Março 2015 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Março 2015

Opa! Eduardo Cunha não ofendeu os cearenses. Desrespeito foi o golpe da refinaria!

Por Wanfil em Sem categoria

27 de Março de 2015

A Assembleia Legislativa do Ceará e a Câmara Municipal de Fortaleza aprovaram moções de repúdio contra Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara dos Deputados, em Brasília. Foi ele quem expulsou autoridades cearenses do plenário do parlamento durante convocação do ex-governador Cid Gomes.

Tomado de indignação, o presidente da Assembleia, deputado estadual Zezinho Albuquerque (Pros), disse que o povo cearense foi desrespeitado, pois ali estavam representantes eleitos pelo estado. O ressentimento é compreensível, mas não é bem assim.

Não estava em pauta ali nenhuma matéria de interesse do Ceará. Quem foi lá fazer plateia para aplaudir o ex-ministro, acabou exposto a um constrangimento desnecessário, é verdade, mas que, repito, nada tem a ver com o estado. Aliás, o que houve entre Cunha e Cid foi um desentendimento entre aliados da presidente Dilma. Problema deles.

Desrespeito foi a presepada da refinaria que nunca existiu nem mesmo como projeto. Ofensa é a própria tropa governista na Assembleia rejeitar o pedido da oposição para que o governo explique os gastos com a tal casa em que o ex-ministro Cid se hospedou, às expensas de dinheiro do tesouro estadual. Dinheiro público, dinheiro do…. povo cearense! A respeito desses casos, não se vê indignação dos deputados que dizem defender os cearenses contra Eduardo Cunha. Nada de moção de repúdio contra os presidentes da Petrobras ou Lula e a própria Dilma. Nada de moção de repúdio contra gastos exorbitantes com luxos desnecessários. É a indignação seletiva.

Só quando interessa é que eles se lembram que representam, ou deveriam representar, os cearenses.

 

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Dilma e governadores do NE: ela finge que governa, eles fingem que acreditam

Por Wanfil em Política

26 de Março de 2015

Dilma e governadores do Nordeste em momento de crise política e econômica: vão rindo, senhores e senhora. (Efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho - divulgação)

Dilma e governadores do Nordeste reunidos em tempos de crise: vão rindo, vão rindo… (Imagem: efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho/PR – divulgação)

A presidente Dilma Rousseff esteve reunida na tarde da quarta-feira (25) com os governadores do Nordeste, em Brasília, para tirar fotos e refazer promessas. Os gestores estaduais pediram mais investimentos e menos cortes de verbas, desejos que, no entanto, contrariam o ajuste fiscal aplicado por Dilma no segundo mandato, para corrigir o desajuste fiscal criado por Dilma no primeiro mandato.

O fato incontornável, para quem acompanha as notícias do mundo real, é que a grana acabou e o Nordeste, que tem dependência histórica dos repasses federais, sofre as consequências sem ter a quem recorrer.

Factoide
No encontro, Dilma – aquela que tapeou cearenses e maranhenses usando a Petrobras, e que jura não ter visto a roubalheira na refinaria dos pernambucanos – garantiu que o Nordeste é prioridade; os governadores, sem muitas opções, fingiram acreditar. Sabe, é a mesma conversa mole dos últimos 12 anos. Chega a ser cansativo dizer isso. Inauguração de uma grande obra, que é bom, nem pensar.

Credibilidade perdida
Com efeito, a reunião teve muito mais de política do que de gestão. É constrangedor ver tantas autoridades juntas para um factoide. Como os governadores não podem denunciar a situação, pois foram parceiros das lorotas governistas, silenciam. Além do mais, a essa altura, melhor ter repasses reduzidos ou atrasados, do que cortados, devem concluir os governantes. Tem lá a sua lógica, mas não deixa de ser constrangedor. Vale destacar que esse silêncio tem prazo de validade. Se as coisas piorarem, eles terão que se posicionar.

No fundo, o evento foi mais uma tentativa de criar uma agenda positiva para tentar estancar a perda de popularidade da presidente, mas acontece que esses truques velhos não servem mais para cobrir a realidade. A credibilidade, uma vez perdida, é difícil de reconquistar.

