outubro 2014 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

outubro 2014

Refinaria no Ceará adiada logo após a eleição? Não seria a primeira vez…

Por Wanfil em Economia

30 de outubro de 2014

Não é oficial, mas segundo a agência de notícia Reuters, a Petrobras estuda adiar mais uma vez o projeto da refinaria Premium II, no Ceará. Entre os motivos estariam os escândalos de corrupção e problemas de mercado. Pode ser, pode não ser; ninguém confirma, muito menos nega. O fato é que devido ao histórico de adiamentos da obra que nunca saiu do papel (lá se vão quase dez anos), a gente acaba desconfiando, não é mesmo?

Vez por outra, com especial ênfase nos anos eleitorais, os governos federal e estadual realizaram reuniões, assinam documentos, falam em parcerias com o setor privado, tudo para mostrar que algo está sendo feito. Apesar de tanto alarde, o tempo passa e nada de concreto acontece. Nadinha. Chegou a um ponto em que a situação começou a constranger os aliados locais de Lula e Dilma, autores da promessa. A distância entre o que é anunciado e o que (não) é entregue passou a soar como falta de prestígio. Eduardo Campos conseguiu uma refinaria da Petrobras para Pernambuco…

Nesse sentido, desde o ano passado uma caravana organizada pela Assembleia Legislativa, sob a presidência do deputado Zezinho Albuquerque (PROS), percorre cidades do interior para cobrar a refinaria, embora a obra não tenha nada a ver com o legislativo estadual. Ocorre que nas vezes em que Dilma esteve no Ceará durante esse período, ninguém deu um pio, o assunto passou batido e ficou tudo por isso mesmo. Essa postura valente de longe e calada de perto explica em grande medida o descaso do Planalto com o Ceará: base de apoio é dócil, mansa e politicamente irrelevante em Brasília, não é prioridade.

Como a notícia, mesmo não sendo oficial, já repercute no país, cabe ao governador Cid Gomes e ao governador eleito Camilo Santana, além da bancada cearense no Congresso, pedirem um esclarecimento à Petrobras: afinal, vai fazer ou não? E quando? É preciso mostrar ao governo federal que o Ceará não se contenta apenas com Bolsa Família, já que o Estado fez a sua parte para receber a refinaria anunciada. É muito cômodo para Lula e Dilma usar a Petrobras para fins políticos e eleitorais, mas na hora de cumprir a palavra, alegar questões de mercado. Vale lembrar que ninguém está pedindo esmolas ou favores, mas exigindo respeito. Os cearenses são credores de uma promessa que vem sendo feita reiteradamente eleição após eleição, mas que nunca vira realidade.

Promessa é dívida.

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Um conselho de Margaret Thatcher para Camilo Santana

Por Wanfil em Eleições 2014

28 de outubro de 2014

Margaret Thatcher (Foto: Peter Marlow / Magun / Latin Stock)

Margaret Thatcher: líder inconteste. (Foto: Peter Marlow / Magun / Latin Stock)

Margaret Thatcher, Primeira-Ministra do Reino Unido entre 1979 e 1990:

“Being powerful is like being a lady. If you have to tell people you are, you aren’t”. Em português: “Ser poderoso é como ser uma dama. Se você tem que dizer às pessoas que você é , você não é”.

Camilo Santana, eleito governador do Ceará nas eleições de 2014:

“Eu sou muito grato e tenho um carinho muito grande pelo governador Cid. Para mim foi o maior governador desse estado, mas nós faremos um governo novo. Eu e a Izolda faremos um governo novo nos próximos quatro anos”.

Moral da história
A deixa da ex-Primeira-Ministra, se bem lida, pode ser compreendida como um conselho fraternal de grande valia para Camilo Santana. Basta trocarmos o “poderoso” da frase original de Thatcher por “independente”, qualidade que o novo governador buscou destacar em sua fala. Quando um líder realmente tem independência e autonomia, não precisa dizer isso para convencer as pessoas. Se precisa anunciar a condição, é porque não a tem. Em casos assim, resumindo a lição da inglesa, o que vale mesmo são as ações, muito mais do que as palavras.

