Fevereiro 2015 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Fevereiro 2015

Crise na Segurança? Já?! – Ou: “De onde menos se espera…”

Por Wanfil em Segurança

25 de Fevereiro de 2015

No que diz respeito à segurança pública, os cearenses estão como São Tomé: não adianta mais prometer-lhes resultados, eles só acreditam vendo. Imagem: A Incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1599)

No que diz respeito à segurança pública, os cearenses estão como São Tomé: só acreditam vendo.
Imagem: A Incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1599)

Boatos sobre uma crise na Secretaria de Segurança do Ceará se alastraram como fogo na palha nos últimos dias, especialmente com o mistério em torno da demissão do secretário executivo da pasta, Odécio Carneiro. Versões e dúvidas se multiplicam. Seguem algumas:

1) Odécio teria descoberto um esquema de desvio de recursos feito na gestão passada e por isso teria perdido o cargo. Hipótese reforçada pela falta de explicações sobre a sua saída. Foi demitido ou pediu demissão? Qual o motivo?

2) Delci Teixeira, titular da secretaria, teria discutido com o governador Camilo Santana, reclamando de falta de autonomia, chegando a colocar o cargo à disposição;

3) O governo já estaria com o nome de um possível substituto para Delci, enfraquecido pelo aumento da violência já no início do governo. Em dois meses de gestão Camilo (que prometeu cuidar pessoalmente da área), foram registrados mais de 700 homicídios no Ceará;

4) A crise na segurança não estaria restrita a conflitos com a tropa, mas instalada em seu próprio comando.

Desconfiança
Diante disso, em entrevista, o governador disse que o secretário tem total autonomia para nomear e demitir quem quiser. Nada mais. Assim fica tudo muito incerto e sujeito a especulações. O governo precisa abrir o olho, pois boatos só prosperam onde existem dúvidas. E por que essas dúvidas existem? Simples. É que há uma desconfiança generalizada da população no que diz respeito a segurança pública. Primeiro, porque sente na pele a violência; segundo, porque está cansada de discursos.

Trata-se, com efeito, da área mais complicada e com os piores resultados durante a gestão do ex-governador Cid Gomes. E como a atual administração é de continuidade, ou seja, como não está disposta a passar a limpo questões que possam causar constrangimentos ao antecessor, fica a expectativa. É uma desconfiança natural que faz lembrar aquela máxima de Apparício Torelly, o Barão de Itararé:

De onde menos se espera, daí é que não sai nada.

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Secretário da Fazenda dispara: Ceará não vai ser beneficiado com nada!

Por Wanfil em Economia

24 de Fevereiro de 2015

Chora menino!

O Ceará governista decepcionado com Dilma.

O secretário da Fazenda do Ceará, Mauro Filho, surpreendeu em entrevista à rádio Tribuna Band News nesta terça-feira (24), da qual participei junto com os jornalistas Nonato Albuquerque e Ariane Cajazeiras, pelo tom de cobrança em relação ao governo federal e à própria presidente Dilma Rousseff, aliada e correligionária do governador Camilo Santana.

No que diz respeito ao Ceará, Mauro garantiu que as finanças estão em ordem, mas em relação à União, reclamou de privilégios concedidos a estados ricos e endividados, em detrimento de pobres e organizados e mostrou-se preocupado com a extensão dos cortes anunciados em razão do  ajuste fiscal.

Transcrevo abaixo, em azul, alguns pontos da entrevista, intercalando-os com comentários meus.

Repasses Federais
“O governo federal diz que o atraso nos repasses foi só momentâneo. Mas o que me preocupa são os convênios que o governo do Estado tem com o governo federal. A construção do Cinturão das Águas é uma obra que nós esperamos – e o governador Camilo já teve com a presidenta Dilma em relação a isso – que não sofra [cortes] no ajuste que está sendo feito.”

Se grandes obras como a Transposição do São Francisco e o Cinturão atrasavam quando havia dinheiro, imagine agora. Ritmo intenso nos canteiros só em período eleitoral.