Sem mudanças
Os estrategistas do Palácio do Planalto estão desesperados, só pode. O que esse encontro vai melhorar na vida das pessoas nos próximos meses? Nada. E na imagem do governo? Nada, também. A crise seguirá açoitando o bolso dos brasileiros (em especial dos nordestinos, que são mais pobres), os governadores continuarão de pires na mão, a opinião pública permanecerá atenta aos escândalos de corrupção e Dilma, que no Nordeste, tradicional reduto eleitoral de presidentes, tem a gestão reprovada por 55% da população, não vai recuperar a popularidade fazendo de conta que governa.

PS. E aí governador Camilo Santana, aproveitou a oportunidade para dizer umas verdades aos que achacaram os cearenses com a promessa da refinaria?

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Pesquisa mostra que 60% apoiam impeachment da presidente. Lembra do Titanic?

Por Wanfil em Pesquisa

24 de Março de 2015

Pesquisa mostra que o buraco no casco é grande. Base aliada já de colete procura por botes salva-vidas. Alguns tripulantes já pularam do barco governista, que ameaça afundar junto com os passageiros da classe econômica.

Pesquisa mostra que o buraco no casco é grande. Base aliada já de colete procura por botes salva-vidas. Alguns tripulantes já pularam do barco governista, que ameaça afundar junto com os passageiros da classe econômica.

Uma pesquisa do instituto MDA encomendada pela Confederação Nacional do Transporte mostra que 64,8% dos entrevistados reprovam o governo Dilma, contra 10,8% que o aprovam. Quase 70% culpam a presidente pela corrupção na Petrobras (Lula também é responsabilizado por 67,9% – ou seja: a culpa, para esse grupo, é do PT).

Segundo o levantamento, 84% acreditam que Dilma cometeu estelionato eleitoral e quase 83% entendem que a presidente é incompetente para lidar com a crise.

Ponto crítico
Esse é apenas o preâmbulo que nos leva ao número crítico: em relação a um eventual impeachment de Dilma, 59,7% são favoráveis, contra 34,7% que não concordam com a ideia. Não está em discussão aqui aspectos técnicos da ideia, mas o sentimento coletivo.

A pesquisa mostra que o governo não tem credibilidade junto à população para resolver a crise que ele mesmo criou, que a imensa maioria o consideram ruim de doer e que boa parte entende que: 1) foi traída; 2) a gestão é corrupta e 3) que por tudo isso, é melhor que a presidente saia. O Titanic governista bateu no iceberg da crise econômica e o rombo no casco, assim como na Petrobras, é gigante.

O socorro de Eduardo Cunha
Se o momento é grave para a economia, para o governo é desesperador, como atestam os números. Não adiantou chamar de golpe ou culpar a imprensa. Aliás, ninguém deu manchete para a informação sobre o impeachment. Os principais jornais se limitaram a citar que a popularidade do governo é baixa, ajudando a colocar o desejo pelo impedimento da presidente apenas – e rapidamente – dentro dos textos.

Significa que vai haver impeachment? Ainda não é possível afirmar. Eu mesmo não concordo. Acho mais fácil uma cassação em razão das investigações da Operação Lava Jato, mas essa é outra história. Até o momento, não há clima institucional para tirar Dilma via Congresso Nacional. Adivinhem quem, perguntado sobre o resultado da pesquisa, se disse contra o impeachment? O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, achacador filiado ao famigerado PMDB, nas palavras do ex-ministro da Educação Cid Gomes. Para Cunha, não é possível banalizar a hipótese de afastar um presidente eleito, coisa e tal. Pois é, por enquanto, os dois inimigos defendem Dilma, divergências à parte. No entanto, se a pressão continuar a crescer nas ruas, nunca se sabe. Já aconteceu antes.

À beira do “salve-se quem puder”
Se o governo não mostrar capacidade de reagir nas próximas semanas, os especialistas em salvar a própria pele irão se afastar da presidente, para não se contaminarem com sua impopularidade. Quando o Titanic começa a afundar, a turma da primeira classe corre para os botes, enquanto o resto dos passageiros afunda com o navio.

