comentar:

Igreja: 50,8% confiam sempre e 14,6% não confiam nunca
Forças Armadas: 26,1% confiam sempre e 20,3% não confiam nunca
Imprensa: 16,1% confiam sempre e 26,1% não confiam nunca
Justiça: 14,2% confiam sempre e 27,5% não confiam nunca
Polícia: 10,7% confiam sempre e 28,6% não confiam nunca
Governo: 4,1% confiam sempre e 61,1% não confiam nunca
Congresso nacional: 3,2% confiam sempre e 55,0% não confiam nunca
Partidos políticos: 1,5% confia sempre e 76,2% não confiam nunca

(Veja aqui a pesquisa completa).

Governo, Congresso e partidos são as três instituições avaliadas que conseguem ter a desconfiança da maioria. É o cenário perfeito para o surgimento de uma surpresa nas próximas eleições, tal como aconteceu nas eleições de Collor, que sucedeu Sarney (desgastado com o fracasso do Plano Cruzado), e também na primeira vitória de FHC, eleito depois do curto mandato de Itamar Franco, que assumira após o impeachment de Collor. Evidentemente, não se compara aqui o desempenho dos dois no cargo, mas as semelhanças no ambiente político em que apareceram.

Na história recente do país o que temos visto é que em eleições disputadas em períodos de crise econômica e instabilidade política, como o que vivemos agora, os eleitores evitam os medalhões e procuram nomes diferentes. Além disso, a fragilidade histórica do sistema partidário brasileiro reforça o personalismo.

É impossível que, nessas circunstâncias, um bom nome seja escolhido para reorganizar o país? Não. Às vezes dá certo. Mas o risco embutido nesse ambiente de desconfiança e decepção – responsabilidade dos próprios partidos – é o surgimento de um candidato ou candidata voluntarista e inconsequente, desses que dizem estar acima dos partidos e da própria política, autoproclamados independentes, acusando todos de serem igualmente ruins, excetuando-se, claro, eles mesmos. E o pior: com soluções mágicas que adiante, invariavelmente, cedo ou tarde se mostram ineficazes.

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MP convoca TODOS os vereadores de Fortaleza em investigação de desvio de verbas. Todos!

Por Wanfil em Câmara de Vereadores

27 de outubro de 2015

O Ministério Público do Ceará quer ouvir todos os 43 vereadores de Fortaleza a respeito de gastos com as chamadas Verbas de Desempenho Parlamentar. Os promotores, juntamente com a Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública (Procap), investigam desvios que podem chegar a R$ 11 milhões.

A suspeita é que parlamentares usem recibos falsos para embolsar o dinheiro. Mais do que isso, pela natureza dos procedimentos, tudo indica que a suspeita é de que a prática possa estar disseminada em diversos gabinetes.

Por um momento, pensando em possíveis inocentes chamados a falar sobre o caso, me deixei levar pelo sentimentalismo: “O justo paga pelo pecador”. Mas depois, deduzindo que os investigadores tenham bons motivos para querer ouvir a todos, resolvi esperar um pouco mais. Vai que a convocação geral é  forma mais segura de não cometer injustiças?

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Luizianne rebate críticas de Ivo Gomes à gestão Camilo: “Por que o Ciro não resolveu?”

Por Wanfil em Política

26 de outubro de 2015

A deputada federal Luizianne Lins, ex-prefeita de Fortaleza, falou em entrevista concedida à rádio Tribuna Band News FM (101.7) sobre as críticas feitas pelo deputado estadual Ivo Gomes, do Pros, na última quinta-feira (22), sobre a situação do Hospital Regional de Quixeramobim: “Eu não engulo a desculpa de que o governo não tem dinheiro para o custeio. Tem que se virar! Porque tem dinheiro sim! Eu sei que tem”.

