junho 2015 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

junho 2015

Por que Camilo procura na oposição nomes para a Saúde?

Por Wanfil em Ceará

29 de junho de 2015

Além de uma crise sem precedentes na área da Saúde, o governador Camilo Santana recebeu ainda como herança de seu aliado Cid Gomes, o modelo administrativo da saúde pública no Ceará. Assim, boa parte dos recursos para o setor é destinada ao ISGH, entidade que cresceu na condição de parceira do governo estadual e da Prefeitura de Fortaleza sob o comando de Henrique Javi, hoje secretário interino da pasta. Resumindo: os contratos são firmados por gestores públicos que, antes disso, trabalhavam para a contratada. Tem cara de conflito de interesses, cheiro de conflito de interesses, jeito de conflito de interesses, mas segundo os envolvidos, não é nada disso. Então, tá.

De todo modo, foi nesse contexto que o petista Camilo Santana optou por procurar, desde o início de seu mandato, alguém de fora do staff cidista ou da aliança que o elegeu para comandar a pasta da Saúde. Nomeou o médico Carlile Lavor, referência internacional, ex-presidente do PSDB estadual, que ficou no cargo poucos meses. Ao sair, Carlile alegou dificuldades para redesenhar o modelo vigente. A oposição passou a cobrar explicações e o Ministério Público Federal recomendou que os contratos com o ISGH fossem auditados.

Pois bem. Um mês e meio após a saída de Carlile, o governador busca na pessoa do médico Carlos Roberto Martins, o Dr. Cabeto, cardiologista respeitadíssimo e profissional competente, o nome para dar respaldo à Secretaria da Saúde. Segundo o noticiário, Cabeto, que é filiado ao PSDB, não toparia ser secretário, mas aceitaria colaborar com outra função.

Tanto Carlile como Cabeto são quadros técnicos de qualidade indiscutível. Porém, é impossível dissociá-los da condição políticas que ambos assumiram. Ambos são do PSDB, sigla de oposição ao governo Camilo. Mesmo que assuma como adjunto, Cabeto, até pelo peso do nome, seria novamente alguém de fora a figurar no comando da área.

Não existe ninguém com currículo e que seja de confiança entre os governistas? Sei não, fica estranho. Parece que o governador, por alguma razão não explicitada, prefere pinçar das hostes oposicionistas o perfil ideal para mudar os rumos da saúde no Ceará. Por que será, hein?

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Hub da TAM no Ceará: hora de manter o foco

Por Wanfil em Economia

25 de junho de 2015

Na última segunda-feira (22) o governador Camilo Santana reuniu uma frente suprapartidária com lideranças políticas e empresariais, sinalizando que a intenção de trazer para o Ceará o hub que a companhia aérea TAM pretende instalar no Nordeste.

Fortaleza disputa a obra com Recife e Natal. A previsão é que sejam investidos no empreendimento cerca de R$ 4 bilhões. Algo com esse potencial, especialmente em tempos de crise e depois dos fracassos da refinaria e do estaleiro, precisa mesmo ser priorizado por todos, até para recolocar o estado no mapa dos grandes investimentos.

Boatos e factoides
Para mostrar que o ambiente político é favorável e estável no Ceará, é fundamental manter o foco, sem abrir espaços para eventuais boatos e factoides que, uma vez alimentados, podem ressaltar uma contradição entre discurso e prática que só atrapalharia.

No dia do evento pelo hub, para citar um caso, o ex-governador Ciro Gomes aproveitou para provocar o senador Eunício Oliveira, destacando a ausência do peemedebista no encontro. Foi uma resposta a uma declaração anterior do senador Eunício, que havia dito que é preciso ter prestígio para atrair o hub, deixando entender que o grupo político do ex-governador carece dessa qualidade. Nada disso ajuda, pelo contrário.

Outro ponto a ser evitado é a tentação de vincular o terminal de passageiros da TAM com o Acquário Ceará, como andou fazendo em algumas ocasiões o governador Camilo Santana. É bom não juntar o que é matéria de consenso com algo que provoca divisões. O hub é livre de polêmicas, fato que agrega; já o aquário tem problemas financeiros, administrativos e de legais, sendo alvo de investigações nas áreas civil e criminal.