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Ex-ministro morou em casa paga pelo governo do Ceará: “Larguem o osso!”

Por Wanfil em Corrupção

23 de Março de 2015

No curto espaço de tempo em que ocupou o cargo de ministro da Educação, Cid Gomes morou numa casa alugada pelo governo do Ceará no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, pelo valor de 15 mil reais por mês, fora despesas com manutenção e segurança, segundo reportagem da revista Época. Na edição desta segunda, o jornal O Povo mostra que a casa foi alugada em 2011 para servir como residência oficial de “Representação do Governo do Estado do Ceará” na capital federal.

Que mal há nisso?
A explicação seria a reforma no imóvel funcional destinado aos eventuais ocupantes da pasta. Não basta. Por que então o ministério não alugou outro imóvel? No fundo, somos tentados a compreender a situação. Tentações são assim, dissimuladas. Sabe como é, a casa já estava ali mesmo, sem ninguém morando, e o governador Camilo Santana, além de aliado, deve sua eleição ao seu antecessor. Que mal faria? Aparentemente, nenhum, mas ocorre que Cid não representava o Ceará em Brasília, mas sim o governo federal, responsável, portanto, pelos custos de sua estadia na cidade. Cada um no seu quadrado, diz a canção.

Caso algum outro cearense vá a capital do Brasil trabalhar poderá se hospedar na tal casa? Se fosse um político de oposição, teria o mesmo tratamento? Claro que, não! A hospedagem de Cid foi favor feito com dinheiro público aos amigos do poder, exemplo nada republicano. Aliás, tratar o público como privado – igual ao que já havia acontecido no caso do jatinho alugado para a famosa viagem à Europa com a sogra – infelizmente, é comum na tradição política nacional. É o famoso patrimonialismo, vício que está na raiz de nossa corrupção crônica.

Do ex-ministro ao ex-governador
Como todos sabem, Cid chamou o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do PMDB, de achacador. Também desafiou rebeldes da base aliada a largarem o osso. O cidadão comum, gostou, é claro. Mas o que vem a ser esse osso? Ora, são as benesses oferecidas pelo governo a um partido em troca de apoio. Como políticos andam desacreditados, Cid surgiu após o episódio como no papel de defensor da moralidade na política. Muita gente nem percebeu que o até então ministro dizia a quem se vendeu, que entregasse a mercadoria ou fosse para a oposição.  Seus aliados locais foram às raias da histeria, sonhando até com uma candidatura presidencial. Menos de uma semana depois, a casa caiu.

Cid disse algumas verdades? Sim! E ouviu outras também, diga-se. Eles se conhecem. De todo modo, quanta ironia, com a revelação da moradia indevida, o recado do ex-ministro da Educação aos parlamentares cabe como uma luva para o ex-governador do Ceará e seus convidados reunidos no luxo da casa paga pelos contribuintes cearenses: “Larguem o osso!”

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Cid, o breve

Por Wanfil em Crônica

19 de Março de 2015

À esquerda, o rei Pepino, o Breve, original franco. À direita, o ministro pepino, o breve - versão brasileira

À esquerda, o rei Pepino, o Breve, original franco. À direita, o ministro pepino, o breve – versão Brasil, pátria educadora

A demissão de Cid Gomes do Ministério da Educação após três meses no cargo me trouxe à memória a figura de Pepino, o Breve, rei dos francos de 751 a 768. Na verdade, existem mais diferenças do que semelhanças entre ambos, mas explico a comparação.

Com 17 anos de reinado, o “Breve” do monarca Pepino, ao contrário de Cid, não diz respeito ao tempo no cargo, mas à sua baixa estatura física. Já a estatura histórica do ex-governador do Ceará como ministro da Educação é nula: foram três meses perdidos para estudantes e professores. Mesmo com carta branca para montar sua equipe, a grande marca do cortesão Gomes nesse período foi ser um pepino ambulante para a presidente Dilma, rainha acuada por protestos populares e que limitou o orçamento da pasta. Pepino, como nome próprio, era comum no século XVIII; pepino, como sinônimo de problema, é comum no governo brasileiro.

