Maio 2015 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Maio 2015

Petrobras enrola o Ceará mais uma vez, agora com ajuda do governo estadual

Por Wanfil em Ceará

29 de Maio de 2015

No último dia 25 de maio o Ministério Público do Ceará entrou com uma Ação Civil Pública para que as empresas Raizen Combustíveis S/A e Petrobras Distribuidora S/A suspendessem as atividades de armazenamento e distribuição de combustíveis no Porto do Mucuripe, em Fortaleza. A ação pedia ainda que o Estado usasse de “todas as medidas necessárias” para que as empresas não dessem continuidade às suas atividades no local (confira mais no site do MPCE).

É que em 2012, o próprio Governo do Ceará, na gestão Cid Gomes, estabeleceu como limite para a saída o dia 31 dezembro de 2014, conforme o decreto 31.034 daquele ano. O mandato de Cid acabou e nada. O de Camilo Santana começou e nada. Como sempre nesses últimos anos, a Petrobras continuou a ignorar solenemente as autoridades cearenses.

Ágil quando interessa
Depois de cinco meses, a inércia do Executivo estadual acabou no dia 26 de maio deste ano, ou seja, um dia após a ação do MPCE, quando o Governo do Ceará rapidamente expediu o decreto 31.726, publicado na edição de 27  de maio do Diário Oficial, com o seguinte enunciado:

RESTABELECE PRAZO PARA QUE AS SOCIEDADES EMPRESÁRIAS INSTALADAS NA ÁREA DO PORTO DO MUCURIPE, EM FORTALEZA – CE, COM ESTABELECIMENTOS DE BASE PARA RECEBIMENTO, ARMAZENAGEM E EXPEDIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS LÍQUIDOS CLAROS E DE GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO – GLP, TRANSFIRAM SEUS ESTABELECIMENTOS PARA A ÁREA ADEQUADA QUE INDICA.

Parceria sem resultado
Pronto! O novo prazo agora é o dia 31 de dezembro de 2015. A Petrobras, empresa usada por Lula, Dilma e seus aliados para aplicar nos eleitores cearenses o golpe da refinaria, ganhou mais tempo para fazer o que já deveria ter sido feito, não apenas em razão do primeiro decreto do governo estadual, mas também em obediência à legislação ambiental.

Vale ressaltar que a Petrobras não pode alegar problemas para encontrar outro lugar adequado para seus tanques de combustível, pois o governo estadual disponibilizou um terreno no Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, para esse fim. Talvez os gestores cearenses não quisessem se indispor com o comando da Petrobras, na esperança de iniciar a refinaria. Deu no que deu: nem mel, nem cabaça. Sobram especulações e desculpas, faltam resultados, com o contribuinte e a população cearense sempre no prejuízo.

Resumo: submissão humilhante
No final temos o seguinte: os aliados do governo federal no Ceará engoliram calados e submissos o golpe da refinaria. O novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine já disse que a refinaria não será construída de jeito nenhum e que a empresa poderia “compensar” o Ceará com a transferência dos tanques. Querer vincular agora esses projetos não passa de uma malandragem, pois a questão dos tanques já estava prevista muito antes do cancelamento da refinaria de araque.

Ao ver que o Ministério Público agiu no sentido de cobrar a Petrobras, o Governo do Ceará prorrogou o prazo para permitir que a mudança dos tanques, caso seja feita, possa ser apresentada como uma compensação. Por essas e outras o Ceará o Ceará virou um cemitério de obras inacabadas. Nem uma simples reforma do aeroporto concluíram. É aquela história: quem muito se oferece, acaba sem valor.

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Ceará suplica e Ministério da Saúde libera uns trocados

Por Wanfil em Ceará

28 de Maio de 2015

Para conseguir manter a estrutura da saúde pública no Ceará, que foi ampliada nos últimos anos sem que houvesse recursos próprios suficientes, situação agravada ainda pela queda nos repasses federais, o governador Camilo Santana, do PT, e o prefeito de fortaleza, Roberto Cláudio, do Pros, foram à Brasília pedir ajuda ao ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Conseguiram R$ 25,7 milhões, que serão divididos entre o Governo do Estado, a Prefeitura de Fortaleza e mais 25 municípios do interior. Obviamente, esse montante é insuficiente. Só para efeito de comparação, se esse dinheiro fosse destinado somente para a capital, daria para bancar apenas um mês os gastos do IJF.

