30/09/2015 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

30/09/2015

A reforma ministerial deformada e o “prestígio” do Ceará

Por Wanfil em Política

30 de setembro de 2015

Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Atrás do Congresso, a  Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Enquanto a presidente Dilma Rousseff dava palpites em Nova Iorque sobre a reforma nas Nações Unidas, a reforma ministerial aqui no Brasil se arrasta em meio a disputas políticas e falta de rumo.

Pela nova configuração que se desenha o PMDB passa a ser o partido forte na gestão federal, como prêmio para a sigla não endossar agora o impeachment. Já os espaços de articulação política ocupados pelo PT ficam com pessoas ligadas ao ex-presidente Lula, que assume de vez o papel de eminência parda, isolando a presidente Dilma e seus auxiliares mais próximos. O dilmista Aloizio Mercadante, por exemplo, que recentemente havia sido elogiado pelo Planalto, perdeu o cargo na Casa Civil, que vai para o lulista Jacques Wagner.

No que diz respeito ao Ceará, o novo ministério aguarda algumas novidades, sobre as quais falo a seguir.

Governo do Ceará na dependência de Cunha
Na Saúde deve assumir um nome indicado pelo deputado Eduardo Cunha, pela cota do PMDB na Câmara Federal. Como todos sabem, Cunha é desafeto de Cid Gomes, que o acusou de se achacador e que por isso foi demitido do Ministério da Educação.

Caso isso se confirme,  ironia será ver o governador do Ceará, Camilo Santana, que no episódio da briga entre Cunha e Cid foi à Brasília prestar solidariedade ao ex-governador, além de também ser crítico do PMDB, ser obrigado a pedir recursos para a Saúde a um preposto de Cunha.

Parece prestígio, mas não é
Na dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios, o deputado federal André Figueiredo é apontado para assumir a pasta das Comunicações, como recibo da compra da permanência do PDT na base. Na Integração Nacional, o comando pode fica com alguém indicado pelo senador Eunício Oliveira, pela cota do PMDB no Senado. O mais otimista já enxergam nisso sinais de prestígio do Ceará.

É preciso cuidado para não cair nessa conversa. O prestígio do Ceará junto ao governo federal pode ser medido pelo golpe da refinaria, pela reforma do aeroporto que acabou em puxadinho ou pelo contingenciamento de verbas que prejudica a Transposição do São Francisco, tudo sob o silêncio conivente dos aliados locais. A nomeação de cearenses para esse ou aquele cargo atende somente a interesses partidários, independente de critérios técnicos e é completamente alheia a qualquer coisa minimamente parecida com um planejamento em políticas públicas para o Ceará. Quem tem prestígio é o “toma lá, dá cá” do fisiologismo.

Nau à deriva
Por último, o modo como a reforma ministerial em curso tem sido conduzida revela que o uso tradicional balcão de negócios  para buscar apoio  se transformou, ele mesmo, em agenda de governo. Por que o ministro da Saúde caiu? Por que o Ministério das Comunicações vai  mudar de comando? Metas não cumpridas? Não. É para dar espaço a aliados comprados.

Se antes os fins (governabilidade) pareciam justificar os meios (fisiologismo), agora os meios definitivamente se transformaram em fim.

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A reforma ministerial deformada e o “prestígio” do Ceará

Por Wanfil em Política

30 de setembro de 2015

Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Atrás do Congresso, a  Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Enquanto a presidente Dilma Rousseff dava palpites em Nova Iorque sobre a reforma nas Nações Unidas, a reforma ministerial aqui no Brasil se arrasta em meio a disputas políticas e falta de rumo.

Pela nova configuração que se desenha o PMDB passa a ser o partido forte na gestão federal, como prêmio para a sigla não endossar agora o impeachment. Já os espaços de articulação política ocupados pelo PT ficam com pessoas ligadas ao ex-presidente Lula, que assume de vez o papel de eminência parda, isolando a presidente Dilma e seus auxiliares mais próximos. O dilmista Aloizio Mercadante, por exemplo, que recentemente havia sido elogiado pelo Planalto, perdeu o cargo na Casa Civil, que vai para o lulista Jacques Wagner.

No que diz respeito ao Ceará, o novo ministério aguarda algumas novidades, sobre as quais falo a seguir.

Governo do Ceará na dependência de Cunha
Na Saúde deve assumir um nome indicado pelo deputado Eduardo Cunha, pela cota do PMDB na Câmara Federal. Como todos sabem, Cunha é desafeto de Cid Gomes, que o acusou de se achacador e que por isso foi demitido do Ministério da Educação.

Caso isso se confirme,  ironia será ver o governador do Ceará, Camilo Santana, que no episódio da briga entre Cunha e Cid foi à Brasília prestar solidariedade ao ex-governador, além de também ser crítico do PMDB, ser obrigado a pedir recursos para a Saúde a um preposto de Cunha.

Parece prestígio, mas não é
Na dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios, o deputado federal André Figueiredo é apontado para assumir a pasta das Comunicações, como recibo da compra da permanência do PDT na base. Na Integração Nacional, o comando pode fica com alguém indicado pelo senador Eunício Oliveira, pela cota do PMDB no Senado. O mais otimista já enxergam nisso sinais de prestígio do Ceará.

É preciso cuidado para não cair nessa conversa. O prestígio do Ceará junto ao governo federal pode ser medido pelo golpe da refinaria, pela reforma do aeroporto que acabou em puxadinho ou pelo contingenciamento de verbas que prejudica a Transposição do São Francisco, tudo sob o silêncio conivente dos aliados locais. A nomeação de cearenses para esse ou aquele cargo atende somente a interesses partidários, independente de critérios técnicos e é completamente alheia a qualquer coisa minimamente parecida com um planejamento em políticas públicas para o Ceará. Quem tem prestígio é o “toma lá, dá cá” do fisiologismo.

Nau à deriva
Por último, o modo como a reforma ministerial em curso tem sido conduzida revela que o uso tradicional balcão de negócios  para buscar apoio  se transformou, ele mesmo, em agenda de governo. Por que o ministro da Saúde caiu? Por que o Ministério das Comunicações vai  mudar de comando? Metas não cumpridas? Não. É para dar espaço a aliados comprados.

Se antes os fins (governabilidade) pareciam justificar os meios (fisiologismo), agora os meios definitivamente se transformaram em fim.