O ministro pepino saiu do governo três dias após milhões de brasileiros irem às ruas protestar contra a gestão Dilma e no mesmo dia em que uma pesquisa do instituto Datafolha mostrou que a popularidade da presidente é a menor para um governante em início de mandato. Pepino, o rei, lutou uma vida inteira para unificar os francos, enfrentando rebeliões internas e guerras externas. Cid, o breve, cortou o Fies e foi substituído por um tecnocrata, deixando como legado uma crise política com parlamentares da Câmara dos Deputados, usada como pretexto para abandonar a administração impopular. Pepino, o Breve, deu início ao Império Carolíngio e deixou como herdeiro Carlos Magno, que ampliou consolidou o domínio franco e deixou como legado nada menos que a França e a Alemanha.

Cada povo tem o pepino que merece.

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Atenção, base aliada: mais da metade dos nordestinos reprova a gestão Dilma, aponta Datafolha. E agora?

Por Wanfil em Pesquisa

18 de Março de 2015

Pesquisa do instituto Datafolha publicado nesta quarta-feira pelo jornal Folha de São Paulo dá números ao que todos já sabiam: a popularidade da presidente Dilma Rousseff, do PT, desabou neste início de segundo mandato. Nada menos do que 62% dos brasileiros consideram a gestão ruim ou péssima e somente 13% entendem que é boa ou ótima.

Quem quer seguir Dilma?
Agora vejam esse gráfico, também publicado na Folha:

Datafolha Dilma regiões

Olha aí a região Nordeste com 55% de reprovação ao governo Dilma. Mais da metade da população, o que significa dizer que é um sentimento que não se reduz a um estrato social (ver o próximo gráfico).

Se até o ano passado a presidente era bajulada por políticos da região como ativo eleitoral, agora as coisas mudaram. E a perspectiva é de que essa rejeição aumente na proporção que os efeitos da crise econômica se intensificarem. Nesses casos, via de regra, o instinto de sobrevivência de políticos sugere distância de quem é mal visto pelos eleitores. E agora base aliada, o que fazer? E agora deputado que corria para tirar fotos ao lado da presidente, a quem apelar? E agora prefeito ou candidato a prefeito, que parcerias serão prometidas nas eleições do ano que vem?

Camilo Santana e petistas em geral estão obrigados a defender a correligionária. Cid Gomes, do PROS, até agora parceiro de Dilma, já percebeu a fria em que se meteu: desgastado por ser obrigado a cortar verbas do Ministério da Educação, isolado após criticar a Câmara dos Deputados, só tem a perder estando ao lado da “presidente mais ágil que já houve”. Vamos ver se o PROS do Ceará continua ardente aliado da presidente sem apoio popular. Já o PMDB está em pé de guera com o PT, o que libera seus filiados a adotar uma postura mais independente, sem esquecer que o partido é especialista em pressentir naufrágios eleitorais, para mudar de lado quando preciso.

Essa elite!
Agora um segundo gráfico, publicado pela Folha, com base na pesquisa do Datafolha:

Datafolha Dilma rendaPois é. Você que viu nas redes sociais governistas e simpatizantes menosprezando os protestos de domingo como coisa da elite, da Aldeota, dos eleitores da oposição chateados com a ascensão da classe C, olhe aí os números: 60% dos que ganham até dois salários mínimos reprovam Dilma. Essa é a elite dos cegos que não querem ver.

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Dilma e o jogo do contente: “Valeu a pena”

Por Wanfil em Brasil

17 de Março de 2015

Pollyanna acredita que os protestos contra o seu governo provam que ela é boa.

Pollyanna acredita que os protestos contra o seu governo provam que ela é boa.

