agosto 2014 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

agosto 2014

Brasil em recessão é Dilma sem propaganda. Aécio promete Armínio. E Marina?

Por Wanfil em Economia

29 de agosto de 2014

Que as propagandas eleitorais convençam eleitores de que um candidato possui determinadas virtudes ou defeitos, é algo esperado, afinal, é para isso que marqueteiros são contratados a peso de ouro. Como se trata de comunicação de massa, a ordem é reforçar símbolos e generalizações. O problema é quando o próprio candidato passa a acreditar na propaganda criada para o seu personagem político, pois o sujeito acaba descolado da realidade.

Propaganda X mundo real
Foi assim, por exemplo, que Cid Gomes imaginou, quando foi reeleito em 2010, que suas ações de segurança pública realmente estavam no caminho certo. Deu no que deu. Agora é a presidente Dilma, que no debate promovido pela Rede Bandeirantes afirmou que o Brasil está preparado para um novo ciclo decrescimento, reproduzindo fantasia veiculada em sua propaganda eleitoral. No mundo real, o IBGE anunciou nesta sexta-feira que o PIB brasileiro caiu 0,6% no segundo semestre, configurando o que especialistas chamam de recessão técnica. Em relação ao segundo trimestre de 2013, o tombo foi maior ainda: 0,9%.

A propaganda diz que Dilma é uma grande gestora, os fatos negam. E entre os fatos e a propaganda, a presidente prefere a ilusão, abraçada aos elogios repetidos por assessores e aduladores de plantão. O mercado prevê que o crescimento da economia brasileira será de apenas 0,7% (a média dos últimos quatro anos deverá fechar em 1,7%). O governo e a candidata culpam a crise internacional, mas esse argumento não resiste a uma comparação com o desempenho de países da América Latina. Para 2014, a expectativa é que o Panamá cresça 7,2%; para a Colômbia a previsão é de 4,4%; e Paraguai 4,8%. São países que enfrentam a mesma crise internacional e crescem mais que o dobro do Brasil. Pior do que nós, só a Argentina de Kirchner e a Venezuela de Maduro, dois aliados de Dilma. Conclusão: falta gestão por aqui.

Política econômica no centro do debate
Os números ruins levam de volta a economia para o centro do debate político nessa campanha eleitoral, o que é importante. Sobre isso, o pano de fundo é o seguinte: Lula renegou o discurso do passado oposicionista e deu continuidade à política econômica de FHC, mantendo Henrique Meireles no Banco Central.

Agora, entre os principais candidatos ao Planalto, Aécio disse que, se eleito, Armínio Fraga será seu ministro da Fazenda, o que representa certo alinhamento com os dois ex-presidentes. Dilma é isso que os dados do IBGE revelam. Falta saber o que Marina pensa. Qual perfil para o futuro ministro da Fazenda? Manteria o insosso Alexandre Tombini no Banco Central? Fará do centro das metas de inflação um objetivo inegociável? Adotará uma política fiscal mais ou menos austera do que a atual? Ninguém sabe. Nem a propaganda eleitoral dela ousa fazer um rascunho para delinear algo mais tangível. É um mistério tão grande quanto a origem do dinheiro para a compra do jatinho que Marina e Eduardo Campos usavam. A nova política é assim, um ato de fé no porvir.

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O debate Band e a pesquisa Ibope: nunca o segundo turno foi tão ameaçador para Dilma

Por Wanfil em Pesquisa

27 de agosto de 2014

O debate entre presidenciáveis realizado pela Rede Bandeirantes foi um raro momento político: os principais candidatos testavam ali, no calor do momento, alterações estratégicas decorrentes da entrada da candidata Marina Silva (PSB) no páreo, substituindo Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no início da campanha. O impacto dessa mudança repentina foi medido pouco antes do encontro por uma pesquisa Ibope/Estadão/Rede Globo, em que Dilma (PT) aparece com 34%, seguida de Marina com 29%, e de Aécio (PSDB) com 19%.

O debate
Em linhas gerais Marina, já na condição de potencial alvo dos oponentes, procurou se apresentar como estrategista política capaz de mediar conflitos e conciliar interesses, sem abrir mão da ética.

Dilma manteve a aposta no figurino da gerente qualificada abençoada por Lula, lembrando que Marina não possui qualificação administrativa, porém, ao insistir na polarização PT/PSDB, só beneficiou a adversária que se apresenta como alternativa aos dois.

