Janeiro 2015 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Janeiro 2015

Golpe da refinaria gera reação pífia dos representantes do Ceará. Que papelão!

Por Wanfil em Política

30 de Janeiro de 2015

A repercussão no Ceará ao golpe eleitoreiro aplicado por Lula e Dilma, que se valeram da Petrobras para ludibriar os incautos, infelizmente foi decepcionante.

O governo do Estado divulgou nota informando que o governador Camilo Santana, que também é do PT, ficou surpreso e indignado com a decisão – atentem para o alvo – da Petrobras. Vale lembrar que os cearenses não votaram para eleger presidentes da Petrobras, mas para eleger quem os nomeasses, devidamente informados do compromisso assumido por Lula e Dilma, supostamente com base em informações técnicas. Deu no que deu. A dupla obteve votações recordes e a refinaria não veio. Nem virá, diga-se. Mais adiante explico melhor os motivos (e seus números).

Na mesma linha, o deputado Zezinho Albuquerque, do partido de aluguel Pros, presidente da Assembleia Legislativa, muito polidamente classificou a farsa de “descortesia”. Será que Graça Foster não sabe que o parlamento cearense promoveu um concurso de redação para estudantes sobre a importância do empreendimento? Parece que não.

Pois bem, com a má repercussão do calote (sim, pois promessa é dívida), as autoridades locais ficam politicamente fragilizadas, afinal, a parceria com o governo federal era alardeada como condição fundamental para o desenvolvimento do Ceará, ressaltando sempre que a refinaria dobraria o PIB do Estado. Desse modo, Camilo e Zezinho anunciaram a reação.

Ficamos sabendo, ainda pela nota, que o governador ligou o chefe da Casa Civil da Presidência da República, o petista Aloízio Mercadante, para pedir uma audiência com Dilma. Na hora de pedir voto, ela soube vir aqui sem a necessidade de intermediários, mas na hora de dar explicações, tem que marcar hora com o secretário da chefe. Quem sabe ela faça o favor de receber Camilo, não é? Já Zezinho avisou que continuará cobrando a refinaria, como se isso fizesse alguma diferença para o Palácio do Planalto. A falta de senso aí beira a uma psicopatia. Parece delírio esquizofrênico.

Essas lamúrias, beicinhos e queixumes não têm efeito prático algum nesse caso, porque não dão nome aos bois, nem indicam atitudes concretas. Além do mais, o silêncio do agora ministro Cid Gomes, principal avalista da promessa não cumprida e líder de Camilo e Zezinho, é sinal de que o remédio para a base é mesmo se conformar e pronto. Sabe como é: aliados bem comportados não devem constranger Dilma e Lula. Portanto, qualquer aceno de que datas podem ser revistas mais adiante para a retomada da refinaria não passará de mentira grande. Volto agora à explicação sobre os motivos pelos quais a refinaria não virá pelas mãos dessa turma: o balanço não auditado da Petrobras, divulgado com dois meses de atraso, mostra que a dívida bruta da estatal em 2014 é de 331,704 bilhões de reais, um aumento de 157% em relação a 2011. Assim, Petrobras tem a maior dívida corporativa do mundo.

De resto, o momento de cobrar a refinaria já passou: era antes da eleição. Agora não adianta chorar o petróleo que não vem. A saída seria falar a verdade, que a refinaria não vem porque nas gestões Dilma e Lula a ineficiência e a corrupção descapitalizaram a Petrobras, em benefício da patota governista e de algumas empreiteiras. Mas isso a maior parte das nossas autoridades não pode falar, por motivos óbvios. Isso não impediria, no entanto, que a bancada cearenses, sob o comando do Palácio da Abolição, mostrassem disposição para romper com o governo nas votações de interesse do governo federal. Se aliados, são tratados assim, quem lhes pode cobrar obediência? Vale lembrar que o Ceará, um Estado pobre, gastou 657 milhões de reais por causa da refinaria de mentira. Portanto, motivos para brigar não faltam, o que falta é independência, coragem e indignação de verdade.