Os últimos dias foram marcados por manifestações a favor e contra o governo federal. As diferenças de tamanho, formato e cores entre as duas correntes são reveladoras do momento político que o país vive.  Pela manutenção do status quo foram às ruas, vestidos de vermelho, cerca de 30 mil pessoas, boa parte militantes de entidades governistas como CUT, UNE e MST, fartamente financiadas com dinheiro público. Já os protestos que cobram mudanças no governo e até o impeachment da presidente reuniram dois milhões e duzentos mil brasileiros, vestidos de verde e amarelo, a maioria convocada pela internet.

A presidente Dilma falou sobre as multidões nas ruas: “Nunca mais no Brasil nós vamos ver pessoas, ao manifestarem sua opinião, seja contra quem quer que seja, inclusive a Presidência da República, sofrerem quaisquer consequências. (…) Valeu a pena lutar pela liberdade. Valeu a pena lutar pela democracia. Este país está mais forte que nunca”.

Pela fala, os protestos esculhambando o governo fizeram Dilma sentir orgulho de seu passado, como se fossem um legado de sua militância na guerrilha. Se Pollyana (a famosa personagem criada por Eleanor H. Porter) fazia o “jogo do contente” para manter o otimismo diante de situações adversas, a presidente exagera na dose para surgir heroicamente alheia à natureza dos acontecimentos. Em vez de autocrítica, elogios a si mesma.

Por último, uma correção: Dilma lutou contra a ditadura, é fato. Sua atuação se deu em organizações revolucionárias como a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Esses grupos pregavam a substituição do regime militar por uma “ditadura do proletariado”. Isso não invalida que depois Dilma tenha aderido aos pressupostos democráticos, o que constitui inegável avanço, porém, naquele período, ela e seus companheiros não lutaram pela democracia. Mas o que é o rigor da História para quem é alheio ao presente?

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Era uma refinaria muito engraçada, não tinha projeto, não tinha nada…

Por Wanfil em Ceará

13 de Março de 2015

Lula e Cid apresentam projeto da refinaria da Petrobras no Ceará. Um show!

Lula e Cid apresentam projeto da refinaria da Petrobras no Ceará, inspirado em Vinícius de Moraes. Um show!

Os cearenses ficaram sabendo nesta semana que o projeto da refinaria da Petrobras prometida por Lula, Dilma, Cid e companhia em diversas campanhas eleitorais nunca foi submetido à Agência Nacional de Petróleo. Ou seja, a obra existiu somente nos discursos de palanque e nas propagandas eleitorais de governistas. A refinaria não foi uma iniciativa bem planejada que depois, por circunstâncias externas, não vingou. Como resta claro e inequívoco, foi desde o início uma tapeação.

Por não existir no mundo real, o empreendimento remete à famosa música infantil A Casa, do poeta Vinícius de Moraes.

Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela, não
Porque na casa
Não tinha chão…

O resto todos conhecem. Parece ou não parece a refinaria prometida aos cearenses? Dá até para imaginar uma versão adaptada:

Era uma refinaria
Muito engraçada
Não tinha projeto
Não tinha nada
Ninguém podia
Refinar nela, não
Porque a obra
Era enrolação
Ninguém podia
Assentar tijolo
Porque o ouro
Era de tolo
Ninguém podia
Imaginar o mal
Daquela pedra fundamental
Lançada em festa
Pra comemorar
Aqueles dos votos
No Ceará

Falando sério
Vale reforçar que no caso da refinaria de araque as vítimas são os cearenses e o Estado do Ceará, que não deve ser confundido de forma alguma com seus governantes e aliados. Esses tinham a obrigação de saber que não havia nem sequer um pedido de autorização na ANP para a obra.

Assim, além de terem sido parceiros de Lula e Dilma no estelionato eleitoral, no que diz respeito às suas obrigações, os gestores foram incompetentes, omissos, negligentes ou imprudentes, ao torrarem cerca de 650 milhões de reais dos cearenses em um negócio que só existiu nos palanques e nas propagandas eleitorais.

As vítimas, evidentemente, têm que ser ressarcidas não só pela Petrobras, mas também pelos agentes públicos que contribuíram para gerar esse prejuízo, nos termos do Artigo 37 da Constituição Federal.