O movimento suprapartidário que se formou é exclusivo para o empreendimento da TAM, não podendo ser estendido a qualquer papagaio que o governo tenha recebido como herança da gestão Cid Gomes. Misturar alhos com bugalhos é tiro no pé.

Fatos e objetividade
Diante disso, é preciso que todos se atenham aos fatos, nada mais. A luta pelo hub deve ser mesmo conduzida pelo governador Camilo, em função do cargo que ocupa, pois se trata de um pleito do estado. Isso é perfeitamente natural e não impede que outros setores atuem para reforçar o movimento. Quanto mais ajuda, melhor.

A empresária Joana Jereissati, por exemplo, articulou um encontro entre a presidente da TAM, Cláudia Sender, e a bancada cearense no Senado Federal, composta por Tasso Jereissati (PSDB), Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT). Joana, que é filha de Tasso, é amiga pessoal de Sender, sua colega na Universidade de Havard. Como se vê, a ponte entre os senadores e a empresa foi construída dentro da lógica do pragmatismo suprapartidário. É isso! Foco, sem tergiversações ou intrigas, sem vaidades ou espertezas. A hora é de pensar no Ceará, com seriedade e inteligência.

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Planos de saúde servem pra quê?

Por Wanfil em Crônica

23 de junho de 2015

Com o caos instalado na saúde pública, milhões de brasileiros são obrigados a contratar planos privados de saúde. Não que as operadoras sejam lá grande coisa: nesse cálculo, o que vale é fugir do pior serviço. Assim, para não correr o risco de depender do SUS, as pessoas aceitam pagar, além dos impostos para os governos, mensalidades que variam de acordo com os planos, mas que invariavelmente comprometem uma parcela considerável do orçamento das famílias.

No Ceará faltam antibióticos nos hospitais públicos. Nos privados antibiótico não falta, mas a ilusão de que planos caríssimos podem ser a salvação contra o pior não resiste, por exemplo, à falta leitos infantis. Não é por acaso que as empresas de home care (atendimento domiciliar) crescem transformando residências em pequenos hospitais, com aluguel de equipamentos e venda de remédios e serviços.

Tenho uma filha “internada” em casa para tratamento contra uma pneumonia, utilizando a estrutura de um home care. Em quatro dias, o gasto será parecido com um mês do plano que pago há muitos anos, mas que me deixou na mão, sem leito. A alternativa, segundo a operadora, seria esperar indefinidamente na enfermaria improvisada de uma emergência. No final do mês, a única certeza relacionada ao plano contratado se confirmará: a mensalidade por um plano com direito a apartamento.

Planos de saúde servem para isso: para trocar o muito ruim pelo menos ruim. A crise na saúde é generalizada e sua metástase já chegou aos planos. Excesso de burocracia, impostos, falta de fiscalização, crise econômica e má gestão em alguns casos, comprometem a qualidade desses serviços. E de tão comum, essa situação virou parte do panorama nacional. Na emergência em que minha filha foi atendida, pais e mães consolavam-se: “Se está assim aqui, imagine no SUS”.

Quando a satisfação de um serviço é medida nestes termos, é a decadência total. Não tem mais cura.

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Fica, Leonelzinho!

Por Wanfil em Política

19 de junho de 2015

Enrolado com a lei, protagonista de vários escândalos e afastado do cargo por decisão judicial, o vereador de Fortaleza Leonelzinho Alencar, do PT do B, renunciou ao cargo.

Não há mais como voltar a atrás, pois a decisão foi consumada. No entanto, se eu pudesse, se tivesse sido, por algum motivo qualquer, consultado a respeito, diria assim: fica, Leonelzinho! Suponho, entretanto, que o vereador não acataria meu conselho fraterno. É que assim, o parlamentar poderia ser cassado, ficando inelegível por oito anos. Não por acaso, foi o mesmo desfecho do caso envolvendo o vereador ‘Aonde É’, que renunciou no mês passado.

A renúncia não deixa de ser uma espécie de confissão, mas isso pouco importa para os envolvidos. Em casos assim não é a honra dos acusados que está em jogo, o que vale é garantir a possibilidade de uma candidatura nas próximas eleições. São vários os exemplos de políticos que renunciaram para depois voltar ao parlamento, sendo o mais notório o caso de Renan Calheiros, que não só foi eleito novamente, como ainda se tornou presidente do Senado.

