agosto 2014 - Página 2 de 2 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

agosto 2014

E aí, quem foi melhor: Tasso ou Cid?

Por Wanfil em Política

08 de agosto de 2014

Quem foi melhor governador: Tasso Jereissati ou Cid Gomes? Quem fez mais? Quem construiu melhor? Quem tem mais liderança e autoridade? São questões que servem para atiçar paixões e mobilizar admiradores, que verão no seu preferido o nome certo para respondê-las. Na prática, aos olhos do historiador mais distante, tem pouca serventia.

De qualquer modo, chama a atenção o fato de que o apelo à comparação tem sido feito, de forma reiterada, pelo atual governador do Ceará, Cid Gomes, do Pros. O mais recente episódio com essa característica aconteceu após críticas feitas por Tasso, hoje candidato ao Senado pelo PSDB, em bate-papo com jovens pela internet na última quarta-feira (6). No dia seguinte, Cid anunciou em sua página pessoal no Facebook que comentaria as declarações e assim o fez.

Em linhas gerais, Tasso havia dito que faltou melhor planejamento e mais gente preparada nas ações de segurança pública, combate à seca e saúde. É perfeitamente normal e desejável que opositores façam críticas aos governos, sobretudo, quando fazem isso sem descambar para ataques pessoais ou acusações infundadas.

Por outro lado, é compressível que o governador Cid Gomes procure defender as ações o legado de sua gestão, especialmente quando pontos dele são questionados por um ex-governador.

Cid Gomes evitou adjetivos depreciativos ao ex-governador, no que acertou, pois as críticas de Tasso foram colocadas sem ofensas ou coisas do tipo. Mesmo assim, em alguns momentos, ficou a impressão de que aqueles questionamentos incomodam o governador de forma peculiar.

Logo de partida, Cid classificou as críticas de “ranzinzas”, deixando escapar que, para ele, somente alguém desprovido de bom humor pode ver defeitos em sua gestão. Fica parecendo que existe certa dificuldade em lidar com contestações. Imagine se o PT fosse oposição ao seu governo.

Em outro momento, ao defender suas ações na Segurança, o governador optou por comparar fotos antigas do Ciops (criado por Tasso), onde servidores operam computadores típicos dos anos 90, com imagens recentes, nas quais o aparato tecnológico é (não poderia ser diferente), mais moderno. Sobre dados e índices, nada. No fim, uma boa oportunidade de falar sobre o tema com seriedade acabou, infelizmente, perdida.

Fora isso, existe ainda um problema de natureza lógica. Ao tentar desmerecer a gestão de Tasso, Cid esquece que ele mesmo e seu grupo fizeram parte daquele momento. Tasso, a rigor, fez uma ruptura com a estrutura política que o antecedeu. Cid deu continuidade aos governos que lhe precederam. Isso não desmerece ninguém, apenas situa cada gestão.

É inegável que ambos foram governadores que deixaram suas marcas e fizeram história. Isso a maioria reconhece. Mas o que está em jogo não é a vaidade de saber quem fez mais ou fez menos, até porque foram momentos distintos, cada um com suas singularidades. Como ficou claro nos comentários feitos por internautas no Facebook do governador, as pessoas não estão lá muito interessadas nesse tipo de querela estéril. Elas querem é discutir o presente para fazerem suas escolhas de olho no futuro.

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Justiça investiga convênios entre prefeituras e a Secretaria das Cidades. Uma história de muitas coincidências!

Por Wanfil em Eleições 2014

07 de agosto de 2014

A Justiça Eleitoral está investigando convênios feitos pela Secretaria das Cidades com prefeituras do interior comandadas por aliados do governo estadual. A suspeita é que parte desses recursos, cerca de R$ 40 milhões, tenha sido liberada na antevéspera do prazo limite que proíbe a prática, justamente para cooptar apoio eleitoral. Também será investigado o possível repasse de verbas após o dia 5 de julho, o que não pode, pois a legislação impede a celebração desses contratos nos três meses que antecedem a eleição.