Aécio acrescentou o substantivo “segurança” ao discurso de mudança, classificando como “aventura” a candidatura de Marina, buscando se apresentar oposição sensata e racional. Aposta, portanto, que o fator emocional que alavancou Marina venha a refluir mais adiante.

Segundo turno
Ainda sem saber o que fazer com a ascensão de Marina, Dilma não a confrontou, preferindo esperar um pouco mais para ver no que vai dar. Por sua vez, Aécio procura se diferenciar de Marina, mas com cuidado para não fechar portas para o eleitorado dela caso vá para o segundo turno contra Dilma. Marina escolheu reforçar a ideia de “terceira via”. Foi mais dura com Dilma do que com Aécio, também já de olho em seus eleitores para o segundo turno.

Segundo o Ibope, no segundo turno Dilma perde para Marina (45 a 36) e tem apenas seis pontos de vantagem para Aécio (41 a 35). Além disso, é disparada a candidata com maior rejeição: 36%, contra 18% de Aécio e 10% de Marina. Dilma perde a condição de franca favorita, mesmo com seu enorme tempo de propaganda. Os tucanos torcem para que Marina tenha batido no teto.

Pelo perfil de oposição, a tendência é que no segundo turno boa parte dos eleitores de Aécio votem em Marina. Caso Dilma enfrente Aécio no segundo turno, é presumível que os votos de Marina se dividam entre os que reprovam o governo e os eleitores mais à esquerda que não aceitam o PSDB, deixando a disputa aberta. Assim, Dilma tem que rezar para Aécio passar Marina, mas sem se desgastar com o eleitor dela.

É claro que muita coisa pode acontecer. As estratégias ainda estão sendo recalibradas. Mas o fato é que neste momento o segundo turno apareceu sombrio no horizonte governista.

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Justiça proíbe ofensas de Ciro a Eunício e sem querer ajuda Camilo

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de agosto de 2014

A coligação “Ceará de Todos”, do candidato a governador Eunício Oliveira (PMDB), entrou com ação na Justiça Eleitoral contra integrantes da coligação “Para o Ceará Seguir Mudando”, do petista Camilo Santana, reclamando de ofensas e acusações dirigidas ao peemedebista. O pedido foi aceito e uma liminar determina que o governador Cid Gomes (Pros), o secretário da Saúde, Ciro Gomes (Pros) e o candidato Camilo Santana “se abstenham de promover propaganda eleitoral contendo suposta calúnia, difamação ou injúria” a respeito de Eunício.

Liberdade de expressão
Não se trata de censura prévia, mas de preservar a disputa eleitoral dentro dos limites da legalidade. Ciro Gomes anda dizendo em redes sociais e eventos eleitorais de Camilo que Eunício enriqueceu ilicitamente por meio de contratos obscuros com o governo federal (aliado de Ciro, Cid e Camilo). Cada um é livre para dizer o que quer, mas, nesse caso, sem provas, fica o dito pelo não dito. Uma coisa é o sujeito dizer que o ex-presidente nacional do PT José Genoíno é corrupto, afinal, o caso do mensalão foi julgado pelo STF; outra é sair falando genericamente que candidatos de oposição são corruptos na base do “deixa que eu tenho as costas largas”. Nesse nível, todos poderiam chamar os oponentes de traficantes ou de gangsteres, sem arcar com a responsabilidade do que dizem. Não é por aí. Se realmente sabem de alguma coisa que incriminem alguém, Ciro e Cid devem encaminhar suas acusações às autoridades competentes. Se existem suspeitas públicas contra o adversário, nada impede que sejam mostradas na campanha, desde que tratadas como o que são: suspeitas.

É claro que Eunício poderia entrar com processos de difamação e calúnia na justiça comum, mas como essas ações demoram, até lá, ganhando ou perdendo a questão, as eleições já teriam passado e o objetivo das acusações sem provas feitas pelos governistas teria sido alcançado. Nesse caso, afirmações criminosas poderiam afetar o pleito.

Por que não te calas?
Apesar de parecer um revés contra Camilo, a liminar acabou sendo um favor à sua candidatura, por obrigar o combativo e verborrágico aliado Ciro Gomes a não ofender seu adversário. Ciro possui uma inteligência rara, mas é de conhecimento geral que seus arroubos retóricos muitas vezes são inoportunos. A lista de confusões e contradições é grande, tanto que alongaria em demasia esse texto. Basta uma pesquisa no Google para conferir esse potencial desastroso.

