dezembro 2014 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

dezembro 2014

Feliz 2015!

Por Wanfil em Crônica

31 de dezembro de 2014

Adeus Ano-Velho, feliz Ano-Novo, que tudo se realize, no ano que vai nascer. É o que diz a canção. Esse dualismo antagônico do “novo” contra o “velho” pode ser visto como uma boa oportunidade para examinarmos o caminho percorrido até o presente e orientar passos rumo ao futuro. Mas pode ser também um daqueles clichês que parecem solução, mas que não passam de fuga: o “velho” e seu conteúdo descartados para dar vez ao “novo” sem mácula, num passe de mágica. Vai depender como o encaramos.

É bom que a esperança esteja entre os sentimentos que recepcionam o ano novo, pois indica vontade de melhorar. No entanto, a esperança não produzirá efeitos se estiver dissociada das lembranças boas e más que se fundem no caráter de cada um. O novo precisa do velho. Não que devamos ficar presos ao que não pode ser mudado. Pelo contrário, que a vontade de mudar nos estimule sempre mais.

A pedagoga italiana Maria Montessori entende que “a primeira ideia que uma criança precisa ter é a da diferença entre o bem e o mal. E a principal função do educador é cuidar para que ela não confunda o bem com a passividade e o mal com a atividade”. É isso: 2015 é a a criança trazida pelo calendário e que crescerá em velocidade alucinante, mas que já pode contar com a soma das experiências acumuladas nos anos que o precederam. Pode ser melhor, estagnar ou até recair. Nossa função, pois, é educá-lo com ações e trabalho, com coragem para mudar o que for preciso, com disposição para nos reinventarmos, sempre no sentido de progredirmos como seres humanos.

Que as lições do ano que passou nos ajudem a ser melhores no ano que se inicia, e que o tempo, na condição de símbolo da vida em movimento, possa ser nosso aliado nesse desafio.

Obrigado aos que acompanham o blog. É uma grande satisfação poder compartilhar esse espaço com cada um de vocês. Em 2014, aqui no portal Tribuna do Ceará, na rádio Tribuna Band News e na TV Jangadeiro, o ano foi de crescimento. O desafio foi grande, mas demos conta do recado. Que em 2015 possamos ir além, sempre com responsabilidade, mantendo o compromisso firmado com o público. Feliz Ano-Novo!

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Cid na Educação? Lembrei de Abraham Lincoln

Por Wanfil em Educação

29 de dezembro de 2014

Neste recesso muita gente me pergunta o que achei da indicação de Cid Gomes para o Ministério da Educação. Por isso faço uma pausa no descanso e falo sobre o assunto. O que li a respeito no noticiário foi o bastante para concluir que não há muito a ser dito. As matérias se limitavam a dar um breve perfil do governador cearense, lembrando sempre de Ciro Gomes, o irmão mais famoso. O resto foi especulação e imprecisão. Uma matéria dizia que a escolha desagradou ao PT; outra colocou a refinaria da Petrobras no Ceará – que não existe -, como um dos feitos da parceria Cid-Dilma.

Além disso, não é um nome técnico imposto pelas circunstâncias para acalmar desconfianças sobre os rumos do governo, como foi o caso da indicação de Joaquim Levy para a Fazenda. Nesse caso, trata-se mesmo de uma aposta bancada pela presidenta.

Lembro de uma passagem do filme Lincoln, com Daniel Day-Lewis, sobre a história do famoso presidente americano. A certa altura, conversando com seu secretário de Estado, ele pergunta: “Você seria capaz de adivinhar, antes de plantar, quais sementes irão germinar?”, para então concluir: “espere, pois, o tempo lhe dizer”. A reprodução é de memória, mas a essência é essa. Assim, vamos aguardar para ver como as coisas se desenrolam e aí fazer uma avaliação objetiva. Assim respondo aos que me indagaram: Cid na Educação? Boa sorte para ele, pois o desafio é imenso.

Aproveitando o assunto, deixo aqui minha primeira sugestão ao futuro ministro: impedir que grandes escolas inscrevam sedes fantasmas no Enem, abertas com CNPJ diferente da matriz e que reúnem poucos alunos (menos de uma turma), para fraudar o exame. Quanto mais fidedignas as informações, melhor o planejamento das políticas para a área.

De resto, por enquanto, manterei minhas filhas na escola particular em que elas estudam, tal como fazem os responsáveis pela educação pública. Sabe como é: com educação não se brinca.