Tratamento desigual
Recentemente – e é bom quer os ouvintes saibam disso – o Congresso Nacional aprovou uma lei federal que troca o indexador da dívida pública de estados e municípios brasileiros, para beneficiar São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e a prefeitura de São Paulo. O governador Cid – e eu como secretário da Fazenda – nós antecipamos esse pagamento. O estado do Ceará não deve mais nada ao governo federal nesse financiamento que foi feito. Ora, o Ceará não vai ser beneficiado com nada! Absolutamente, nada! (…) E o Ceará não pode, nesse momento, ser penalizado por ter sido correto com o governo federal.”

Isso não é novidade alguma. Não é de hoje que o Estado é tratado dessa forma, ao contrário de Pernambuco e Bahia, por exemplo. Além disso, se o governo federal respeitasse rigor fiscal, não estaria ele mesmo no buraco, com um déficit de R$ 17 bilhões em 2014.

Parceiro de eleição
Eu acho que o governo federal tem que medir quem é que está trabalhando corretamente ao longo dos anos, para não sermos penalizados com uma medida de caráter geral. É preciso um olhar diferenciado por parte da presidenta Dilma e dos ministros, porque aqui nós somos parceiros não só de gestão, mas fomos parceiros também da própria eleição da presidente Dilma.”

O apelo à lealdade não comoverá o pragmatismo da presidente ou dos ministros. Se palavra empenhada valesse algo para essa gestão, a construção da refinaria teria sido iniciada ou alguma compensação oferecida.

Transparência e má gestão
Todo mês o Banco Central libera a informação do superávit primário, ou seja, a capacidade do governo federal de pagar os juros da dívida pública, seja ela bruta ou líquida, o nominal, esses indicadores todos. A população brasileira tem acesso a isso. Aliás, quem forma opinião nesse Brasil, todo mês está lá olhando essas informações do Banco Central. Portanto, estranho que, mesmo com alguém dizendo que as contas estavam boas, na realidade uma simples leitura do relatório do Banco Central faria perceber [que] que alguma coisa não vinha realmente bem adequada e administrada em relação a esses pontos.”

Pois é. Muito bem lembrado. Eu também estranho a surpresa de quem descobre somente agora que a situação fiscal do Brasil é gravíssima. Acontece que essas informações não estavam liberadas apenas para a população (essa não confere relatórios, por isso pode alegar ignorância dos fatos) e para formadores de opinião, como jornalistas, professores e empresários, mas também para políticos aliados que garantiam, nas eleições, que Dilma era sim boa gestora. Estranho é apoiar o que não está bem.

Moral da história: ninguém quer mais sair dizendo por aí que é parceiro de Dilma.

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Decifrando Cid no Ministério da Educação, Corte e Costura: “eu sigo orientações”

Por Wanfil em Educação

20 de Fevereiro de 2015

Reunião no Ministério da Educação para corte de verbas e costura de justificativas bordadas.  (Original: Costureiras trabalhando, obra de Marques Oliveira)

Técnicos do Ministério da Educação trabalhando: corte de verbas e outros tecidos, costura de antigas justificativas bordadas.
(Original: Costureiras trabalhando, de Marques Oliveira)

A presidente Dilma anunciou que o lema de sua segunda gestão seria “Brasil, pátria educadora”. Depois nomeou o ex-governador do Ceará Cid Gomes para o Ministério da Educação. Expectativa elevada. Com menos de dois meses no cargo, já é possível ver que as prioridades do Ministério da Fazenda atropelaram o discurso de palanque: corte de custos. Cabe aos ministro emendarem a essa condição desculpas sobre eficiência administrativa. No caso de Cid, ficamos com  o Ministério da Educação, Corte e Costura, com o lema “Brasil, menos verbas, mais costuras retóricas”. Vejamos algumas medidas que ilustram esse “compromisso”.