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Ministro Cid Gomes é salvo por uma traqueobronquite aguda

Por Wanfil em Política

12 de Março de 2015

Assim como o diretor da escola não acredita que Ferris Bueller estava doente, o deputado Eduardo Cunha desconfia da enfermidade de Cid.

Assim como o diretor da escola não acreditava que Ferris Bueller estava doente, o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, desconfia da enfermidade de Cid.

Quando o ministro da Educação, Cid Gomes, disse que a grande dificuldade do governo federal era ter que lidar com uns 300 ou 400 achacadores na Câmara dos Deputados, certamente não imaginou o tamanho da encrenca em que se meteria.

Convocado pelos parlamentares a dar explicações ontem, quarta-feira, dia 11, o ex-governador do Ceará não compareceu por motivos de saúde, estando, inclusive, internado para tratamento de “sinusite, traqueobronquite aguda e pneumopatia”, conforme boletim médico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Havia uma expectativa sobre a postura de Cid: se confirmasse as declarações em plenário, aumentaria a crise política que abala a gestão Dilma; se pedisse desculpas, vestiria a carapuça de bravateiro. Se confirmasse e não fosse desautorizado pela presidente, o governo estaria ratificando a opinião do ministro; se fosse advertido publicamente pela chefa e ainda assim não se retratasse, a demissão seria inevitável. O impasse não foi resolvido, mas Cid ganhou um tempinho.

Desconfiança
Embora a internação tenha sido confirmada pelo Sírio-Libanês, para os deputados, a coincidência de ser internado justamente na véspera do dia em que falaria aos deputados, deixou no ar a impressão de manobra para não ir ao Congresso. Por isso, em resposta, a Câmara quer criar uma comissão de parlamentares médicos para conferir a veracidade da doença ou exigir um laudo médico para dirimir dúvidas. Um constrangimento desconcertante, como poucas vezes se viu.

Teto de vidro
Muita gente concorda com o que Cid disse sobre os deputados. Particularmente, também não confio na maioria dos congressistas, mas não creio na tese do achacamento, pois assim o governo federal ficaria na condição de vítima impotente de vícios alheios e não de comparsa de seus aliados.

O problema é que ao externar sua opinião, o ministro criou uma saia justa para o governo, que precisa como nunca aprovar o pacote de maldades na economia para cobrir o rombo nas contas públicas. Além do mais, quem tem teto de vidro não joga a primeira pedra: a maioria dos 39 ministérios do governo do qual Cid faz parte foram loteados no balcão de negócios do “toma lá, dá cá” institucionalizado em Brasília.

Dessa lambança toda, o fato mais evidente é que no momento o ministro da educação virou uma dor de cabeça para o Planalto. Se não tomar cuidado, a traqueobronquite aguda que agora ajudou Cid, poderá, logo ali adiante, lhe custar o cargo.

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Dilma repete Collor e potencializa protestos. Tiro no pé!

Por Wanfil em Política

09 de Março de 2015

Dilma pede paciência ao povo. Collor pediu para não ficar só e a resposta foi o povo impaciente nas ruas num domingo.

Dilma pede paciência ao povo. Collor pediu para não ficar só e a resposta foi o povo impaciente nas ruas num domingo. Lula também não quis esperar.

O pronunciamento da presidente Dilma feito neste domingo (8), Dia das Mulheres, não amenizou ânimos ou plantou esperanças, pelo contrário, serviu mesmo foi de catalisador para uma onda de críticas nas redes sociais, que por sua vez reforçaram as convocações para os protestos contra o governo marcados para o próximo domingo, dia 15, em diversas capitais.

Não é para menos. Dilma tentou fazer do pacote de maldades na economia uma prova de competência administrativa e do estelionato eleitoral uma virtude incompreendida pela maioria. Não colou, claro. Como confessar inépcia seria também desastroso para a presidente, melhor seria ter guardado silêncio, até porque o noticiário estava centrado na lista de parlamentares envolvidos no escândalo da Petrobras. Com o discurso, Dilma voltou a protagonizar a decepção geral e a atiçar a indignação do público contra sua própria gestão.