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Dilma reeleita, Camilo governador: depois da festa, os desafios

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de outubro de 2014

Nas eleições mais acirradas desde 1989, a presidente Dilma Rousseff, do PT, foi reeleita para mais quatro anos de mandato, com 51% dos votos, contra 48% de Aécio Neves, do PSDB, em números arredondados. No Ceará o petista Camilo Santana foi eleito para o governo do estado com 53%, contra 46% de Eunício oliveira, do PMDB.

Parabéns, claro, aos eleitores, que apesar do clima acirrado, sabem sempre aceitar com tranquilidade o resultado das urnas. Parabéns também aos eleitos, que conseguiram vitórias apertadas, mas ainda assim, vitórias. Entretanto, sem desmerecer os escolhidos, o fato de as eleições terem sido decididas somente no segundo turno e por uma diferença tão pequena de votos precisa ser levado em consideração, pois os cenários políticos no Brasil e no Ceará saem bastante alterados. A oposição cresceu nas casas legislativas e a divisão manifestada nas urnas projeta um ambiente de cobranças intensas sobre as gestões que iniciam em 2015.

O momento, para os vencedores, é de comemoração, mas na política não existem vácuo ou pausa. Por isso os partidos governistas certamente já iniciam movimentações em busca de espaços nos novos arranjos de poder. Mesmo no caso de Dilma, que já tem uma estrutura formada, uma vez que a presidente prometeu mudanças na equipe, notadamente na área econômica.

Como as eleições mostraram o eleitorado dividido, esses aliados, que se unem a qualquer governo por conveniência e não por convicção, sabem que gestões eleitas com dificuldade e com oposição maior ficam mais dependentes da boa vontade deles, na medida em que não possuem apoio massivo da população, ao mesmo tempo em que precisam dar respostas para questões levantadas na eleição, especialmente, de novo, na economia (crescer e manter os empregos preservando ganhos reais para o salário mínimo, sem inflação e sem aumentar os juros). Em outras palavras, Dilma deverá manter boa parte de sua base de apoio, mas essa exigirá novos cargos e verbas (“mais participação nas políticas públicas”, dizem seus líderes) para dar maioria à presidente no Congresso.

Camilo Santana precisa acomodar o PT e o Pros no governo do Estado. Parece simples, mas não é. Existem secretarias estratégicas, com maior volume de recursos e potencial eleitoral. Evidentemente, haverá disputa por essas pastas.

A formação das equipes e a distribuição dos cargos serão os primeiros sinais que os eleitos darão à população sobre os rumos dos seus governos. Mas isso fica para as próximas semanas.

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Pesquisas lavam as mãos e agora é com você eleitor: Eunício ou Camilo? Aécio ou Dilma?

Por Wanfil em Pesquisa

26 de outubro de 2014

Diversos institutos de pesquisa divulgaram levantamentos na véspera das eleições mostrando um situação de absoluta incerteza quanto ao resultado final para o governo do Ceará e para a Presidência da República. Alguns institutos divergem e outros mudam cenários numa dança de números que acrescenta mais emoção a esta que já pode ser considerada a mais disputada de todas as eleições.

No Ceará
Para o governo estadual, o Datafolha, contratado pelo jornal O Povo, mostra números que pulverizam o favoritismo do petista Camilo Santana em relação ao peemedebista Eunício Oliveira apontado, em seu levantamento anterior. Já no Ibope, contratado pela TV Verdes Mares, tudo segue indefinido, em situação de empate técnico.

No dia 16 de outubro o Ibope mostrava Camilo com 51% e Eunício com 49; no dia 25 o placar é de 52% a 48%. A variação, portanto, se dá dentro da margem de erro, que é de três pontos percentuais.

O Datafolha realizou mais pesquisas, mostrando uma movimentação intensa do eleitorado. No dia 15 Camilo tinha 53%, saltou para 57% no dia 22, quando muitos passaram a acreditar que não havia mais como o adversário reagir, mas agora no dia 25 o petista cai cinco pontos e aparece com 52%. Já Eunício, que tinha 47% no dia 15 e 43% no dia 22, ressurge como surpresa no sábado que precede a eleição, com 48%.