PS. Já que a Assembleia Legislativa se empenhou tanto em lutar pela refinaria, embora nada pudesse fazer, talvez possa pelo menos tornar “personas non gratas” no Ceará os senhores Sérgio Gabriele e Lula, e as senhoras Graça Foster e Dilma Rousseff. Hummm… Deixa pra lá né?

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Agora é oficial: refinaria no Ceará não passou de tapeação

Por Wanfil em Ceará

28 de Janeiro de 2015

A Petrobras desistiu de construir uma refinaria no Ceará. A decisão foi anunciada junto com o balanço da companhia, enrolada em problemas financeiros, criminais e políticos.

Agora é oficial: os cearenses foram tapeados. Pelo menos, a maioria dos cearenses, especialmente os aliados de espírito subalterno, alegres animadores de discursos da presidente Dilma e do ex-presidente Lula, principais beneficiários da promessa não cumprida. Além de aplausos da claque, ambos obtiveram votações recordes no Estado, anunciando um futuro que nunca chegou.

Na verdade, para os mais desconfiados, ou prudentes, a refinaria nunca chegou nem perto de se materializar, pois o início da obra sempre foi adiado, ano após ano, com a adição de novas exigências, todas atendidas sem maiores questionamentos, embora custassem tempo e dinheiro. O governo do Ceará gastou R$ 657 milhões do nosso dinheiro em obras de infraestrutura que agora ficarão a contemplar o vazio. Não foram poucas as vezes que denunciei aqui e na rádio Tribuna Band News FM (101.7) os factoides criados para dar a impressão de que as coisas estavam acontecendo, quando na saia do lugar.

Agora é oficial: os aliados de Dilma e Lula no Ceará não têm prestígio algum. Tudo atrasa emperrado pela combinação de corrupção, burocracia e falta de pressão política. (“Este é o país do descontínuo, onde nada congemina”, lamenta o poeta Affonso Romano). Para dar a impressão de que tinham algum peso, encamparam ainda, via Assembleia Legislativa, uma campanha “cobrando” a refinaria. O resultado é esse que vemos anunciado.

Agora é oficial: no lugar de uma refinaria de US$ 11 bilhões – “uma das maiores do mundo”, com 90 mil empregos e produção de “300 mil barris por dia”, teremos mesmo é aumento no preço dos combustíveis para cobrir o rombo do “Petrolão”.

Aos sócios locais da falsa promessa, restam duas opções, se não quiserem oficializar a conivência com o embuste: ou pedem desculpas ao povo pela má liderança ou denunciam a presidente e seu partido, o PT, por mais um estelionato eleitoral. Não souberam se vangloriar da obra que não virá? Pois então. Silêncios  ou conversinhas esfarrapadas serão apenas atestados de culpa.

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Aliados não podem reclamar da presidente: são cúmplices morais do estelionato eleitoral

Por Wanfil em Política

26 de Janeiro de 2015

Depois que a presidente Dilma aumentou juros e impostos, cortou benefícios previdenciários e trabalhistas, com o objetivo de espetar no bolso do “contribuinte” a conta do rombo nas contas públicas, alguns aliados ensaiam fazer críticas públicas ao pacote de maldades lançado assim que as eleições passaram. E não é o pessoal do PMDB, partido apontado por muitos como o  grande vilão da moralidade. É a turma politicamente correta da esquerda, aquele pessoal do PC do B, do PDT e do próprio PT, além das centrais sindicais e entidades pelegas como UNE e MST.

Os progressistas bonzinhos e cheios de amor estariam horrorizados com o maldito direitismo do governo (imposição do maquiavélico mercado) e por isso reprovam o que chamam de medidas “ortodoxas”, “conservadoras” e, no limite do sacrilégio – cruz, credo! – liberais, encarnadas na figura do ministro Joaquim Levy, da Fazenda. Como se este não tivesse sido nomeado por Dilma a mando de Lula (sobre esse a patota nada comenta).