Política do “salve-se quem puder”
Isso não invalida o esforço do governador e do prefeito, que estão no papel de gestores. Aliás, não deveria nem ser necessário que eles fossem bater à porta da presidente Dilma e do Ministério da Saúde para pedir mais recursos. Depois das imagens de pacientes amontoados nos corredores dos hospitais do Ceará, que repercutiram nacionalmente, a ajuda tinha que ser oferecida espontaneamente.

Mas como o governo federal tem seus próprios problemas de caixa, a situação fica assim: leva alguns trocados quem perturbar mais. Isso não é planejamento, não é aliança estratégia, programa de governo, método de gestão, nada disso. É o improviso do salve-se quem puder. E é exatamente por isso, pela falta de competência e de visão das autoridades, especialmente na última década, que chegamos a esse ponto.

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Ricardo Boechat mostra escombros do aeroporto de Fortaleza

Por Wanfil em Ceará

26 de Maio de 2015

Veja a foto abaixo, publicada na segunda-feira (25 de maio de 2015), na página do jornalista Ricardo Boechat, no Facebook.

"Obras" de ampliação do Aeroporto de Fortaleza, para a Copa do Mundo. Foto: Ricardo Boechat

“Obras” de ampliação do Aeroporto de Fortaleza, para a Copa do Mundo. Foto: Ricardo Boechat

Síria? Nepal? Nada disso! São as “obras” de ampliação do Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, para a Copa do Mundo de 2014. Eu sei, eu sei, a Copa já acabou, afinal, foi organizada pela Fifa… O legado do evento, que ficou por conta dos governantes brasileiros, bom, aí está a foto.

Escombros assim pelo mundo costumam ser resultado de terremotos ou bombardeios; por aqui, a edificação foi atingida pela incompetência do governo federal, em parceria com as gestões estadual e municipal. Exagero? Quem diz é o Portal da Transparência da União (grifo meu):

“Este projeto foi adicionado via Termo Aditivo à Matriz de Responsabilidades em 19 de julho de 2010, celebrado entre o Ministério do Esporte, o Governo do Estado do Ceará e Prefeitura Municipal de Fortaleza.”

Em 2010, os responsáveis por essas esferas de poder eram respectivamente Lula da Silva (com Dilma Rousseff no papel de “mãe do PAC), Cid Gomes e Luizianne Lins.

E o dinheiro?
Como vivemos no Brasil, a corrupção nunca pode ser descartada como causa desse estado de abandono de uma obra financiada com dinheiro público. Problemas podem acontecer, claro. Atrasos, idem. Mas tudo tem limite. Ou deveria ter. A Infraero responsabiliza a empresa contratada para a reforma. Se é assim, que cobre o que foi gasto e a processe por quebra de contrato. Como nada é feito, a suspeita de que essa história está mal contada fica no ar.

Quem paga?
Como me disse um amigo, o que mais causa admiração, ou melhor, indignação, é que ninguém responde por isso. Ninguém é demitido, afastado, responsabilizado ou processado. Nada acontece. Fica o desperdício e o prejuízo por conta dos pagadores de impostos.

No Facebook, Ricardo Boechat, que esteve em Fortaleza para comemorar os 10 anos da BandNews FM, arrematou: “E a gente triste por causa do 7×1…”.

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Camilo, ouça o Barão de Itararé: “De onde menos se espera, é que não vem nada mesmo”

Por Wanfil em Ceará

22 de Maio de 2015

Uma comitiva formada por doze deputados estaduais e o governador Camilo Santana visitou, nesta sexta-feira, as obras do Cinturão das Águas, na região do Cariri, no Sul do Ceará. Com o quadro de seca cada vez mais grave, é fundamental conferir de perto o andamento desse projeto, última esperança para cidades que já estão sem água pelo interior do Estado. Pelo menos é um modo de chamar a atenção e mostrar a expectativa pelo empreendimento.