No sábado, durante evento na região do Cariri, o governador, claro, não quis polemizar e disse não comentaria o caso. Até o momento, passados quatro dias, o próprio PT fez ouvidos moucos ao carão de Ivo, silêncio agora quebrado por Luizianne (grifos meus):

A pergunta é: se tem dinheiro para saúde, por que Ciro Gomes, irmão mais velho de Ivo Gomes, (…) quando foi secretário da Saúde não resolveu o problema? (…) É muito bom você jogar nas costas do outros. O deputado Ivo Gomes detonava a gestão da educação pública em Fortaleza, foi secretário municipal [da Educação], entrou calado e saiu mudo! (…) Pra mim ele não tem legitimidade para falar, nunca resolveram problema de nada, adoram falar e saem dos cargos. O Ivo passou pela Secretaria Municipal de Educação e já foi para Secretaria [estadual] das Cidades e também saiu. Aí quando sai fica falando dos outros. Vamos aprender, gente, a se controlar e parar de falar o que não é capaz de fazer.

O PT sempre se destacou pelo sentimento de grupo. Ao mesmo tempo em que a sigla se divide em debates internos, com suas correntes, na hora de se defender de ameaças externas, o conjunto prevalecia. Mesmo agora, com o partido alquebrado por denúncias de corrupção, todo petista ainda defende (ou pelo menos preserva) a figura de Lula, por se tratar de um símbolo de unidade que ainda lhes resta.

Talvez Camilo, tido como cidista, não seja visto internamente como um petista legítimo. Ou então a relação de dependência com a família Ferreira Gomes tenha se intensificado tanto nesse momento de crise, que o partido se sinta constrangido de para reagir. Aliás, no sábado, lá estava Cid ao lado de Camilo, mostrando que está tudo em ordem, na velha tática do bate e assopra.

De resto, é sintomático que venha a ser Luizianne, rompida com Cid e adversária de Roberto Cláudio (PDT), prefeito de Fortaleza que não poupa críticas à Luizianne e aliado de Camilo, a única liderança partidária que venha a público defender a gestão estadual. Algo está fora da ordem.

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De Ivo Gomes para o Governo do Ceará: “TEM QUE SE VIRAR! PORQUE TEM DINHEIRO SIM!”

Por Wanfil em Política

23 de outubro de 2015

Na sessão da Assembleia Legislativa que aprovou um empréstimo de US$ 123 milhões do BID para a construção de novos hospitais no Ceará, realizada ontem, quinta-feira, o deputado Ivo Gomes, do PROS, levantou o debate sobre o financiamento para a saúde no Estado (grifos meus):

Eu não engulo a desculpa de que o governo não tem dinheiro para o custeio. Tem que se virar! Porque tem dinheiro sim! Eu sei que tem, eu sei que tem. O Ceará sabe que tem. Todo mundo sabe que tem. Se não tem dinheiro pra tudo, que se hierarquize as prioridades e a prioridade hoje, no Ceará, é resolver o problema na saúde, especialmente na atenção secundária e terciária, de alta complexidade, que é o propósito desses hospitais, tanto o de Quixeramobim, que não tem justificativa, repito, pra ele tá fechado ainda. Não me venha nenhum líder do governo querer me explicar que não tem dinheiro, porque eu sei que tem! Tá indo pra superávit, não sei o quê, pá, pá, pá. Enquanto tá lá o hospital fechado, equipado e com gente selecionada. Só falta abrir, vontade de abrir”.

Conflito de versões
Ivo é da base aliada do governador Camilo Santana, foi secretário das Cidades na atual gestão e é irmão de Cid e Ciro Gomes. Se fosse um opositor qualquer, seria o caso de dar um desconto, afinal, adversários não ficam imediatamente a par de todas as informações sobre as finanças estaduais. Mas sendo Ivo quem é a questão muda de figura, pois o governo tem dito reiteradamente que o problema da saúde no Ceará é de falta de recursos, que Camilo chama de “subfinanciamento”, conforme podemos conferir nessa matéria da Agência Brasil: Subfinanciamento gera crise na saúde, afirma governador do Ceará.

Hospital da discórdia
O hospital citado por Ivo foi inaugurado no final da gestão Cid Gomes, em Quixeramobim, mas até hoje não funciona. Para a oposição é prova de que o Estado não suportaria novos hospitais, uma vez que não consegue nem sequer dar conta dos que já existem. Faz sentido, mas deixo isso para outro texto.