Algo aí, porém, não bate. Onde já se viu liberal pregar aumento de impostos? Quando é que conservadores, desconfiados por natureza das intenções da entidade Estado, defendem aumento de carga tributária? Quem, no fim das contas, acredita no Estado grande e interventor? Ora, é a esquerda! E quanto maior a máquina, maior a demanda por dinheiro, ou seja, por impostos e juros. Essa é a nossa verdadeira ortodoxia: a gestão perdulária e populista que finge dar por bondade, aquilo o que toma de quem trabalha. Já dizia o poeta Gregório de Matos, no Século XV: “Valha-nos Deus, o que custa, o que El-Rei nos dá de graça”. Pois é…

Ingênuos? Não, fingidos
“Ah, Wanfil, mas eles acreditaram na presidente Dilma, foram enganados”. Olha, um trouxa de classe média, um romântico saudosista das utopias igualitárias, um estudante doutrinado, um cidadão desinformado que é obrigado a votar, todos esses são perdoáveis como vítimas de um estelionato eleitoral. Mas os profissionais da política, especialmente os da base aliada, empresários, jornalistas, professores e a chamada classe intelectual, esses não podem alegar ingenuidade.

Dilma comandou a gestão responsável pela menor média de crescimento da economia nas últimas décadas. E essa estagnação tem um preço gigantesco. Nem falo da corrupção, que agrava tudo, mas da lógica mais elementar, que dispensa juízo de valor: despesas crescentes e receitas paradas em ambiente de alta inflacionária…

No Ceará, de onde escrevo esse artigo, a coisa fica pior ainda. Ninguém entre seus apoiadores no Estado pode afetar surpresa com promessas não cumpridas, afinal, essa é a regra por esses lados. Qual compromisso foi devidamente levado a cabo? A Transposição não ficou pronta a tempo de amenizar os efeitos da seca por incompetência e decisões suspeitas que a obra dobrasse de preço estando aí da pela metade de sua execução. A refinaria da Petrobras no Ceará entra para a história como a mais longeva mentira eleitoral (feita e refeita há quatro eleições). Nem uma simples reforma no aeroporto conseguiram concluir.

Não há nada, absolutamente nada de grande impacto, de relevante ou de inestimável importância, que tenha sido devidamente entregue aos cearenses. E nunca a presidente foi cobrada por nenhuma dessas promessas, pelo contrário, foi servilmente aplaudida por esses que agora simulam pudor ideológico. São parceiros acovardados que agora temem o desgaste da realidade, esta que sempre cobra a devida fatura acumulada pelos sucessivos engodos a que chamavam, juntos, de prosperidade.

Diante do público, esses aliados “traídos” tiram o corpo fora, mas o fato é que não rompem de maneira alguma com o governo. É que no fundo sabem que são coautores políticos da paralisia na economia e cúmplices nos escândalos.

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Em defesa de Dilma: pacote de maldades mostra que presidenta é mais uma vítima da propaganda eleitoral

Por Wanfil em Política

20 de Janeiro de 2015

Com a economia no buraco, o governo Dilma tomou medidas para tentar salvar as contas públicas, severamente comprometidas nos últimos quatro anos. O IOF passou de 1,5% para 3%; as alíquotas sobre importados subiram de 9,25% para 11,75%; o reajuste de 6,5% na tabela do Imposto de Renda foi vetado (em breve quem ganha salário mínimo pagará IR no Brasil); o PIS/Cofins sobre gasolina e diesel aumentou; combustíveis terão mais um imposto com o ressurgimento da Cide. A esse conjunto podemos somar ações anunciadas recentemente, como cortes em benefícios previdenciários e trabalhistas; aumento na taxa Selic, na energia e nos juros para crédito imobiliário.

Como tudo isso vai na contramão do que foi prometido na campanha eleitoral, os defensores da presidente andam calados e seus críticos cobram a fatura da incoerência. Aliás, a própria Dilma ainda não falou sobre as medidas, tamanho o constrangimento. Cadê a líder segura e sem medos da campanha eleitoral? Pois é, essa é a chave para compreendermos como chegamos a esse ponto.