Cinturão só com Transposição
A previsão é que a obra fique pronta até o segundo semestre de 2016. O problema é que, para funcionar, o Cinturão das Águas necessita antes da conclusão da transposição do rio São Francisco, que deveria ter ficado pronta lá em 2010, quando não havia crise econômica e as contas públicas ainda eram razoáveis. A transposição foi depois adiada para 2012, 2014, 2016…

Pressão limitada
Assim, por precaução, o governador Camilo Santana disse assim durante a visita: “Vamos ver se a gente consegue pressionar para que o prazo seja cumprido”. É isso aí, como não dá para confiar na palavra empenhada por Dilma na campanha eleitoral, tem que marcar colado mesmo. Mas aí o governador, ainda que se reconheça a disposição em cobrar a gestão federal, esbarra nos limites da sua condição de aliado, que o impede de ir às últimas consequências.

A lição de Itararé
Como agora a prioridade da União não é a saúde, o combate à seca ou a educação, mas o corte de gastos por causa da crise criada pelos erros do próprio governo, é melhor nossas autoridades estaduais não se iludirem (e ao público) com a frágil esperança de que prazos sejam cumpridos, investimentos realizados ou repasses corrigidos. Como já dizia o Barão de Itararé, “de onde menos se espera, é que não vem nada mesmo”.

Cinturão das Águas depende da transposição do São Francisco. Melhor esperar sentado a seca acabar.

O Cinturão das Águas aguarda a transposição do rio São Francisco, adiada desde 2010. Melhor esperar sentado a seca acabar sozinha.

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Dilma diz que irá avaliar crise da saúde e Camilo fica satisfeito. Preparem os bolsos!

Por Wanfil em Ceará

20 de Maio de 2015

Dilma Rousseff recebe Camilo Santana estão satisfeito. Você está? / Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Olha como Dilma Rousseff e Camilo Santana estão satisfeitos. E você, também está? / Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Leio no site do Governo do Ceará que o governador Camilo Santana, do PT, saiu satisfeito da reunião que teve nesta quarta-feira (20) com a presidente Dilma Rousseff, também do PT, para discutir a crise da saúde no Ceará.

Qual o motivo dessa satisfação? “Ela compreendeu os números da saúde do Ceará e recomendou que a Casa Civil e o Ministério fizessem uma avaliação”, explicou Camilo. O problema é que isso não tem efeito prático nenhum. Pelo contrário. Façamos algumas considerações.

Essa papo de avaliação é conversa mole. Primeiro, Aloísio Mercadante, ministro da Casa Civil, não apita nada. É um zumbi no Planalto, agora que a articulação política está com o vice-presidente Michel Temer, do PMDB. Segundo, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse na semana passada que o Ceará recebe o suficiente para dar um atendimento de qualidade à população. Terceiro, a presidente Dilma pretende fazer um corte no orçamento entre 70 e 80 bilhões de reais. Portanto, se depender desse trio, mais verbas, nem sonhando!

Como diante disso Camilo se mostrou satisfeito, é provável que todos tenham achado muito sensata a ideia do cearense de estudar uma nova fonte de financiamento para a saúde, inspirada na extinta CPMF. É assim: Dilma gasta mal o dinheiro dos pagadores de impostos, desrespeita a Lei de Responsabilidade Fiscal, cria um déficit recorde e depois lança um pacote de cortes que atinge a saúde pública em todo o país. Tudo com o apoio do governo local, que nos últimos oito anos gastou mal o dinheiro que tinha para a área e fez da Secretaria da Saúde moeda de troca para contemplar o apoio político do PC do B. Depois, com a crise estourando nos hospitais, criam mais um imposto para espetar no bolso dos brasileiros.

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Deputados governistas criam CPIs fakes para impedir investigação do Acquario Ceará. Coisa linda…

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

20 de Maio de 2015

Meu comentário desta quarta-feira na coluna Política, da Tribuna Band News FM.

A oposição na Assembleia Legislativa do Ceará, com o PMDB à frente, conseguiu 14 assinaturas para instalar a CPI do Acquario Ceará. O objetivo é investigar as denúncias de irregularidades publicadas na imprensa e questionadas pelo Ministério Público e a Justiça, especialmente no que diz respeito à dispensa de licitação e ao empréstimo feito junto a um banco dos Estados Unidos, sem sede no Brasil.

Acontece que na hora de protocolar a o pedido os opositores ficaram sabendo que outras três comissões já estavam na fila, por iniciativa de parlamentares governistas: uma para apurar fraudes no seguro DPVAT, outra para a questão do narcotráfico e mais uma sobre exploração sexual.