Aula de Corte
1) corte no Fies para alunos de universidades particulares que reajustaram a mensalidade acima da inflação, embora o governo federal tenha reajustado combustíveis e energia sem considerar esse, digamos assim, parâmetro de justiça social;
2) atraso no pagamentos de R$ 6,6 bilhões em verbas, inclusive repasses para universidades públicas;
3) desse valor, R$ 700 milhões atingem o Pronatec (aquele programa do debate) e R$ 1,19 bilhão para a educação básica. Quer mais? Lá vai:
4) desde novembro não recebem pagamentos 423 mil bolsistas do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) e do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio;
5) escolas técnicas e alunos de mestrado e doutorado com bolsas da Fundação Capes também reclamam de atrasos.

Aula de Costura
O Ministério da Educação afirma que a maioria desses atrasos começaram no final do ano passado (antes, portanto, da atual gestão), que os pagamentos estão sendo regularizados, que isso acontece por causa da burocracia (e não do choque fiscal), e de medidas de melhoria no controle.

Realidade
O rombo nas contas públicas é monumental: R$ 17,2 bilhões. A ordem é cortar o que for possível, doa a quem doer, mesmo que em casos de estudantes progressistas que amam Che Guevara. Esses, aliás, devem compreender, afinal, “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Além disso, faculdades de quinta categoria e alunos sem qualificação para o ensino superior foram financiados com objetivos eleitorais. Agora que a conta não fecha e as eleições foram ganhas, tome tesouradas.

Solidários
Por fim, é possível compreender melhor a postura do ministro Cid Gomes durante entrevista ao jornalista Chico Pinheiro, da Rede Globo, quando ele disse e repetiu:  “O meu papel é seguir as orientações da presidente Dilma”. “Eu sigo orientações. Todas as missões que tive até hoje eu era o chefe do Executivo. Agora eu sou um auxiliar da presidente Dilma”. É o velho “a culpa não é minha”.

É verdade que ela é quem manda, mas o estilo de aplicar o receituário é do ministro que, por fim, subscreve e compactua com as ordens da chefe e aliada. A culpa é solidária.

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Máscaras de um eterno carnaval

Por Wanfil em Crônica

17 de Fevereiro de 2015

Máscaras de Dilma e Lula para o Carnaval 2015.   (Efeito sobre foto/Fernando Maia/UOL).

Máscaras de Dilma e Lula para o Carnaval 2015: “Diz: não me conheces?”
(Efeito sobre foto/Fernando Maia/UOL).

Em 1919, Manuel Bandeira publicou “Carnaval”. Um dos poemas de que mais gosto nele é “Mascarada”. A fina ironia do texto mostra que as máscaras transcendem o próprio carnaval, mas que, às vezes, elas podem não servir para ludibriar desavisados.

Em 2015 os brasileiros comemoram o carnaval enquanto cai a máscara do marketing eleitoral de governistas que anunciaram folias consumistas e apoteóticos desfiles de ufanismo, mas que entregaram recessão, déficits, vexames e cinzas.

O velho Bandeira continua atual e eterno como o carnaval com suas máscaras de Graça Foster e Nestor Cerveró, retratos de uma promiscuidade que desafia até o mais despudorado folião. Por isso, reproduzo aqui o poema “Mascarada”, do grande Manuel Bandeira. Vale sobretudo para exames de consciência individual, mas também serve para refletirmos sobre a conjuntura atual na política brasileira. Em especial para os mascarados das últimas eleições.

Mascarada

Você me conhece?
(Frase dos mascarados de antigamente)

Manuel Bandeira alertava: não se deixe enganar pelas máscaras, que carnaval é ilusão.

Manuel Bandeira: Cuidado com as máscaras!

– Você me conhece?
– Não conheço não.
– Ah, como fui bela!
Tive grandes olhos,
que a paixão dos homens
(estranha paixão!)
Fazia maiores…
Fazia infinitos.
Diz: não me conheces?
– Não conheço não.

– Se eu falava, um mundo
Irreal se abria
à tua visão!
Tu não me escutavas:
Perdido ficavas
Na noite sem fundo

Do que eu te dizia…
Era a minha fala
Canto e persuasão…
Pois não me conheces?
– Não conheço não.
– Choraste em meus braços
– Não me lembro não.

– Por mim quantas vezes
O sono perdeste
E ciúmes atrozes
Te despedaçaram!