O Ibope mostra estabilidade, mas a distância entre seus levantamentos pode ter deixado de captar eventuais subidas e descidas nesse meio tempo. O Datafolha preocupa mais os governistas, na medida em que aponta uma forte tendência de crescimento de Eunício e de descida de Camilo, bem acima da margem de erro de dois pontos percentuais: a diferença que era de 14 pontos caiu para 4! O que poucos dias atrás parecia definido, agora é dúvida. Se o Datafolha realmente captou uma onda pró-Eunício, somente no final do dia saberemos.

No Brasil
Para as eleições presidenciais, tudo é suspense. Pesquisas mostrando Aécio ou Dilma na frente, não faltam, basta ver o noticiário. No geral, a tendência do início da semana, quando Dilma apareceu à frente no Ibope e Datafolha, se inverteu e Aécio aparece agora em ascendência, voltando a empatar o jogo. Percebe-se medo entre os que desejam a reeleição da presidente e esperança entre os que preferem Aécio.

A disputa de de tal forma intensa que, tudo indica, a mínima diferença metodológica já altera o resultado dessas amostragens. Os institutos estão sob severa crítica. O fato é que numa eleição disputada voto a voto, a imponderabilidade aumenta demais.

Fatores como a regionalização da abstenção ou a definição de última hora dos indecisos (ou então, uma opção de quem se dizia decidido mas que depois resolve votar nulo, ou o nulo que decide por um dos candidatos), qualquer movimento desses podem fazer a diferença. A rigor, diante dessa dança de números e alternância de tendências, a única pesquisa realmente exata será feita neste domingo: a das urnas!

 

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O oráculo das pesquisas e o frenesi eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

24 de outubro de 2014

Quanto mais próximo fica o dia da decisão nas urnas, maior é a ansiedade geral pelas revelações das pesquisas eleitorais, esses oráculos da cultura empirista. Entre militantes partidários e ocupantes de cargos comissionados a expectativa pode degenerar até em manifestações de histeria nas redes sociais. Para os demais torcedores, fica o frenesi típico das competições. Para a satisfação desse público ávido por indícios de vitória para os seus preferidos ou de derrota para os adversários, uma saraivada de levantamentos realizada nesta semana.

Para a Presidência da República, Ibope e Datafolha mostram que Dilma Rousseff (PT) abriu uma vantagem sobre Aécio Neves (PSDB) que supera as margens de erro de cada instituto. Margens de erro, vale lembrar, bastante questionadas por todos, uma vez que os erros têm avançado para muito além dessas margens em eleições recentes.

Contando apenas os votos válidos, o Ibope mostra a petista com 54%, contra 46% de Aécio. No Datafolha, o placar é de 53% a 47%. Pesquisas não revelam o futuro, claro, mas captam tendências do presente, a partir das quais é possível fazer projeções que são, no fundo, apostas. Nesse sentido, servem para ajustar propagandas e a comunicação de candidaturas. É como tirar uma fotografia na ventania: tudo está em movimento o tempo todo e o que parece ir para um lado, de repente, pode ir para outro. Dilma, por exemplo, ganhou no primeiro turno, depois Aécio a ultrapassou no início do segundo turno e agora a presidente volta à liderança. Haverá tempo para uma nova troca de posições? Só as urnas dirão. Essas essas amostragens já foram traídas pelos eleitores nesta mesma eleição.

Até certo ponto, essa imprevisibilidade tem alimentado também uma disposição para o vale-tudo eleitoral. O governo federal impediu, nesta semana, a divulgação de números sobre a pobreza e a educação, levantando suspeitas de que não seriam bons para a candidata oficial.

No Ceará, uma pesquisa Datafolha encomendada pelos jornais Folha de São Paulo e O Povo mostra Camilo Santana (PT) com 57% e Eunício Oliveira (PMDB) com 38%. Aí já se trata de uma distância considerável, mas que não serve de antecipação de resultado, uma vez que destoa do equilíbrio que caracterizou a disputa na últimas quatro semanas.

Todo cuidado é recomendado para não confundir pesquisa com eleição. Não estou aqui desconfiando de nada. Acredito que os institutos busquem fazer o melhor que podem, pois vivem da credibilidade que conquistam. O problema é que as últimas eleições mostraram que boa parte dos eleitores deixa para consolidar suas escolhas no dia de votar. Além dessa variável, digamos, cultural, é preciso considerar as abstenções, que podem atingir as candidaturas de forma diferente, com maior ou menor intensidade.