Essa quantidade de solicitações impede a criação de uma nova CPI. É que o Regimento Interno da AL, no seu Artigo 53, Parágrafo 3º, não permite o funcionamento simultâneo de mais de duas comissões parlamentares. Na prática, sabendo disso, os governistas correram para lotar a fila de espera com pedidos de última hora e assim sabotar um direito básico da oposição e do próprio parlamento.

O truque, aliás, é velho. Em 2010, os então deputados pelo PSB, Roberto Cláudio (hoje prefeito de Fortaleza) e Edson Silva protocolaram as comissões da Pirataria e do Narcotráfico – que não deram em nada, claro – só para impedir a CPI do Castelão. Dessa vez nem disfarçaram e repetiram até o mesmo tema de uma: narcotráfico.

Ocorre que, segundo o já citado regimento interno da Assembleia Legislativa, uma CPI necessita ter, obrigatoriamente, fato determinado a ser investigado (Art. 53, Parágrafo 1º, Inciso I). No presente caso, somente a CPI do Seguro DPVAT atende a esse requisito. Tráfico de drogas e exploração sexual são crimes abrangentes, sem autores específicos. A quem acusam nesses dois pedidos? A ninguém, pois são de mentira.

É claro que existe aí uma disputa política. A oposição, com um pouco de organização, conseguiu colocar o governo contra a parede. Quando isso acontece (como é próprio das democracias), é preciso que o comando da casa atue como magistrado, sem tomar parte, atendo-se ao andamento correto dos processos. É preciso preservar, acima de tudo, as instituições.

Diante de tudo isso, dos precedentes e do modo como foram feitas as coisas, essas CPIs artificiais, criadas para cassar do parlamento o direito (que é também dever) de investigar atos do governo, devem ser indeferidas pelo presidente Zezinho Albuquerque (PROS), já que estão flagrantemente em desacordo com os preceitos do regimento e da própria noção de respeito à população.

Caso contrário, o legislativo cearense se colocará de humilhantemente de joelhos perante os interesses do executivo. Será a escolha definitiva entre a autonomia e a submissão total.

Notas

– A CPI do narcotráfico foi solicitada pela deputada Rachel Marques, do PT; a da exploração sexual é obra da deputada Bethrose, do PRP (alguém já conhecia o PRP?); a do DPVAT é iniciativa do deputado José Sarto, da sigla de aluguel PROS;

– Zezinho Albuquerque foi eleito com os votos da oposição também, com exceção do PSOL.

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A esfinge sem segredo: deputado quer saber, eu esclareço

Por Wanfil em Assembleia Legislativa

20 de Maio de 2015

Ainda sobre a manobra vergonhosa da base aliada na Assembleia Legislativa para impedir a criação de um CPI que investigaria a enrolada obra do Acquario Ceará (leia mais no meu comentário para a Tribuna Band News aqui), o jovem deputado Júlio César Filho, de um tal PTN, e que é vice-líder do governo Camilo na Casa, anunciou misterioso enigma, tal qual uma esfinge de Maracanaú:

“Fico confuso sobre a intenção da oposição. Não sei se quer politizar a discussão para desgastar o governo, ou se quer realmente investigar”.

Essa é fácil. Eu, como um Édipo nordestino (mais precisamente de Teresina), desvendo o mistério que aflige o parlamentar:

Os dois. Quer politizar, pois o embate entre situação e oposição é de natureza política, e quer investigar, conforme direito assegurado pela Constituição e de acordo com as exigências do Regimento Interno da Assembleia. Já o governo não quer politizar para não se desgastar (preocupação que deixa transparecer insegurança), muito menos investigar nada.

Nota

Decifra-me ou devoro-te: a esfinge da mitologia grega perguntava aos desafiantes: “Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?” Édipo acertou: “O homem: engatinha como bebê, anda sobre dois pés na idade adulta e usa bengala quando é ancião”. Esse, claro, era um enigma realmente difícil.

Representação da esfinge da mitologia grega, no Museu do Templo de Apolo, em Delfos. Essa mandava bem.

Representação da esfinge da mitologia grega, no Museu do Templo de Apolo, em Delfos. Essa mandava bem.

 

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A Saúde no chão: quem são os culpados?