De que forma Dilma chegou ao poder? Neófita na política, sem formação adequada ou experiência relevante no setor privado, carente de liderança, ela acreditou na personagem criada por Lula e seus marqueteiros: a Dilma eficiente. Assim como milhões de brasileiros, a ex-guerrilheira acreditou ser mesmo uma grande gestora. Uma vez Collor de Mello acreditou ser realmente um “caçador de marajás” e deu no que deu. Não se trata de ingenuidade, mas de falta de senso crítico. Lula também não tinha preparo técnico, nem experiência administrativa. Tinha liderança política e sagacidade. Ciente disso, manteve a política econômica de FHC e deu carta branca para o então tucano Henrique Meireles no Banco Central. Também fez o contrário do que pregou a vida toda, mas nesse caso, preservou as conquistas do Plano Real e aumentou programas assistencialistas, seus maiores trunfos para eleger uma sucessora sem brilho próprio. Muita gente acha isso genial, eu acho picaretagem, mas essa é outra história.

Em defesa de Dilma é possível alegar que a fantasia da personagem autossuficiente e preparadíssima escolhida pelo ex-presidente visionário foi incorporada a ponto de se tornar em uma segunda natureza. Atores profissionais podem entrar em seus papéis, mas depois voltam a si. Com Dilma isso não aconteceu e sua persona fictícia assumiu o lugar da verdadeira: saiu a aspone que vivera de indicações políticas, entrou a executiva fantástica. Acontece que os fatos se impõem. O inepto, ainda que acredite ser apto, será desmentido por seus resultados.

É claro que quando falo em defesa, estou sendo irônico. Dilma acreditou nessa construção que fizeram porque isso a interessava. Sabia se tratar de uma criação, tinha conhecimento de que o Brasil supimpa cantado em verso e prosa por João Santana era falso como um balanço da Petrobras. Tanto que escondeu números durante a campanha. Na verdade, tinha total consciência de que as coisas eram muito piores do que os “pessimistas” imaginavam. Assim, ao contrário de parte de seus eleitores, ela não pode fugir da responsabilidade alegando mero engano.

Ao nomear Joaquim Levy para a Fazenda e consentir com o pacote ortodoxo agora anunciado para tirar a economia do caminho que ela mesma a conduziu, Dilma dá sinais de que talvez – talvez! – tenha começado a suspeitar que por debaixo daquele verniz de eficiência apresentado na propaganda eleitoral, exista mesmo uma gestora inepta ou – o que é mais provável -, pelo menos falível. O problema é que agora é tarde e a conta será paga pelos brasileiros. E olha que nem falamos de corrupção.

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Olha os protestos contra o aumento nas passagens de ônibus! Por que não protestam contra a corrupção?

Por Wanfil em Movimentos Sociais

16 de Janeiro de 2015

Alguns grupos têm feito protestos em diversas capitais brasileiras contra aumentos nas passagens de ônibus. Por algum motivo, parecem acreditar que tudo pode subir – combustível, salários, energia, inflação e impostos -, menos os preços do transporte coletivo, que devem permanecer em estado de congelamento. Qual a lógica dessa indignação seletiva?

Para responder essa questão é preciso verificar quem está a protestar. Em Fortaleza, onde a passagem subiu de R$ 2,20 para R$ 2,40, as manifestações foram organizadas por um tal Levante Popular da Juventude, junto com o MST (o que isso tem a ver com reforma agrária?) e de um troço chamado Motu (Movimento Organizado dos Trabalhadores e Trabalhadoras Urbanos).

O MST dispensa apresentações: é ligado ao PT e financiado com dinheiro público há anos. O Levante, pelas informações oferecidas em seu site, é um mistério: ninguém sabe quem comanda a entidade, muito menos quem paga a conta, mas quer transformar a sociedade sem criticar o governo federal, fato que já revela muita coisa. Já o Motu se define como “Organização Popular Anticapitalista, feminista, em constante luta pelo socialismo”. Onde está escrito isso? Ora, no Facebook da entidade! Sabe como é, a luta anticapitalista não dispensa algumas conquistas do capitalismo. (Cartão de crédito é outra coisa que ainda estou pra ver um revolucionário dispensar).