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Uma singela lembrança para o Natal

Por Wanfil em Crônica

25 de dezembro de 2014

Reproduzo aqui poema do jornalista Wanderley Pereira, meu pai, que partiu do mundo material neste 2014. Em suas linhas, uma lembrança: o Natal pode estar presente em tudo, do noticiário às decorações públicas, mas se não contempla e não faz renascer em nós, como inspiração, o exemplo de amor, doação, desprendimento e de solidariedade incondicional deixado ao mundo por Jesus, não é um verdadeiro Natal. Que todos possamos dar um passo adiante, embalados pelos homenagens natalinas, na caminhada pela evolução moral. Feliz Natal!

NATAL EM TUDO 

Natal em casa ou no mar,
No retiro ou no lazer,
Também Natal pode ser
Momento de trabalhar.
Pode-se comemorar
Natal com cores, com luz,
Natal dos ricos, dos nus,
Natal no templo ou na arte,
Natal tem em toda parte;
Não tem Natal sem Jesus. Leia mais

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Pausa breve

Por Wanfil em Ao leitor

23 de dezembro de 2014

Amigos,

Após um ano turbulento o momento é de pausa. Estou de recesso por alguns dias até o começo de janeiro. As colunas na rádio Tribuna Band News FM (101.7) e no Jornal Jangadeiro 2ª edição, da TV Jangadeiro, voltam no dia 5. Aqui pelo blog o ritmo diminui, mas escrevo pontualmente, a depender dos acontecimentos e do calendário (preparei um post de Natal e outro de Ano Novo).

Profissionalmente, o ano de 2014 foi espetacular. Só tenho a agradecer ao Sistema Jangadeiro e, principalmente, a você que nos acompanha. Ano que vem tem mais. Grande abraço e até logo.

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Wanfil recusa convite para secretaria de governo

Por Wanfil em Imprensa

20 de dezembro de 2014

Fontes próximas ao governador eleito Camilo Santana (PT) afirmam que o comentarista político Wanderley Filho, que assina o Blog do Wanfil, foi convidado a participar do primeiro escalão da gestão que se inicia em janeiro. Os relatos variam entre as pastas da Cultura e a Casa Civil.

Indagado por ele mesmo com exclusividade para este blog, Wanfil desconversa. “Seria deselegante comentar esse tipo de especulação”. Na Tribuna do Ceará comentários confirmam a veracidade da história, acrescentando a recusa após um dia de consultas a amigos e familiares. O convite teria surpreendido aliados e correligionários de Camilo, uma vez que o colunista é visto por governistas como demasiadamente crítico. Faltando menos duas semanas para a posse, o governador eleito ainda não divulgou o seu secretariado. 

Nada disso é verdade, claro. Mas quando notícias são plantadas em notinhas e colunas de jornal, blogs ou rádios, ou mesmo quando viram matéria, tudo é vago. É a apoteose do futuro do pretérito: teria, seria, poderia. E também das gargantas profundas (as tais fontes) interessadíssimas em vender imagens e boatos que germinam como pragas em ambientes de pouca luz. Basta ter acesso, recursos e certa influência para fazer a engrenagem funcionar.

Diante da estratégia ou hesitação de Camilo Santana em relação ao anúncio do secretariado, tudo é mistério, condição propícia para todo tipo de balão de ensaio. O mesmo vale para as indecisões da presidente Dilma Rousseff, que já anunciou os nomes de alguns ministros para o seu segundo mandato. Aliás, o negócio ficou de um jeito que até deputado federal com pouca expressão em Brasília é apontado como possível candidato à presidência da Câmara Federal, a pedido de outros parlamentares. Então tá…

Por isso, caro leitor, fique atento a esse tipo de notícia. Elas não dizem de concreto, mas fazem o sujeito parecer mais importante do que ele realmente é.

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O lado bom do escândalo na Petrobras: “é necessário que venham escândalos”

Por Wanfil em Corrupção

17 de dezembro de 2014

“Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é necessário que venham escândalos; mas ai do homem por quem o escândalo venha”. São Mateus – 18, 1.

Jesus, como sempre em suas passagens, é atemporal. Dois mil anos depois a máxima cabe como uma luva para uma reflexão sobre o escândalo na Petrobras, que revela ao país, em pormenores, como funciona a estrutura de corrupção instalada em serviços e obras públicas. É que o escândalo, apesar dos pesares, revela a natureza do pecado.