De lados opostos e agora livre das amarras das conveniências, Ciro partiu para o ataque contra o ex-aliado do irmão, justamente no mais sensível dos momentos políticos: as eleições. De cara, ao fazer ainda na pré-campanha insinuações sobre o patrimônio de Eunício, chamando-o jocosamente de “riquinho”, alertou o adversário que, precavido, cuidou de trabalhar uma resposta indireta no horário eleitoral. Assim, a propaganda do PMDB enfatiza com competência a origem humilde do candidato Eunício e fez de sua ascensão financeira um valor positivo ligado ao trabalho. Ponto. Atento, o PMDB não caiu na tentação de retrucar na mesma moeda, rebaixando o debate a uma troca de insultos que soaria antipático ao eleitor, com o risco de parecer movido pelo despeito, o ressentimento e a inveja. Ponto de novo.

Recentemente, o advogado Reno Ximenes, amigo de Cid, publicou texto no Facebook alertando para o descontrole das “interferências” de Ciro, classificadas como “prejudiciais”. Pois bem, a Justiça fez o que muitos aliados do governador secretamente desejavam: tirar Ciro dessa linha de frente agressiva. Por vias tortas, acabou ajudando Camilo. Sem ter que ser preocupar com as gafes do aliado famoso, a campanha do Pros/PT (Pros na frente porque é quem manda) pode se concentrar melhor no próprio candidato.

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As estratégias de campanha na primeira semana do horário eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de agosto de 2014

A horário eleitoral de 2014 começou, com aquele conjunto de regras e conceitos estéticos muito bem demonstrados pelo humorista Marcelo Adnet no vídeo Propaganda Eleitoral Gratuita A Verdadeira. As músicas, os enquadramentos, os testemunhos de sempre estão todos lá, com variações de cor, direção e qualidade, mas sem inovações.

Como a campanha ainda está no começo, a estratégia das campanhas consiste na apresentação dos candidatos.  É o momento de tentar fixar as primeiras impressões. Assim, resumo em poucas linhas o que foi, a meu ver, essa semana de estreias das principais candidaturas, segundo as últimas pesquisas de opinião:

PRESIDENTE

Dilma Rousseff (PT): foram os melhores programas para essa disputa. Não me refiro ao conteúdo político, mas ao  objetivo primordial de promover uma candidatura, sua estrutura técnica e estratégica. Neles, Dilma surge como a gestora eficiente que também é sensível e gosta de cozinhar, aquele que venceu (verbo no passado) a crise internacional e que toca grandes obras. A campanha sacrifica a imagem de liderança que se espera de um presidente, para reforçar a condição de ministra escolhida por Lula. É a continuação previsível da propaganda de 2010. Não por acaso, Lula aparece para referendar a candidata e acusar a impressa de agir como oposição, com o evidente intuito é desqualificar críticas e cobranças que deverão ser feitas no decorrer da disputa pelos adversários.

Aécio Neves (PSDB): ainda não disse a que veio. É apresentado como bom moço, político jovem e experiente, popular e competente governador de Minas Gerais. Não conseguiu ainda estabelecer contrastes com Dilma. de modo genérico fala em retomada de crescimento e intolerância contra a inflação. Pode ser estratégia, com o típico jeitinho mineiro de comer pelas beiradas, chegando de mansinho, como quem não quer nada. Enfoca bastante a expressão “bem-vindo”, para reforçar a ideia de novidade e provocar a hospitalidade do eleitor. Só depois de ganhar a confiança do público é que os programas devem ser mais incisivos.

– Marina Silva (PSB): é a surpresa do momento. Não precisa dizer nada, pois a cobertura sobre a morte do candidato Eduardo Campos a colocou em evidência. Trabalha para aparar arestas internas em sua coligação. Como já era conhecida da eleição passada, seu recall é alto.

GOVERNADOR

Eunício Oliveira (PMDB): foram os melhores programas para governador nesse começo, também no sentido estratégico, sem avaliar conteúdo político. Eunício é apresentado como um autêntico self made man. A narrativa cinematográfica é construída, com começo meio e fim. Apresenta o candidato na casa humilde em que nasceu, com direito a dramatização, seguido de uma trajetória de sucesso. É um roteiro que o público aprova. Busca testemunhos de populares e da família. No geral, os programas procuram mostrar que Eunício concilia capacidade administrativa e experiência política, tendo como maior qualidade a disposição para ouvir. Mostrou ainda imagens ao lado de Lula, de quando foi ministro do ex-presidente~. Até o momento, nem o PT, nem Lula, reclamaram.