Por Wanfil em Ceará

11 de Maio de 2015

As más notícias e as denúncias sobre o sistema de saúde pública do Ceará se acumulam em velocidade atordoante. Logo de cara, basta dizer que a secretaria está sem secretário: Carlile Lavor pediu demissão há uma semana e o governo procura um substituto. É a expressão política e administrativa de uma realidade que se impõe como desgraça sobre a população. Vejamos os pontos abaixo.

O Sindicato dos Médicos divulga diariamente boletins com o número de pacientes atendidos em corredores nas emergências dos hospitais de Fortaleza. Sempre na casa das centenas. A diretoria do HGF ameaçou suspender cirurgias eletivas por falta de insumos básicos, como seringas e antibióticos (médicos receberam em maio, o salário de fevereiro). Em Juazeiro do Norte, a Justiça determinou uma intervenção no setor para apurar possíveis irregularidades em licitações. Os hospitais regionais não funcionam como deveriam, isso quando funcionam (prefeitos são unânimes em dizer que não há como os municípios custearem esses equipamentos). A quantidade de leitos do SUS diminuiu. As UPAS estão lotadas de pacientes que não conseguem vagas no hospitais. No IJF, pacientes são atendidos no chão – isso mesmo, no chão! O hospital nega a falta de macas, assim como a Secretaria da Saúde nega a crise, que para o resto dos cearenses é real e inegável. Diante desse quadro desolador, emergencial e desesperador, cabe perguntar: quem são os culpados por tudo isso?

Vamos começar pelo óbvio: não são os pacientes que insistem em ficar doentes, nem os médicos que trabalham sem condições adequadas. (Aqui vale um adendo. Lembram do programa Mais Médicos? Pois é. Tudo lorota para dar a impressão de que o problema era a má vontade dos médicos).

Agora vamos aos suspeitos:

1) Governador Camilo Santana (PT) – Pelo cargo que ocupa é o nome a ser cobrado. No entanto, convenhamos, Santana está apenas no quinto mês de seu mandato. Parafraseando Nelson Rodrigues, crises assim não se improvisam, são produzidas por anos de desacertos. Apesar disso, mesmo tendo herdado o abacaxi, Camilo não pode alegar inocência, afinal, é aliado da gestão passada, elogiada como referência na saúde durante sua campanha eleitoral;

2) Ex-secretário Carlile Lavor – Vale o mesmo raciocínio, com a diferença de que o ex-titular da área pode alegar que assumiu sem saber que a situação estava tão ruim. Mesmo assim, por ter desistido poucos meses depois, também não pode alegar inocência. No mínimo, contribuiu para agravar o quadro com uma crise política;

3) Ex-governador Cid Gomes – principal suspeito. Governador por dois mandatos, precedeu a atual gestão. É responsável pelo atual desenho da estrutura da saúde no Ceará, com investimentos elevados na construção de hospitais regionais e unidades menores de atendimento pelo interior, que supostamente desafogariam os hospitais da capital. Não deu certo. De todo modo, todos os avanços desse modelo alegados pela propaganda eleitoral de Camilo Santana foram atribuídos a Cid. Se ele agora não funciona, é razoável que se faça a mesma deferência;

4) Ex-secretário Ciro Gomes – Sem entender da área, Ciro assumiu a pasta da saúde no final do segundo mandato de Cid na condição de irmão do governador e de liderança com “costas largas”, conforme ele mesmo se definiu. Se Cid foi o responsável maior pelas ações de saúde, como foi dito na propaganda de Camilo, Ciro foi seu principal aliado na hora de maquiar problemas que já começavam a estourar no ano passado. Conseguiu disfarçar o quadro até depois das eleições;

5) Prefeitos – Estão mais para vítimas do que para culpados. Como a maioria é governista e passou os últimos anos elogiando a política de saúde implementada pela gestão Cid Gomes, carrega consigo o feito de cavar a própria sepultura, pois precisam explicar aos seus eleitores agora, porque as coisas chegaram a esse ponto, se eles diziam que estava tudo melhorando. Essa condição não serve, entretanto, para a capital Fortaleza, que possui realidade orçamentária distinta;

6) Presidente Dilma Rousseff – é a principal responsável pelo corte de verbas que sufoca estados e municípios hoje, por causa do ajuste fiscal executado para cobrir cobrir o rombo nas contas públicas causados pelos erros da própria presidente. Não figura como suspeita, pois é notoriamente culpada. Resta ver quem foram seus cúmplices no desmantelamento do sistema de saúde brasileiro.