Legião
Naquela que considero uma das melhores passagens bíblicas, Jesus pergunta ao demônio que dominava um homem: “Qual é o teu nome?” E o espírito maligno lhe responde: “Legião é o meu nome, porque somos muitos”.

Leonelzinho e ‘Aonde É’ não assombram sozinhos a Câmara de Fortaleza ou a política cearense. Na verdade, eles são muitos. Em todo o país políticos usam desse artifício para escapar de uma punição maior. E ninguém elimina essas brechas porque elas existem para atender a legião. Por que ninguém apresenta um projeto tornando inelegíveis parlamentares investigados por irregularidades no exercício do mandato que renunciam? Porque não lhes interessa, claro.

De resto, os renunciantes sempre contam com a conivência, a displicência e também com a memória curta de seus eleitores.

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Aula de descaso com o patrimônio público

Por Wanfil em Educação

17 de junho de 2015

O portal Tribuna do Ceará publicou matéria sobre a interdição, a mudança, o abandono, e posterior saque e depredação da escola Caic Raimundo Gomes de Carvalho, construída com dinheiro público no bairro Autran Nunes, em Fortaleza. Segundo a diretora da instituição, Eliene Sales, o prédio foi “condenado” pela Secretaria de Educação do Ceará e por isso as aulas passaram a ser ministradas em outro prédio alugado, com dinheiro público, no mesmo bairro. Prejuízo duplo ao contribuinte cearense.

Escola interditada vira alvo de saques. De quem é a culpa? Dos alunos que não é. (FOTO: Marianna Gomes/ Tribuna do Ceará)

Escola interditada vira alvo de saques. De quem é a culpa? Dos alunos que não é. (FOTO: Marianna Gomes/ Tribuna do Ceará)

A matéria foi sugerida por um leitor do site. Ao saber disso, a direção chegou a negar o problema, mas diante de fotos  (para ver mais clique aqui) limitou-se a dizer o seguinte: “Desde que saímos de lá, o que acontecer no antigo prédio não é mais nossa responsabilidade”.

De quem é então? Segundo a diretora, é da Secretaria de Educação. E o que diz a Secretaria? Vai abrir uma sindicância para apurar o caso? Não. Diz apenas que providenciará a vigilância do Caic e que fará uma reforma no prédio abandonado, porém, sem previsão de data. Fica o dito pelo não dito, como se tornou comum no Ceará.

Mau exemplo
A melhor forma de ensinar é pelo exemplo. Assim, a Secretaria de Educação dá uma triste lição de como não cuidar de uma escola pública. Menos mal que tenha optado pela transferência dos alunos antes que algo mais grave viesse a acontecer, mas a questão é saber como as coisas chegaram a esse ponto. É por isso que não se admite que o governo venha a propor mais impostos, quando resta evidente que as verbas sob seus cuidados são gastas assim.

Comoção
Comovido com a dificuldade desses gestores na educação em definir e COBRAR responsabilidades nesse episódio, vai aqui, de graça, uma lição de lógica básica:

1 – procurem saber se a interdição da escola aconteceu por a) falha no projeto; b) problemas na execução do projeto; c) falta de manutenção adequada; d) todas as opções;

2 – o prédio da escola estava sem vigilância por a) ausência de comunicação da escola sobre a data da mudança; b) falta de orientação da secretaria no trâmite da operação; c) descaso generalizado com o patrimônio público; d) todas as opções.

Pronto. Com as respostas a esses questionamentos, é possível abrir os devidos procedimentos administrativos para averiguar quem deve o que nessa história. Quando se trata de dinheiro público, para perdas por corrupção ou por incompetência, um boa punição ainda tem o seu valor pedagógico.

PS. É possível responsabilizar os larápios que roubaram a estrutura do prédio. Mas aí, convenhamos, é consequência e não causa do problema.

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Por que os políticos querem obrigar você a votar?

Por Wanfil em Política

12 de junho de 2015

Depois de aprovar o fim da reeleição, a Câmara dos Deputados agora rejeitou a proposta que acaba com a obrigatoriedade do voto. Os mandatos para o Executivo terão prazo de cinco anos, a partir de 2020. Essas mudanças, que ainda deverão tramitar no Senado, seriam uma resposta à insatisfação geral da população. No fundo, a “reforma” passou de uma oportunidade para alguns ajustes de interesse da própria classe política.