Camilo Santana (PT): os programas lembram muito a campanha de Roberto Cláudio para prefeito de Fortaleza, em 2012: texto, música, cores e cenários parecidos, talvez para compensar o fato de que o candidato é pouco conhecido, correndo o risco de não construir uma identidade própria para o candidato. O tempo dos programas é dividido entre falas curtas de Camilo, testemunhos de Cid Gomes e membros do governo estadual, e do prefeito Roberto Cláudio. Os programas mostram obras e projetos das secretarias que foram comandadas por Camilo, para conferir sentido à escolha de Cid Gomes. Curiosamente, Camilo destaca sua capacidade de ouvir, uma reação que tenta anular o discurso de Eunício Oliveira.

Eliane Novais (PSB): é apresentada simplesmente como a candidata do partido de Eduardo Campos. Boa parte do seu tempo foi marcado por homenagens, que além de compreensíveis, ajudam a fazer uma associação da candidata com o líder agora mais do que conhecido do público. Os textos também ressaltam a coragem como qualidade inata da candidata.

Senador

Tasso Jereissati (PSDB): como dispensa apresentações para eleitores acima de 30 anos, a mensagem dos programas focou o público jovem. A aposta é deixar a história política do candidato falar por ele, mostrando imagens de realizações de Tasso enquanto governador e projetos aprovados no Senado. A imagem de político independente, sem padrinhos e com liderança própria, consciente de sua responsabilidade e apaixonado pelo Ceará é trabalhada de forma ágil e leve. Ao mostrar que foi o responsável por obras como o Porto do Pecém e o Castanhão, a campanha busca resgatar empreendimentos que até hoje aparecem na propaganda governamental, mas que aos mais jovens pareciam realizações de gestões mais recentes.

Mauro Filho (Pros): sua propaganda vem no conjunto da coligação de situação. Mauro é o candidato do Camilo, que por sua vez é o candidato do Cid. Os programas não focam, portanto, na liderança, mas na capacidade técnica do candidato, construindo um perfil que conjuga na mesma pessoa o professor acadêmico com o político e o gestor público. Também recorre aos padrinhos para ficar mais conhecido, o que é natural nessa situação, diga-se. No começo, é isso, uma escolha de confiança do governo.

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Secopa quer virar SEGE, mas faltou deputado para votar proposta. Vamos ajudar com sugestões!

Por Wanfil em Ceará

20 de agosto de 2014

Terminada a Copa do Mundo do Brasil, aquela que governistas garantem ser um atestado inequívoco de competência, organização e operacionalidade, a Secretaria Especial da Copa (Secopa), no Ceará, o governo estadual agora quer alternar o nome da pasta para Secretaria Especial de Grandes Eventos (SEGE). Sua missão extraoficial é terminar as obras prometidas para a Copa que não ficaram prontas (o legado que ainda é promessa), mas oficialmente, o órgão cuidará apenas da “implantação e operacionalização do Centro de Formação Olímpica do Ceará”.

A mudança foi discutida na Assembleia Legislativa nesta terça-feira, único dia de trabalho dos senhores deputados estaduais durante o período eleitoral, quando são obrigados (teoricamente) a deixar de lado por algumas horas suas campanhas.

No entanto, por falta de quórum, a matéria não foi votada. Eram necessários 24 deputados no plenário, o que não aconteceu, embora no início da sessão 30 parlamentares chegaram a registrar presença, mas, como ficou constatado, os excelentíssimos só batem o ponto na entrada. E assim, os cearenses ainda não podem com estrutura governamental profissional exclusiva para “grandes eventos”, com seu time de burocratas, cargos comissionados e funcionários terceirizados que, segundo os governistas, é “mínimo”, não obstante a pretensão grandiosa exposta no nome da secretaria.

De qualquer forma, houve algum debate. A oposição criticou a iniciativa, dizendo que já existe uma Secretaria dos Esportes. É verdade. Apesar de ter passado batida durante a Copa, a Sesporte tem lá a sua tradição e corpo técnico. Outro ponto levantado foi a inusitada ideia de ter uma secretaria para apenas uma obra, o que deu margem para que os opositores acusassem a SEGE de cabide de empregos.

O fato é que esse nome parece mesmo meio deslocado. Que grandes eventos são esses, no plural? Talvez fosse o caso de mudá-lo para Secretaria de Grandes, Médios e Pequenos Eventos (Segemepe), afinal, tudo é evento, sem discriminação de tamanho ou valor, para ficarmos politicamente corretos.