É preciso deixar claro que Camilo nunca responsabilizou a gestão Cid pelo problema, pelo contrário, sempre destacou que uma de suas causas é a redução dos repasses federais. De todo modo, a obra é estadual. Se funcionasse, seria alardeada como fruto da capacidade empreendedora do ex-governador. Como não opera, ficou como herança maldita para o governo seguinte. No mínimo, faltou o devido planejamento, afinal, o hospital foi inaugurado sem que estivessem plenamente garantidos os recursos para o seu funcionamento.

Tom de cobrança
Talvez por isso Ivo Gomes tenha usado o “tem que se virar!”, com a entonação de de um credor que cobra uma dívida. Pelo modo que que a situação foi abordada, fica a impressão de que, no entendimento do deputado, a obrigação de Camilo é resolver as pendências deixadas por Cid sem reclamar de ninguém. Pode não ter sido a intenção, mas não é comum ver um aliado no legislativo falando assim com o governo.

A oposição, claro, cravou: tem ou não tem dinheiro?

Dilma como exemplo
Por fim, um ponto merece ser destacado. Segundo Ivo Gomes, há dinheiro sim, mas este é usado para fazer superávit, a economia feita para pagar os juros da dívida.

Ora, sugerir o uso desse superávit para cobrir gastos de custeio não previstos no orçamento é aconselhar o governo estadual a repetir o que fez a presidente Dilma Rouseff (imaginando-se muito esperta e perspicaz), com o resultado que todos já conhecemos: rombo nas contas públicas e recessão.

Se essa é a saída para “se virar”, faz muito bem Camilo Santana em não ceder à tentação do populismo fiscal. Dinheiro não aguenta abuso. Principalmente dinheiro dos outros, ou seja, o nosso dinheiro gerido pelo governo.

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Questão de coerência: se vale para Cunha, vale para líder do PDT no Senado

Por Wanfil em Política

22 de outubro de 2015

O PDT divulgou nota contra o impeachment e pedindo o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB), todo enrolado com a Justiça, da presidência da Câmara dos Deputados. Eu concordo. Primeiro, além das investigações, ele realmente mentiu na CPI, o que configura quebra de decoro. Depois, seria a melhor forma de retirar de alguns governistas uma desculpa para falar em ética, como se não fossem integrantes de um governo sem ética. Saindo Cunha, todos poderiam se concentrar nas enroladas da gestão Dilma com a Justiça. Ou alguém acha que os problemas do país se resolveriam e todos entrariam em harmonia?

Confira o seguinte trecho, que encerra a nota:

Através destes fatos [denúncias contra Cunha], afirmamos que o deputado perdeu as condições políticas de se manter à frente da presidência da Câmara Federal, e deve afastar-se das suas funções. Defendemos, por coerência partidária e constitucional, o amplo direito de defesa do deputado em todas as esferas competentes.

Repare quem são os signatários:

Carlos Lupi, presidente da Executiva Nacional; Afonso Motta, líder da bancada na Câmara; Acir Gurgacz, líder da bancada no Senado.

Agora leia o que Josias de Souza escreveu no UOL:

“Escolhido para ser o relator do parecer do Tribunal de Contas da União que condenou as ‘pedaladas fiscais’ e rejeitou as contas do governo Dilma Rousseff do ano de 2014, o senador Acir Gurgacz, de Rondônia, é réu em processo que corre no Supremo Tribunal Federal. Responde por estelionato, artigo 171 do Código Penal, além de crimes contra o sistema financeiro nacional.

Investigado pela Polícia Federal e denunciado pela Procuradoria-Geral da República, Gurgacz foi convertido em réu no dia 10 de fevereiro de 2015. O relator da ação penal é o ministro Teori Zavascki, o mesmo que cuida dos processos da Lava Jato. A denúncia contra o senador foi aceita por unanimidade na 2ª turma do STF. Além de Zavascki, votaram os ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.”

Vejam só que coisa. Aci é um dos líderes do PDT que assinam a nota contra Cunha. É réu, mas não foi condenado, pode argumentar o partido. É verdade. Ocorre vale o mesmo para Cunha, não é?

Assim, o PDT deveria, por coerência, afastar Acir Gurgacz da liderança do partido no Senado, garantindo ao mesmo, claro, “amplo direito de defesa em todas as esferas competentes”. De outro modo, fica estranho ver expoentes do partido como Cid Gomes ou até o presidenciável Ciro, exigirem a saída de Cunha.