Por mim quantas vezes
Quase tu mataste,
Quase te mataste,
Quase te mataram!
Agora me fitas
E não me conheces?

– Não conheço não.
Conheço que a vida
É sonho, ilusão.
Conheço que a vida,
A vida é traição.

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E você, é contra ou a favor do impeachment de Dilma?

Por Wanfil em Brasil

12 de Fevereiro de 2015

Dilma, João Santana e Lula: depois das mentiras eleitorais, o descrédito que alimenta a crise de confiança no governo.  (Arte sobre foto de Roberto Stucker/divulgação).

E no escurinho do gabinete, a luz vermelha acendeu: depois das mentiras eleitorais, o descrédito que alimenta a crise de confiança no governo. (Arte sobre foto de Roberto Stucker/divulgação).

O segundo mês do novo mandato da presidente Dilma Rousseff começa marcado pelo fantasma do impeachment. Nas redes sociais, eventos marcados para o dia 15 de março pedindo sua deposição. Concordando-se ou não com os argumentos de quem defende ou rejeita essa possibilidade, o fato incontornável é que o debate está posto nas ruas, na fazenda ou numa casinha de sapê. Já chegou ao Congresso Nacional e mesmo na festa de aniversário do PT, onde Dilma e Lula fizeram alusões ao que chamam de “golpismo”. Trata-se, portanto, de uma realidade que exige posicionamento de governistas e opositores.

Desconfiança generalizada
Classificar esse processo como golpe das oposições é procurar um bode expiatório para negar o óbvio: esse debate só prospera porque o ambiente político se deteriorou intensamente em diversas frentes: crises na base aliada, na economia, no setor elétrico, de popularidade e com o Parlamento e o surreal escândalo de corrupção na Petrobras. Indo mais além, na raiz desse conjunto de convulsões está outro fato inegável: a quebra de confiança da população no governo. Sem isso, a conversa de impeachment não iria adiante. Com a aprovação ao governo Dilma derretendo em velocidade impressionante, a pergunta é: por que a população não confia mais no governo e na presidente?

Há muitos anos assisti a uma palestra do publicitário Lucas Pacheco na qual ele disse: “o marketing eleitoral não deve inviabilizar o marketing governamental”. Em outras palavras: promessas irreais podem ajudar a vencer eleição, mas depois serão fonte de descrédito. E aí temos mais alguns fatos: a campanha de Dilma, comandada por João Santana (de pé, no centro da foto), abusou dos ataques maledicentes (adversários aumentariam juros), das mentiras (o governo que mais combate a corrupção), a falsificação da realidade (as contas públicas estariam em ordem e a inflação sob controle), das promessas irrealizáveis (como as refinarias do Ceará e do Maranhão). Resultado: credibilidade zero!

Sem reação 
Governistas tentam reagir, mas nada podem fazer senão alegar teorias conspiratórias para tentar posar de vítima. Como estão desmoralizados, não cola. Sem contar que o sumiço de Dilma na hora de anunciar as más novas, o pacote de maldades, as trapalhadas dos articuladores políticos do governo e os crimes do seu partido, o PT, minaram ainda mais a governabilidade. E vejam quem será o responsável por tentar recuperá-la: o deputado petista José Guimarães! Exato, aquele…

Haverá um processo de impeachment?
Impossível adivinhar. Se ficar comprovado que a campanha presidencial do PT foi financiada com dinheiro roubado da Petrobras ou que Dilma sabia do esquema quando foi presidente do conselho da estatal, dificilmente ela se manterá no cargo. As delações premiadas estão correndo soltas. Mas ainda que nada seja comprovado, mesmo assim lembro que o ex-presidente Collor nunca foi condenado por crime algum, tendo caído devido ao repúdio da sociedade brasileira ao governo e de um julgamento político que pode ser perfeitamente legítimo. Não é preciso esperar por condenação nas esferas judiciais para mandar embora um presidente (ou presidenta) sem condições morais e políticas de comandar o país.