É isso. Os institutos de pesquisa captam tendências, mas estas, pelo que temos visto, podem mudar bastante em curto espaço de tempo. Foi assim no primeiro turno. Pesquisas eleitorais são como previsões meteorológicas: tem ciência, mas são demasiadamente imprecisas por conta do imponderável. Por isso a tensão continuará grande até o próximo domingo.

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Governo do Ceará processa policiais que declaram voto na oposição: perseguição que apequena a gestão

Por Wanfil em Eleições 2014

23 de outubro de 2014

O TSE pediu reforço de tropas do Exército para o segundo turno no Ceará, por entender que as autoridades locais não possuem as condições de garantir a normalidade do processo eleitoral. Numa atitude sensata, o governo estadual concordou com a medida, reconhecendo, ainda que indiretamente, que as coisas realmente fogem ao seu controle. De certo modo, deu a entender que deseja a restauração de um ambiente de relativa tranquilidade, contribuindo para acalmar os ânimos mais exaltados.

O surto de sensatez, porém, durou pouco, pois logo em seguida a Secretaria de Segurança abriu processo administrativo contra 18 policiais militares que apoiaram publicamente o ​Capitão Wagner, eleito deputado estadual com votação recorde, e Flávio Sabino, eleito deputado federal. Ambos são do PR e apoiam Eunício Oliveira para o Governo do Estado. Segundo a SSPDS, PMs não podem fazer manifestações político-partidárias. É estranho, uma vez que podem ser candidatos. Mas o problema mesmo é que o rigor da medida recai apenas sobre policiais ligados à oposição, pois os que declararam publicamente apoio ao candidato governista Camilo Santana, do PT, não foram incluídos na lista de processados. São dois pesos e duas medidas. É inegável, portanto, que se trata de perseguição política.

É mais um capítulo na crise de comando entre governo e setores das polícias no Ceará. Ainda que acredite estar com a razão, o momento escolhido para processar os policiais, na véspera de uma votação e com todas as suspeitas que existem de parcialidade, foi inadequado. Além disso é inadmissível permitir que a estrutura administrativa responsável pela área seja contaminada pelo calor das emoções da disputa eleitoral, agindo como agente político, colocando gasolina na fogueira e deixando de lado qualquer pudor sobre a isenção que se espera dos órgãos de estado.

Desse modo, denúncias de que o governo estadual e a prefeitura de Fortaleza estariam pressionando seus funcionários a apoiarem Camilo Santana ganham força, afinal, se até policiais são perseguidos, imagine o resto. E as denúncias existem. Se não correspondem aos fatos, pelo menos agora possuem verossimilhança. O governo assim dá um tiro no próprio pé e perde a credibilidade quando se apequena no papel de instituição a serviço de uma militância partidária. Para complicar a situação e desacreditar de vez qualquer ideia de neutralidade institucional, o governador Cid Gomes, que deveria zelar pela ordem e pela imagem da gestão, deixou o cargo justamente para fazer… campanha eleitoral! Os liderados refletem as ações da liderança.

E por fim, essa confusão atrapalha mesmo o próprio candidato oficial, pois ao fazer da eleição um componente de acirramento na crise de comando na segurança, ao apostar na divisão entre governistas e oposicionistas dentro das corporações policiais, o governo acaba inviabilizando o diálogo de Camilo com a categoria, sua principal promessa para a área.

Depois alguns governistas mais afoitos saem acusando os outros de armação, sem perceber que os fatos têm consequências que ultrapassam a passionalidade das campanhas eleitorais.

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Esqueça o “se bater, perde”, a moda agora é “desconstruir” o adversário

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

Os brasileiros acostumaram-se com a regra de ouro do publicitário Duda Mendonça para campanhas eleitorais: quem bate, perde. Foi assim que ele criou o personagem “Lulinha Paz e Amor”, para eleger até então candidato petista derrotado três vezes para a Presidência da República. O resto da história todos conhecem e Duda lucrou bastante com recursos não contabilizados pagos a sua  empresa offshore Dusseldorf, com sede nas Bahamas.