Pau que dá em Chico, dá em Francisco. Ou não?

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Agência Fitch rebaixa notas do BNB e BNDES. Em terra de sapo, de cócoras com ele…

Por Wanfil em Economia

22 de outubro de 2015

A agência internacional de classificação de riscos Fitch, em comunicado à imprensa, informou ter rebaixado de BBB para BBB- os ratings do Banco do Nordeste, BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Banco da Amazônia. Instituições privadas tiveram queda no chamado rating de viabilidade: Bradesco (o banco onde trabalhou o ministro Levy), Safra, Itaú-Unibanco Holding, Itaú Unibanco e Itaú BBA.

Na prática, todos foram tragados pelo recente rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela mesma Fitch, confirmando tendência adiantada pela Standart & Poor’s, que foi além e já classifica o país com grau de especulação.

O rebaixamento dos bancos já era esperado. É que ainda que sejam administrados e tenham crescido com lucros recordes nos últimos anos, estão agora sob o mesmo risco de uma eventual crise de liquidez no Brasil em recessão. Como diz o ditado, “em terra de sapo, de cócoras com ele”. Nesse caso, não por conveniência, mas por contaminação. De todo modo, acocorados estão todos.

A ironia é que os bancos privados estão entre os maiores doadores para a campanha de Dilma, responsável pela crise que arrasta todos. E os bancos públicos, como bem mostram as pedaladas fiscais na Caixa e no BB, bom, não dá para confiar mesmo. Na maioria, são as raposas cuidando do galinheiro.

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No PDT, Cid fala grosso com o PMDB. Mas será que o PDT, hoje, é melhor que o PMDB?

Por Wanfil em Partidos

19 de outubro de 2015

Atenção cidistas e ciristas de todo o Ceará: aliado de Dilma é, queira ou não, aliado de Temer. O resto é firula - Foto: Site da Executiva Nacional do PDT

Aliado de Dilma é, queira ou não, aliado de Temer. O resto é firula – Foto: site da Executiva Nacional do PDT

Em solenidade de filiação ao PDT, no último final de semana, o ex-governador e ex-ministro Cid Gomes não poupou críticas à cúpula dirigente do PMDB, chegando a classificar o vice-presidente da República, Michel temer, de chefe de quadrilha.

Com base nesse discurso, fica a impressão de que bastará ao próximo presidente se afastar do PMDB para que as relações de poder sejam menos promíscuas e as coisas, ao final, melhorem. Acontece que nem tudo é tão simples assim.

Michel temer não é um novato na cena política, pelo contrário. Foi presidente da Câmara dos Deputados por três vezes. Na primeira, inclusive, eleito com o apoio de FHC. Depois, com a derrota dos tucanos, o peemedebista se chegou ao PT e, nas duas vezes em que foi eleito como companheiro de chapa de Dilma, contou no Ceará com o apoio – veja só – de Cid Gomes. Este, por sua vez, foi eleito governador em 2010 tendo como vice o deputado estadual Domingos Filho, então filiado ao velho PMDB de guerra, que apoiou a gestão Cid por sete anos, vindo a romper apenas por questões eleitorais, não de conduta.

Hoje, a própria Dilma tem como maior aliado contra um impeachment o presidente do Senado, Renan Calheiros, medalhão do… PMDB! Ou seja, na prática, aliados da presidente são aliados do PMDB, queiram ou não queiram, digam o que disserem. O resto é firula e confete.

No fundo, PDT e PMDB, atualmente, possuem muitas semelhanças, para desgosto dos saudosistas de Leonel Brizola. São partidos governistas que só votam com o Planalto quando lhes interessa e que cobram ministérios para continuar na base. O que vai mudar aí é o tamanho de cada um.

Por fim, uma recordação que deveria inspirar cautela aos pedetistas mais afoitos. Em 2011, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, deixou o Ministério do Trabalho acusado de corrupção. Até onde sei nada foi provado, mas se é assim, Michel Temer também nunca foi condenado a nada. Aliás, se isso valesse como critério, Temer não precisou renunciar dos cargos que ocupou. Fica difícil.