O fim da reeleição reduz o tempo de espera para que potenciais candidatos possam disputar prefeituras, governos e a Presidência. A fila tem que andar.

No caso da manutenção da obrigatoriedade, prevaleceu o interesse dos eleitos em manter o controle sobre seus currais eleitorais. Os eleitores, especialmente nas regiões mais pobres, acabam reféns de uma visão patrimonialista da política, onde a relação entre estado e cidadão não é compreendida como algo técnico, mas sim como um favor mediado por lideranças locais.

Os donos do poder
Raymundo Faoro explica tudo isso em “Os donos do Poder”. Portugal concedia terras e títulos aos donatários no Brasil colônia. A propriedade, portanto, era concessão advinda das relações de amizade e influência. Dessa confusão entre Estado e indivíduos, entre público e privado, criamos uma estrutura baseada na corrupção e na burocracia, degenerando até chegarmos à roubalheira na Petrobras.

Daí que para boa parte dos eleitores o que importa é saber quem trouxe o açude, quem convenceu o prefeito a asfaltar a rua, quem foi ao governo estadual garantir um hospital ou quem teve prestígio à presidente para trazer uma refinaria. Ou pior: quem consegue destravar processos, combinar licitações, conseguir um emprego no governo e por aí vai.

Medo
Para esse sistema funcionar, é fundamental que as pessoas sejam obrigadas a votar. Sem essa obrigação, um grande número de eleitores não compareceria às urnas por puro desinteresse. E deixar uma eleição nas mãos de quem está mais informado e que não depende de favores dá arrepios nos nossos políticos.

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Depois do PAC, lá vem o PIL: é o marketing de governo tentando sobreviver ao marketing eleitoral

Por Wanfil em Política

10 de junho de 2015

Lembram do PAC? O Programa de Aceleração do Crescimento lançado originalmente em 2007 e relançado diversas vezes pelo governo federal, com a promessa de bilhões e bilhões de reais em obras? Lembram que esse seria o arremate final rumo ao paraíso prometido pela gestão petista? Pois é, submetido ao teste do tempo, o programa de nada serviu para acelerar o crescimento, pelo contrário: a economia foi desacelerando até estagnar em 2014 e para 2015 a única dúvida agora é saber o tamanho da retração.

É preciso reconhecer que, como peça de marketing eleitoral, o PAC foi eficiente, brilhando em três campanhas, com candidatos alardeando mais bilhões e bilhões de reais nisso e naquilo. Deu certo por um tempo, mas não cola mais. Hoje, as principais obras do PAC se dividem nessas entre as que não foram concluídas, as que aumentaram muito de preço, as que nem começaram e as que são objeto de investigações sobre corrupção. A Transposição do São Francisco e as refinarias da Petrobras são alguns exemplos dessa, digamos, marca de ineficiência.

Truque velho
Com a gestão de Dilma Rousseff mergulhada em recordes de impopularidade, a turma da propaganda decidiu então que a saída, na falta do que mostrar, é mudar a cara da promessa lançando o PIL – Programa de Investimento em Logística. Com essa nova palavra mágica o governo promete – surpresa! – investir bilhões e bilhões de reais em obras magnânimas.

Para o Ceará está previsto nada menos do que R$ 1,98 bilhão para o Aeroporto Pinto Martins, o mesmo que deveria ter sido ampliado para a Copa do Mundo e que acabou com um puxadinho de lona e escombros de obra abandonada. Mas as manchetes foram garantidas: “Dilma garante bilhões” e por aí vai. Boa parte da imprensa embarca na conversa, na esperança de ver algo dar certo. Ocorre que o descompasso entre discurso e realidade nos últimos anos, repletos de anúncios desse tipo, desgastou não apenas o programa, mas a credibilidade dos próprios governantes. Quem é que ainda acredita nessas promessas?

Privatização
Faço aqui um adendo sobre o fato de o aeroporto entrar no projeto de concessões anunciado pela presidente. Como todos sabem, privatizações ou, como queiram, a transferência de serviços públicos para a iniciativa privada, foi algo condenada, desde sempre, pelo PT e por Dilma. A contradição não revela um erro de visão do partido, corrigido mediante uma explicação e uma revisão programática. Pelo contrário: suas lideranças dizem que estavam certas quando eram contra e que estão certas quando estão a favor. O que fica revelado, portanto, é uma questão de caráter. A depender das circunstâncias, o que era pecado se transforma em virtude, desde que seja de interesse do partido.