Com isso, o Ministério Público Eleitoral ajuizou ação contra o Secretário das Cidades, Carlo Ferrentini Sampaio, e contra os candidatos a governador e vice pela coligação “Para o Ceará Seguir Mudando”, Camilo Santana (PT) e Izolda Cela (Pros).

Desde já, anoto duas coincidências. De novo convênios celebrados pela Secretaria das Cidades com prefeituras viram objeto de investigação. Para quem não lembra, a pasta ficou nacionalmente conhecida com o “escândalo dos banheiros fantasmas”, caso que estourou entre 2010 e 2011, quando, também por coincidência, vejam só, Camilo Santana era o secretário.

O peso da dúvida
Voltando aos fatos do presente, o sentido da lei é preservar o mínimo de condições de igualdade entre os candidatos, inibindo a ação descarada de governos que buscam interferir na disputa distribuindo dinheiro público a partir de critérios eleitoreiros.

Se comprovada, será uma nódoa na gestão de Cid Gomes, pois o caso ficaria como comprovação cabal de que seu governo confunde o público com o privado, e de que se vale de artifícios desonestos para fraudar eleições. Mas é preciso lembrar que tudo ainda está sob investigação. Se nada restar provado, será um atestado de lisura para a coligação governista, não é mesmo? No máximo, poderão ser acusados de esperteza por saberem agir na fronteira entre o legal e o ilegal. O que no mundo político soa como elogio. O que não pode é ficar a dúvida no ar. Assim, que a Justiça apure tudo com urgência, de modo a proteger o processo eleitoral e o próprio eleitor.

Erro ou má fé? 
Levando em conta a presunção de inocência, digamos que esses recursos tenham sido repassados em data proibida para aliados do governo por mero erro técnico, uma incrível coincidência (mais uma!) desprovida de má fé. Nesse caso, de pouco adianta alegar que foi tudo sem querer querendo, pois isso não muda o efeito dos atos praticados. A questão é saber se a lei foi infringida em favor da coligação apoiada pelo próprio governo, o que é gravíssimo.

Cuidado
Fica o alerta para as demais secretarias e principalmente para os seus gestores: cuidado para não confundirem os papéis. Uma coisa é cargo de confiança, outra bem diferente é atuar como militantes e cabos eleitorais. O limite é a lei. E a Justiça.

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Senador Pimentel, a pergunta é: o senhor repassou ou não as perguntas da CPI da Petrobras?

Por Wanfil em Política

05 de agosto de 2014

O mais novo escândalo envolvendo a Petrobras tem entre seus protagonistas o senador José Pimentel (PT-CE). Segundo a revista Veja, o parlamentar teria vazado perguntas que seriam feitas a dirigentes da empresa na CPI que investiga suspeita de irregularidades na compra de uma refinaria nos Estados Unidos e na construção de outra em Pernambuco. Mais especificamente, Pimentel, que é relator da CPI e líder do governo no Senado, teria repassado o material a Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, o mesmo que enrolou os cearenses por anos como fiador da refinaria no Ceará prometida por Lula e Dilma, obra que nunca saiu do papel.

Nota evasiva
O caso é grave, pois seria sabotagem contra o Congresso e, por conseguinte, contra a própria democracia. Em nota, Pimentel disse que “o relator não se reuniu e nem orientou o depoimento dos investigados” e que protocolou requerimentos para que as denúncias sejam apuradas.

A nota é sóbria, porém, evasiva. O senador nega ter feito aquilo o que não lhe atribuem autoria e nada diz sobre a verdadeira acusação. Ninguém disse que Pimentel orientou os investigados. Isso teria sido feito pela própria Petrobras. A revista diz que Pimentel foi um dos responsáveis por entregar as questões a Gabrielli, que depois as enviou para os investigados, para enfim serem orientados nas respostas. A questão central é: afinal, entregou ou não? Isso a nota não esclarece.