Esses grupelhos tem em comum o perfil esquerdista, com suas frases feitas que emulam um espírito crítico, mas que no fundo disfarçam seu peleguismo. São militantes profissionais a serviço do projeto de poder em curso no Brasil. No fundo, querem mudar o foco das atenções, concentradas em escândalos de corrupção e no pacote de maldades de dona Dilma. Aproveitam o reajuste nas passagens, algo natural, para passar a impressão de que o grande problema  no Brasil fosse esse; como se não estivéssemos com a economia estagnada, como se não fossem assassinados 50 mil brasileiros por ano.

Por que não protestam contra a roubalheira na Petrobras ou contra o choque fiscal do governo federal? Por que não protestam contra o aumento de impostos, cobrando do governo o fim dos ministérios inúteis? Se dizem lutar contra o capitalismo, por que não protestaram contra a nomeação de Joaquim Levy? Não se sentiram traídos? Ora, a explicação é simples: é porque fazem parte do consórcio que reelegeu Dilma. A causa de um é a causa do outro: fazem e acontecem, culpam adversários pelos próprios erros, roubam e deixam roubar, para depois escolherem algum tema e posarem de criaturas preocupadas com a justiça social.

Pela natureza do protesto é que se conhece a intenção de seus promotores.

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Conselhos grátis para Dilma e Cid

Por Wanfil em Política

13 de Janeiro de 2015

O jornal O Estado de São Paulo informa que o ex-governador do Ceará Cid Gomes (Pros), atual ministro da Educação, pode vir a atuar também como articulador político do governo federal junto a aliados no Congresso Nacional. Faria dupla nessa função com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, dono do PSD.

A notícia tem lá sua lógica, afinal, a presidente Dilma é conhecida pela falta de trato para esse trabalho. Não basta ameaçar ou botar preço, é preciso ter jeito, saber ouvir, trabalhar vaidades, mediar disputas. E claro, oferecer compensações, com aquele ar de ação republicana desinteressada. Já Cid tem experiência no ramo. Durante sua gestão à frente do governo estadual, por exemplo, conseguiu colocar o até então indomável PT no bolso. E olha que a sigla tinha a família Ferreira Gomes na conta de oligarcas. Cid aparou as arestas e aos poucos passou a influenciar o partido em âmbito estadual, a ponto de criar o “PT cidista”. Um feito e tanto, convenhamos.

Conselhos grátis, aqui
O escritor Oscar Wilde dizia que aconselhar é  prova de profunda generosidade, pois é quando as pessoas oferecem aos outros aquilo o que mais precisam. De fato, faz sentido.

Sendo assim, se eu pudesse dar um conselho ao ministro Cid, diria para ele deixar esse papel de articulação só com o Kassab mesmo, para focar na gestão da Educação. O clima na base aliada, no governo e no próprio partido que o comanda é de conflagração aberta. Ministros trocam farpas publicamente. Marta Suplicy afirmou em entrevista ao mesmo jornal que o governo é um desastre na área econômica, que o PT se perdeu em escândalos e que Lula não é mais escutado pela presidenta, que por sua vez, só ouviria Aloísio Mercadante. Se meter nessa confusão é o caminho mais rápido para ter o ministério como alvo de intrigas políticas. Nesse cenário, ter uma boa gestão como ministro é mais importante do que atuar em bastidores hostis. José Serra (PSDB) fez isso na Saúde uma vez.

Já para a presidente Dilma, se me fosse dada a oportunidade, eu diria a ela para tomar cuidado com articuladores políticos que – não faz muito tempo assim – eram fiéis aliados de seus maiores adversários.

Podem não ser os melhores conselhos, mas pelo menos são de graça.

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Quem diria: agora o Capitão Wagner é gente boa

Por Wanfil em Segurança

09 de Janeiro de 2015

As voltas que o mundo dá… Há menos de um mês o Capitão Wagner, liderança entre policiais do Ceará, era apontado pelo agora ex-governador Cid Gomes e seu irmão Ciro Gomes como causa principal dos problemas de segurança no Ceará nos últimos anos, sendo acusado de liderar uma suposta milícia e de agir com interesses meramente eleitorais. Pois agora o governador Camilo Santana (PT) fez o que parecia inimaginável: recebeu Wagner no Palácio da Abolição, na condição de deputado estadual eleito pelo PR e interlocutor legítimo para assuntos de segurança.