Assim, se Carlos Lupi é o modelo de retidão que o PDT tem a oferecer aos cearenses e brasileiros para enfrentar o PMDB, melhor tomar mais cuidado antes de falar em quadrilha.

(Transcrição de minha coluna na rádio Tribuna Band News na segunda-feira).

Só para lembrar
Confira aqui a satisfação do PDT com a companhia de Michel Temer, no ano passado:  Michel Temer anuncia nesta segunda no Rio o seu apoio a Lupi.

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Quebraram o Castelão de novo. Qual a surpresa? (Ou: Que moral têm nossos cartolas e autoridades para criticar vândalos?)

Por Wanfil em Cultura

18 de outubro de 2015

Leio que torcedores do Fortaleza quebraram cadeiras do estádio Castelão por causa de mais uma frustração em campo. Não sou especialista em futebol, mas qualquer pessoa que acompanhe o noticiário percebe que o esporte, cada vez mais, degenera em brigas de torcida e escândalos financeiros, eventos mais comuns de serem notados nas páginas policiais ou políticas. De modo que isso não surpreende mais.

Sempre que depredações como a do Castelão acontecem, invariavelmente seguem-se os lamentos pela a selvageria e pela falta de respeito ao bem comum e aos espaços públicos. Estão certos, claro, mas em certa medida, tudo isso é previsível. Basta ver o ambiente que cerca o mundo do futebol.

Não existem mais jogadores que assumam a postura de referência para os torcedores, especialmente para as crianças. Aliás, a maioria dos principais craques acabam confundindo sucesso com ostentação, deslumbrados com seus contratos. Mas são, de todo modo, a matéria prima do espetáculo. São eles que se doam pra valer, que perdem a privacidade, que são vaiados e cobrados e por aí vai. Dos males, o menor.

Pior são os cartolas. Dirigentes da FIFA e da CBF estão presos. Isso basta para qualificar o negócio. São esses os que fazem as regras do jogo. Como confiar nisso? Eu, sinceramente, não dou um centavo a esse pessoal. Vamos adiante. No juiz, coitado, ninguém confia mesmo. NO Brasil, os estádios feitos para a “maior Copa de todos os tempos” são quase todos objeto de suspeitas de órgãos como o Ministério Público. Custaram aos cofres públicos muito mais do que similares na Europa. No Ceará, o governo fez o diabo (para usar uma expressão da moda) para engavetar uma CPI. São monumentos à prática do superfaturamento. Mas, vá lá, é a paixão nacional e a roubalheira sempre existiu, conformam-se os apaixonados pelo esporte. Isso, no entanto, contamina outras esferas.

Não justifica, mas…
A grande vítima, claro, é o bom torcedor. Sei que s maus torcedores são minoria, mas são muitos, em número suficiente para atrapalhar os demais. Deveriam ser banidos, mas além de sentirem-se à vontade para ignorar as regras por conta dos exemplos dos chefões do futebol, também apostam na impunidade. Isso não justifica a ação desses vândalos, porém, convenhamos, acaba por estimulá-los, infelizmente. E ninguém faz nada, por que ninguém quer fazer nada.

No final das contas, as cadeiras quebradas são o menor dos prejuízos nesse universo de negociatas. De fato, somos o país do futebol.

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Dilma e Cunha tentam acordo: é a República do Rabo Preso!

Por Wanfil em Brasil

14 de outubro de 2015

Na sombra escura, executivo e legislativo são pardos.

Na sombra escura, Executivo e Legislativo são pardos

Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, presidente do Brasil e presidente da Câmara dos Deputados, respectivamente, protagonizam um roteiro de brigas, reviravoltas, escândalos, traições, acusações mútuas, mentiras, ações judiciais, ameaças, suspense policial e intensa movimentação de bastidores. Melhor que novela. O problema é que, nesse caso, o distinto público é quem pagará a conta pelas lambanças da trama política que se desenrola em meio a uma crise econômica.

Nesse momento – e isso pode mudar a qualquer instante – Dilma e Cunha ensaiam uma trégua que pode ser resumida assim: Cunha não acolhe o pedido de impeachment contra Dilma e Dilma segura o PT no Conselho de Ética da Câmara para evitar a cassação de Cunha. Eis o padrão ético que norteia os líderes dos poderes executivo e legislativo no Brasil. É a institucionalização da política do rabo preso.