Ocorre que esse modelo só funciona em condições específicas de temperatura e pressão. Se o candidato estiver com vantagem relativamente segura, acima da margem de erro, a crítica mais incisiva não rende, pois antipatiza o emissor e vitimiza o oponente. Trocando em miúdos, fica a impressão de quem está atrás apelou para o jogo sujo. No entanto, como estamos vendo neste exato instante, se a disputa está acirrada, com candidatos tecnicamente empatados dependendo dos eleitores indecisos, a coisa muda de figura e surge então o recurso da “desconstrução do adversário”.

Por desconstruir o adversário entenda-se anular a imagem esculpida pela comunicação dele junto ao eleitorado. Se o opositor é visto como mudança pelos eleitores que desejam mudança, a saída é apresentá-lo como ameaça de instabilidade; se a candidata oficial diz que a inflação está sob controle, é preciso mostrar os índices verdadeiros para desmascarar o truque. Acontece que, na prática, o artifício da “desconstrução” virou eufemismo para as mentiras e para o vale-tudo que embalam o festival de baixaria nestas eleições.

Foi o que aconteceu com a candidata Marina Silva, do PSB, no primeiro turno, vítima da propaganda agressiva da candidata Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, que não pensou em duas vezes antes de bater com força e sem limites éticos na concorrente. Alguém realmente acredita que Marina estava mancomunada com um grupo de banqueiros para tirar a comida da mesa dos pobres? Marina seria a perversa criatura que iria prejudicar os investimentos em educação acabando com a exploração do pré-sal? Claro que não, mas para boa parte do eleitorado, notadamente os com menos instrução e menor renda, a mistificação grosseira assustou. A decisão de não responder na mesma moeda custou a Marina a chance de seguir adiante na eleição.

Agora no segundo turno não é diferente. Esqueça o “quem bate, perde” de Duda Mendonça. Agora, com a surpresa do empate entre Dilma e Aécio Neves, do PSDB, o que vale é a “desconstrução” de João Santana, marqueteiro do PT. Como a onda de ascensão do oposicionista foi contida, segundo as pesquisas, a ordem é manter a artilharia contra o inimigo, misturando críticas aceitáveis com ataques pessoais, como os que foram vistos nos debates. Já Aécio decidiu adotar a tática do “bateu, levou”, para evitar o mesmo destino de Marina.

O problema é que isso rebaixa o próprio confronto de ideias que deveria prevalecer nas eleições. O confronto, o ataque, as contestações e as denúncias fazem parte do jogo eleitoral, mas devem, ou deveriam, atinar para os problemas reais do país. Não é o que estamos vendo. Dizer que Aécio não gosta dos pobres ou que o Bolsa Família não tem parentesco algum com os programas de compensação instituídos por FHC no passado, para insinuar que essas iniciativas serão cortadas, é apelação. É claro que os governistas não assumem a responsabilidade por essa situação e sua candidata, que antes acusou Marina de ser despreparada para o exercício da Presidência por ser excessivamente sensível, agora posa de vítima.

Com isso, todos acabam igualados na baixaria e ninguém discute a sério a estagnação da economia, os efeitos da pressão inflacionária, a corrupção nas estatais e os índices obscenos da violência no país. Para o indeciso saber quem tem razão nessa troca de acusações, basta fazer a seguinte perguntar: a quem interessa desviar desses assuntos? A resposta não é difícil. Embarcar no bate-boca eleitoral só beneficia quem não quer falar sobre os problemas urgentes do Brasil.

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Debate Jangadeiro – Eunício e Camilo buscam o confronto como ele deve ser: intenso, mas com respeito ao público

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

De olho nos votos dos eleitores indecisos, os candidatos Eunício Oliveira (PMDB) e Camilo Santana (PT), que disputam o governo do Ceará, protagonizaram ataques e trocas de acusações durante o debate promovido pelo Sistema Jangadeiro de Comunicação, realizado nos estúdios da Tribuna Bandnews nesta segunda (20). Descontadas as diferenças de estilo e postura, a estratégia de ambos foi a mesma: buscar aumentar a rejeição ao adversário, que os especialistas chamam de “desconstrução”.