Uma possibilidade seria rebatizá-la de Secretaria das Olimpíadas (SEOL), seguindo o padrão do nome original, trocando apenas a competição. Mas aí soaria pretensioso, pois os jogos de 2016 serão no Rio de Janeiro.

Ou então, para fazer justiça ao legado da Secopa, pela incrível façanha de ter reformado o estádio Castelão (não uso o termo Arena, como prefere a FIFA) dentro do prazo, o órgão bem que poderia ser renomeado de Secretaria do Ferrúcio (Sefer), em bela homenagem a esse gestor. Sei que poderia parecer personalismo, mas isso seria apenas outra intriga dos adversários, como tudo mais que não sejam aplausos. Quem sabe assim, tocados pela amizade, os senhores deputados ficassem até o final da sessão para aprovar a mudança.

E você, tem alguma sugestão para o novo nome da Secopa?

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Eliane Novais para o blog: ‘Marina Silva sabe quem são os Ferreira Gomes’

Por Wanfil em Entrevista

18 de agosto de 2014

A morte Eduardo Campos e a confirmação informal de Marina Silva como nova candidata do PSB à Presidência da República deu vazão a inúmeras especulações. Após o choque inicial, os diretórios estaduais da sigla começam a reorganizar suas atividades e a refazer planos.

No Ceará, as diretrizes e a postura de campanha seguem as mesmas, de acordo com a candidata do PSB ao Governo do Estado, Eliane Novais, com quem conversei nesta segunda. A expectativa é que a mudança possa, inclusive, repercutir nas pesquisas.

“O Datafolha já mostra que ela parte com 21%. As pessoas reconheceram que Eduardo era a pessoa que poderia mudar o Brasil e sabem que Marina segue esse projeto. Quando conversamos na Expocrato, na última visita do Eduardo, ela disse que via muito potencial na nossa candidatura. Então, a expectativa é a melhor possível, dentro das circunstâncias, pois nós somos a verdadeira mudança no Ceará. Por isso vamos para o segundo turno”.

Sobre o PSB estadual, perguntei se a ausência de Eduardo Campos, que era presidente nacional do partido, mudava alguma coisa em relação ao Ceará, uma vez que Marina Silva e Ciro Gomes foram ministros no governo do ex-presidente Lula, e se isso poderia acenar para uma reaproximação no futuro. Como todos sabem, os Ferreira Gomes deixaram o PSB em 2013 para apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, após romper com Eduardo Campos, que defendia candidatura própria defendido, em processo turbulento. Eliane foi taxativa na resposta:

“Não há essa possibilidade! Somos oposição no Ceará e isso não muda. Marina sabem quem eles são. Desde que romperam com o Eduardo, os Ferreira Gomes passaram a ser vistos como adversários pelo PSB e pela coligação. Continuamos com a mesma postura de sempre. Olha, ainda bem que o Eduardo botou esse pessoal pra fora. Imagina como ia ser?”.

No terreno movediço das hipóteses, de acordo com o jornal Valor Econômico, comenta-se nos bastidores de Brasília que se tivesse ficado no PSB, Ciro poderia ser o novo candidato do partido. É também impossível saber agora se e quanto Marina poderá impulsionar a candidatura de Eliane Novais. Como dizem os historiadores, não existe a História do que poderia ter sido, mas somente aquela que se realiza de fato. Assim, aguardemos.

Leia também: Mas afinal, o que seria essa terceira via de Marina?

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Mas afinal, o que seria essa terceira via de Marina?

Por Wanfil em Ideologia

18 de agosto de 2014

A terceira via, de Anthony Giddens, foi a base de um novo pensamento de esquerda. Não basta criar um slogan, é preciso ter substância.

Não basta criar um slogan, é preciso ter substância.

Com a morte de Eduardo Campos, a vice da chapa, Marina Silva, deve mesmo ser confirmada como candidata à Presidência da República pelo PSB. Em pesquisa do instituto  Datafolha, encomendada pelo jornal Folha de São Paulo, ela aparece empatada com Aécio Neves (PSDB) em simulação de primeiro e com Dilma Rousseff (PT) no segundo. Naturalmente, a comoção com a tragédia ajudou a candidata, já bem conhecida do eleitor. O que não falta é análise sobre esses números.