Otimista
O governador Camilo Santana, no compreensível papel de gestor aliado e de político correligionário de Dilma, disse que está muito otimista e satisfeito com as medidas do PIL. Não duvido das boas intenções de ninguém, afinal, os governos precisam mostrar algum serviço, claro. O problema é que se o padrão de execução for o mesmo do PAC, fica difícil manter o otimismo, muito menos a satisfação.

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O IJF 2 e a lógica de São Tomé: de onde virá o dinheiro para o aumento nos gastos?

Por Wanfil em Ceará

02 de junho de 2015

Prometeram uma refinaria e um hospital regional que não funciona. Agora, no Ceará, São Tomé só acredita em obra funcionando.

Prometeram uma refinaria e um hospital regional que não funciona. Agora, no Ceará, São Tomé só acredita em obra funcionando.

Ano pré-eleitoral, gestores aliados anunciam obra de grande impacto, garantindo manchetes super bacanas. Já viram isso em algum lugar? Cito alguns casos: a reforma no Aeroporto Pinto Martins, o Hospital da Mulher, o Castelão, o Metrô de Fortaleza, a Linha Leste do VLT e a transposição do Rio São Francisco. Alguns ficaram prontos, outros não, mas todos foram anunciados com toda a pompa e circunstância.

Agora foi a vez do anúncio da ampliação do IJF, feito em conjunto pelo prefeito Roberto Cláudio e o governador Camilo Santana. Antes, vale lembrar o caso da refinaria da Petrobras, promessa não cumprida que deu origem ao release mais fantasioso e copiado da história do jornalismo cearense:

“A Refinaria Premium II é considerada uma das maiores refinarias de petróleo do mundo e terá escala mundial, com produção de 300 mil barris por dia. O investimento recebido será de US$ 11 bilhões e cerca de 90 mil empregos diretos e indiretos serão gerados com a instalação da refinaria”.

Não estou dizendo que o anúncio da ampliação do IJF seja uma mentira como a refinaria, longe disso. A questão aqui é como se colocar diante de anúncios dessa natureza, do cuidado necessário para não tomar a intenção comunicada por obra realizada.

Ver para crer
Aqui no blog, governos precisam passar pelo crivo de São Tomé: é ver para crer! E não basta ver a estrutura física, mas o equipamento funcionando efetivamente. O Hospital Regional de Quixeramobim, por exemplo, apesar de ter sido inaugurado no ano passado, até hoje não funciona.

No caso do IJF, os dados para o release da vez são esses:

“Serão, ao todo, 160 novos leitos, 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) tradicionais e 20 UTIs de cuidados intermediários, 9 salas cirúrgicas, 20 leitos de recuperação. As obras do IJF 2 têm prazo de conclusão de 24 meses e devem ser iniciadas até dezembro de 2015. A primeira etapa, com 132 leitos e nove salas cirúrgicas, deverá ser concluída até o fim de 2016”.

Olha aí os números! Eles serão repetidas exaustivamente até as eleições do ano que vem. Faz parte do jogo. Mas cumpre lembrar que o resultado final. Na última campanha para o governo estadual, o “tatuzão”, equipamento que faria as escavações para o Metrô, ganhou destaque imenso, mas passada a disputa, tudo parou. Por essas e outras, não dá mais para acreditar de olhos fechados em tudo o que as autoridades dizem.

E o custeio?
Alguns pontos sobre essa ampliação do IJF precisam de mais esclarecimentos. Já que a previsão de entrega é para depois das eleições, é importante saber de onde virão os recursos para bancar o funcionamento dessa nova estrutura pelos próximos quatro anos. Haverá receita ou as verbas virão de outra área? Qual? É comum a gente ouvir que os gastos para o funcionamento anual do IJF, do tamanho que está hoje, equivale a toda arrecadação do IPTU. Prefeitos em todo o país reclamam da falta de verbas. Assim, existem estudos nesse sentido ou o padrão de planejamento é o mesmo da gestão Cid Gomes?

São Tomé não acreditava fácil em milagre. Nem eu.