A lógica é simples. Empatados tecnicamente, com as pesquisas registrando uma diferença entre os dois menor do que a quantidade de indecisos, a prioridade é convencer esse eleitor a não votar no concorrente. Isso pode aumentar o número de votos nulos e brancos, mas a intenção mesmo é evitar o crescimento do oponente nessa reta final e, de quebra, conquistar votos na condição de opção menos ruim para esse grupo. Qualquer um por cento a mais ou a menos pode ser a diferença entre a vitória e a derrota.

Assim, durante o debate, Eunício Oliveira, que já foi ministro das Comunicações no governo Lula, fez questão de ressaltar que Camilo Santana nunca ocupou cargos de relevância nacional, para destacar a inexperiência do petista, que acusou o golpe ao responder em outro bloco: “Posso não ter audiência com o Lula, mas tenho com o povo”. Por sua vez, Camilo afirmou que Eunício nunca teria ido a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em Fortaleza, na tentativa de mostrar um candidato distante das pessoas, especialmente dos mais pobres.

Em outro momento, Eunício disse que não tem patrão e que Camilo seria controlado pelo governador Cid Gomes (PROS). De outra feita, Camilo afirmou o peemedebista desconhece as ações do governo estadual por não passar muito tempo no Ceará.

No geral, como está numericamente atrás do petista, ainda que em situação de empate técnico, e sabendo da força da máquina no dia da eleição, Eunício assumiu uma postura mais contundente, mas foi habilidoso para não deixar espaço para pedidos de direito de resposta. Ao ser indagado por um ouvinte sobre corrupção, Eunício disse que trabalharia para aprovar uma lei que impedisse pessoas com bens bloqueados na justiça de serem candidatos. Foi uma indireta clara para o adversário que, no entanto, manteve, dentro dos limites possíveis, a cabeça fria e não passou recibo.

O mais difícil nesse jogo de desconstrução do adversário é controlar as emoções e os impulsos. Uma resposta errada, mais agressiva, pode render efeito contrário. No entanto, mesmo nos momentos mais tensos, tanto Eunício como Camilo evitam as adjetivações grosseiras. Em vez de “mentiroso”, preferem acusar um ao outro de “faltar com a verdade”. Esse é um detalhe de grande relevância. O confronto faz parte do embate eleitoral, mas não devemos confundir o ataque legítimo que pode ser necessário em determinado momento de uma campanha, com baixaria, que é coisa diferente.

Os debates locais têm se mostrado mais elegantes do que os nacionais, para presidente. Provavelmente isso reflete a natureza dos dois candidatos ao governo estadual, políticos de características conciliatórias e experiência no parlamento, ao contrário da disputa presidencial, onde a campanha candidata à reeleição adota uma postura de beligerância que só tem paralelo com a campanha de Collor contra Lula, em 1989, que hoje, inclusive, são aliados. Prova de que o exagero não passa mesmo de teatro eleitoral.

Eunício e Camilo estavam ali lutando o voto dos indecisos, imersos em ambiente de disputa acirrada e cercados de aliados que atiçam os nervos, mas conseguiram mostrar equilíbrio e respeito pelo público. Caberá aos indecisos dizerem nas urnas quem se saiu melhor.

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O estilo Cid Gomes e o incidente da BR-116

Por Wanfil em Noticiário

18 de outubro de 2014

Cid Gomes protagoniza mais uma vez um episódio inusitado nos noticiários locais e nacionais. É que por causa de um incidente de trânsito sem gravidade envolvendo um carro de dois ônibus na BR-116, em Fortaleza, o governador do Ceará tentou, sem sucesso e de modo intempestivo, desobstruir a parte da via interditada pelo pequeno acidente.

Filmado por populares, Cid se ofereceu, com impaciência, para pagar o prejuízo, desde que os carros saíssem do local; ameaçou retirar os veículos sem a autorização dos proprietários (“vou tirar agora”); usou o cargo como argumento: “eu sou o governador”; discutiu com anônimos e com militantes do PMDB. Com a chegada da imprensa, o governador ficou mais comedido e passou a orientar, no meio da rua e sem necessidade alguma, os carros que passavam ao lado. Jornais e sites de todo o país destacaram a atuação de Cid Gomes como “agente de trânsito” ou “dono da rua”, a maioria em tom de deboche.