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Deputado Cabo Sabino fala ao blog sobre ausência de assinatura na CPI da Petrobras

Por Wanfil em Política

09 de Fevereiro de 2015

O deputado federal Cabo Sabino, do PR cearense, entrou em contato com o Blog do Wanfil para explicar aos leitores o motivo de ausência de sua assinatura no requerimento que instalou a CPI da Petrobras. Segue trecho do email e em seguida volto a comentar.

“O fato do meu nome não constar na relação dos que assinaram não significa dizer que me recusei a assinar ou que sou contra a instalação de tal CPI. Pelo contrário, na tarde da segunda-feira [2 de fevereiro] cobrei da bancada cearense atitudes enérgicas acerca da não escalação da refinaria no Ceará. Afirmo (…) que não fui procurado por nenhum parlamentar para assinar tal pedido de CPI e que quando o número mínimo de assinaturas necessárias é colhida, o documento é protocolado sem a necessidade de mais assinaturas”.

Até o momento o deputado Sabino foi o único a se pronunciar sobre o post anterior: Confira quais deputados do Ceará pediram a CPI da Petrobras (e os que não pediram).

É possível sim que, em casos isolados, parlamentares não tenham assinado o requerimento por falta de oportunidade. O problema é separar quem não votou em razão de algum desencontro, daqueles que intencionalmente deixaram de endossar o pedido com o objetivo de impedir a investigação, já que só o que pode ser comprovado são as assinaturas que estão na lista.

De todo modo, em que pese o benefício da dúvida aos recém-eleitos, o conjunto da obra se mantém: a postura da bancada federal do Ceará no Congresso Nacional, com raras exceções, é de uma subserviência constrangedora. Tomar posição favorável à CPI seria uma sinalização inequívoca de indignação com o golpe da refinaria, além de um dever moral. Mas não é o caso de desanimar. Aprovada a comissão parlamentar, é preciso agora acompanhar o seu desenrolar. Não faltarão oportunidades para que os deputados mostrem de que lado estão.

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Confira quais deputados do Ceará pediram a CPI da Petrobras (e os que não pediram)

Por Wanfil em Política

09 de Fevereiro de 2015

O deputado federal cearense Tiririca, (PR-SP) apoiou a CPI, ao contrário da maior parte da bancada do Ceará. Quem é o abestado?

O deputado federal Tiririca, cearense eleito por São Paulo, apoiou a CPI da Petrobras, ao contrário da maior parte da bancada do Ceará. Quem é o abestado?

A Câmara dos Deputados do Congresso Nacional aprovou na semana passada a criação da CPI da Petrobras, com 182 assinaturas, nove a mais do que o mínimo necessário.

Da bancada federal do Ceará, composta por 22 parlamentares, apenas seis assinaram o requerimento que pedia a investigação.

Seguem abaixo, em ordem alfabética, os nomes dos representantes cearenses que se posicionaram a favor da CPI. Em seguida, estão os que oficialmente não se manifestaram a respeito do caso.

A FAVOR DA CPI
1. André Figueiredo – PDT
2. Danilo Forte – PMDB
3. Genecias Noronha – SD
4. Moses Rodrigues – PPS
5. Raimundo Gomes de Matos – PSDB
6. Moroni Torgan – DEM

A assinatura do deputado federal Vítor Valim, do PMDB, consta na lista, mas não foi reconhecida pela Mesa Diretora da Câmara.

NÃO PEDIRAM CPI
1. Adail Carneiro – PHS
2. Aníbal Gomes – PMDB
3. Antonio Balhmann – PROS
4. Arnon Bezerra – PTB
5. Cabo Sabino – PR
6. Chico Lopes – PCdoB
7. Domingos Neto – PROS
8. Gorete Pereira – PR
9. José Airton Cirilo – PT
10. José Guimarães – PT
11. Leônidas Cristino – PROS
12. Luizianne Lins – PT
13. José Maria Macedo – PSL
14. Odorico Monteiro – PT
15. Ronaldo Martins – PRB

Omissão ou conivência
A maioria dos parlamentares da bancada federal do Ceará na Câmara não quer a CPI, não obstante as graves denúncias e revelações diárias sobre um colossal esquema de corrupção na estatal. Quaisquer que sejam os motivos que venham a alegar, tenham agido por omissão ou conivência, não importa, o fato é que o grupo baixou a cabeça em favor dos corruptos que acabaram por inviabilizar a refinaria prometida aos cearenses.