Todavia, o que interessa aqui é uma questão tida como acessória por muitos, mas que vejo como essencial: o conteúdo. Marina assume agora a imagem de ‘terceira via’ pregada por Eduardo Campos, apresentada como alternativa à polarização entre PT e PSDB. Mas qual a substância desse posicionamento? O que seria essa ‘terceira via’ , fora a condição óbvia de uma opção a mais nas urnas?

A expressão ‘terceira via’ não é novidade. Nasceu com o Partido Trabalhista da Inglaterra no final dos anos 80 e início dos 90 do século passado. Basicamente, foi a reformulação de teses de esquerda pela social-democracia europeia, para enfrentar o domínio filosófico e eleitoral dos liberais, que dominava o cenário político com os republicanos liderados por Ronald Reagan nos EUA e os conservadores de Margareth Thatcher na Inglaterra. A reação foi o surgimento da esquerda ‘ligth’, ou ‘soft’, ou ainda ‘rosa’, que procurava conjugar progressismo com economia de mercado, sem reduzir o poder do Estado.

Li há muitos anos o livrinho A terceira via, do sociólogo Anthony Giddens, um dos principais nomes dessa corrente, ministro do premiê britânico Tony Blair, seu maior expoente ao lado de Bill Clinton nos EUA, seguido por Nelson Mandela na África do Sul e Fernando Henrique Cardoso no Brasil. (Carlos Menem tentou surfar nessa onda, mas a dolarização da Argentina expôs seu caudilhismo). Era a nova esquerda procurando se reinventar. Para isso, precisou incorporar (e explicar teoricamente, com fundamentação) preceitos do liberalismo. A esquerda jurássica protestou, vendo na terceira via, com razão, a capitulação das fracassadas economias planificadas. Adeus, Marx! A meu ver, a tese de Giddens foi uma forma envergonhada que esquerdistas moderados encontraram para dizer que existe valor social no capitalismo, sem precisar se converter ao liberalismo.

Resumindo, a terceira via defende o Estado Justaposto (ou Estado Necessário), em contraposição ao Estado Máximo (de esquerda) e ao Estado Mínimo (de direita). Seria a combinação de ortodoxia fiscal com assistência social. Tudo, como sempre é no caso das ideias abstratas, muito bonito. Foi desse papo que nasceu, por exemplo, as políticas compensatórias na Inglaterra, que aplicadas no Brasil deram luz às famosas bolsas assistenciais, que se tornariam depois assistencialistas. A terceira via foi o embrião do Bolsa Família, importado pelo PSDB e copiado pelo PT.

Pois é. Boa parte da galera que bate palmas para Marina vendo ali um ideal consistente, nem sabe que “terceira via”, para ela, é sinônimo de “neoliberalismo”, pois nessa época a candidata do PSB, que na verdade luta para criar um novo partido, a Rede Sustentabilidade, era filiada ao PT.

Como a “terceira via” de Marina pretende enfrentar o dilema de uma economia com baixo crescimento, repique inflacionário, baixa poupança e desequilíbrio fiscal? O que ela propõe de diferente de PT e PSDB? Provavelmente nem a candidata saiba responder essas questões. É preciso apresentar algum estofo teórico para sustentar o discurso. Sem isso, a “terceira via” do PSB não passa de um mote vazio de sentido.

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Datafolha no Ceará: início sem surpresas para o Senado

Por Wanfil em Pesquisa

16 de agosto de 2014

Foram divulgados neste sábado os números do Datafolha para as eleições ao Senado, no Ceará. O levantamento foi publicado pelo jornal o povo.

– Tasso Jereissati (PSDB_– 53%
– Mauro Filho (Pros) – 18%
– Raquel Dias (PSTU) – 5%
– Geovana Cartaxo (PSB) – 3%
– Branco/nulo – 9%
– Não sabe – 10%

Esse é o cenário que antecede o início do horário eleitoral, na próxima terça-feira. O desafio agora é traçar as estratégias certas, especialmente no caso das principai9s coligações.

A vantagem de Tasso é considerável. Se Mauro conseguisse conquistar todos os indecisos e reverter brancos e nulos, ainda ficaria 16 pontos atrás, praticamente o seu índice atual. Isso não significa que a fatura esteja certa, mas mostra o tamanho do desafio do candidato da situação.

Não existem agora as condições favoráveis que embalaram as candidaturas governistas em 2010. Naquele ano, o governo federal tinha aprovação recorde e a oposição estava isolada. A conjuntura hoje é bem diferente. Dilma chega ao quarto ano de seu mandato em situação de queda de popularidade. Pode vencer, mas não empolga e não desperta paixões. A economia desandou: o país não cresce, a inflação pressiona. Em 2014, no Ceará, ainda existe um componente adicional: a oposição ganhou o reforço do PMDB, ex-aliado ao governo estadual. Ganhou tempo e estrutura que não tinha antes.