O caso não tem relevância política ou administrativa imediata, pois em nada contribui para a solução, por exemplo, de problemas de mobilidade urbana em estradas federais nos perímetros urbanos. E, convenhamos, todos estamos sujeitos ao estresse, a uma discussão de trânsito ou a um desatino momentâneo. No entanto, por se tratar de autoridade constituída e pessoa pública, situações assim acabam atingindo a imagem do gestor e da própria gestão. Ainda mais quando o incomum passa a ser algo recorrente. O governador cearense já mergulhou em tanque de adutora, caiu ao andar de skate, andou de moto sem capacete, atravessou correndo pista de aeroporto e foi a uma delegacia em Sobral defender aliado preso por crime eleitoral. São atos que, não raro, chegam a ofuscar ações da administração.

Com efeito, todo político tem um estilo. Cid Gomes é discreto nas articulações de bastidores e espalhafatoso em suas aparições públicas. Para alguns, esse modo de agir reflete uma personalidade simples e autêntica, para outros denota deslumbramento e arrogância. Aí é da interpretação de cada um.

O certo é que, em período eleitoral, bater boca no meio da rua não é o tipo de iniciativa que ajuda seu candidato à sucessão estadual. Nesse caso em particular, pode até ter efeito contrário, pois a forma de interpelar as pessoas foi deselegante e inadequada, quase autoritária, postura que deixa dúvidas sobre o nível de autonomia que seu indicado terá, caso seja eleito. Mas, fazer o quê? Como me disse um assessor dele, comentando sobre as declarações intempestivas do governador no Facebook, “Cid é assim, é o jeito dele mesmo”.

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Datafolha: Camilo 45%, Eunício 40% – empate técnico e o fator abstenção

Por Wanfil em Eleições 2014

16 de outubro de 2014

A primeira pesquisa Datafolha/O Povo para o segundo turno no Ceará mostra o seguinte quadro: Camilo Santana (PT) lidera com 45% das intenções de voto, seguido de Eunício Oliveira (PMDB), que marca 40%, em situação de empate técnico, uma vez que a margem de erro do levantamento é de 3% para mais ou para menos. Considerando apenas os votos válidos, o placar é de 53% a 47%.

Disputa continua acirrada
Fica confirmada então a tendência das últimas pesquisas, reforçada nas urnas, que apontavam uma lenta ascensão do petista e uma estabilização do peemedebista. Tudo decidido? Nada disso. Os 9% de indecisos formam um considerável número que pode alterar esse quadro.

Há também as taxas de rejeição, de 37% para Camilo e 35% para Eunício, que mostram uma situação de equilíbrio, com potencial de crescimento um pouco maior para o peemedebista. A eleição continua apertada.

Fator abstenção
No entanto, mais do que o contingente formado pelos que não sabem ainda em quem votar, o elemento crucial de indefinição e imponderabilidade não pode ser registrado por pesquisa alguma: a abstenção. Ainda que estes estejam contemplados nas margens de erro, estas tem se apresentado muito incertas nas últimas eleições, quando as urnas mostram variações acima dessas margens de cálculo. Existe, no entanto, um histórico, mas esse mostra uma flutuação nas abstenções que dificultam projeções. Vejamos.

No primeiro turno deste ano a abstenção foi de 20,12%, que corresponde a pouco mais de um milhão e duzentos mil eleitores, num universo de 6,2 milhões. Em 2010 foi de 20,05%, já em 2006 de 17,38%. Em 2002, quando também houve segundo turno, o índice nessa etapa foi de 23%.

Tradicionalmente, a abstenção tende a ser maior nas regiões de menor densidade populacional, ou seja, nas áreas rurais e cidades pequenas, e menor nos grandes centros, o que aumenta o peso da região metropolitana na eleição. Assim, cabe aos candidatos, prevendo uma alta quantidade de eleitores que não devem comparecer às urnas.