Pouca convicção?
Talvez não haja convicção nesse sentido, se é que vocês me entendem. Certa feita José Genoíno, então presidente nacional do PT, negou ter assinado uns documentos referente a empréstimos, para ser desmascarado logo na edição da semana seguinte, pela mesma revista. Acabou na Papuda.

Pimentel, é bom frisar, é inocente até prova em contrário. Mas como relator, a suspeita pesa sobre seu papel na CPI. E a Petrobras continua seu calvário de ingerências políticas na sua administração. Lamentável.

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E o tema da eleição é: ‘milionários X profissionais da política’

Por Wanfil em Eleições 2014

04 de agosto de 2014

“Aqui não tem milionários”, diz Camilo Santana, candidato do PT ao governo do Ceará, que na verdade é um candidato genérico do Pros, partido que hoje comanda o Estado. É uma crítica aos patrimônios dos candidatos Eunício Oliveira, do PMDB, e Tasso Jereissati, do PSDB. Tecnicamente, é uma aposta na clivagem surrada, mas de algum apelo em países de grande desigualdade social, entre ricos e pobres. A mensagem é: somos nós, os pobres, contra eles, os ricos.

Marxismo de botequim como estratégia
Esse apelo ao marxismo de botequim não é à toa e tem função estratégica clara. Foi lançado nessas eleições por Ciro Gomes, outro que se quer humilde despossuído, com seu estilo peculiar. Camilo depois retoma o assunto, de forma mais moderada, para deixá-lo em evidência. De quebra, é uma alusão ao fato de Eunício possuir empresas que tem contratos com governos. Como um de seus clientes é o governo federal, seria bom que Ciro e Camilo alertassem Dilma caso realmente saibam de algo desabonador, não é?

Outro ponto interessante é que, apesar de fazer graça com a história de que não tem milionários na chapa, a coligação tem previsão de gastos de dezenas de milhões de reais. Pode parecer uma contradição, e milhões sem milionários é algo suspeito por natureza, mas como estamos falando de política, o raciocínio lógico nem sempre prevalece.

Notem que se trata de um cálculo. O candidato poderia dizer: “Aqui não tem corrupto”. Mas seu partido é o partido do mensalão. Melhor não ir por aí. Quem sabe um “aqui não tem traidor”, mas aí complicava o pessoal do Pros, aliados de Cid que mudam de partido vez por outra.

Revide
A resposta de Eunício e alguns aliados tem sido mais ou menos esta: “Não vamos baixar o nível e entrar em bate-boca, mas aqui não tem profissional da política”, em referência ao fato de Cid e Ciro Gomes, padrinhos da candidatura de Camilo, não possuírem atividade profissional conhecida fora da política, afinal, desde jovens ocupam cargos públicos.

Ficasse apenas na primeira parte, seria uma boa resposta, mas com o complemento, perde a eficácia, pois acaba servindo ao propósito dos ataques, pois termina dentro do tema proposto pelos adversários. Qualquer resposta que repercuta as acusações e ilações feitas por quem está atrás nas pesquisas tem o poder de colocá-lo no debate em condição estratégica favorável. Tem muito consultor dizendo que não responder é o pior. Nada disso. Responder aquilo o que espera o concorrente é que é o erro. O segredo aí é mudar o eixo da prosa. O revide precisa desmontar a intenção do outro candidato.

Se provocam com o “aqui não tem milionário”, a melhor resposta seria “aqui não tem incompetente”, ou “aqui tem gente indignada com a insegurança, com a seca, com a saúde precária”. Tirar o foco da discussão do patrimônio pessoal dos candidatos, que a rigor não tem nada demais (a não ser que existam provas de crimes), afinal, não é ilegal ser rico ou ter a política como profissão, e trazê-la para as questões administrativas.