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Médico no HGF pede exame para paciente e descobre: “sem resultado por falta de insumo”

Por Wanfil em Ceará

01 de junho de 2015

Um médico amigo enviou-me a imagem de um simples exame de urina, solicitado para um paciente do Hospital Geral de Fortaleza. Confirma aí no que deu:

Exame
Exame de urina sem resultado por falta de insumos não revela doença de paciente no HGF, mas comprova grave infecção na gestão pública cearense

Sem insumos e muito mais
Do ponto de vista técnico, o exame “sem resultado por falta de insumo” deixa os médicos às cegas, em caso de infecção, sem saber que tipo de germe está presente no organismo do paciente e qual o antibiótico ideal para tratar a doença. Um remédio inadequado pode deixar as bactérias mais resistentes ao tratamento.

Por outro lado, em termos de serviço público, o exame mostra que a saúde no Ceará sofre de uma grave infecção causada pelos germes da incompetência administrativa, falta de planejamento e crise financeira. Uma rede incapaz de realizar um exame de urina está falida. Pior: ilude pacientes e expõe médicos a situações juridicamente arriscadas. Certamente existe uma série de explicações para o ocorrido, como “caso isolado”, “problema na licitação”, “atraso momentâneo”, “burocracia nos repasses” e por aí vai. As matérias na imprensa a respeito estão cheias delas, com as mesmas promessas de “normalização dos serviços” para breve. O que sei é que tenho conversado com profissionais da saúde com frequência e os relatos são os mesmo: a penúria e a falta de condições de atendimento se tornaram crônicas. Um desastre assim não se improvisa, como dizia Nelson Rodrigues.

Exemplo de má gestão
A revista Veja publicou em sua edição desta semana que o Ceará se tornou exemplo de má gestão durante os governos de Cid Gomes. Como prova, mostrou obras que já consumiram milhões, mas estão paradas, sem previsão de conclusão, como o VLT, a Linha Leste do Metrô e o Acquario. Outro ponto abordado foram as finanças. Segundo a revista, o governo usou de truques contábeis para dizer que as contas estaduais estavam no azul, quando, na verdade, conforme critérios utilizados pelo Banco Central, estariam no vermelho.

Lendo bem o exame de urina do paciente no HGF, a denúncia faz todo sentido.

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Médico no HGF pede exame para paciente e descobre: “sem resultado por falta de insumo”

Por Wanfil em Ceará

01 de junho de 2015

Um médico amigo enviou-me a imagem de um simples exame de urina, solicitado para um paciente do Hospital Geral de Fortaleza. Confirma aí no que deu:

Exame
Exame de urina sem resultado por falta de insumos não revela doença de paciente no HGF, mas comprova grave infecção na gestão pública cearense

Sem insumos e muito mais
Do ponto de vista técnico, o exame “sem resultado por falta de insumo” deixa os médicos às cegas, em caso de infecção, sem saber que tipo de germe está presente no organismo do paciente e qual o antibiótico ideal para tratar a doença. Um remédio inadequado pode deixar as bactérias mais resistentes ao tratamento.

Por outro lado, em termos de serviço público, o exame mostra que a saúde no Ceará sofre de uma grave infecção causada pelos germes da incompetência administrativa, falta de planejamento e crise financeira. Uma rede incapaz de realizar um exame de urina está falida. Pior: ilude pacientes e expõe médicos a situações juridicamente arriscadas. Certamente existe uma série de explicações para o ocorrido, como “caso isolado”, “problema na licitação”, “atraso momentâneo”, “burocracia nos repasses” e por aí vai. As matérias na imprensa a respeito estão cheias delas, com as mesmas promessas de “normalização dos serviços” para breve. O que sei é que tenho conversado com profissionais da saúde com frequência e os relatos são os mesmo: a penúria e a falta de condições de atendimento se tornaram crônicas. Um desastre assim não se improvisa, como dizia Nelson Rodrigues.

Exemplo de má gestão
A revista Veja publicou em sua edição desta semana que o Ceará se tornou exemplo de má gestão durante os governos de Cid Gomes. Como prova, mostrou obras que já consumiram milhões, mas estão paradas, sem previsão de conclusão, como o VLT, a Linha Leste do Metrô e o Acquario. Outro ponto abordado foram as finanças. Segundo a revista, o governo usou de truques contábeis para dizer que as contas estaduais estavam no azul, quando, na verdade, conforme critérios utilizados pelo Banco Central, estariam no vermelho.

Lendo bem o exame de urina do paciente no HGF, a denúncia faz todo sentido.