Além do mais, o Datafolha confirma uma regra clássica das pesquisas: fica na frente quem é mais conhecido, que é o caso de Tasso. A seu favor conta a qualidade desses números: a liderança se confirma em todos os estratos e segmentos pesquisados.

Por sua vez, Mauro Filho teve a candidatura definida na última hora, em substituição ao nome de José Guimarães, seu aliado, por causa do arranjo político entre o Pros e PT, que ficou com Camilo Santana na cabeça de chapa. O fato de ser menos conhecido pode ser revertido com o horário eleitoral. Porém, esse ponto não se configura como grande vantagem, pois os tempos das coligações são parecidos. O problema mesmo é o pouco tempo para reverter a situação.

Se por um lado Tasso e Eunício possuem capital político próprio e não dependem de terceiros, por outro Mauro e Camilo dependem muito do engajamento de seus padrinhos políticos Cid e Ciro Gomes. Talvez por isso os irmãos já tenham partido para o ataque, com aquele estilo peculiar de sempre, em palanques e nas redes sociais. Agem como protagonistas da disputa, enquanto seus indicados ficam calados, na esperança de enfraquecer os adversários.

Isso também não é surpresa. Estando atrás, os governistas precisam arriscar. E o risco é saber combinar as doses de propaganda positiva a favor de seus indicados e propaganda negativa contra opositores que remete o leitor à imagem de ex-companheiros traídos por quem soube se aproveitar deles. Em eleições, assim como nos filmes, o público costuma a simpatizar com a vítima.

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Datafolha mostra cenário de incertezas e tentações

Por Wanfil em Pesquisa

14 de agosto de 2014

Os números do instituto Datafolha para a disputa pelo governo do Estado no Ceará, publicados pelo jornal O Povo nesta quinta-feira, mostram o seguinte quadro (pesquisa estimulada):

– Eunício Oliveira (PMDB) – 47%
– Camilo Santana (PT) – 19%
– Eliane Novais (PSB) – 7%
– Ailton Lopes (PSOL) – 4%
– Brancos/nulos – 10%
– Não sabe – 13%

Em relação à rejeição, esse são os índices:

– Camilo Santana (PT) – 30%
– Eliane Novais (PSB) – 28%
– Ailton Lopes (PSOL) – 26%
– Eunício Oliveira (PMDB) – 16%
– Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum – 16%
– Rejeita todos/não votaria em nenhum – 5%
– Não sabe – 16%

O cenário
Eleições são apostas feitas não apenas por candidatos, mas pelo conjunto de forças políticas que se movimentam à procura de espaços no próximo governo. Apostar é assumir riscos. E como ninguém quer perder, a repercussão das pesquisas funciona mais ou menos como termômetro para validar ou mudar essas apostas.

Hoje, o cenário é o seguinte: uma chapa de oposição lidera com folga, seguida do candidato escolhido por um governo com aprovação em queda (mas razoável) e que parte com menos da metade das intenções de voto registradas pelo primeiro colocado. Como tem a máquina, a expectativa é que essa vantagem recue com o início do horário eleitoral. A questão é saber se haverá tempo hábil para buscar uma melhor posição.

Ocorre que, sem nenhuma campanha negativa tenha sido feita pelos adversários, o candidato governista tem a maior rejeição, o que gera dúvidas sobre o alcance de sua capacidade de reação, ainda mais quando se sabe que a aprovação à gestão de Cid Gomes caiu de 65% no início do segundo mandato para 46% agora. Ou seja, o lastro do fiador encurtou.

Tentações
Diante disso a primeira tentação para os aliados do governo é a de construir pontes de diálogo com a oposição, pois existe uma chance real de que ela vença. Aí nasce um impasse: ficar ou mudar? Quem é governista hoje, na sua grande maioria, é por conveniência e não por idealismo. Por isso mesmo pretende continuar governo amanhã, não importa muito quem seja o governador. Foi assim em 2006, quando Cid venceu Lúcio Alcântara. Nesse ambiente de incertezas, aliados da base que estão inseguros viram alvos da abordagem oposicionista. Já o governo, se reagir com truculência, na base da ameaça, tende a criar uma antipatia. Todavia, se ficar parado pedindo mais um tempo, pode ser atropelado.