A conversa foi mais uma entre os vários encontros individuais que o governador tem feito com deputados estaduais, mas, de todas, a audiência com Wagner, policial militar que liderou uma paralisação da categoria entre o final de 2011 e início de 2012, era a que gerava mais expectativas.

É simplesmente o mais inteligente a ser feito. Se de um lado realmente é preocupante a existência de movimentos que ameacem o sentido de hierarquia nas corporações militares, de outro é inegável que a relação da gestão Cid com os policiais se desgastou até se transformar numa crise de autoridade que degenerou para uma crise institucional, que por fim agravou ainda mais a insegurança no estado, já cambaleante, com índices obscenos de criminalidade, políticas públicas equivocadas e investimentos caros sem retorno. Assim, ao tentar personalizar esse processo na figura de uma única pessoa para fazê-la de bode expiatório da violência, a gestão Cid acabou catapultando a liderança do Capitão – em que pese eventuais críticas ao seu discurso -, para além dos limites da militância corporativa. A reação intempestiva e inábil das autoridades fez com que parte considerável do eleitorado passasse a ver nele o contraponto de protesto contra a situação precária da segurança e o elegesse com votações recordes para vereador e deputado estadual.

Por tudo isso, a nova gestão, ao contrário da anterior, não pretende, ao que tudo indica, enveredar pelo caminho da confrontação. Seria burrice. Os militares também acenam com uma postura mais amistosa. Para não ficar apenas nas palavras, no mesmo dia do encontro o governo anunciou a troca no comando da PM. O novo secretário de Segurança, Delci Teixeira, já trocou elogios públicos com o Wagner. Ficou decidido ainda que o deputado será recebido pelo chefe de gabinete Hélcio Batista e pela vice-governadora Isolda Cela, para tratar sobre reivindicações dos policiais e questões de segurança pública. Como dizem os mais jovens: bufo!

Ao ver essa mudança, fico aqui pensando nos comissionados e terceirizados pendurados nas repartições públicas (herança que lamentavelmente não entrou, por questões políticas, no corte dos gastos de custeio da nova administração), bem como em alguns secretários, assessores e deputados que saíram pelas redes sociais esculhambando o Capitão Wagner na campanha eleitoral. E agora? Poderiam ficar indignados e pedir para saírem, ou romperem com o governo acusando traição, mas algo me diz que ficarão caladinhos. São lindos, eles.

Se esse movimento de diálogo e aproximação vai render dividendos, eu não sei. Espero, pelo bem geral, que sim. Agora é possível dizer apenas que os primeiros passos rumo a uma solução estão sendo dados. Governo e policiais parecem ter consciência de que a intransigência é o pior caminho para quem deseja realmente negociar. Enquanto isso, resta esperar e torcer para que tudo se desenrole de maneira positiva e que enfim os responsáveis pela segurança pública – autoridades, oficiais e tropa -, possam finalmente focar sua atenções no combate ao crime e na redução dos índices de violência. Isso é o que realmente interessa.

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Sobre a entrevista com Camilo na Band News: só falta combinar com os russos

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

06 de Janeiro de 2015

Camilo Santana no estúdio da Tribuna Band News.

Camilo Santana no estúdio da Tribuna Band News

Em entrevista na rádio Tribuna Band News nesta terça-feira, o governador Camilo Santana reafirmou a necessidade de cortar gastos de custeio e elencou seca, segurança e saúde como prioridades de sua gestão. Ao falar sobre esses temas, o governador voltou a defender novas fontes de financiamento para a saúde, anunciou uma campanha de uso racional da água e se comprometeu, mais uma vez, a dialogar de forma aberta com policiais militares e a corrigir distorções salariais na corporação.

Leia mais: Camilo Santana vai discutir ações de combate à violência no Ceará com especialistas do Rio.

Participei da entrevista, no programa do Nonato Albuquerque, junto com a jornalista Jocasta Pimentel. A impressão que tive foi de um gestor comprometido com o que diz. Camilo não esconde ou diminui a gravidade dos problemas que hoje afligem os cearenses, não promete milagres e diz sem rodeios que soluções precisam caber no orçamento.