Fica comprovada a existência, por assim dizer (e para continuarmos nos exemplos religiosos), um método que pode ser resumido na distorção da Oração de São Francisco: “é dando que se recebe”. Não se trata de desvio acidental, de tentação momentânea, mas de padronização de certas práticas. Em cada obra, nas menores ações, estão embutidas as taxas e os custos da propina, como se fossem coisa normal.

Pelo menos agora está claro para os brasileiros que não existe nada mais mafioso do que as tais indicações políticas nas estatais, feitas para preencher cotas de partidos, que se repete em diversos outros lugares, como em bancos públicos.

No Banco do Nordeste, por exemplo, da presidência às diretorias do órgão, seus dirigentes são apadrinhados por partidos políticos. É a mesmíssima lógica verificada na Petrobras. No BNB, tem deputado mandando mais do que economistas. Pode até ser que por lá impere a lógica de mercado e a ética mais irretocável, mas nesses dias a desconfiança é uma forma de prudência. Principalmente quando vemos que se o padrão de governança na Petrobras, empresa de capital aberto, submetida ao controle de órgãos diversos, é o que é, imagine o resto.

E diante do que o país tem descobrindo, a contragosto de autoridades, dos envolvidos, da própria empresa e do governo federal, as prioridades na agenda política não deveriam ser a regulação da mídia, como querem os autoritários, ou o financiamento público de campanha, que é um modo de dar mais dinheiro nosso para quem não merece confiança. O que precisa ser feito é uma revisão no modelo de contratação de serviços públicos. Hoje, qualquer licitação carece da mínima credibilidade. Tudo é amarrado, combinado, direcionado, superfaturado. É isso o que tem que ser revisto. Também é preciso punir os corruptos de forma mais dura, com penas mais longas e atingindo seus patrimônios. É a parte do “ai do homem por quem o escândalo venha”.

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Comissão da Verdade “esquece” episódio no Ceará

Por Wanfil em História

15 de dezembro de 2014

O relatório final da Comissão da Verdade apresentado na semana passada listou os cearenses Bérgson Gurjão e Custódio Saraiva Neto, executados na Guerrilha do Araguaia, como vítimas do regime militar. De memória, lembro ter lido que Gurjão foi capturado em combate; depois, já sob tutela das Forças Armadas, foi torturado e assassinado a golpes de baioneta. Portanto, registro corretíssimo. Sobre Custódio nada sei, a não ser que foi considerado como desaparecido e posteriormente declarado morto, sem maiores detalhes. Se morreu em combate ou se foi eliminado após ser preso, não posso dizer.

De todo modo, como oficialmente o objetivo declarado da Comissão é o resgate da verdade dos fatos, é preciso registrar que nomes de outros cearenses ficaram de fora do relatório, um como vítima e outros como responsáveis por um episódio ocorrido aqui no Ceará.

Em 29 de agosto de 1970, o empresário José Armando Rodrigues foi sequestrado, torturado e morto a tiros por membros da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização comunista ligada à ditadura cubana e fundada pelo notório Carlos Marighela, dissidente do PCB. O corpo de Rodrigues foi jogado do alto da Serra da Ibiapaba, no município de São Benedito. Parte do grupo foi preso no dia seguinte ao assassinato e o restante foi identificado no decorrer das investigações.

Foram indiciados pelo caso Francisco William Montenegro, Carlos Thimonshenko, Valdemar Rodrigues Meneses (acusado de ser o autor dos disparados contra o empresário), José Sales de Oliveira, GilbertoTelmo Sidnei Marques, Antônio Experidião Neto, João Xavier de Lacerda e José Bento da Silva. Todos foram, assim como os militares, anistiados.

Nesta segunda, José Miguel Vivanco , diretor da ONG Human Rights Watch, disse que o documento erra por não listar crimes cometidos por organizações de esquerda que atuavam contra o regime. “Se houve abusos de grupos armados irregulares, isso deve constar de um informe dessa natureza“, afirmou.

Ao que tudo indica, parece ser esse o caso em relação aos crimes ocorridos no Ceará. Por José Armando Rodrigues ninguém chorou na solenidade de entrega do relatório para a presidente Dilma.

 

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CPMF é mais dinheiro nosso para um governo que não cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal. É mole?