Duas coisas poderiam compensar essa situação para Camilo Santana: o engajamento pessoal e intenso da presidente Dilma (não que ela transfira votos assim, mas pela força política que o candidato demonstraria) e uma grande vantagem de tempo no horário eleitoral gratuito. Acontece que isso não aconteceu e Dilma espera o desenrolar da campanha para ver como agir, pois não quer se indispor com o PMDB de Eunício Oliveira.

Pressionado pelos números e pelas circunstâncias, a candidatura de situação fica exposta a uma segunda tentação: adotar um discurso agressivo. O fato é que mesmo se todos os 13% do eleitores em dúvida optassem por Camilo Santana (o que é impossível), ainda assim ele não passaria Eunício. É preciso, portanto, fazer o adversário perder votos. Talvez por isso Ciro Gomes tenha dito que essa será uma eleição de ódio. Embora cutucasse a oposição, no fundo parecia sentir essa possibilidade como necessidade estratégica para o seu próprio candidato. Não por outra foi ele o autor das primeiras agressões verbais da campanha. O perigo aí, todos sabem, é que o preço para desconstruir o adversário pelo ataque é perder a simpatia dos eleitores, que passariam a ver o outro como vítima.

Por fim, o Datafolha registra um cenário onde a coligação governista deverá concentrar esforços em fazer sua candidatura avançar com mais velocidade. O foco é fazer valer o cabeça de chapa e o resto vem depois. Para isso, tem que segurar o impasse de seus aliados de conveniência e saber como atacar, para não acabar dando um tiro no próprio pé. E ainda resta ver como os atacados irão reagir. A meu ver, aí está a chave dessas eleições.

É claro que nada está definido e tudo pode mudar. A leitura dessas primeiras pesquisas não indica quem vencerá, mas revela que o páreo será duro e mais equilibrado do que o governo imaginou. As apostas estão abertas.

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A irreverência dos banheiros absurdos…

Por Wanfil em Fortaleza

12 de agosto de 2014

Uma história com três atores vivendo situações inusitadas relacionadas a banheiros concebidos de forma “surrealista e absurda”.

Eu sei, eu sei, essa conversa remete a um certo escândalo envolvendo banheiros e três ex-gestores de uma secretaria estadual. Mas calma que não é nada disso. É que estamos em tempo de eleição e levamos tudo para o lado da denúncia. O assunto é arte e essa é a sinopse da peça teatral “Banheiro Irreverente”, uma comédia encenada pela Companhia Boca d’Cena, com apoio da Prefeitura de Fortaleza, em cartaz a partir desta quarta-feira (13), no Teatro Antonieta Noronha (Rua Pereira Filgueiras, 4 – Centro).

Como é mesmo aquele dizer ao final de obras de ficção? “Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência”. É isso. A Prefeitura, por meio de sua Secretaria da Cultura, está de parabéns por não se policiar, como medo de associações (involuntárias ou não) entre arte e fatos reais que já começam a aparecer no debate eleitoral.

De resto, os banheiros da peça não existem no mundo real, afinal, são cenários para uma narrativa dramatúrgica. Ninguém é enganado, não é mesmo?

Mais informações no site da Prefeitura de Fortaleza.

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A irreverência dos banheiros absurdos…

Por Wanfil em Fortaleza

12 de agosto de 2014

Uma história com três atores vivendo situações inusitadas relacionadas a banheiros concebidos de forma “surrealista e absurda”.

Eu sei, eu sei, essa conversa remete a um certo escândalo envolvendo banheiros e três ex-gestores de uma secretaria estadual. Mas calma que não é nada disso. É que estamos em tempo de eleição e levamos tudo para o lado da denúncia. O assunto é arte e essa é a sinopse da peça teatral “Banheiro Irreverente”, uma comédia encenada pela Companhia Boca d’Cena, com apoio da Prefeitura de Fortaleza, em cartaz a partir desta quarta-feira (13), no Teatro Antonieta Noronha (Rua Pereira Filgueiras, 4 – Centro).

Como é mesmo aquele dizer ao final de obras de ficção? “Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência”. É isso. A Prefeitura, por meio de sua Secretaria da Cultura, está de parabéns por não se policiar, como medo de associações (involuntárias ou não) entre arte e fatos reais que já começam a aparecer no debate eleitoral.

De resto, os banheiros da peça não existem no mundo real, afinal, são cenários para uma narrativa dramatúrgica. Ninguém é enganado, não é mesmo?

Mais informações no site da Prefeitura de Fortaleza.