Quem define o tema do debate leva vantagem
Aprendi que leva sempre vantagem quem estabelece os temas sobre os quais a campanha irá se desenrolar. Nesse momento, a luta é exatamente essa. Estamos com açudes secando, uma situação calamitosa, violência em alta e saúde desaprovada em pesquisas. Por enquanto, tudo isso aguarda por um debate. Pode ser que estejam esperando a propaganda de televisão. A demora, no entanto, beneficia quem não quer falar desses assuntos.

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E o tema da eleição é: ‘milionários X profissionais da política’

Por Wanfil em Eleições 2014

04 de agosto de 2014

“Aqui não tem milionários”, diz Camilo Santana, candidato do PT ao governo do Ceará, que na verdade é um candidato genérico do Pros, partido que hoje comanda o Estado. É uma crítica aos patrimônios dos candidatos Eunício Oliveira, do PMDB, e Tasso Jereissati, do PSDB. Tecnicamente, é uma aposta na clivagem surrada, mas de algum apelo em países de grande desigualdade social, entre ricos e pobres. A mensagem é: somos nós, os pobres, contra eles, os ricos.

Marxismo de botequim como estratégia
Esse apelo ao marxismo de botequim não é à toa e tem função estratégica clara. Foi lançado nessas eleições por Ciro Gomes, outro que se quer humilde despossuído, com seu estilo peculiar. Camilo depois retoma o assunto, de forma mais moderada, para deixá-lo em evidência. De quebra, é uma alusão ao fato de Eunício possuir empresas que tem contratos com governos. Como um de seus clientes é o governo federal, seria bom que Ciro e Camilo alertassem Dilma caso realmente saibam de algo desabonador, não é?

Outro ponto interessante é que, apesar de fazer graça com a história de que não tem milionários na chapa, a coligação tem previsão de gastos de dezenas de milhões de reais. Pode parecer uma contradição, e milhões sem milionários é algo suspeito por natureza, mas como estamos falando de política, o raciocínio lógico nem sempre prevalece.

Notem que se trata de um cálculo. O candidato poderia dizer: “Aqui não tem corrupto”. Mas seu partido é o partido do mensalão. Melhor não ir por aí. Quem sabe um “aqui não tem traidor”, mas aí complicava o pessoal do Pros, aliados de Cid que mudam de partido vez por outra.

Revide
A resposta de Eunício e alguns aliados tem sido mais ou menos esta: “Não vamos baixar o nível e entrar em bate-boca, mas aqui não tem profissional da política”, em referência ao fato de Cid e Ciro Gomes, padrinhos da candidatura de Camilo, não possuírem atividade profissional conhecida fora da política, afinal, desde jovens ocupam cargos públicos.

Ficasse apenas na primeira parte, seria uma boa resposta, mas com o complemento, perde a eficácia, pois acaba servindo ao propósito dos ataques, pois termina dentro do tema proposto pelos adversários. Qualquer resposta que repercuta as acusações e ilações feitas por quem está atrás nas pesquisas tem o poder de colocá-lo no debate em condição estratégica favorável. Tem muito consultor dizendo que não responder é o pior. Nada disso. Responder aquilo o que espera o concorrente é que é o erro. O segredo aí é mudar o eixo da prosa. O revide precisa desmontar a intenção do outro candidato.

Se provocam com o “aqui não tem milionário”, a melhor resposta seria “aqui não tem incompetente”, ou “aqui tem gente indignada com a insegurança, com a seca, com a saúde precária”. Tirar o foco da discussão do patrimônio pessoal dos candidatos, que a rigor não tem nada demais (a não ser que existam provas de crimes), afinal, não é ilegal ser rico ou ter a política como profissão, e trazê-la para as questões administrativas.

Quem define o tema do debate leva vantagem
Aprendi que leva sempre vantagem quem estabelece os temas sobre os quais a campanha irá se desenrolar. Nesse momento, a luta é exatamente essa. Estamos com açudes secando, uma situação calamitosa, violência em alta e saúde desaprovada em pesquisas. Por enquanto, tudo isso aguarda por um debate. Pode ser que estejam esperando a propaganda de televisão. A demora, no entanto, beneficia quem não quer falar desses assuntos.