Por isso, quando você ler, ouvir ou assistir por aí que a bancada federal do Ceará está disposta a reagir e a cobrar satisfações pelo golpe da refinaria, saiba que, com exceção dos seis deputados que assinaram a CPI, a conversa não passa de demagogia.

Confira a seguir a lista completa que consta no requerimento aprovado.

Lista de deputados da CPI da Petrobras

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Anderson Silva e o doping eleitoral no Ceará

Por Wanfil em Ceará

05 de Fevereiro de 2015

Flagrada no exame de antidoping eleitoral, a promessa de refinaria para o Ceará derreteu e todos agora fingem estar surpresos.

Flagrada no exame de antidoping eleitoral, a promessa da Refinaria Premium II derreteu. Todos agora fingem estar surpresos com a fraude.

Anderson Silva foi pego no antidoping. Os organizadores da sua luta mais recente já sabiam pelo menos desde o início de janeiro que Silva não passaria no exame e mesmo assim mantiveram o evento. Poderiam ter evitado a farsa, mas isso significaria abrir mão de contratos de transmissão e da venda de ingressos. Agora todos fingem estar surpresos.

O Ceará não terá uma refinaria da Petrobras. Os governistas já sabiam pelo menos desde o início do ano passado (com a operação Lava Jato) que a Petrobras não tinha mais condições econômicas e morais para o empreendimento e mesmo assim mantiveram o discurso eleitoral. Poderiam ter evitado a farsa, mas isso significaria por em risco a eleição. Agora todos fingem estar surpresos.

Atenuantes e agravantes
Em defesa de Anderson Silva diga-se que não há, até onde sei, precedentes. Já no caso da refinaria, essa foi a quarta eleição em que ela foi usada como propaganda, sem que nunca um tijolo tivesse sido assentado. O torcedor de Silva pode ficar decepcionado com o ídolo, já os eleitores governistas no Ceará só podem ficar decepcionados consigo mesmos.

Anabolizante eleitoral
Como é um astro do “esporte”, muitos trabalham para fazer de Anderson Silva uma vítima do acaso: especialistas, médicos e analistas esportivos são chamados para atestar que coisas assim podem acontecer “sem querer”, que “os testes não são confiáveis” e por aí vai.

No caso da refinaria, está em curso uma operação para inocentar os políticos envolvidos no estelionato eleitoral. Seus cúmplices saem anunciando que a Petrobras age por conta própria, sem prestar contas a ninguém, insinuando que Lula e Dilma, assim como Cid e Camilo, foram enganados, coitados. De restos que a única culpada seria a empresa, essa sim é vítima de políticos!  A Petrobras teria, por esse entendimento, tirado proveito da ingenuidade de dois presidentes da  República e de dois governadores do Ceará.

O fato é que Silva não pode lutar sob efeito de anabolizantes. E como profissional, deveria que observar com rigor sua dieta, caso o contato com a substância não tenha decorrido de dolo. A Petrobras não veio ao Ceará pedir votos, prometendo em troca uma refinaria. Quem fez isso foram Lula, Dilma, Cid, Camilo e seus aliados, que usaram a promessa como anabolizante eleitoral e que agora deveriam pedir desculpas públicas à população.

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Golpe da refinaria: enquanto políticos enrolam, o MP age

Por Wanfil em Ceará

03 de Fevereiro de 2015

Base aliada no Ceará espera pela refinaria prometida por Lula e Dilma.

Base aliada no Ceará espera sentada pela refinaria prometida por Lula e Dilma.

O Ministério Público do Ceará enviou ofício à secretaria estadual da Infraestrutura, para saber se existe um contrato entre o Estado e a Petrobras para a construção da refinaria prometida por Lula e Dilma em campanhas eleitorais.