O compromisso com o diálogo e com a responsabilidade fiscal é bom presságio e as primeiras declarações da nova gestão parecem convergir para essa disposição.

Esse é o famoso momento em que o novo gestor pode contar com a paciência de todos, uma vez que tudo ainda é novidade. Assim como nos casamentos, inícios de governo são repletos de esperanças e boas intenções, que serão testadas ao longo do tempo. Estar disposto a dialogar, por exemplo, não é garantia de acordo, embora seja um avanço considerável em relação à gestão anterior. Em muitos momentos – às vezes em momentos cruciais -, impasses paralisam negociações. É nessa hora que as juras são colocadas à prova.

Os russos
A estratégia está montada e a equipe devidamente escalada para o jogo. Existe a consciência de que nada será fácil, mas o grupo está confiante. No país das metáforas futebolísticas, o quadro lembra a vez em que o técnico da Seleção Brasileira na Copa da Suécia (58), Vicente Feola, reuniu o time para mostrar como os jogadores deveriam atuar contra a União Soviética na primeira fase da competição. Resumindo, cada um fazendo conforme o orientado, o gol sairia e a vitória estaria garantida. Ao final da preleção, Mané Garrincha, que era reserva, indagou: “Tudo bem, seu Feola, mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?”.

Moral da história: preleção é preleção, jogo é jogo.

PS. Garrincha jogou e o Brasil venceu os russos e depois ganhou sua primeiro título em 58. Pelé, outro reserva, também virou titular durante o torneio.

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A posse de Camilo: a distância entre discurso e prática

Por Wanfil em Política

02 de Janeiro de 2015

Camilo em discurso de posse: boas intenções esbarram em práticas antigas

Camilo em discurso de posse: boas intenções esbarram em práticas antigas. Foto: montagem sobre divulgação (Governo do Estado).

O discurso de posse do governador Camilo Santana (PT) seguiu o protocolo para ocasiões desse tipo: agradecimentos e palavras de otimismo e motivação.

Como foi candidato da situação, pregou a continuidade do “legado” que recebeu. No entanto, elegeu a redução dos índices de violência como uma de suas principais metas. Assunto complicado. Prudente, Camilo evitou críticas à gestão da Segurança Pública no governo Cid Gomes, que deixou o Ceará na condição de segundo estado mais violento do Brasil. Mas o reconhecimento de que a área exige mais atenção, dentro das circunstâncias, soa quase como uma autocrítica. O novo governador poderia ter falado sobre os investimentos recordes em segurança ou culpar supostas milícias pela situação, mas preferiu ser sucinto ao dizer que coordenará “diretamente as ações para combater a criminalidade”. Perfeito. Não deixa de ser uma confissão indireta de que as coisas realmente fugiram ao controle.

De resto, em linhas gerais, o discurso foi um apanhado de boas intenções: só gente de bem interessada em fazer tudo pelos mais necessitados, sem esquecer nunca de combater a corrupção. É de praxe. Aqui vale uma menção ao momento poético em que, após agradecer familiares, o governador afirmou que agora todos os cearenses são a sua família. Redação inspirada.

Até aí o discurso estava bacana, no campo das vontades e das linhas gerais que devem nortear a administração. Mas a conversa desandou quando Camilo mencionou os critérios para a formação de sua equipe: “todos foram escolhidos por sua competência e potencialidade”. Como? Não é bem assim… É possível reconhecer indicações predominantemente técnicas no novo secretariado, mas é inegável o peso de questões políticas como cotas partidárias (o velho e bom loteamento de cargos), projetos eleitorais para candidatos a deputado ou a prefeituras em 2016, nomeação de representantes da gestão Cid, acomodação de aliados não eleitos, entre outros, como critérios vigentes no processo de escolha.