Por Wanfil em Política

12 de dezembro de 2014

A História mostra que, em nome da paz, dirigentes armaram nações até os dentes e foram à guerra; que para defender a democracia, governantes fecharam parlamentos e calaram a imprensa; que pela fé, cometeram os maiores pecados. Por isso não surpreende que agora no Brasil governadores eleitos na região Nordeste proponham, em nome da saúde pública e do bem estar da população, a criação de mais um imposto para compensar a falta de competência e rigor nos gastos públicos custeados com o dinheiro dos impostos que já pagamos. Um acinte.

Para compensar o baixo crescimento
É assim: os estados nordestinos, mesmo com o PIB crescendo mais do que a mirrada média nacional (que na gestão Dilma é a mais baixa dos últimos 20 anos), dependem muito dos repasses da União. Com a estagnação da economia, o valor repasses caíram. Um dos motivos para isso foram as políticas monetária e fiscal de um governo federal perdulário, que ajudaram a financiar o consumo (medida que dá voto), mas que com o tempo geraram inflação e déficit nas contas públicas.

Diante desse quadro de baixa expectativa de receita e aumento de gastos na saúde, o que fazem os governadores? Pedem mais controle nos gastos? Redução do tamanho da máquina? Denunciam a natureza da situação? Nada disso. Simplesmente recorrem ao velho expediente de meter a mão no bolso dos pagadores de impostos (não chamo mais de contribuinte por sugestão do amigo jornalista Rodolfo Oliveira – afinal, quem quer contribuir com uma marmota dessas?).

Presepada
O principal entusiasta dessa medida é o governador recém eleito do Ceará, Camilo Santana, petista como Dilma. Tudo em nome da saúde, claro. Outros governadores aliados da presidente se juntaram na presepada. Sim, porque durante a campanha eleitoral, pelo menos aqui no Ceará, um dos compromissos da coligação do novo governador  era com a redução da carga tributária. Seu candidato derrotado ao Senado, Mauro Filho, ex-secretário da Fazenda, era apresentado como especialista em desoneração e cortes de impostos. Só depois das eleições é que o distinto público ficou que pode ter que financiar a incompetência alheia.

Para dar ares de medida progressista inspirada na lenda de Robin Hood, Camilo quer que a nova CPMF incida apenas sobre as movimentações que ultrapassem 15 salários mínimos, o que livraria 98% dos brasileiros do imposto. Seria verdade o aumento no custo das operações financeiras de empresas, comércio, pessoas físicas que atuam diretamente como fornecedores ou prestadores de serviços, não fosse repassado para o velho e bom consumidor, atingindo aqueles que, supostamente, estariam livres da garfada do governo.

Sempre o bolso do povo
Por último, o imposto será rateado entre União, governos estaduais e municipais, mas com a maior parte (40%) indo para os cofres do governo federal. É constrangedor, para dizer o mínimo, pedir mais dinheiro aos pagadores de impostos, quando o governo precisou Dilma usar de chantagem política e concessão de emendas para parlamentares para aprovar no Congresso uma anistia que o livrasse de punição por ter descumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Seja com o nome de CPMF ou qualquer outro, os senhores governadores deveriam cobrar é da presidente uma solução, e não da população cansada de pagar impostos que se perdem na ineficácia, na corrupção e no desperdício.

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O crime cresce no Ceará e o que fazem o Executivo e o Legislativo? Reduzem penas para os criminosos!

Por Wanfil em Segurança

06 de dezembro de 2014

Nesta semana a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou o projeto de lei, de iniciativa do Executivo, que prevê a redução de pena para detentos que lerem obras literárias. Para cada livro, quatro dias a menos de cadeia, podendo chegar a 48 dias por ano. Por que um livro vale quatro dias e não três ou cinco? Não sei e acredito que nenhum parlamentar saiba. No entanto, vale aqui refletir sobre a essência da matéria.

A ideia de ajudar presos a voltarem ao convívio social é válida como princípio humanista. Isso não se questiona. Se reduzir penas contribui para isso, aí é discutível. Especialistas têm posições diversas a respeito. José Dirceu leu um monte de livros na Papuda. Se hoje é uma pessoa melhor, é um mistério. A questão, nesse caso do Ceará em particular, é o modo e a hora. O “quando” e o “como”, sem esquecer ainda o “quem”. Vou explicar melhor o raciocínio.