7) Bancadas estadual e federal cearense: a pior representação federal da história, com uma ou duas exceções, se notabilizou pela omissão e a capacidade de aplaudir governadores e presidentes, cobrindo-os de elogios e prometendo aos eleitores dias de fartura. A representação estadual mais submissa ao Executivo de que se tem notícia (novamente com raras exceções) foi pródiga em elogiar sem fiscalizar. O resultado é esse que temos agora. São incapazes de cobrar ou denunciar qualquer problema, quiçá de reconhecer que o problema existe.

8) Todos juntos: pelo tamanho, intensidade e gravidade, o mais justo, a meu ver, é  reunir os suspeitos acima e considerá-los, juntos, responsáveis pelo colapso na saúde do Ceará, variando aí apenas o tamanho da responsabilidade de cada um, com a verificação de atenuantes e agravantes.

Na prática, o grupo político que deixou o Ceará com os piores índices de violência da história, é o mesmo que deixou a saúde assim, literalmente no chão, conforme fotos dos IJF que circulam desde o domingo nas redes sociais. Encerro por aqui. Olhem a imagem e tirem suas conclusões:

A saúde no chão: pacientes no IJF
A saúde no chão: pacientes no IJF
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Luizianne esclarece: não votou contra ajuste fiscal porque é contra o ajuste fiscal. Entenderam?

Por Wanfil em Política

08 de Maio de 2015

Na votação do ajuste fiscal para consertar o desajuste fiscal promovido pela presidente Dilma Rousseff, do PT, a deputada federal Luizinanne, também do PT, se absteve. Diante de críticas sobre a omissão da parlamentar em um momento tão importante, sua assessoria enviou nota à imprensa, que reproduzo aqui (grifo meu):

A deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) decidiu se retirar da votação do texto-base oriundo da MP 665 na última quarta-feira por não concordar com o mérito da matéria. Foi uma decisão política, motivada pelo clima de baixaria criado pela oposição no plenário. Luizianne não concorda com o teor do projeto, mas entendeu que não havia condição de votar com os inimigos do PT e do Governo.

Ser e não ser
Luizianne não concorda com o mérito da MP665, enviada ao Congresso pelo governo de cuja base ela faz parte. No entanto, pelo que diz a nota, justamente por ser contra e para chatear a oposição, a deputada abriu mão de votar segundo suas convicções, aceitando corajosamente a conveniência política de continuar a ser governista, evitando, porém, o ônus de uma votação impopular.

O drama de Luizianne é bem mais simples que o do príncipe dinamarquês Hamlet, criação de Shakespeare, famoso pela dúvida: “ser ou não ser?”. Nesse caso, a conjunção ‘ou’ determina uma escolha com consequências, defini-se um lado. A petista optou pelo “ser e não ser”. Troca o ‘ou’ pelo ‘e’, que no caso dela indica dubiedade, o desejo de ser contra e a favor de algo simultaneamente. Com isso, Luizianne poderá dizer não atuou contra os direitos trabalhistas, mas que é a favor do governo. É o papel que lhe interessa agora. Ocorre que, por mais que se queira, a omissão nunca será uma virtude.

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Confira os deputados federais cearenses que votaram a favor do arrocho e contra direitos trabalhistas

Por Wanfil em Política

07 de Maio de 2015

A Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou na noite de ontem, quarta-feira, a Medida Provisória 665, com a qual o governo federal pretende cortar gastos e reduzir custos com direitos trabalhistas. Agora, por exemplo, para ter direito ao seguro-desemprego, o trabalhador precisará ter pelo menos 12 meses de carteira assinada (o governo queria 18 meses). Antes, eram seis. Isso em meio a uma crise econômica fabricada pelos erros do próprio governo, que já faz crescer o desemprego.

Confira quais deputados federais do Ceará votaram a favor da MP 665, por ordem alfabética:

Anibal Gomes (PMDB);
Antonio Balhmann (Pros);
Chico Lopes (PCdoB);
Domingos Neto (Pros);
Gorete Pereira (PR);
José Airton (PT);
José Arnon (PTB);
José Guimarães (PT);
Leônidas Cristino (Pros);
Macedão (PSL);
Odorico Monteiro (PT).

A deputada federal Luizianne Lins (PT), não votou, contribuindo assim para aprovar o projeto contra os trabalhadores.