Avaliação da gestão
A pesquisa mostra que 47% da população aprovam o governo Cid Gomes. É justamente o eleitoral de Camilo. Avaliam a gestão como regular 34% e como ruim 15%, que somados chegam a 49%. Falta a Eunício conquistar uma pequena parte desse grupo, que oferece um bom espaço para avançar. Sua campanha deve falar a essa parcela nessa reta final.

Talvez um tom mais crítico em relação aos pontos fracos da administração, associando o adversário a áreas mal avaliadas, possa surtir efeito, mas isso é lá com os estrategistas. Camilo, naturalmente, tem se dirigido aos que aprovam o governo, e busca acenar para os que o consideram regular, mostrando um perfil de conciliador, já que o papel de ataque contra o concorrente fica reservado aos seus padrinhos, e evitando ao máximo falar a fundo de segurança pública.

A nota atribuída ao governador Cid Gomes é de 6,6%. Bastante modesta para quem o imagina como o maior governador da história, mas suficiente para deixar seu candidato numericamente à frente no empate técnico do Datafolha.

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Datafolha: Camilo 45%, Eunício 40% – empate técnico e o fator abstenção

Por Wanfil em Eleições 2014

16 de outubro de 2014

A primeira pesquisa Datafolha/O Povo para o segundo turno no Ceará mostra o seguinte quadro: Camilo Santana (PT) lidera com 45% das intenções de voto, seguido de Eunício Oliveira (PMDB), que marca 40%, em situação de empate técnico, uma vez que a margem de erro do levantamento é de 3% para mais ou para menos. Considerando apenas os votos válidos, o placar é de 53% a 47%.

Disputa continua acirrada
Fica confirmada então a tendência das últimas pesquisas, reforçada nas urnas, que apontavam uma lenta ascensão do petista e uma estabilização do peemedebista. Tudo decidido? Nada disso. Os 9% de indecisos formam um considerável número que pode alterar esse quadro.

Há também as taxas de rejeição, de 37% para Camilo e 35% para Eunício, que mostram uma situação de equilíbrio, com potencial de crescimento um pouco maior para o peemedebista. A eleição continua apertada.

Fator abstenção
No entanto, mais do que o contingente formado pelos que não sabem ainda em quem votar, o elemento crucial de indefinição e imponderabilidade não pode ser registrado por pesquisa alguma: a abstenção. Ainda que estes estejam contemplados nas margens de erro, estas tem se apresentado muito incertas nas últimas eleições, quando as urnas mostram variações acima dessas margens de cálculo. Existe, no entanto, um histórico, mas esse mostra uma flutuação nas abstenções que dificultam projeções. Vejamos.

No primeiro turno deste ano a abstenção foi de 20,12%, que corresponde a pouco mais de um milhão e duzentos mil eleitores, num universo de 6,2 milhões. Em 2010 foi de 20,05%, já em 2006 de 17,38%. Em 2002, quando também houve segundo turno, o índice nessa etapa foi de 23%.

Tradicionalmente, a abstenção tende a ser maior nas regiões de menor densidade populacional, ou seja, nas áreas rurais e cidades pequenas, e menor nos grandes centros, o que aumenta o peso da região metropolitana na eleição. Assim, cabe aos candidatos, prevendo uma alta quantidade de eleitores que não devem comparecer às urnas.

Avaliação da gestão
A pesquisa mostra que 47% da população aprovam o governo Cid Gomes. É justamente o eleitoral de Camilo. Avaliam a gestão como regular 34% e como ruim 15%, que somados chegam a 49%. Falta a Eunício conquistar uma pequena parte desse grupo, que oferece um bom espaço para avançar. Sua campanha deve falar a essa parcela nessa reta final.

Talvez um tom mais crítico em relação aos pontos fracos da administração, associando o adversário a áreas mal avaliadas, possa surtir efeito, mas isso é lá com os estrategistas. Camilo, naturalmente, tem se dirigido aos que aprovam o governo, e busca acenar para os que o consideram regular, mostrando um perfil de conciliador, já que o papel de ataque contra o concorrente fica reservado aos seus padrinhos, e evitando ao máximo falar a fundo de segurança pública.

A nota atribuída ao governador Cid Gomes é de 6,6%. Bastante modesta para quem o imagina como o maior governador da história, mas suficiente para deixar seu candidato numericamente à frente no empate técnico do Datafolha.