Vamos começar pelo “quem”. A política de segurança pública da gestão Cid Gomes, idealizadora do projeto, é um retumbante fracasso, não obstante acertos e méritos em outras áreas. Nunca o crime cresceu tanto como nos últimos oito anos. Segundo o  Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2014, o Ceará tem a segunda maior taxa de homicídios do Brasil. Em 2006 o Estado era o 15º nesse ranking. Pois bem, a pedido dessa gestão, a proposta foi endossada pela base aliada na Assembleia Legislativa. Somente os deputados Heitor Férrer (PDT) e Daniel Oliveira (PMDB) foram contra. Trata-se da mesma base que fechou os olhos para a degradação dos índices de segurança durante esse tempo e que acusou de “pessimistas” os críticos da política em vigor. Faltam-lhes, pois, condições de liderança para agir nesse sentido.

De qualquer jeito, são esses que aparecem agora no último mês do último ano de mandato (olha o “quando”), no apagar das luzes da atual legislatura, para posarem de autoridades ciosas e operantes, preocupadas com a reinserção de presos. No fundo, estão a repetir a cantilena de que tudo não passa de uma questão social, de compreender a psicologia e a sociologia do crime, de ser menos ostensivo e mais compreensivo, de modo que a presente situação possa ser imputada aos limites da condição humana e não à incompetência administrativa e política dessas mesmas autoridades. Como se isso fosse a prioridade do momento. Ora, ajudem a melhorar, senhores, as condições de trabalho da polícia e dos presídios! Seria bem mais útil.

Agora vamos ao “como”. Eu já disse que o debate sobre a ressocialização de presos é legítima. Ocorre que, diante de uma crise de segurança como a que vivemos é preciso antes discutir como reduzir a criminalidade. É tautológico, mas é isso. O italiano Cesare Beccaria já dizia no clássico Das Penas e dos Delitos (1746), que “o rigor das penas deve ser relativo ao estado atual da nação”. Com efeito, o atual estado no Ceará é de conflagração aberta, com vantagem para os criminosos. Beccaria também acreditava que a melhor forma de prevenir os crimes “é a certeza do castigo”. Ou seja, a impunidade estimula o criminoso. No Ceará, existem quase 60 mil mandados de prisão em aberto, segundo o Ministério Público. Boa parte da onda de violência nasce dessa incapacidade de punir bandidos. Mas para o Executivo e o Legislativo no Ceará, a solução é abrandar as penas daqueles que, eventualmente, foram presos. Depois ficam surpresos como tanto investimento em segurança não gerou resultados.

PS. Não estou pregando aqui a violência contra detentos, maus tratos, essas coisas. A prisão deve refletir o sentido de Justiça para proteger, acima de tudo, as pessoas de bem. Se der para recuperar, ótimo, se não der, que o indivíduo seja segregado do convívio com os demais. O momento é de mostrar rigor na aplicação da lei. “Tolerância Zero”. E isso vale também para o Judiciário na hora de ajudar a debelar essa crise. Pedir com jeitinho não vai assustar bandido. É preciso a certeza da punição, da prisão que não seja chamada de “engorda” ou que seja vista como mero contratempo, para intimidar a criminalidade. 

 

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Camilo viu o tamanho do problema e agora quer volta da CPMF

Por Wanfil em Ceará

04 de dezembro de 2014

O candidato ao governo do Ceará  Camilo Santana (PT), apoiado pelo então governador Cid Gomes (Pros), vez por outra assegurava que só prometeria o que pudesse cumprir. A mensagem era cristalina: as finanças estariam em ordem e o candidato oficial teria a vantagem de conhecer em detalhes a situação das contas públicas estaduais.

Depois, o governador eleito Camilo Santana, já nas primeiras semanas de trabalho na transição para a nova gestão, passou a falar em corte de gastos, a viajar para Brasília em busca de recursos e a defender a volta da CPMF. Enquanto isso, o ainda governador Cid Gomes cuida da própria vida nos Estados Unidos. O recado é claro: o cobertor é pequeno para cobrir os pés e a cabeça ao mesmo tempo.

Do otimismo à aflição
Como explicar a mudança de candidato otimista para futuro gestor aflito? Tudo indica que para Camilo cumprir o que prometeu, será preciso mais dinheiro do que se imaginou. Com a economia paralisada e a projeção de anos ruins pela frente, a estimativa de receita não acompanha a demanda de investimentos e custeio.