Votaram contra a MP 665 os seguintes deputados:

Adail Carneiro (PHS);
André Figueiredo (PDT);
Cabo Sabino (PR);
Danilo Forte (PMDB);
Genecias Noronha (SD);
Moroni Torgan (DEM);
Moses Rodrigues (PPS);
Raimundo Gomes de Matos (PSDB);
Ronaldo Martins (PRB);
Vitor Valim (PMDB).

Ações valem mais do que palavras
Os deputados que votaram a favor são os mesmos que até o momento não disseram nada contra o aumento na conta de luz, contra as pedaladas fiscais de Dilma, contra o golpe da refinaria ou contra os cortes na saúde, porque estão mais empenhados em defender o governo federal do que os interesses dos cearenses. Nenhum cobrou da presidente corte no escandaloso (e custoso) número de 39 ministérios que empregam os amigos do poder, nenhum exigiu cortes nos gastos com embaixadas inúteis em países irrelevantes, nenhum condicionou apoio à redução de cargos comissionados que servem para alocar apadrinhados. Contra a corrupção é que não falam nada mesmo.

Os deputados favoráveis à MP 665 também contribuíram para cobrir e encobrir – essa é a essência do ajuste fiscal – a responsabilidade de Dilma Rousseff pelo rombo nas contas públicas. E pior: endossam a ideia de que na hora de pagar a conta, quem deve ser sacrificado primeiro é o trabalhador.

Guarde esta lista para as próximas eleições. Eles estarão lá pedindo o seu voto, dizendo que atuaram em defesa dos trabalhadores.

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Confira os deputados federais cearenses que votaram a favor do arrocho e contra direitos trabalhistas

Por Wanfil em Política

07 de Maio de 2015

A Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou na noite de ontem, quarta-feira, a Medida Provisória 665, com a qual o governo federal pretende cortar gastos e reduzir custos com direitos trabalhistas. Agora, por exemplo, para ter direito ao seguro-desemprego, o trabalhador precisará ter pelo menos 12 meses de carteira assinada (o governo queria 18 meses). Antes, eram seis. Isso em meio a uma crise econômica fabricada pelos erros do próprio governo, que já faz crescer o desemprego.

Confira quais deputados federais do Ceará votaram a favor da MP 665, por ordem alfabética:

Anibal Gomes (PMDB);
Antonio Balhmann (Pros);
Chico Lopes (PCdoB);
Domingos Neto (Pros);
Gorete Pereira (PR);
José Airton (PT);
José Arnon (PTB);
José Guimarães (PT);
Leônidas Cristino (Pros);
Macedão (PSL);
Odorico Monteiro (PT).

A deputada federal Luizianne Lins (PT), não votou, contribuindo assim para aprovar o projeto contra os trabalhadores.

Votaram contra a MP 665 os seguintes deputados:

Adail Carneiro (PHS);
André Figueiredo (PDT);
Cabo Sabino (PR);
Danilo Forte (PMDB);
Genecias Noronha (SD);
Moroni Torgan (DEM);
Moses Rodrigues (PPS);
Raimundo Gomes de Matos (PSDB);
Ronaldo Martins (PRB);
Vitor Valim (PMDB).

Ações valem mais do que palavras
Os deputados que votaram a favor são os mesmos que até o momento não disseram nada contra o aumento na conta de luz, contra as pedaladas fiscais de Dilma, contra o golpe da refinaria ou contra os cortes na saúde, porque estão mais empenhados em defender o governo federal do que os interesses dos cearenses. Nenhum cobrou da presidente corte no escandaloso (e custoso) número de 39 ministérios que empregam os amigos do poder, nenhum exigiu cortes nos gastos com embaixadas inúteis em países irrelevantes, nenhum condicionou apoio à redução de cargos comissionados que servem para alocar apadrinhados. Contra a corrupção é que não falam nada mesmo.

Os deputados favoráveis à MP 665 também contribuíram para cobrir e encobrir – essa é a essência do ajuste fiscal – a responsabilidade de Dilma Rousseff pelo rombo nas contas públicas. E pior: endossam a ideia de que na hora de pagar a conta, quem deve ser sacrificado primeiro é o trabalhador.

Guarde esta lista para as próximas eleições. Eles estarão lá pedindo o seu voto, dizendo que atuaram em defesa dos trabalhadores.