Duas falas da presidente chamaram minha atenção:

– Não é a primeira vez que o Brasil passa por isso;
Peço a vocês que nos unamos e que confiem na condução deste processo pelo governo, pelo Congresso, e por todas as forças vivas do nosso país – e uma delas é você!

Lembram outro chamado de um presidente fragilizado, com acentuada queda de popularidade e sem apoio político, antes de completar a metade do mandato: Fernando Collor de Mello. De fato não é a primeira vez que o Brasil passa por isso. Relembremos.

No dia 21 de junho de 1992, o “caçador de marajás”, acuado por denúncias de corrupção (em níveis muito inferiores aos que temos hoje) e desgastado por uma crise econômica, suplicou à nação em pronunciamento oficial:

– Não me deixem só. Eu preciso de vocês.

É ou não é um pedido de união e confiança semelhante ao feito por Dilma, 23 anos depois? Ainda em 1992, no dia 13 de agosto, Collor discursou pedindo novamente a ajuda dos brasileiros:

Que saiam no próximo domingo de casa com alguma das peças de roupa nas cores da nossa bandeira. Que exponham nas janelas, que exponham nas suas janelas toalhas, panos, o que tiver nas cores da nossa bandeira.

A fala ajudou a mobilizar a população, que saiu às ruas no dia 16 de agosto, um domingo, em protestos por todo o país, vestida de preto. Depois veio o impeachment.

Qualquer semelhança….

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Dilma repete Collor e potencializa protestos. Tiro no pé!

Por Wanfil em Política

09 de Março de 2015

Dilma pede paciência ao povo. Collor pediu para não ficar só e a resposta foi o povo impaciente nas ruas num domingo.

Dilma pede paciência ao povo. Collor pediu para não ficar só e a resposta foi o povo impaciente nas ruas num domingo. Lula também não quis esperar.

O pronunciamento da presidente Dilma feito neste domingo (8), Dia das Mulheres, não amenizou ânimos ou plantou esperanças, pelo contrário, serviu mesmo foi de catalisador para uma onda de críticas nas redes sociais, que por sua vez reforçaram as convocações para os protestos contra o governo marcados para o próximo domingo, dia 15, em diversas capitais.

Não é para menos. Dilma tentou fazer do pacote de maldades na economia uma prova de competência administrativa e do estelionato eleitoral uma virtude incompreendida pela maioria. Não colou, claro. Como confessar inépcia seria também desastroso para a presidente, melhor seria ter guardado silêncio, até porque o noticiário estava centrado na lista de parlamentares envolvidos no escândalo da Petrobras. Com o discurso, Dilma voltou a protagonizar a decepção geral e a atiçar a indignação do público contra sua própria gestão.

Duas falas da presidente chamaram minha atenção:

– Não é a primeira vez que o Brasil passa por isso;
Peço a vocês que nos unamos e que confiem na condução deste processo pelo governo, pelo Congresso, e por todas as forças vivas do nosso país – e uma delas é você!

Lembram outro chamado de um presidente fragilizado, com acentuada queda de popularidade e sem apoio político, antes de completar a metade do mandato: Fernando Collor de Mello. De fato não é a primeira vez que o Brasil passa por isso. Relembremos.

No dia 21 de junho de 1992, o “caçador de marajás”, acuado por denúncias de corrupção (em níveis muito inferiores aos que temos hoje) e desgastado por uma crise econômica, suplicou à nação em pronunciamento oficial:

– Não me deixem só. Eu preciso de vocês.

É ou não é um pedido de união e confiança semelhante ao feito por Dilma, 23 anos depois? Ainda em 1992, no dia 13 de agosto, Collor discursou pedindo novamente a ajuda dos brasileiros:

Que saiam no próximo domingo de casa com alguma das peças de roupa nas cores da nossa bandeira. Que exponham nas janelas, que exponham nas suas janelas toalhas, panos, o que tiver nas cores da nossa bandeira.

A fala ajudou a mobilizar a população, que saiu às ruas no dia 16 de agosto, um domingo, em protestos por todo o país, vestida de preto. Depois veio o impeachment.

Qualquer semelhança….