A possibilidade de um acordo, ainda que remota, mas não impossível, faz silenciar momentaneamente os que criticam Cunha por simpatizarem com Dilma e frustra, por outro lado, os que simpatizam com Cunha por torcerem pela queda de Dilma. A guerra de torcidas espera as cenas do próximo capítulo.

Antes de continuar, uma ressalva: nem todos os que desejam o impeachment de Dilma são partidários de Cunha, assim como nem todos os que pedem a saída de Cunha são governistas. Isso não impede, nem mesmo inibe, políticas organizadas atuem nesse jogo, cada um com sua bandeira.

De todo modo, torcer por Cunha ou por Dilma, a essa altura, é inútil para o Brasil. Ainda que mantenham seus cargos, estão desde já destituídos de autoridade moral para exercerem a liderança dos postos que ocupam. Podem garantir, na base do medo, seus funções de direito, mas não de fato. E assim, serão incapazes de conduzir o país para reformas constitucionais ou ações anticrise. São cadáveres adiados, para usar uma expressão do poeta Fernando Pessoa.

Na briga entre Cunha e Dilma, torço, particularmente, pelo Ministério Público Federal, pela Procuradoria Geral da República, pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal. Que sigam o exemplo do Tribunal de Contas da União, que rejeitou as contas do governo federal. Diante da bagunça generalizada, a única forma de não se deixar contaminar pelo clima de vale tudo irresponsável que domina o Congresso e o Executivo, é ver essas instituições se aterem ao papel institucional que lhes cabe, fazendo cumprir as leis.

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Dilma e Cunha tentam acordo: é a República do Rabo Preso!

Por Wanfil em Brasil

14 de outubro de 2015

Na sombra escura, executivo e legislativo são pardos.

Na sombra escura, Executivo e Legislativo são pardos

Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, presidente do Brasil e presidente da Câmara dos Deputados, respectivamente, protagonizam um roteiro de brigas, reviravoltas, escândalos, traições, acusações mútuas, mentiras, ações judiciais, ameaças, suspense policial e intensa movimentação de bastidores. Melhor que novela. O problema é que, nesse caso, o distinto público é quem pagará a conta pelas lambanças da trama política que se desenrola em meio a uma crise econômica.

Nesse momento – e isso pode mudar a qualquer instante – Dilma e Cunha ensaiam uma trégua que pode ser resumida assim: Cunha não acolhe o pedido de impeachment contra Dilma e Dilma segura o PT no Conselho de Ética da Câmara para evitar a cassação de Cunha. Eis o padrão ético que norteia os líderes dos poderes executivo e legislativo no Brasil. É a institucionalização da política do rabo preso.

A possibilidade de um acordo, ainda que remota, mas não impossível, faz silenciar momentaneamente os que criticam Cunha por simpatizarem com Dilma e frustra, por outro lado, os que simpatizam com Cunha por torcerem pela queda de Dilma. A guerra de torcidas espera as cenas do próximo capítulo.

Antes de continuar, uma ressalva: nem todos os que desejam o impeachment de Dilma são partidários de Cunha, assim como nem todos os que pedem a saída de Cunha são governistas. Isso não impede, nem mesmo inibe, políticas organizadas atuem nesse jogo, cada um com sua bandeira.

De todo modo, torcer por Cunha ou por Dilma, a essa altura, é inútil para o Brasil. Ainda que mantenham seus cargos, estão desde já destituídos de autoridade moral para exercerem a liderança dos postos que ocupam. Podem garantir, na base do medo, seus funções de direito, mas não de fato. E assim, serão incapazes de conduzir o país para reformas constitucionais ou ações anticrise. São cadáveres adiados, para usar uma expressão do poeta Fernando Pessoa.

Na briga entre Cunha e Dilma, torço, particularmente, pelo Ministério Público Federal, pela Procuradoria Geral da República, pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal. Que sigam o exemplo do Tribunal de Contas da União, que rejeitou as contas do governo federal. Diante da bagunça generalizada, a única forma de não se deixar contaminar pelo clima de vale tudo irresponsável que domina o Congresso e o Executivo, é ver essas instituições se aterem ao papel institucional que lhes cabe, fazendo cumprir as leis.