Se contrato houver, foi unilateralmente rompido pela estatal. Nesse caso o MP acionaria a Justiça para cobrar o ressarcimento dos 650 milhões de reais investidos em obras de para receber o empreendimento que não virá. Agora, se não existir contrato entre as partes,  aí a coisa muda de figura, pois seria, segundo o MP, caso de improbidade administrativa do governo estadual, que gastou por conta sem exigir garantias.

Olha aí a diferença entre dizer que está indignado e tomar providências concretas. Políticos da base aliada no Ceará falam em indignação, em mobilização, em fazer cobranças, essas coisas. Falam com altivez dentro de casa, longe da presidente, mas não tomam atitudes que correspondam a disposição de reagir. E palavras desprovidas de ações geram desconfiança. O MP fez o que deveriam ter feito as bancadas federal, estadual e o governo do Estado: buscar, no mínimo, reparação judicial.

Se nada fazem além de murmurar e choramingar, das duas uma: ou o contrato não existe mesmo – e aí a responsabilidade pelo prejuízo é de quem autorizou a despesa –, ou os aliados de Dilma colocam os interesses do governo federal e de seus partidos acima dos interesses do Ceará e seu povo. A essa altura, ninguém duvida de mais nada.

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Zezinho na Assembleia, Cunha na Câmara e Renan no Senado: a soma de todos os vícios

Por Wanfil em Política

02 de Fevereiro de 2015

Décimo Júnio Juvenal: "Os homens que têm os mesmo vícios, apoiam-se mutuamente".

Décimo Júnio Juvenal: “Os homens que têm os mesmo vícios apoiam-se mutuamente”.

O que significam as eleições de Zezinho Albuquerque (Pros) para a Assembleia Legislativa, Eduardo Cunha (PMDB) para a Câmara dos Deputados e Renan Calheiros (PMDB) para o Senado Federal? E o que eles têm em comum? A resposta é simples: que os vícios são a regra no ambiente político e institucional degradado em que vive o Brasil. Vamos aos casos.

Assembleia Legislativa do Ceará
A recondução de Zezinho Albuquerque à presidência da casa é a confirmação o legislativo estadual permanece submisso ao Palácio da Abolição, mais precisamente, ao comando político dos Ferreira Gomes. Esse é um vício antigo no Ceará: a sedução do governismo. Não por acaso somente uma chapa foi inscrita para a disputa. É que nessa hora um fenômeno intrigante suprime eventuais divergências dos deputados sobre o papel do parlamento, fazendo com que oposição e situação se entreguem a um irresistível desejo de se unirem, combinando em troca cargos na mesa diretora. Só PSOL ficou de fora (esses se unem apenas na hora de indicar consultores aos seus parlamentares). Quando deputados falam em unidade, na verdade estão dizendo: cada um com seu curral (com raras exceções que confirmam a regra).

Câmara dos Deputados
A briga entre PT e PMDB deu a impressão – aos mais ingênuos – de que uma fronteira ética entre os dois havia sido estabelecida. Petistas diziam que o PMDB era má companhia, vejam só. No final o peemedebista Eduardo Cunha derrotou o Planalto, mas não se trata de um opositor programático, apenas de um aliado que vende mais caro o apoio do partido. No fundo, é briga de casal, que gera ressentimento, algumas pequenas traições, mas que ainda não acaba em divórcio. Tanto é assim que o PT apoiou Renan Calheiros, do mesmo PMDB, para a presidência do Senado (próximo tópico).

Senado Federal
Renan Calheiros foi eleito com apoio do PT e do governo Dilma. Quando se trata de cumprir acordos, esse entrega o que o que foi combinado e – como vimos – recebe o que lhe foi prometido. Tem ainda todo o interesse e a expertise para atrapalhar as investigações na Petrobras, ou pelo menos impedir que os comandos do PMDB e do PT amigo sejam alcançados pela justiça.  É o velho Renan de guerra, que já foi ministro de Collor e que já renunciou o mandato de senador uma vez para não ser cassado. Portanto, hoje, quem é Lula (que no passado prometia acabar com a prática da cooptação), quem é Dilma, quem é governo e quem é PT, no fundo, parafraseando uma propaganda eleitoral, é um pouco Renan.