Obras e ações da atual gestão, muitas ainda em andamento, necessitarão de novos recursos para funcionarem adequadamente. Ter dinheiro para construir um hospital regional, por exemplo, é uma coisa. São R$ 120 milhões. Outra bem diferente é ter previsão orçamentária de longo prazo para manter esses equipamentos: são R$ 110 milhões POR ANO! Bastaram algumas reuniões para Camilo ter a real dimensão da roubada em que se meteu.

No limite
Para se ter uma ideia, o jornal O Globo mostrou nesta semana que o Ceará está na chamada “zona de risco” da Lei de Responsabilidade Fiscal, quando os gastos com a folha de pagamento atingem 44,1% da receita. O limite é de 49%. Em outras palavras, Camilo, futuro governador em exercício, sabe que existe pouca margem para aumentos e contratações.

Governistas podem alegar que a situação se repete em outros estados. É verdade, embora todos dissessem que por aqui as coisas eram diferentes. Podem afirmar ainda que o compromisso com o rigor fiscal é salutar em qualquer momento. É verdade também e Camilo acerta ao mirar nas despesas e ao procurar mais recursos. O problema é que essa realidade e essa disposição somente foram admitidas depois das eleições. Até lá, tudo era possível: mais hospitais, delegacias, etc., etc. Não é por aí e o buraco é mais embaixo. E como é aliado da gestão Cid e da presidente Dilma, Camilo ainda tem que tentar desatar esse nó sem reclamar da herança que recebe.

No final, como sempre, é melhor o contribuinte preparar os bolsos.

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Camilo viu o tamanho do problema e agora quer volta da CPMF

Por Wanfil em Ceará

04 de dezembro de 2014

O candidato ao governo do Ceará  Camilo Santana (PT), apoiado pelo então governador Cid Gomes (Pros), vez por outra assegurava que só prometeria o que pudesse cumprir. A mensagem era cristalina: as finanças estariam em ordem e o candidato oficial teria a vantagem de conhecer em detalhes a situação das contas públicas estaduais.

Depois, o governador eleito Camilo Santana, já nas primeiras semanas de trabalho na transição para a nova gestão, passou a falar em corte de gastos, a viajar para Brasília em busca de recursos e a defender a volta da CPMF. Enquanto isso, o ainda governador Cid Gomes cuida da própria vida nos Estados Unidos. O recado é claro: o cobertor é pequeno para cobrir os pés e a cabeça ao mesmo tempo.

Do otimismo à aflição
Como explicar a mudança de candidato otimista para futuro gestor aflito? Tudo indica que para Camilo cumprir o que prometeu, será preciso mais dinheiro do que se imaginou. Com a economia paralisada e a projeção de anos ruins pela frente, a estimativa de receita não acompanha a demanda de investimentos e custeio.

Obras e ações da atual gestão, muitas ainda em andamento, necessitarão de novos recursos para funcionarem adequadamente. Ter dinheiro para construir um hospital regional, por exemplo, é uma coisa. São R$ 120 milhões. Outra bem diferente é ter previsão orçamentária de longo prazo para manter esses equipamentos: são R$ 110 milhões POR ANO! Bastaram algumas reuniões para Camilo ter a real dimensão da roubada em que se meteu.

No limite
Para se ter uma ideia, o jornal O Globo mostrou nesta semana que o Ceará está na chamada “zona de risco” da Lei de Responsabilidade Fiscal, quando os gastos com a folha de pagamento atingem 44,1% da receita. O limite é de 49%. Em outras palavras, Camilo, futuro governador em exercício, sabe que existe pouca margem para aumentos e contratações.

Governistas podem alegar que a situação se repete em outros estados. É verdade, embora todos dissessem que por aqui as coisas eram diferentes. Podem afirmar ainda que o compromisso com o rigor fiscal é salutar em qualquer momento. É verdade também e Camilo acerta ao mirar nas despesas e ao procurar mais recursos. O problema é que essa realidade e essa disposição somente foram admitidas depois das eleições. Até lá, tudo era possível: mais hospitais, delegacias, etc., etc. Não é por aí e o buraco é mais embaixo. E como é aliado da gestão Cid e da presidente Dilma, Camilo ainda tem que tentar desatar esse nó sem reclamar da herança que recebe.

No final, como sempre, é melhor o contribuinte preparar os bolsos.