Simplesmente não é possível explicar com argumentos de competência técnica a escolha de alguns indicados. Inácio Arruda (PCdoB) para a Secretaria da Ciência e Tecnologia, Osmar Baquit (PSD) para a Pesca e Aquicultura, David Duran (PRB) para o Esporte, Zé Linhares (PP) no Conselho de Educação, Míriam Sobreira (Pros) na Secretaria de Políticas sobre Drogas,  Dedé Teixeira (PT) na Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Artur Bruno (PT) para o Meio Ambiente, são exemplos disso. Podem se sair bem, mas não foi na base do currículo profissional e do conhecimento profundo nas respectivas áreas para as quais foram nomeados, que se deu a escolha. Melhor seria dizer que “alguns foram chamados por questões técnicas e outros pela capacidade política de articulação etc., etc.”. Ficaria menos distante da realidade. Por fim, querer disfarçar o óbvio faz parecer que certas indicações constrangem o novo chefe do Executivo estadual.

Fica a lição. Quando tratam de fatos objetivos, concretos, palavras precisam estar conectadas com ações se quiserem ser levadas a sério.

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A posse de Camilo: a distância entre discurso e prática

Por Wanfil em Política

02 de Janeiro de 2015

Camilo em discurso de posse: boas intenções esbarram em práticas antigas

Camilo em discurso de posse: boas intenções esbarram em práticas antigas. Foto: montagem sobre divulgação (Governo do Estado).

O discurso de posse do governador Camilo Santana (PT) seguiu o protocolo para ocasiões desse tipo: agradecimentos e palavras de otimismo e motivação.

Como foi candidato da situação, pregou a continuidade do “legado” que recebeu. No entanto, elegeu a redução dos índices de violência como uma de suas principais metas. Assunto complicado. Prudente, Camilo evitou críticas à gestão da Segurança Pública no governo Cid Gomes, que deixou o Ceará na condição de segundo estado mais violento do Brasil. Mas o reconhecimento de que a área exige mais atenção, dentro das circunstâncias, soa quase como uma autocrítica. O novo governador poderia ter falado sobre os investimentos recordes em segurança ou culpar supostas milícias pela situação, mas preferiu ser sucinto ao dizer que coordenará “diretamente as ações para combater a criminalidade”. Perfeito. Não deixa de ser uma confissão indireta de que as coisas realmente fugiram ao controle.

De resto, em linhas gerais, o discurso foi um apanhado de boas intenções: só gente de bem interessada em fazer tudo pelos mais necessitados, sem esquecer nunca de combater a corrupção. É de praxe. Aqui vale uma menção ao momento poético em que, após agradecer familiares, o governador afirmou que agora todos os cearenses são a sua família. Redação inspirada.

Até aí o discurso estava bacana, no campo das vontades e das linhas gerais que devem nortear a administração. Mas a conversa desandou quando Camilo mencionou os critérios para a formação de sua equipe: “todos foram escolhidos por sua competência e potencialidade”. Como? Não é bem assim… É possível reconhecer indicações predominantemente técnicas no novo secretariado, mas é inegável o peso de questões políticas como cotas partidárias (o velho e bom loteamento de cargos), projetos eleitorais para candidatos a deputado ou a prefeituras em 2016, nomeação de representantes da gestão Cid, acomodação de aliados não eleitos, entre outros, como critérios vigentes no processo de escolha.

Simplesmente não é possível explicar com argumentos de competência técnica a escolha de alguns indicados. Inácio Arruda (PCdoB) para a Secretaria da Ciência e Tecnologia, Osmar Baquit (PSD) para a Pesca e Aquicultura, David Duran (PRB) para o Esporte, Zé Linhares (PP) no Conselho de Educação, Míriam Sobreira (Pros) na Secretaria de Políticas sobre Drogas,  Dedé Teixeira (PT) na Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Artur Bruno (PT) para o Meio Ambiente, são exemplos disso. Podem se sair bem, mas não foi na base do currículo profissional e do conhecimento profundo nas respectivas áreas para as quais foram nomeados, que se deu a escolha. Melhor seria dizer que “alguns foram chamados por questões técnicas e outros pela capacidade política de articulação etc., etc.”. Ficaria menos distante da realidade. Por fim, querer disfarçar o óbvio faz parecer que certas indicações constrangem o novo chefe do Executivo estadual.

Fica a lição. Quando tratam de fatos objetivos, concretos, palavras precisam estar conectadas com ações se quiserem ser levadas a sério.