Vícios
Os processos para a escolha do comando desses parlamentos tiveram de tudo um pouco: conchavos, intrigas, chantagem, submissão voluntária, troca de favores, traições, distribuição de cargos, e por aí vai. Esse conjunto de amoralidades e imoralidades é produto de uma lógica que põe as conveniências pessoais ou de grupo acima das convicções programáticas e do interesse público. Nem todos são bandidos, mas é bom não alimentar ilusões: sem pressão da opinião pública, os raros nomes dispostos a trabalhar sério pouco poderão fazer. É preciso, portanto, vigilância. Olho neles!

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Zezinho na Assembleia, Cunha na Câmara e Renan no Senado: a soma de todos os vícios

Por Wanfil em Política

02 de Fevereiro de 2015

Décimo Júnio Juvenal: "Os homens que têm os mesmo vícios, apoiam-se mutuamente".

Décimo Júnio Juvenal: “Os homens que têm os mesmo vícios apoiam-se mutuamente”.

O que significam as eleições de Zezinho Albuquerque (Pros) para a Assembleia Legislativa, Eduardo Cunha (PMDB) para a Câmara dos Deputados e Renan Calheiros (PMDB) para o Senado Federal? E o que eles têm em comum? A resposta é simples: que os vícios são a regra no ambiente político e institucional degradado em que vive o Brasil. Vamos aos casos.

Assembleia Legislativa do Ceará
A recondução de Zezinho Albuquerque à presidência da casa é a confirmação o legislativo estadual permanece submisso ao Palácio da Abolição, mais precisamente, ao comando político dos Ferreira Gomes. Esse é um vício antigo no Ceará: a sedução do governismo. Não por acaso somente uma chapa foi inscrita para a disputa. É que nessa hora um fenômeno intrigante suprime eventuais divergências dos deputados sobre o papel do parlamento, fazendo com que oposição e situação se entreguem a um irresistível desejo de se unirem, combinando em troca cargos na mesa diretora. Só PSOL ficou de fora (esses se unem apenas na hora de indicar consultores aos seus parlamentares). Quando deputados falam em unidade, na verdade estão dizendo: cada um com seu curral (com raras exceções que confirmam a regra).

Câmara dos Deputados
A briga entre PT e PMDB deu a impressão – aos mais ingênuos – de que uma fronteira ética entre os dois havia sido estabelecida. Petistas diziam que o PMDB era má companhia, vejam só. No final o peemedebista Eduardo Cunha derrotou o Planalto, mas não se trata de um opositor programático, apenas de um aliado que vende mais caro o apoio do partido. No fundo, é briga de casal, que gera ressentimento, algumas pequenas traições, mas que ainda não acaba em divórcio. Tanto é assim que o PT apoiou Renan Calheiros, do mesmo PMDB, para a presidência do Senado (próximo tópico).

Senado Federal
Renan Calheiros foi eleito com apoio do PT e do governo Dilma. Quando se trata de cumprir acordos, esse entrega o que o que foi combinado e – como vimos – recebe o que lhe foi prometido. Tem ainda todo o interesse e a expertise para atrapalhar as investigações na Petrobras, ou pelo menos impedir que os comandos do PMDB e do PT amigo sejam alcançados pela justiça.  É o velho Renan de guerra, que já foi ministro de Collor e que já renunciou o mandato de senador uma vez para não ser cassado. Portanto, hoje, quem é Lula (que no passado prometia acabar com a prática da cooptação), quem é Dilma, quem é governo e quem é PT, no fundo, parafraseando uma propaganda eleitoral, é um pouco Renan.

Vícios
Os processos para a escolha do comando desses parlamentos tiveram de tudo um pouco: conchavos, intrigas, chantagem, submissão voluntária, troca de favores, traições, distribuição de cargos, e por aí vai. Esse conjunto de amoralidades e imoralidades é produto de uma lógica que põe as conveniências pessoais ou de grupo acima das convicções programáticas e do interesse público. Nem todos são bandidos, mas é bom não alimentar ilusões: sem pressão da opinião pública, os raros nomes dispostos a trabalhar sério pouco poderão fazer. É preciso, portanto, vigilância. Olho neles!